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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Diretor do Diário do Pará rebate acusações dos grevistas e diz que empresa pode ir à Justiça, para questionar legalidade do movimento. Descarta readmissão do jornalista Leonardo Fernandes e estabilidade para participantes da greve. Mas, garante, a empresa não pretende demitir ninguém.


Os jornalistas do Diário e DOL em greve desde o dia 20: Jornalista Vale Mais



“Vamos agir legalmente. Vamos verificar se a greve é legal ou ilegal. Vamos discutir na Justiça, que é o foro adequado. Foram eles que radicalizaram e entraram em greve”. 

A afirmação foi hoje por um dos diretores do Diário do Pará, acerca da greve dos jornalistas da empresa, deflagrada na última sexta-feira, 20. 

O diretor, que pediu para não se identificar, ligou para o blog para rebater as acusações dos grevistas, reproduzidas na postagem “Uma questão de bom senso” (leia aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/09/uma-questao-de-bom-senso.html). 

Ele não quis adiantar, porém, quando a empresa recorrerá à Justiça, para questionar a legalidade do movimento. 

“Estamos estudando isso e se sentirmos que o diálogo é inviável, então, entraremos”, disse apenas. 

Ele descartou a concessão de reivindicações prioritárias da categoria, como a readmissão do jornalista Leonardo Fernandes e a estabilidade de um ano para os grevistas, como salvaguarda contra possíveis demissões. 

Mas, garantiu, “a empresa não pretende demitir ninguém”. 


Aberta ao diálogo 


O diretor afiançou que a empresa sempre se manteve aberta ao diálogo e que foram realizadas várias tentativas de negociação com a categoria, ao longo do primeiro semestre, todas, porém, infrutíferas. 

“Eles (o Sindicato dos Jornalistas) nos mandaram uma proposta em abril, que, aliás, nem falava em piso salarial. Fizemos uma contraproposta e pedimos uma reunião, mas ela nunca aconteceu”, afirmou. 

Ele criticou o piso de R$ 1.900,00 reivindicado pela categoria e disse que a empresa chegou a propor um piso de R$ 1.300,00, que a maioria dos jornalistas até parecia disposta a aceitar. 

“Desconhecemos que exista esse piso de R$ 1.900,00 em qualquer empresa jornalística do Pará, fixado em acordo coletivo” –  afirmou - “E esses R$ 1.300,00 que oferecemos, embora a gente saiba que isso ainda é pouco, já representam um reajuste bastante significativo”. 

O diretor lembrou que, além dos jornalistas, há várias outras categorias profissionais que também trabalham na empresa e que todos os grupos de comunicação do país enfrentam dificuldades decorrentes do aumento do dólar e do desaquecimento econômico. 

"Reconhecemos que é pouco, mas não podemos ser irresponsáveis e sair onerando a folha, até porque temos muitas outras despesas além dessa, de pessoal, que também inclui encargos sociais. Quantos grandes jornais do Brasil  também não enfrentam problemas? Quer dizer: há coisas que você pode fazer, e outras que, por mais que você queira, não pode. A economia está praticamente parada e o momento é de preservar empregos. Não se pode avançar demais numa questão dessas”, argumentou. 


“Readmissão é inegociável” 


O diretor também afirmou que a readmissão do jornalista Leonardo Fernandes é “inegociável”. 

Segundo os grevistas, Leonardo foi demitido por causa de seu engajamento na mobilização da categoria por melhores salários e condições de trabalho (veja o depoimento do próprio repórter, ao final da matéria). 

Mas o diretor garantiu que a demissão de Leonardo não teve nada a ver nem com essa mobilização nem com a greve deflagrada posteriormente. 

 “A turma resolveu trazer o cara de volta. Mas ele foi demitido na manhã de segunda-feira, quando ainda não existia greve e nem mesmo a comunicação de que ela aconteceria. E quando ele foi demitido, saiu até comemorando”, afirmou. 

