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quarta-feira, 16 de março de 2016

Lula e a mulher de César







Se estivesse no lugar de Lula não aceitaria cargo de ministro, neste momento.

Penso que Lula não precisa de foro privilegiado, para “fugir” do juiz Sérgio Moro.

O episódio da condução coercitiva dele é prova disso: as pesquisas mostraram a discordância da maioria dos brasileiros (e isso apesar do massacre midiático sofrido pelo ex-presidente).

Além disso, a falta de razoabilidade e até possível ilegalidade daquela operação gerou protestos de enorme quantidade de juristas e até de ministro do STF.

Da tentativa de prisão preventiva dele, então, nem se fala: nem a oposição teve coragem de defender aquela peça cometida pelos promotores de São Paulo.

Creio que o próprio Lula sabe que não precisa disso.

E, ao que li, foi grande a relutância dele em assumir esse cargo, justamente por saber que tem condições de se defender e, animal político que é, também imaginar como tal aceitação parecerá.

Lula é, talvez, o mais impressionante líder popular da História do Brasil. E a sua biografia, quer se goste dele ou não, demonstra extrema coragem, mesmo diante das piores ameaças.

Ele tem a força da palavra, que, como imagina Shakespeare, levou a multidão a caçar, furiosa, os assassinos de Júlio César, virando um jogo que parecia ganho pelos artífices daquele assassinato.

Tem, ainda, a força de uma trajetória que bem poucos cidadãos possuem ou possuíram, em qualquer tempo e lugar.

Então, não seria um juiz, ao qual até muitos de seus pares já olham com extrema desconfiança, que iria assustá-lo.

Pelo contrário: Lula preso, neste momento, poderia é provocar um levante popular de consequências imprevisíveis.

E se quiserem de fato trancafiá-lo, seus algozes terão é de provar, sem sombra de dúvida, que ele é de fato o “maior corrupto” da História do Brasil – o que, vamos e convenhamos, não é.

Afinal, afirmar que o “poderoso chefão” de um esquema bilionário como a Petrobras ficaria apenas com um sítio vagabundo, um apartamento de classe média, um pedalinho e uma canoa velha, que perfazem uns R$ 4  milhões, é querer brincar com a inteligência do distinto público.

E mais: ainda que Lula seja culpado, a fila de corruptos no Brasil é tão extensa, que, se formos justos e seguirmos a “ordem dos precatórios”, é bem possível que, quando chegar a hora do velhinho, dele já não exista mais nem pó. E disso sabe até o Louro José.

No entanto, essa história de ministério, nos remete novamente a Roma Antiga, ao caso da mulher de César.

Clódio, um sujeito apaixonado por Pompeia, a mulher de Cesar, conseguiu entrar, disfarçado, na residência do casal. E aí começaram os mexericos: “Mas como é que esse cara, apesar de tantos guardas, conseguiu entrar lá? Não, é claro que ela ajudou”.

O caso foi a julgamento, Pompeia acabou absolvida, mas, mesmo assim, César se separou dela.

E aí alguém perguntou pra ele: “Cara, por que é que estás fazendo isso? Tá provado que a tua mulher é inocente! Por que é, então, estás te separando dela?”

E foi aí que o César teria dito uma frase fantástica, mais ou menos assim: “Porque à mulher de Cesar não basta apenas ser honesta. Ela tem, também, de PARECER honesta!”.

E eu não creio, sinceramente, que nem toda a história de coragem de Lula consiga livrá-lo de suspeitas sobre os motivos para a aceitação desse ministério.

Além do que, não é lá muito republicano que um sujeito, ainda que nem sequer indiciado, mas sobre o qual pesam graves suspeitas, seja guindado ao comando de um ministério.

É verdade que, do ponto de vista puramente estratégico, a ascensão de Lula à Casa Civil pode se revelar uma das mais brilhantes jogadas políticas dos últimos tempos (e, aparentemente, é isso o que assusta a oposição).

Por mais que se tente minimizar as manifestações do último dia 13, o fato é que aquele PIB e poder de articulação que tomou as ruas é assustador.

E será preciso uma guinada econômica, com ganhos, especialmente, para os mais pobres e a classe média; e uma enorme habilidade política, para segurar na canoa aliados como o PMDB, a fim de evitar que aquele PIB e poder de articulação arrastem o País para a direita, e até para um regime de exceção.

É verdade que Lula, por tudo o que já se disse aqui, é uma das pessoas mais capacitadas para promover tais mexidas.

No entanto, penso que Dilma não é nenhuma “donzela aprisionada na torre”.

Ela também possui uma história de força, coragem e inteligência.

E se lhe falta “apelo de massa”, já que possui um perfil muito mais técnico, tal lacuna poderia ser preenchida tendo Lula apenas como fiador de tais articulações.

Para isso bastaria que Lula assumisse emergencialmente a Presidência do PT e passasse a residir em Brasília. Afinal, não é o PT o partido que está no Poder? Então, qual seria o problema de o seu presidente assumir tal papel?

Toda a articulação política passaria a ser feita pelo presidente do PT. E os chefes da Casa Civil e do Governo, sempre sob o comando da presidenta, colocariam em prática tudo o que viesse de lá.

Essa mexida, aliás, daria uma boa visibilidade a Lula, para 2018. E até lhe permitiria viajar por todo o Brasil, sem que ninguém pudesse acusá-lo, mais adiante, de campanha eleitoral antecipada.

O melhor, porém, é que não exigiria enormes contorcionismos éticos e nem abriria espaço para gigantescas disputas judiciais, como aquelas que parecem se avizinhar.

FUUUIIIIIIIII!!!!!

Um comentário:

Porter disse...

Concordo 99%