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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Por que tirar o povo das ruas? A hora é de avançar! Reforma Política já! Democracia na Comunicação já!




Gosto muito do Luís Nassif, mas hoje vou ter de discordar dele em gênero, número e grau, quando propõe que a moçada que está nas ruas “faça uma pausa” e retorne para as redes sociais. (Aqui: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-combustivel-que-alimenta-as-manipulacoes-nas-passeatas-796.html).

Hoje, o Estadão noticia que a Câmara dos Deputados já se movimenta para acabar rapidamente com o tal projeto da “Cura Gay”, que a Comissão dos Direitos Humanos, presidida pelo pastor-deputado Marco Feliciano, havia aprovado.

O mesmo jornal informa que a Câmara também se movimenta em torno da reforma política.

E hoje a CNBB e a OAB, entre outras entidades, lançaram um projeto de iniciativa popular, para a reforma política 

Agora, vejam bem: enquanto a meninada ficou apenas protestando nas redes sociais, ninguém deu a mínima para a violência que aquele projeto da “cura gay” pretendia cometer contra os homossexuais.

Aliás, ninguém deu a mínima nem mesmo quando a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados foi entregue a Marco Feliciano.

É como se devido à inércia do povo brasileiro nas últimas décadas, as Vossas Excelências pensassem: “vai passar”.

Assim,  poderiam consolidar o vergonhoso conchavo que colocou Marco Feliciano à frente daquela Comissão.

Como se nada representasse o fato de que ele continuaria a destroçar as conquistas duramente obtidas pelos movimentos sociais (qual, aliás, seria o próximo passo? Criminalizar os gays?).

E o que dizer da reforma política? Há anos que se tenta aprová-la, mas as Vossas Excelências sempre encontram maneira de adiar essa discussão.

Elementar, meu caro Watson! Com a reforma política, muito pilantra travestido de político terá dificuldades ou até ficará sem condições de se eleger.

Além disso, a reforma política também contraria os interesses das empresas às quais muitas das Vossas Excelências preferem servir, em vez de servirem à coletividade.

Porque tais empresas financiam as campanhas eleitorais, em troca de milionários contratos com o Poder Público – contratos muitas vezes superfaturados e obtidos de maneira fraudulenta.

Ou seja: bastou a população ir pra rua, para que as Vossas Excelências percebessem que, desta vez, não vai passar.

E que terão é de entregar os anéis, se quiserem manter os dedos.

E agora, quando estamos quase lá, vamos dizer à moçada que volte pro Facebook?

Na-na-ni-na-não!

A moçada tem é de continuar nas ruas.

Marco Feliciano vai ter de deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos - que terá de ser entregue a um cidadão que tenha compromisso com as minorias deste país.

E a reforma política vai ter de ser aprovada, sim senhor. E não só ela: também a democratização dos meios de comunicação.

Que nos importa se até edital do jornal O Globo já volta a condenar as manifestações?

Quem foi que disse que isso aqui seria uma ida à Disneylândia para os donos da Comunicação no Brasil?

E por acaso precisamos dos veículos tradicionais de comunicação, para colocar esse mar de gente nas ruas?

Agora não é hora de recuar, não!

E sem essa de ficar dizendo que os partidos de esquerda, aí incluído o PT, têm de se recolher, em vez de irem pras ruas também.

Agora é a hora da onça beber água, mermão!

E se as esquerdas se recolherem, especialmente o PT e os movimentos sociais, há sério risco, sim, de esse movimento descambar para a direita – o que só não aconteceu até agora porque essa massa que está nas ruas tem muito mais senso crítico do que muito bom intelectual consegue perceber.

Há militares tentando se articular para ressuscitar a “redentora”?

É possível. E isso é, sim, muito preocupante.

Há grupos da direita e da extrema direita se infiltrando no movimento, para realizar quebradeiras e espancar militantes de esquerda?

Há, sim. E isso também é muito preocupante.

Mas, pera lá!...

A gente já não viu esse filme na redemocratização?

Naquela época, a direita não jogou até bombas em bancas de revista e articulou aquele atentado, graças a Deus fracassado, do Riocentro?

E a gente recuou?

Que eu me lembre, não.

E é por isso, aliás, que estamos aqui, às portas de uma nova etapa da Democracia brasileira.

Porque eles ameaçavam: “vamos fechar!”. Mas a gente disse: “Vocês vão fechar é o diabo que carregue”.

Hoje, porque o clima esquentou, já vi até gente dizendo pros papais e mamães proibirem os seus pimpolhos de saírem às ruas.

Mas só faltava essa, né?

Esses jovens que estão nas ruas vão assumir o comando deste país quando já não estivermos aqui.

E num momento crucial para a Democracia, como este que estamos vivendo, vamos chegar com eles e dizer: "Olha, filhinho, volta a tomar o teu Toddynho lá no Facebook, tá?”

Mas que diabo de cidadãos seriam esses, afinal?

Além disso, não éramos nós mesmos que reclamávamos que essa juventude não tinha ideais, não queria nada com nada?

Em vez de dizer pra meninada voltar pro Facebook, o que precisamos é unir – URGENTEMENTE - esse movimento com a periferia.

Unir os trabalhadores à essa juventude que quer de fato mudar o Brasil.

Com isso, essa meninada vai conseguir o que mais precisa neste momento: organização e foco.

Além de aprender a identificar rapidamente esses reacionários da direita.

Não dá pra recuar, não.

O que precisamos é de todo mundo dentro desse movimento: juventude, trabalhadores, partidos de esquerda e movimentos sociais.

E aí eu quero é ver quem é milico ou o direitista que vai ousar meter a cara.

FUUUUUUIIIIIIII!!!!!!!!

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