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domingo, 28 de agosto de 2016

Pesquisa Ibope: a eleição acabou para Zenaldo?





Rejeição de 50%, desaprovação de 73% e apenas 11% das intenções de voto, na estimulada: é esse o atoleiro em que se encontra o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, do PSDB, segundo pesquisa do Ibope, contratada pela TV Liberal.

O candidato do PSOL, Edmilson Rodrigues, aparece na frente, com 37% das intenções de voto, seguido por Éder Mauro, do PSD, que tem 28%.

Isso significa que Zenaldo não tem mais chances de se reeleger? Não.

Porque eleição se ganha é na campanha - e ela só há pouco começou.

E quem ganha a eleição, aliás, nem é o candidato. É a miragem criada pelo marqueteiro.

Nem precisamos ir longe, em busca de um exemplo do que estou a dizer: Duciomar Costa, na eleição de 2008.

Na época, Duciomar também batia recordes de rejeição e desaprovação – salvo engano, também na casa dos 70%.

No entanto, ele se reelegeu.

A máquina pesou? É claro que sim - e muito!

Mas de nada adianta o controle da máquina, sem uma boa estratégia de marketing. Vide a governadora Ana Júlia Carepa, em 2010.

O marketing político pode transformar um “bandido” em herói, e vice-versa.

E um erro de apenas 30 segundos pode custar uma campanha que parecia ganha, mesmo que do outro lado esteja um autêntico “mala”.

É magia? É milagre? Não. É pura manipulação mental.

O marketing político mexe com a irracionalidade, com as emoções.

Mexe com os nossos medos e a nossa busca por segurança; mexe com a nossa necessidade de acreditar e, sobretudo, com essa força poderosíssima que é a esperança.

A cada campanha, somos levados a reempreender essa jornada de milênios por um “Fabuloso Tempo dos Começos”, no qual inexistia a fome, a morte, a dor.

É a jornada do impossível, uma contradição frente ao Humano.

Afinal, como imaginar uma Terra sem fome, morte e dor, com seres finitos, instintivos e com consciência de si?

É claro que, nessa jornada, não pode faltar o herói, o Salvador, o Messias,  na reconquista da Terra Sem Males.

Ou até a Mãe, que “cuidará de nós”, a nos reconduzir à infância mitificada.

Esses são arquétipos que nos acompanham, provavelmente, desde que descemos das árvores.

A sua força vem do inconsciente, longe da zona de controle da racionalidade.

É provável, sim, que um baixo nível de escolaridade torne as pessoas mais sensíveis a esse tipo de coisa.

No entanto, o marketing em geral (e o marketing político se utiliza, também, de princípios gerais) está aí para provar que nem mesmo pessoas com alta escolaridade estão imunes a essa manipulação.

Ou você já se esqueceu da “boazuda” vendendo aquele carrão?

Ou daquela turma de amigos, toda feliz, tomando aquela marca de cerveja?

No primeiro caso, você deve ter comprado o carrão sem se dar conta de que o que lhe foi vendido foi um símbolo vistoso do seu poder e masculinidade.

No segundo, foi tomar a cerveja, sem nem perceber a ritualização envolvida naquele anúncio.

É de se lamentar que o marketing político tenha reduzido as campanhas eleitorais à simples venda de miragens.

Pouco importa o histórico do candidato ou as suas propostas: o que vai vencer é a melhor miragem.

Aquela que conseguir convencer o eleitor de sua factibilidade, embora absolutamente impossível.

Deriva daí, talvez, o nível cada vez mais deprimente dos eleitos, já que vão se transformando em meras cascas.

E até os partidos vão virando meros adereços.

Tudo tem que se curvar às exigências do marketing, com o seu grandioso espetáculo, capaz de levar às lágrimas o mais empedernido coração.

Ou até de provocar exaltação semelhante à da cocaína.

É claro que a política sempre foi, de certa forma, um grande comércio de banha de cobra.

Mas também é inegável que o marketing político está a aprofundar, cada vez mais, essa manipulação.

A grande incógnita é aonde chegaremos com tudo isso.

Afinal, a propaganda nazista fez o que fez.

Só que os meios que possuía eram bem inferiores aos que se encontram, hoje, à disposição dos nossos marqueteiros.

FUUUIIIIII!!!!!!

............... 


E aqui o vídeo da divulgação dela (veja o vídeo porque o texto do G1 está errado, apontando a rejeição de Zenaldo de 40%, e não de 50%): http://g1.globo.com/pa/para/eleicoes/2016/noticia/2016/08/edmilson-tem-37-e-eder-mauro-28-na-disputa-em-belem-diz-ibope.html 

A pesquisa foi contratada pela TV Liberal e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) sob o número PA-06401/2016. Foram ouvidos 602 eleitores de Belém, entre os dias 22 e 25 de agosto. A margem de erro é de 4%. O nível de confiança é de 95%.

Leia também a postagem da Perereca sobre pesquisas anteriores, que também apontaram a ampla liderança de Edmilson, na disputa pela Prefeitura de Belém: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2016/08/edmilson-lidera-disputa-pela-prefeitura.html

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