E ironizou: “Ademais, por que brigar tanto para voltar a um local de trabalho que você critica tanto?” 

Ele descartou, ainda, a concessão de outra reivindicação prioritária da categoria: a estabilidade dos grevistas por um ano, após o término do movimento. 

“Eles radicalizaram e querem uma coisa impossível: estabilidade. Mas isso é o fim de qualquer empresa. Se dermos isso, não administramos nada. Então, como é que vamos dar isso?”, perguntou. 

E disse: “Já demos vários sinais de que queremos negociar, já cedemos, até porque o que queremos é a harmonia na redação. Não existe, e isso já foi dito até por alguns deles, melhor empresa para se trabalhar. Mas eles radicalizaram e querem coisas impossíveis. E enquanto continuarem agredindo a empresa, não dá!”. 

O diretor garantiu, porém, que a empresa não pretende demitir ninguém por causa do movimento: “Não estamos pensando em demitir ninguém. Até porque, como é que vamos ficar sem funcionários? Não temos essa ideia de revanchismo, de raiva. Além disso, o que dá estabilidade a um trabalhador é o trabalho que ele realiza”. 


Sindicato estaria “contaminado” 


Ele também negou as acusações dos grevistas de que faltava até água potável na redação e papel higiênico nos banheiros da empresa, utilizados pelos jornalistas: “Isso é ridículo, não dá nem para levar a sério esse tipo de coisa. Não falta nada disso aqui. Mas é aquela coisa: quando querem bater, inventam de tudo”. 

Queixou-se do Sindicato dos Jornalistas do Pará, cuja diretoria estaria “contaminada por pessoas que são contra nós, de graça”. 

E citou como exemplo dessa animosidade o fato de, segundo ele, a entidade já ter fechado um acordo salarial com o sindicato das empresas de Rádio e TV do Pará, o SERTEP, “no qual só há a reposição das perdas salariais e mais nada”. 

O diretor reclamou, ainda, de algumas atitudes dos grevistas, que teriam até tentado “fechar” a portaria do prédio da RBA, a Rede Brasil Amazônia, na avenida Almirante Barroso, onde funcionam, além do Diário e DOL, emissoras de rádio também pertencentes ao grupo. 

“Aqui não trabalha só jornalista; trabalham, também, radialistas, administradores, rodoviários, publicitários e outros profissionais. Piquete é ilegal. Não se pode impedir o direito de ir e vir”, advertiu. 

Acusou os grevistas de agirem “com violência” contra outros trabalhadores da empresa, o que, segundo ele, demonstra “o desespero” da categoria: “Se eles estão tão seguros de que o movimento é vitorioso, por que batem nos carros e agem com violência contra pessoas que trabalham aqui e que, muitas vezes, não tem nada a ver com tudo isso? A maior demonstração de que estão preocupados com o futuro do movimento é o radicalismo; a violência é uma demonstração de que o poder de argumentação deles acabou”. 


Adesão de 20% 


Ainda segundo ele, apenas 20% dos jornalistas do Diário do Pará e DOL aderiram à greve -  e não 80% como vem sendo divulgado. 

“Temos mais de 100 jornalistas, só na redação do Diário e do DOL. E só uns 20 deles é que estão em greve. Nas assembleias (no Sindicato), quem vai são funcionários de outras empresas. É uma minoria apoiada por jornalistas de outras empresas”, afirmou. 

Quanto à foto na qual se vê a redação do Diário do Pará praticamente vazia e que ilustrou a postagem anterior da Perereca, o diretor disse que ela tirada “depois da meia-noite, quando havia pouca gente ainda trabalhando”. 

Além disso, conforme salientou, a TV RBA não aderiu à greve e o SERTEP e o Sindicato dos Jornalistas já até fecharam o acordo coletivo desses trabalhadores. “E na RBA, eles (o Sindicato dos Jornalistas) não pediram piso de R$ 1.900,00”. 

