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terça-feira, 13 de maio de 2014

Extra! Extra! Suposta troca de emails entre Ronaldo Brasiliense o Orly Bezerra revela indícios de uso de dinheiro público para a reeleição do governador Simão Jatene. Emails foram violados, afirma Brasiliense, que não nega autenticidade de documentos publicados pelo jornalista e blogueiro Paulo Leandro Leal. È a mais explosiva polêmica da blogosfera paraense.


Orly, Brasiliense e Jatene: dinheiro público estaria turbinando campanha de reeleição (foto do blog Vionorte)



Um comentário anônimo postado em um blog pode complicar a situação do jornalista Ronaldo Brasiliense, da Griffo Comunicação, do marqueteiro Orly Bezerra e do próprio governador Simão Jatene, que é candidato à reeleição, em outubro próximo.

O comentarista, que escreve como se fosse Brasiliense, admite que são verdadeiros os emails publicados pelo também jornalista Paulo Leandro Leal, no blog Vionorte.

“(...)Meu sigilo de correspondência eletrônica (e-mail) foi quebrado de forma criminosa e com um interesse claramente definido: tentar descobrir ilegalidades nas minhas relações com o governo do Estado”, diz o comentarista.

E acrescenta: “Mas o que se viu é que de 9.395 emails existentes na minha caixa de mensagens, foram selecionados menos de vinte, todos diretamente ligados de alguma forma ao governo do Pará e à sua publicidade, e ao senador Jader Barbalho (...)”. 


Uma bomba na blogosfera 

O comentário, que foi postado no blog do deputado Parsifal Pontes,  é mais um ingrediente da mais explosiva polêmica da blogosfera paraense: a suposta violação de emails trocados pelo jornalista Ronaldo Brasiliense com o marqueteiro Orly Bezerra, dono da Griffo Comunicação, a agência de propaganda que detém a maior fatia da conta de publicidade do Governo do Pará.

Nos emails, há fortes indícios de utilização de dinheiro público na campanha de reeleição de Jatene.

O principal deles é um Pedido de Inserção (PI) da Griffo Comunicação, para a publicação de anúncios do Governo do Estado no jornal O Paraense, que é dirigido por Ronaldo Brasiliense.

O jornal, cujo único anunciante parece ser o Governo, rasga elogios ao governador Simão Jatene. Ao mesmo tempo, publica reportagens contrárias ao pré-candidato oposicionista, Helder Barbalho, e ao pai dele, o senador Jader Barbalho (PMDB), dentre outras lideranças oposicionistas.

O Pedido de Inserção, que tem o número 019397, destina R$ 35 mil da verba de publicidade do Governo para dois anúncios de página inteira no jornal O Paraense – um tabloide quinzenal, de tiragem não revelada e que costuma circular apenas em períodos eleitorais e pré-eleitorais.

O jornal tem o preço de capa de R$ 1,00, mas também é distribuído gratuitamente em vários pontos da capital do Pará. 

Veja a PI publicada pelo blog Vionorte (clique em cima dela para ampliar):




Nos emails, aparentemente autênticos, Ronaldo Brasiliense chega a enviar ao marqueteiro Orly Bezerra as reportagens contrárias a candidatos oposicionistas que acabara de publicar em O Paraense e que pretendia reproduzir na coluna “Por Dentro”, que mantém nas edições dominicais do jornal O Liberal, um dos principais veículos de comunicação do estado.

É o caso da matéria segundo a qual o pré-candidato oposicionista ao Senado, Paulo Rocha (PT), pode estar inelegível, em decorrência da Lei da Ficha Limpa.

Ela foi publicada em O Paraense na edição de 1 a 15 de abril deste ano.

Mas, em 1 de abril, Brasiliense teria enviado um email ao marqueteiro, pedindo-lhe opinião sobre essa matéria, que pretendia reproduzir no jornal O Liberal do dia 6 – o que de fato ocorreu.

Nessa edição de O Paraense, que tem 16 páginas, além da matéria de capa e de contracapa sobre a possível inelegibilidade de Paulo Rocha, há duas páginas de anúncios do Governo do Estado e sete páginas de matérias elogiosas ao Governo Jatene, seis delas com fotos do governador.

Na edição de 15 a 30 de abril (e que teria sido a destinatária dos anúncios de R$ 35 mil do PI 019397), das 16 páginas de O Paraense duas são de anúncios do Governo do Estado; 3, além da capa, são de reportagem sobre o “escândalo do Banpará” e o suposto envolvimento do senador Jader Barbalho em um desvio de R$ 10 milhões naquele banco; e duas são de uma entrevista com o vice-governador Helenilson Pontes, que é pré-candidato ao Senado, com o apoio de Jatene.

De quebra, há uma foto do governador Jatene, com nota elogiosa na coluna “Na Planície”, também assinada por Brasiliense, na página 3; uma reportagem sobre a possibilidade de outra puxadora de votos do PT também estar inelegível - a ex-governadora Ana Júlia Carepa; e um editorial de página inteira criticando a presidenta Dilma Rousseff, que é do PT.

E da mesma forma que a matéria sobre a possível inelegibilidade de Paulo Rocha, a reportagem sobre os 30 anos de impunidade do escândalo do Banpará, publicada em O Paraense, teria sido encaminhada por email, para palpites de Orly Bezerra, em 23 de abril.

Aliás, ao que parece, Orly também teria recebido o texto que viria a ser publicado por Brasiliense sobre o escândalo do Banpará no jornal O Liberal de 27 de abril, já que comenta o fato de Jader ter chegado jovem ao Governo, o que pode ocorrer, também, com o seu “pimpolho” (a reportagem publicada por Brasiliense em O Liberal abre justamente fazendo essa relação).

