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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MPE pode arquivar investigação sobre desapropriação da Maternidade do Bebê, hoje Hospital Jean Bittar. Técnicos do MP dizem que não houve superfaturamento.


Gostaria de pedir desculpas aos leitores por ter deixado de lado a investigação sobre a desapropriação da Maternidade do Bebê, hoje Hospital Jean Bittar. 

Só há pouco, através de uma nota na coluna Repórter Diário, é que soube da iminência de arquivamento do caso. 

Infelizmente, foram pouquíssimos ou veículos de comunicação e jornalistas que se dispuseram a investigar, nesses dois anos e meio, as irregularidades cometidas pelo Governo Jatene. 

E como fiquei praticamente sozinha, não tenho mãos a medir; por vezes, dá até vontade de jogar a toalha. 

Minha casa virou um amontoado de papéis e, o meu computador, um amontoado de arquivos acerca de possíveis falcatruas. 

São denúncias e mais denúncias, encaminhadas pessoalmente ou via email, além de fatos suspeitos que eu mesma detectei. 

Pra você ter uma ideia, caro leitor, há licitações suspeitíssimas que separei pra investigar em 2011, e que até agora não consegui nem olhar novamente. 

Há fatos novos acerca de empresas investigadas pelo blog, envolvendo milhões em recursos públicos, e que eu não consigo simplesmente sentar pra escrever. 

Esse é o caso da desapropriação da Maternidade do Bebê: na época do parecer de técnicos do MP dizendo que não houve superfaturamento, cheguei a levantar uma série de informações, mostrando a inconsistência desse parecer.  

Mas como não consegui parar pra escrever sobre isso, corre-se o risco  de que prevaleça esse impressionante parecer.


Da mesma forma que, há um mês, tento e não consigo voltar a escrever sobre o contrato da PM com a Delta Construções. 

Ou sobre a MA Resende, que continuou ganhando dinheiro a rodo no governo Jatene. 

Ou sobre a impressionante margem de pagamentos “ilicitáveis” do Governo, que chega a inacreditáveis 90%, contra os 70% registrados no governo petista. 

Não consigo voltar a escrever nem mesmo sobre o Mário Couto e o Santa Cruz de Cuiarana. 

Ou sobre o Eduardo Salles e a sensacional disputa por aquele terreno de R$ 1 milhão, em Ananindeua, coisa que envolve até duplicidade de certidão cartorária. 

Ou sobre a fuga cinematográfica dos supostos mandantes do assassinato do advogado Jorge Pimentel. 

Ou sobre a Griffo do meu ex-amigo Orly Bezerra. 

Ou sobre os assessores especiais de Jatene, que, ao que parece, continuam a aumentar. 

Ou sobre os magistrados que possuem parentes como assessores especiais ou em cargos em comissão no Executivo. 

O problema, caro leitor, é que uma reportagem investigativa consome muito mais tempo do que uma postagem opinativa. 

Numa reportagem investigativa é preciso obter, checar e cruzar documentos. Coisa pra, no mínimo, três dias – e em regime de trabalho escravo. 

Por isso, hoje trabalho assim: elejo a prioridade dentre inúmeras prioridades. 

Ou seja: tenho de detectar o que é mais lesivo ao Estado e que, por isso mesmo, não pode esperar. 

E mesmo assim, devo confessar que, por vezes, me dá uma tremenda sensação de impotência. 

Por tudo isso é que até lamento ter de voltar à Maternidade do Bebê. 

Há pouco falei com o MPE e a informação é que o caso ainda será levado ao Conselho Superior, para arquivamento ou não. 

E eu lamento ter de voltar a esse caso, porque estou às voltas com a investigação acerca da queda de investimentos e do IDHM do estado do Pará. 

Um tema que me parece um dos mais importantes da atualidade, porque diz respeito ao presente e ao futuro de cada um de nós e de nossos filhos. 

É por isso que também ainda não consegui parar pra escrever sobre a impressionante entrevista do governador Simão Jatene, no domingo, ao jornal O Liberal – duas páginas de puro “enrolation” num dos maiores jornais do Pará. 

Até cheguei a separar uma perguntinha bem bacana (e documentada, é claro) pra fazer ao Jatene e ao Orly... 

Só que não consegui parar nem pra escrever isso, apesar de estar a dormir apenas umas 4 ou 5 horas por dia, pra poder concluir a segunda parte da reportagem “O Pará ladeira abaixo”. 

Uma reportagem que eu gostaria de prosseguir para além dos números, com entrevistas com lideranças políticas, empresariais e sindicais. 

No entanto, a Perereca da Vizinha vai voltar, sim, à desapropriação da Maternidade do Bebê, na semana que vem. 

O caso teve o parecer pelo arquivamento assinado por um promotor respeitável, como é Nelson Medrado. 

Agora está nas mãos da procuradora Célia Filocreão, que é a relatora do pedido de arquivamento, que ainda será analisado pelo Conselho Superior do MPE. 

No gabinete de Célia, a informação é a de que ela já está com seu voto pronto, mas não pode adiantá-lo, sob pena de nulidade dele. 

E, também no gabinete, não se sabe quando o caso entrará em pauta, já que isso é definido pela Secretaria do Conselho Superior do MPE. Acredita-se, no entanto, que não deverá demorar. 

O xis da questão é o parecer dos técnicos do MP, atestando inexistir superfaturamento. 

Mas a Perereca vai mostrar que há muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia. 

Me aguardem!... 

FUUUUUIIIIIIIIII!!!!!!!!!

Um comentário:

Luiz Gonzaga disse...

O seu trabalho de investigação é magnífico. Continue com ele, apesar de ser bastante cansativo. Ótimo trabalho.