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sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Primavera Paulista: todo apoio ao Movimento Passe Livre! Abaixo a violência policial! Abaixo os monopólios dos transportes e dos meios de comunicação! Viva o Brasil!



Peço desculpas aos leitores, mas hoje não tem Griffo nem Orly (Só amanhã ou no sábado).

Ontem, não consegui nem pensar em Griffo.

E confesso que até agora ainda estou toda arrepiada, orgulhosa do meu povo, do meu país.

Já com 53 anos de idade, pensei que morreria sem ver novamente um dia como o de ontem.

Milhares de pessoas nas ruas, a reivindicar um Brasil melhor.

Milhares a resistir, mesmo diante de toda a brutalidade policial.

Égua, como eu gostaria de ter estado ali!...

Aquelas pessoas, aqueles irmãos, me lavaram a alma.

Porque mostraram que não tem bala, não tem bomba, não tem porrada que segure o povo brasileiro.

Não, a briga não é só contra R$ 0,20 a mais no preço do ônibus.

É por direitos, é por respeito – insistem os manifestantes nas redes sociais.

Um respeito que há centenas de anos é negado à população deste país.

A mesmíssima população que sustenta, com sangue e suor, o Estado brasileiro.

E que é recebida com cassetetes, gás lacrimogêneo e balas de borracha quando vai às ruas reivindicar a inteireza da Cidadania.

E eu só fico a pensar é quando essa Primavera chegará também ao estado do Pará...

Quando veremos o nosso povo nas ruas, a gritar que não suporta mais tamanha exploração...

Que basta de monopólios; de meia dúzia de empresários que nos oferecem serviços imundos e nos extorquem até o último trocado.

E que basta de governantes que se preocupam apenas em proteger os altos lucros dessas empresas, já que foram eleitos com o dinheiro dessa máfia.

Aquelas milhares de pessoas nas ruas de São Paulo estão a gritar que é possível, sim, um novo Brasil.

Que está em nossas mãos virar esse jogo.

Que podemos, sim, quebrar não apenas o monopólio dos transportes, mas, também, da Comunicação.

Para que ambos se tornem, de fato, serviços públicos: nas mãos do povo e para o povo!

Abaixo você confere fotos, depoimentos, reportagens, artigos e comentários sobre esse histórico 13 de junho.

O dia em que o Brasil inteiro caminhou em espírito com os irmãos paulistas, como se fôssemos todos um só coração.

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Abaixo, três vídeos extraídos do YouTube.

O primeiro mostra a violência da PM de São Paulo contra pessoas que se manifestavam pacificamente:



No segundo, a violência da mesma PM contra os jornalistas que cobriam a manifestação:



No terceiro, a prisão do repórter da Carta Capital, Piero Locatelli – por incrível que pareça, por portar um “perigoso” frasco de vinagre:



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Aqui, um artigo assinado por quatro militantes do Movimento Passe Livre, no qual eles explicam as razões das manifestações – razões que valem, em verdade, para todo o Brasil.

O texto foi publicado na Folha de São Paulo e o link segue abaixo:

Por que estamos nas ruas

O modelo de transporte coletivo baseado em concessões para exploração privada e cobrança de tarifa está esgotado. E continuará em crise enquanto o deslocamento urbano seguir a lógica da mercadoria, oposta à noção de direito fundamental para todas e todos.

Essa lógica, cujo norte é o lucro, leva as empresas, com a conivência do poder público, a aumentar repetidamente as tarifas. O aumento faz com que mais usuários do sistema deixem de usá-lo, e, com menos passageiros, as empresas aplicam novos reajustes.

Isso é uma violência contra a maior parte da população, que como evidencia a matéria publicada ontem pelo portal UOL, chega a deixar de se alimentar para pagar a passagem. Calcula-se que são 37 milhões de brasileiros excluídos do sistema de transporte por não ter como pagar. Esse número, já defasado, não surgiu do nada: de 20 em 20 centavos, o transporte se tornou, de acordo com o IBGE, o terceiro maior gasto da família brasileira, retirando da população o direito de se locomover.

