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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vazamento de Aúdios: a quem beneficia?






É preciso muito cuidado com esses áudios que estão sendo publicados pela Folha de São Paulo. Do contrário, acabaremos é como massa de manobra. 

A primeira coisa a fazer é aquela pergunta clássica: a quem beneficia? 

E a resposta, parece-me, é que isso beneficia, sobretudo, a Lava-Jato, embora não se possa descartar alguns tucanos como co-beneficiários (leia-se Zé Serra). 

Desde a “condução coercitiva” do ex-presidente Lula, a Lava-Jato encolheu. 

Todos os desmandos que praticou se tornaram claríssimos a uma enorme parcela da população. 

E tudo piorou com as trapalhadas daqueles procuradores de Justiça de São Paulo, que pediram a prisão do Lula. 

Mas agora, com esses áudios, a Lava-Jato volta a fulgurar como a “salvação” deste país. 

(Como se alguma coisa pudesse justificar as práticas medievais de que se utiliza, para a obtenção de delações...). 

Ora, o que essas gravações revelam é um amplo complô, com a participação ou a anuência de todas as instituições, para deter essa operação, mesmo que seja preciso até afastar a presidenta. 

É a Lava-Jato o ator principal; o golpe, um mero coadjuvante. 

Todas as instituições que poderiam barrar os desmandos dessa operação, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), estão, neste momento, emparedadas. 

A República desmorona diante de nós. 

E quem é que permanece de pé, o “Messias” em todo esse caos? Ele mesmo, o juiz Sérgio Moro. 

Até a proposta de Renan Calheiros para acabar com essa violência, essa ilegalidade de prender gente para obter delações, está sendo explorada, pela grande imprensa, como um “atentado” a essa operação. 

Toda a Política e até a maioria das instituições vão se transformando em enormes chiqueiros; em coisas imundas, caras e desnecessárias. 

E, novamente, temos de perguntar: a quem beneficia? 

Não esqueça: a maioria dessa massa que apoiou o golpe não tem compromisso com a Democracia. 

Você pode colocar diante dela qualquer objetivo – “combate à corrupção”, “combate à violência”, “moralização dos costumes” – que ela caminhará atrás do mesmo jeito, ainda que pisoteando a Democracia, à qual sempre julgará “menos importante”. 

Se amanhã o Moro entregar esses presos para serem linchados, a maioria vai é gritar: “bandido bom é bandido morto!”. 

Alguns, talvez, até digam: “ah, não era bem isso que eu defendia”. 

Mas depois de uma linda justificativa, para resguardar a imagem pública, voltarão pra casa contentes, porque, bem lá no fundo, sempre acharam “exagerado esse monte de direitos”. Pros outros, é claro. 

Mas aí você pode argumentar: “não, mas esses áudios também beneficiam a Dilma, porque confirmam que o impeachment foi um golpe”. 

Ok, mas vamos raciocinar um pouquinho – e não do nosso ponto de vista, mas do ponto de quem vazou. 

Em primeiro lugar, qual o efeito prático deles contra o “impeachment”, neste momento? 

Ou seja, já depois do afastamento de Dilma, da ascensão de Temer e quando PT e PMDB se digladiam. 

Ora, do lado de cá, esses áudios só comprovam o que todos já estavam carecas de saber, e que ficou claríssimo nas votações da Câmara e do Senado: o “impeachment” é um golpe de Estado. 

E, do lado de lá, qual o efeito desses áudios sobre quem sempre esteve disposto a apoiar esse golpe, seja em nome do “combate à corrupção”, seja em nome da crise, seja em nome de interesses econômicos ou partidários, ou até mesmo porque tem um ódio visceral às esquerdas? 

Um ou outro pode até se arrepender, sentir-se massa de manobra, mas a maioria não tá nem aí. 

E isso, como já dito, porque todas essas pessoas não têm clareza sobre o valor da Democracia e só a apreciam quando estão em jogo os direitos delas mesmas. 

Olhe o cenário todo, caro leitor – mas da forma como deve ter olhado o “vazador”. 

A Câmara e o Senado são controlados pela dupla Temer/Cunha; os grandes grupos de comunicação estão ao lado dele (o “vazador”); o STF, há anos, mostra-se acovardado e não aguenta nem peteleco da mídia; há uma parcela expressiva da sociedade que apoia o golpe, mesmo sabendo que é golpe. Então, como é que isso poderia ter algum efeito prático para a reversão do “impeachment”? 

Tudo bem: isso ajuda a desmoralizar o “impeachment” perante o mundo. 

Mas aquela sessão da Câmara, de 17 de abril, já havia feito isso de forma contundente, da mesma forma que a honradez da Dilma e a extensa folha corrida de seus opositores. 

É  “o custo do benefício”, digamos assim. 

Então, é preciso que a gente não se iluda, achando que tudo isso poderá alterar alguma coisa, fazendo com que a Dilma reassuma o cargo – e o autor desses vazamentos, por sinal, ilegais, sabe disso muito bem. 

O que pode realmente virar esse jogo é o povão, mas a partir de questões econômicas. 

E, como até já disse aqui, isso nem deve demorar, especialmente depois dessas medidas anunciadas pelo Temer Golpista. 

São os cortes de benefícios sociais e de direitos trabalhistas, o sufoco que vem por aí, que poderão gerar mobilizações de massa como este país nunca viu, levando até mesmo a um novo período do Brasil republicano (o sexto, salvo engano). 

E é essa vigorosa reação das ruas que o “vazador” e a sua patota talvez não tenham considerado em seus planos, já que a visão autoritária costuma imaginar que basta apenas se apoderar do Estado, para controlar tudo e todos. 

Portanto, temos de ter muito cuidado para não acabarmos é contribuindo para o fortalecimento do juiz Sérgio Moro e de outros fascistas. 

O combate à corrupção é uma luta importantíssima de toda e qualquer sociedade. Uma luta que é de cada cidadão e que precisa ser travada todos os dias. 

Mas esse combate tem de ser feito dentro da Legalidade – e não rifando o Estado Democrático de Direito; e não mirando apenas este ou aquele partido, este ou aquele político. 

Preocupa-me muitíssimo não saber, concretamente, o “quem” e o “por que” desses vazamentos, amplamente repercutidos em toda a grande imprensa, desde sempre golpista (ela esconde as manifestações, mas divulga os áudios, né?). 

É pra ficar, sim senhor, com trezentas pulgas atrás da orelha. 

Vamos aguardar o que vem mais por aí 

FUUUIIIIII!!!!! 

..............
Ouça com atenção o áudio de Renan. Lá se procura mostrar até que os patrões da Globo e da Folha não tem interferência no noticiário, porque a Lava-Jato gerou um efeito manada – como se esse fenômeno tivesse origem extraterrestre...


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