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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Em 74 dias de 2014, Jatene distribuiu mais cheques-moradia do que nos 12 meses de 2013. Abertura de processos para concessão futura desses cheques cresceu 927% no segundo semestre de 2014. Veja os dados oficiais sobre o cheque-moradia e o uso dele na campanha de reeleição do governador, que acabou cassado pelo TRE.



Dê uma olhada no quadro acima e me diga se dá para acreditar que tudo foi apenas “mera coincidência”. 

Em apenas 74 dias, entre 1 de agosto e 13 de outubro de 2014, o período mais crítico da sua disputa pela reeleição, o governador Simão Jatene distribuiu mais de R$ 56 milhões em cheques-moradia, o que equivale a 43% do total distribuído naquele ano. 

Foi tanto dinheiro – e num período tão curto – que esses R$ 56 milhões superaram tudo o que foi gasto em cheques-moradia nos 12 meses de 2013. E, também, nos 12 meses de 2012. 

Só em setembro de 2014, ou seja, às vésperas do primeiro turno, Jatene despejou, em todo o Pará, mais de R$ 31 milhões em cheques-moradia. Ou mais do que tudo o que gastou nos 12 meses de 2012. E mais da metade do que gastou nos 12 meses de 2013. 

Tem mais. 

A abertura de processos pela COHAB, para a concessão futura de cheques-moradia, cresceu 927%, entre o primeiro  e o segundo semestre de 2014. 

E veja só: quase a metade dos mais de 12 mil processos daquele ano foi aberta em setembro e outubro, ou seja, bem em cima das eleições. 

E a atividade gerada pela distribuição desses cheques foi tão grande, que foi preciso até deslocar funcionários de outros órgãos, para reforçar os quadros da COHAB, a Companhia de Habitação do Pará. 

Os dados são da própria COHAB e foram fornecidos oficialmente, no processo que levou à cassação do governador Simão Jatene. 

Tal processo foi ajuizado pelo Ministério Público, em 2014. 

Em outras palavras: não foi nenhum adversário político de Jatene quem forneceu esses dados, da mesma forma que não foi nenhum adversário político dele quem ajuizou esse processo. 

A única coisa do quadro acima que foi feita pela Perereca são os percentuais – coisa que, aliás, você também pode calcular. 

O link para as alegações finais do MP, já com os números até dezembro de 2014, está aqui: https://drive.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12RWU0c24zMWkxWTg/view?usp=sharing 

E o link para AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) do MP, ainda com números apenas até outubro de 2014, está aqui: https://drive.google.com/file/d/0B8xdLmqNOJ12UUVjRTRlekd5aFU/view?usp=sharing 

Ambos os documentos foram extraídos de um local igualmente insuspeito: o blog do Fausto Macedo, do Estadão, em postagem de 30 de março deste ano (http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/tribunal-regional-eleitoral-do-para-cassa-governador-simao-jatene-psdb/). 

Então, não acredite em mim, não: veja por você mesmo e forme a sua própria opinião. 

É verdade que tenho andado distante deste blog. 

Perdoe-me, caro leitor, mas a pindaíba em que vivo tem me obrigado a vender tudo o que é reportagem interessante que consigo cavar, em vez de postar na Perereca. 

No entanto, creio que é fundamental que você tome conhecimento desses dados, para não acabar enganado por toda essa campanha midiática que vem tentando transformar o Jatene em “vítima” de alguma “conspiração”. 

É robusta a acusação do MP contra o governador. 

Aqui não se trata do simples depoimento de algum delator, que quer diminuir a sua própria sentença. 

Há, sim, nesse processo, cartas de pessoas beneficiadas pelo cheque-moradia, que garantem que votaram e votarão em Jatene. 

Mas o principal é que o MP obteve dados oficiais, números, que demonstram claramente o uso do cheque-moradia, para turbinar a campanha de reeleição de Jatene. 

Outra informação que você também precisa ter é que o juiz eleitoral José Alexandre Buchara Araújo, que votou a favor da cassação de Jatene, não foi apenas do PT: ele também pertenceu ao antigo PFL, que originou o DEM. 

Buchacra foi eleito prefeito da cidade de Capanema, em 2004, pelo DEM. Veja no quadrinho abaixo: 

Buchacra tem sido o alvo preferencial dos jatenistas, que se “esquecem” do fato de ele ter sido, também, de um partido aliado do governador. 

É complicado que um juiz eleitoral tenha pertencido a partidos políticos? A meu ver, é sim. 

No entanto, as pessoas que hoje condenam Buchacra são as mesmíssimas que não disseram nem mesmo um ai sobre o fato de o ministro Alexandre de Moraes, recentemente escolhido para o Supremo Tribunal Federal (STF), ter sido filiado ao PSDB até pouco antes de assumir esse cargo (ele se desfiliou do PSDB em fevereiro deste ano e foi empossado, no STF, em março). 