População que se desloca na maioria das vezes para trabalhar e que, no entanto, paga quase sozinha essa conta, sem a contribuição dos setores que verdadeiramente se beneficiam dos deslocamentos. Por isso defendemos a tarifa zero, que nada mais é do que uma forma indireta de bancar os custos do sistema, dividindo a conta entre todos, já que todos são beneficiados por ele.

Esse é o contexto que fez surgir o Movimento Passe Livre em diversas cidades do Brasil. Por isso há anos estamos empenhando lutas por melhorias e por outro paradigma de transporte coletivo. Neste momento, em que nos manifestamos em São Paulo pela revogação do aumento nas passagens, milhares protestam no Rio de Janeiro, além de Goiânia, onde a luta obteve vitória, assim como venceram os manifestantes de Porto Alegre há dois meses.

O impacto violento do aumento no bolso da população faz as manifestações extrapolarem os limites do próprio movimento. E as ações violentas da Polícia Militar, acirrando os ânimos e provocando os manifestantes, levaram os protestos a se transformar em uma revolta popular.

O prefeito Fernando Haddad, direto de Paris, ao lado do governador Geraldo Alckmin, exige que o movimento assuma uma responsabilidade que não nos cabe. Não somos nós os que assinam os contratos e determinamos os custos do transporte repassados aos mais pobres. Não somos nós que afirmamos que o aumento está abaixo da inflação sem considerar que, de 1994 para cá, com uma inflação acumulada em 332%, a tarifa deveria custar R$ 2,16 e o metrô, R$ 2,59.

Além disso, perguntamos: e os salários da maior parte da população, acompanharam a inflação?

A discrepância entre o custo do sistema e o quanto, como e quando se cobra por ele evidenciam que as decisões devem estar no campo político, não técnico. É uma questão de escolha: se nossa sociedade decidir que sim, o transporte é um direito e deve estar disponível a todos, sem distinção ou tarifa, então ela achará meios para tal. Isso parcialmente foi feito com a saúde e a educação. Mas sem transporte público, o cidadão vê seu acesso a essas áreas fundamentais limitado. Alguém acharia certo um aluno pagar uma tarifa qualquer antes de entrar em sala de aula? Ou para ser atendido em um posto de saúde?

Haddad não pode fugir de sua responsabilidade e se esconder atrás do bilhete mensal, proposta que beneficiará poucos usuários e aumentará em mais de 50% o subsídio que poderia ser revertido para reduzir a tarifa.

A demanda popular imediata é a revogação do aumento, e é nesses termos que qualquer diálogo deve ser estabelecido. A população já conquistou a revogação do aumento da tarifa em Natal, Porto Alegre e Goiânia. Falta São Paulo.

Por NINA CAPPELLO, 23, estudante de direito da USP, ERICA DE OLIVEIRA, 22, estudante de história da USP, DANIEL GUIMARÃES, 29, jornalista, e RAFAEL SIQUEIRA, 38, professor de música, todos militantes do Movimento Passe Livre.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/113691-por-que-estamos-nas-ruas.shtml

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No blog do Renato Rovai, um excelente artigo sobre a prisão de manifestantes por “formação de quadrilha”:

Prender manifestantes por formação de quadrilha é AI-5 contra a luta social

Os momentos históricos são diferentes, mas o que está acontecendo em São Paulo precisa ser discutido do tamanho que merece. Manifestantes não podem ser presos sob acusação de formação de quadrilha, crime inafiançável. Se isso vier a prevalecer, estaremos entrando num cenário de ditadura contra a luta social. Será um novo AI-5, o instrumento que faltava para a tão sonhada criminalização dos movimentos sociais que vem sendo arquitetada há tanto tempo pelas forças conservadoras do país. E que ganhou hoje o apoio, em editorial, da Folha e do Estado de S. Paulo.