Em outra edição de O Paraense, de janeiro deste ano, mas que não aparece na troca de emails, o esquema é semelhante: das 16 páginas, duas são de anúncios do Governo do Estado; a contracapa é sobre denúncia ajuizada pelo Ministério Público contra Helder Barbalho, por campanha eleitoral extemporânea; duas páginas são sobre a entrega, por Simão Jatene, do “maior pacote de obras da história”; outra  é sobre a defesa de Jatene de uma nova política para a Amazônia; duas, com fotos de Jatene e Aécio Neves (pré-candidato tucano à Presidência da República), criticam o adiamento  da votação do marco da mineração; o editorial de página inteira critica Dilma; na coluna Na Planície há nota elogiosa a Jatene e mais uma foto de Aécio; e a capa traz duas manchetes: a denúncia contra Helder e o pacote de obras de Jatene. 


Violação de sigilo e propaganda eleitoral com dinheiro público 

Os emails foram publicados pelo jornalista Paulo Leandro Leal no blog Vionorte, no último 13 de maio.

Paulo alega que recebeu o material de uma fonte e que não houve violação dos emails.

Segundo ele, o jornalista Ronaldo Brasiliense teria estado em uma lan house, na cidade de Santarém, mas se esqueceu de fechar o email. A fonte de Paulo seria a pessoa que usou esse computador logo depois de Brasiliense e que, ao perceber o conteúdo explosivo dos emails, resolveu copiá-los.

O caso foi reproduzido por outros blogs, mas só ganhou repercussão de fato hoje, quando foi parar no blog do deputado Parsifal Pontes, um dos mais acessados do Pará.

Desde então, comentários assinados por um certo Ronaldo Brasiliense, ou supostamente postados por ele, ameaçam processar meio mundo, por violação de correspondência e dano moral.

“Já esperava que a repercussão do ato criminoso - a violação de correspondência sem autorização judicial - viria do senhor. Aumenta o rol dos que serão processados”, postou um comentarista, que se identificou como Ronaldo Brasiliense, no blog do Parsifal.

Mas o deputado sustenta que o caso não é tão simples.

“Com certeza o senhor está enganado com o autor da violação que, de fato, cometeu um ato sujeito à processo, embora seja de controversa questão alcançá-lo: o senhor abriu a sua correspondência e espalhou pelas calçadas as cartas abertas. Mas isso, caso o senhor insista em expor mais ainda a sua privacidade, será assunto para debates jurídicos extensos”, escreveu o deputado, em resposta ao comentarista.

E foi pouco depois de uns dois emails assinados pelo suposto Brasiliense, que chegou ao blog do deputado o email anônimo no qual um internauta (que escreve como se fosse Brasiliense) reconhece a autenticidade do material publicado por Paulo Leandro Leal.

É claro que é preciso apurar se houve ou não violação da correspondência de Brasiliense e se os emails são, de fato, verdadeiros.

No entanto, assim como os direitos individuais à privacidade e à imagem, também o direito coletivo à livre escolha dos representantes, por meio de eleições limpas, é garantido pela Constituição.

Assim, é preciso, também, apurar o suposto envolvimento de Brasiliense, Jatene e Orly Bezerra em uma possível tentativa de macular as próximas eleições através do abuso de poder econômico, uso da máquina, utilização de dinheiro público na campanha de reeleição do atual governador.

O caso promete.

Com a palavra, o Ministério Público. 

Leia aqui a postagem do jornalista Paulo Leandro Leal sobre a suposta troca de emails entre Ronaldo Brasiliense e Orly Bezerra: http://www.vionorte.com.br/2014/05/bastidores-do-poder-relacao-nada.html 


E aqui a postagem do blog do deputado Parsifal Pontes e o comentário que pode complicar a vida de Brasiliense:http://pjpontes.blogspot.com.br/2014/05/blog-do-oeste-do-para-revela-e-mails.html#comment-form 




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A Perereca volta ainda esta semana, ou mais tardar na segunda-feira, para incendiar a blogosfera. Mas voltará em novo blog: o blog da Ana Célia. Aguarde!

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela divulgação da matéria, eu estava com saudades dos seus posts no período em que você esteve afastada. Mais uma vez, parabéns pelo trabalho.

Anônimo disse...

Ficamos no aguardo!

Anônimo disse...

Esquema entre amigos que resultou no obscuro reajuste da tarifa dos ônibus podres de Belém, feito na calada da noite por esse prefeito negligente e incompetente; três desembargadores afastados pelo CNJ sob fortes indícios de corrupção e tráfico de influência; Governador inépto, que vive de propagandas enganosas, que empregou toda a família no serviço público com altos salários e que doa dinheiro público no frouxo para empresários em transações tenebrosas; MPE silente e com um dirigente que prefere o nepotismo ao concurso público; Um parlamento anêmico, sem expressão e dominado pelo governador; juventude sendo recrutada e morta pelo crime organizado e por grupos de extermínio; educação em colapso; doentes morrendo nas filas dos sucateados Ophir Loyola e PSM, por falta de médicos e medicamentos; hospitais regionais privatizados... Égua! Só ouvido a obra prima dos Originais do Samba, "Se Gritar pega Ladrão": http://www.youtube.com/watch?v=x9MUGEpBCSg

Anônimo disse...

O Pará é um estado de contradições. O governador inaugura com pompa um luxuoso porto a toque de caixa eleitoreiro, mas vai operar com barcos velhos, lentos, sujos e com passagens caras. Enquanto isso os portos da feira do açai, porto do açai, porto da palha, princesa Izabel, Icoaraci, Mosqueiro, são verdadeiros pardieiros. Outeiro nem possui. ainda tem o porto da Enasa que virou um elefante branco de 7 milhões. Isso é o Pará depois de 20 anos de PSDB no poder.