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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Prefeitura usa dinheiro público em propaganda pessoal de Zenaldo, sonega informações, engana a população e ataca jornal. Boletim de Ocorrência e Sindicato dos Médicos confirmam reportagens do Diário sobre a transferência de um equipamento do PSM do Guamá para o PSM da 14. Diário Oficial desmente propaganda da Prefeitura. É o dinheiro público turbinando a imagem de Zenaldo em pleno ano eleitoral.





Há algo de muito esquisito no funcionamento da Coordenadoria de Comunicação (COMUS) da Prefeitura de Belém. 

Todos os funcionários da COMUS são pagos com dinheiro público. 

E todos os materiais lá existentes, desde uma simples caneta a mesas, câmeras e computadores, também foram adquiridos com dinheiro público. 

No entanto, toda essa estrutura, mantida com o dinheiro suado do contribuinte, parece estar sendo usada para a propaganda pessoal do prefeito Zenaldo Coutinho e para a produção de ofensas a veículos de comunicação, aos quais também são sonegadas informações de interesse público. 

O exemplo mais espantoso desse mau uso de uma estrutura pública de comunicação ocorreu no último final de semana, após a solenidade de entrega das obras de reforma do Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, na 14 de Março, na última quinta-feira, 25. 

Na sexta, 26, o jornal Diário do Pará publicou reportagem de capa contendo uma denúncia gravíssima: duas pessoas teriam morrido no Pronto Socorro Municipal do Guamá devido à retirada, daquele hospital, de um carrinho de anestesia, que teria sido levado para a solenidade no PSM da 14. A falta desse equipamento teria impedido que esses dois pacientes  fossem operados a tempo. 

A denúncia, disse o jornal, partiu de médicos do próprio PSM do Guamá que até registraram um Boletim de Ocorrência (BO), na delegacia daquele bairro, para se resguardarem de eventuais tentativas de responsabilizá-los por tais mortes. 

De tão bombástica, a notícia gerou incredulidade: afinal, é difícil de acreditar que alguém seja capaz de colocar em risco vidas humanas apenas para conseguir boas imagens para as emissoras de TV, durante a entrega de uma reforma hospitalar. 

Porém, quase tão inacreditável foi a reação da COMUS àquela reportagem. 

Em vez de simplesmente afirmar desconhecer tais fatos e até que a Prefeitura abriria investigação, dada à gravidade das denúncias, a COMUS resolveu desancar o Diário. 

Em nota publicada no sábado, 27, no Facebook, intitulada “A mentira tem pernas curtas”, a COMUS escreveu: “O Diário do Pará diz em sua matéria mentirosa, que dois pacientes morreram no PSM do Guamá em função de um aparelho que teria sido retirado de lá para o PSM da 14. Mentira! Todos os equipamentos do novo PSM da 14 são novos, e não houve mortes no PSM do Guamá em função disso (...). E concluiu, mais adiante: “Fique atento! Quem já tentou transformar a Santa Casa, num hospital de Honduras, é capaz de tudo”. 

Teria sido melhor que tivesse ficado calada: ontem, 28, o Diário estampou a cópia do boletim de ocorrência com os nomes dos seis médicos que fizeram a denúncia: Paulo Cezar Torres, Diego Uchoa, Maurício de Melo, Jader Barros, Francinaldo Sena e Luís Cláudio Martins (clique na foto que abre esta matéria). 

O jornal também trouxe a informação de que o procurador de Justiça Nelson Medrado já solicitou cópia do BO à delegacia do Guamá, e que abrirá procedimento para investigar o caso. 

Se tivesse se preocupado menos em defender o prefeito, e mais em apurar uma informação de interesse público, a COMUS teria descoberto que nem foi o Diário o primeiro a divulgar essa denúncia: ela foi divulgada em primeira mão na quinta-feira, 25, pelo site do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). 

“No HPSM do Guamá o movimento foi grande e dois médicos atenderam na triagem, sendo que os demais plantonistas permaneceram no atendimento interno. Dos nove casos com indicação de cirurgia atendidos pela manhã nenhum pôde ser operado. O centro cirúrgico do hospital só dispõe de um carro de anestesia, que foi levado para o HPSM da 14 hoje e a sala de cuidados pós-cirúrgicos estava com os leitos totalmente ocupados. Enquanto isso, pacientes esperam atendimento em corredores lotados ou em áreas abertas, expostos à sol e chuva”, escreveu o Sindmepa. Confira aqui: http://sindmepa.org.br/medicos-fazem-triagem-no-guama-e-unidades-de-urgencia/ (os grifos são do blog). Ou clique no quadrinho abaixo: 


No dia seguinte, 26, a manchete do Diário foi confirmada pelo Sindimepa. “Após a morte de dois pacientes ontem no hospital do Pronto Socorro do Guamá, médicos plantonistas daquele hospital fizeram um Boletim de Ocorrência para se resguardar de possíveis responsabilizações pelos fatos ocorridos. Dos nove pacientes que precisavam ser submetidos à cirurgia ontem, dois morreram antes de serem operados”. Confira aqui: http://sindmepa.org.br/medicos-fazem-bo-contra-falta-de-condicoes-no-hpsm-do-guama/ . Ou clique no quadrinho abaixo: 


Quer dizer: o jornal apenas agiu como todo e qualquer jornal e jornalista, ainda que empregado de assessoria de imprensa, deveria agir – resolveu apurar uma denúncia gravíssima e de amplo interesse social. 


Sonegação de informações públicas e propaganda pessoal 

Ainda mais preocupante, no caso da COMUS, é que o jornal afirma que solicitou informações àquela coordenadoria, aquando das duas reportagens, mas não obteve retorno. 

Ou seja, a COMUS teria sonegado informações a um veículo de comunicação, o que, aliás, não seria a primeira vez. 

O fato preocupa porque atenta contra os princípios da impessoalidade e da publicidade que têm de ser obedecidos pela administração pública, conforme prevê o artigo 37 da Constituição Federal. 

Em outras palavras: pouco importa se a COMUS e o secretário de Comunicação da Prefeitura simpatizam com os jornalistas do Diário ou com a linha editorial do jornal. Tudo o que produzem é pago pelo erário e tem, sim, de ser disponibilizado a todo e qualquer jornalista, jornal ou cidadão. 

Mas os problemas não param por aí. 

O mesmo artigo 37 da CF, diz, em seu parágrafo primeiro: “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. 

E, no entanto, basta uma rápida visita ao site da Prefeitura para dar de cara com um festival de propaganda pessoal do prefeito. 

Só ontem, a Perereca encontrou quatro fotos de Zenaldo, entre matérias elogiosas, inclusive um áudio que afirmava que ele até ganhou um prêmio como “Personalidade em Saneamento Ambiental”. 

Veja as fotos: 






E mais: em um vídeo sobre a solenidade de entrega da reforma do PSM da 14, um engenheiro até induz  o contribuinte a erro, ao afirmar que o que aconteceu no PSM da 14 não foi uma reforma, mas a construção de um novo hospital. 

Quase toda a propaganda da Prefeitura e do Governo do Estado, aliás, tem sido no sentido de enganar as pessoas, para que acreditem que se trata de um “novo” PSM. Veja um exemplo:



No entanto, veja o que diz o Diário Oficial sobre aquela obra:


 
Ou seja: longe de informar corretamente a população, como determina a Constituição Federal, a COMUS faz propaganda pessoal do prefeito, além de mentir com dinheiro público.

Tudo em ano eleitoral e nas barbas do Ministério Público.

Veja também as fotos da situação dramática em que se encontra o PSM do Guamá, extraídas pela Perereca do site do Sindmepa:




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