Na última terça-feira foram 20 presos. Hoje, fala-se em mais de 60. Muitos deles jovens que carregavam apenas vinagre para se defender do já previsto ataque de bombas da Polícia Militar. Entre esses que carregavam vinagre, um fotógrafo da Carta Capital.

O jornalista da Carta Capital já foi solto, mas a grande maioria dos jovens ainda está amargando o gosto da cela. Quem não está sendo acusado de formação de quadrilha, pode obter a liberdade pagando 20 mil reais.

Ou seja, a partir de agora quem for para a rua lutar é bandido de alta periculosidade. E o pior disso tudo é que tem gente que se diz de esquerda que está aplaudindo essa ação nefasta.

Cansei de ver os metalúrgicos do ABC parando a Anchieta para reivindicar aumentos. Cansei de ver os bancários de São Paulo fechando as ruas do centro de São Paulo em suas campanhas salariais. Participei de greves gerais convocadas pela CUT e que interrompiam avenidas de todo o país. E muitas vezes vi gente com pedaço de pau e o que tivesse na frente indo para cima de policiais e da cavalaria. E também vi muitos sindicalistas com o rosto jorrando sangue.

A polícia brasileira sempre foi violenta com os movimentos sociais. E é essa violência que estamos assistindo contra os manifestantes no centro de São Paulo que está engordando o caldo das manifestações do Passe Livre. Essa violência que o jovem da periferia vive no seu cotidiano é também a gasolina dos protestos. Não é só os vinte centavos.

Muito mais gente vai para a rua da próxima vez. E Alckmin está dando risada. Porque isso vai fazer bem para a sua popularidade. Afinal, em São Paulo há um eleitorado que quer o xerife na rua. Quer ver sangue. E quer ver quem luta, quem protesta, quem para avenidas, na cadeia. Que sonha em ver a extinção “dessa raça”.

A questão é que se os movimentos sociais que não estão diretamente envolvidos nos protestos atuais aceitarem essa criminalização absurda do Movimento Passe Livre, estarão assinando o seu atestado de óbito. Quando quiserem lutar serão tratados da mesma forma.

A não ser que já tenham abdicado da luta como um instrumento de construção de uma sociedade mais justa. E aí também já terão assinado seu atestado de óbito. Movimento que não luta numa sociedade tão desigual como a nossa não é movimento.

Para o movimento social agora não é hora de se discutir os exageros. É hora de defender os direitos. O que está em curso é muito mais perigoso do que pode parecer à primeira vista. A continuar assim, em breve, líderes sociais estarão sendo presos acusados de terrorismo”.

http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/06/14/prender-manifestantes-por-formacao-de-quadrilha-e-ai-5-contra-a-luta-social/

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Abaixo, notícia da Agência Brasil sobre as mais de 100 detenções, ontem:

Mais de 100 pessoas detidas para averiguação em protesto contra o aumento da tarifa em SP

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Mais de 100 pessoas, segundo a Polícia Civil, foram levadas para 78º Distrito Policial para averiguação ao longo do dia de hoje (13) durante o quarto protesto contra o aumento da tarifa de transporte público na capital paulista. A maioria foi detida pela Polícia Militar (PM) na região do centro enquanto se dirigia para o local do ato, o Theatro Municipal.  Um repórter da revista Carta Capital foi detido e um fotógrafo do portal Terra, revistado.

De acordo com os policiais civis no local, muitos jovens foram levados para a delegacia por terem vinagre dentro das mochilas. Os agentes não souberam, no entanto, explicar porque o porte da substância foi considerado motivo para averiguação. Os manifestantes dizem que levam vinagre para se proteger do gás lacrimogêneo. Ainda segundo a Polícia Civil, as pessoas detidas estavam sendo todas liberadas e não havia registro de presos até as 20h30.