Segundo ele, “o que não podemos aceitar é a indisciplina, o radicalismo, a bagunça”. 

Daí a decisão da empresa de discutir a greve na Justiça, caso sejam esgotadas as possibilidades de negociação. 


Terceiro Ato 


Na tarde de ontem, os jornalistas em greve do Diário do Pará e DOL realizaram mais um ato público em frente ao prédio da RBA. 

Foi a terceira manifestação desde o começo da greve, na última sexta-feira. 

O ato contou com a presença do diretor de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj),  José Carlos Torves. 

"Vocês estão dando exemplo para o Brasil inteiro, já que em todo o país a profissão de jornalista é precarizada. Vamos juntos até a vitória", disse Torves, conforme relato dos grevistas na página que mantêm no Facebook. 

Ao Sindicato dos Jornalistas (veja aqui: http://sinjor-para.blogspot.com.br/2013/09/diretor-da-fenaj-esta-em-belem-em-apoio.html?spref=fb) ele previu que a greve dos jornalistas paraenses ajudará a desencadear mobilizações da categoria em vários estados. 

Segundo a presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Sheila Faro, mais jornalistas aderiram ao movimento, durante a manifestação de ontem. 

“Fizemos um ato pacífico de respeito e, como sempre, muito emocionante. Em solidariedade aos colegas em greve, os jornalistas fizeram um gesto simbólico e foram trabalhar de vermelho”, contou, na página da entidade. 

Hoje, às 17 horas, haverá mais uma manifestação em frente à RBA.

Nas redes sociais, chovem relatos acerca da precariedade das condições de trabalho no Diário do Pará: são jornalistas que trabalham ou já trabalharam naquela empresa. 

Tuitaços da categoria, com a participação, inclusive, de integrantes de várias entidades civis e sindicais que apoiam o movimento, colocaram as hashtags #NegociaBarbalho e #JornalistaValeMais entre os Trend Topics do Brasil – ou seja, entre as frases mais reproduzidas no Twitter. 

Blogs muito respeitados, como o do jornalista Altamiro Borges, noticiam a greve (http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/09/greve-dos-jornalistas-do-diario-do-para.html#more ). 

Ela também foi notícia no Portal Imprensa: http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/61276/jornalistas+do+diario+do+para+decidem+entrar+em+greve+por+melhores+condicoes+de+trabalho 

E no PassaPalavra: http://passapalavra.info/2013/09/85308 

E é notícia, ainda, em 2 dos blogs mais acessados do Pará:

O da jornalista Franssinete Florenzano: http://uruatapera.blogspot.com.br/ 

E o do jornalista Augusto Barata: http://novoblogdobarata.blogspot.com.br/ 

A Câmara Municipal de Belém também realizou sessão especial sobre o Movimento “Jornalista Vale Mais”, desencadeado pela categoria na data-base deste ano. 

Na sessão, os grevistas relataram a precariedade das condições de trabalho no Diário e DOL.

A paralisação conta, ainda, com o apoio de artistas e intelectuais paraenses, deputados e vereadores.

Jornalistas de outras empresas de comunicação também já manifestaram solidariedade aos grevistas.

Notícias sempre atualizadas sobre a greve podem ser lidas nos seguintes links: 

Veja a entrevista concedida pelo jornalista Leonardo Fernandes ao portal do PSTU:


2 comentários:

Anônimo disse...

Não sou jornalista, apenas uma pessoa simples da sociedade já muito beneficiada pela imprensa. Afinal os jornalistas acabam sendo a voz do povo. Mas o que me espanta é ver um diretor afirmar tanta coisa aí contra os grevistas e não querer nem mostrar quem é. Como posso acreditar em "verdades" de um diretor anônimo? Prefiro acreditar nos jornalistas. Eles sim estão perto do povo. Nazaré

Anônimo disse...

Covarde. Por que não se identifica? Mentiu em tudo. Tudo.