Mas que agora, como lhes convêm, condenam apenas Buchacra. E além de se “esquecerem” do passado dele como integrante do PFL/DEM, também se “esquecem” de que Jatene foi cassado por decisão de 4 dos 6 juízes que participaram daquele julgamento – ou seja, Buchacra foi apenas 1 dos 4 que condenaram o governador. 

Em verdade,  quem teve participação decisiva na cassação de Jatene pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral), no último 30 de março, foi a juíza federal Luciana Daibes. 

Em 2015, a relatora do processo, a desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro, apresentou um voto contrário à cassação de Jatene. 

Ocorre que Luciana pediu para dar uma olhada no processo. E depois de passar meses e meses examinando toda aquela papelada, concluiu que a meritíssima relatora não tinha razão. 

A juíza, então, escreveu um robusto voto contrário ao da meritíssima relatora. 

E aí, 3 outros juízes eleitorais concordaram com Luciana. 

Democraticamente e simples assim. 

Ao lado da meritíssima relatora acabou apenas o juiz Amilcar Guimarães. 

O doutor Amilcar é aquele mesmo que, em 2012, esculhambou o jornalista Lúcio Flávio Pinto, nas redes sociais, e foi classificado por Lúcio como “indigno da toga que veste, do salário que recebe e dos poderes que a sociedade lhe conferiu”. 

Ainda segundo o Lúcio, o doutor Amilcar livrou-se de um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) com uma ajudinha do digníssimo desembargador Milton Nobre. Leia aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/03/um-juiz-indigno-da-toga-que-veste-do.html 

Já a meritíssima relatora Célia Regina de Lima Pinheiro é aquela que teria sido guindada ao Desembargo por ser “protegida” do digníssimo desembargador Milton Nobre, segundo afirmou a então juíza (e hoje desembargadora) Rosileide Filomeno, em um diálogo grampeado pela Polícia Federal. 

Na época do grampo, 2006, a PF investigava Marcelo Gabriel, filho do ex-governador Almir Gabriel, e o empresário Chico Ferreira, que hoje puxa uma cana de 80 anos, como mandante do assassinato dos irmãos Novelino. A suspeita da PF era que Chico e Marcelo comandavam uma organização criminosa, especializada em fraudes licitatórias. 

E um belo dia, Chico Ferreira estava no gabinete de Rosileide e ela resolveu conversar, por telefone, com Marcelo, para que ele intercedesse por ela junto ao doutor Almir, que havia sido indicado para concorrer novamente ao Governo do Estado, pelo PSDB. 

O desembargador Milton Nobre era, então, presidente do Tribunal de Justiça do Pará. 

Rosileide queria que Almir mandasse Milton Nobre escolhê-la para a vaga de desembargadora, já que suspeitava que o digníssimo meritíssimo pretendia proteger Célia Regina, com quem mantinha profundas relações de amizade. Célia era, então, “mulher do Humberto de Castro”, desembargador que viria a falecer em maio de 2010. 

E, como previsto por Rosileide, foi Célia Regina quem acabou ascendendo ao Desembargo, em novembro de 2006. 

Clique no quadrinho abaixo, para ler o pedagógico diálogo grampeado pela PF: 


E foi isso o que aconteceu, caro leitor: a meritíssima relatora não conseguiu convencer os seus pares sobre a “inocência” do governador. E o voto da juíza Luciana Daibes acabou fazendo com que prevalecesse a robusta denúncia do Ministério Público. 

Quanto ao crime de que é acusado o governador, não é “pouca coisa”, não, como ele vem tentando fazer crer. 

Uso da máquina, abuso de poder (como é o caso da farta distribuição de cheque-moradia, em 2014) é tentativa de fraudar as eleições. 

É corrupção, compra de votos. 

É desvio de dinheiro público. 

É o uso do seu suado dinheirinho de impostos, para pagar campanha eleitoral. 

E quanto aos chiliques do governador por causa da decisão do TRE, isso é puro desespero de quem sempre acreditou na própria “intocabilidade”, por haver atrelado ou amordaçado boa parte das instituições e seus integrantes. 

É, em suma, o desespero de quem sabe que se aproxima a hora de pagar por todos os crimes que cometeu. 


FUUUIIIII!!!!!! 

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Confira nos quadrinhos.

Os mais de 9 mil cheques distribuídos entre junho e dezembro de 2014 (81,25% do total do ano):


O recorde de cheques-moradia distribuídos em setembro de 2014:



A concessão mês a mês de cheques-moradia, entre 1 de janeiro e 13 de outubro de 2014:




Depoimentos de contemplados pelo cheque-moradia afirmando que são eleitores de Jatene:




O crescimento mês a mês dos processos abertos em 2014, para concessão futura de cheques-moradia: aumento de 927% no segundo semestre:


 Os servidores de outros órgãos deslocados para a COHAB, em 2014, devido à farra do cheque-moradia:

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