O estudante de geografia Tiago Gomes disse que ficou mais de quatro horas detido por ter vinagre na mochila. “O vinagre era para tentar me proteger do gás lacrimogêneo”, disse o rapaz, que nos outros três protestos promovidos pelo Movimento Passe Livre (MPL) foi atingido pelas bombas com a substância lançadas pela polícia. Levado para a delegacia no final da tarde, ele só pode sair depois das 20h.

Morador do Capão Redondo, periferia da zona sul paulistana, Jhonilton Sousa disse à reportagem da Agência Brasil que foi abordado no Largo São Francisco por policiais militares. Ao revistarem a mochila do jovem de 22 anos encontraram um cartaz de cartolina contra o aumento das passagens e uma jaqueta do movimento punk, com o símbolo da anarquia. “Ai ele disse: a não, anarquia, não. E me levou preso”, relatou o jovem, que ficou mais de três horas na delegacia.

A história é semelhante da contada pelo jornalista Marcel Buono, de 23 anos. Ao chegar na Estação Anhagabaú do metrô ele foi abordado por policiais. “Logo na saída tinha uma fileira de policiais fazendo revista”, disse. Os PMs encontraram na mochila uma câmera de vídeo que o rapaz pretendia usar para filmar o protesto para um blog de cobertura colaborativa montado com amigos. Macel disse que os policiais foram truculentos na abordagem. “Colocaram dentro do ônibus [para levar para a delegacia] e tinha que sentar em cima da mão. Disseram que se tirasse a mão ia ser encarado como uma agressão”, relatou o jovem, que também só foi liberado após as 20h.

A manifestação de hoje, que reuniu 5 mil pessoas, segundo a PM, foi o quarto desde o dia 6 contra o aumento das tarifas públicas, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 na semana passada. Em todos houve confronto com a polícia e depredações feitas pelos manifestantes.

A força tática usou bombas de gás e balas de borracha para tentar impedir os manifestantes de subirem a Rua da Consolação.O ato saiu da frente do Theatro Municipal e passou pela Praça da República. Os policiais negociavam com representantes do Movimento Passe Livre para que a manifestação se encerrasse na Praça Roosevelt, mas, durante a negociação, os manifestantes simplesmente continuaram com o protesto e seguiram adiante.

Após a repressão, grupos menores passaram a espalhar lixo pelas ruas e atear fogo, fazendo barricadas nas ruas, a exemplo do que foi feito nos outros atos. Desde o começo da manifestação, a polícia acompanhou o ato com grande contingente e prendendo diversas pessoas. Às 22h, a Cavalaria e a Força Tática ainda disparavam gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que chegaram a região das avenidas Paulista e Doutor Arnaldo.Ambas avenidas foram fechadas. Nas ruas, os transeuntes tentavam se proteger dos efeitos da munição química. 

Edição: Fábio Massalli”
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-13/mais-de-100-pessoas-detidas-para-averiguacao-em-protesto-contra-aumento-da-tarifa-em-sp

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Depoimento no Facebook de Rafael*:

“Pessoas estavamos em higienopolis numa padaria bebendo água tranquilos. A policia chegou atacando com bomba de gás e balas de borrachas. Corremos, corremos e muito. Quando paramos uma viatura da policia se aproximou da gente apontou a arma e falou correm e atiraram na gente com balas de borracha. Duas garotas que estavam de carro colocaram todos nos no carro. Isso mesmo 10 pessoas dentro de um palio. Estamos agora no apartamento delas esperando a poeira abaixar um pouco. gente eu sendo o único homem de um grupo de 8 pessoas, eles atiraram na gente.”

De Pablo*, via Facebook:

“Amigos, eles estão nos cercando. Pra onde vamos há brutalidade policial. Não deixam conduzir a multidão para um lugar seguro onde dispersar. Brutos irresponsáveis. Estão batendo a rodo. Teremos centenas de feridos.”

*A Perereca achou por bem omitir os sobrenomes.

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No site da Carta Capital, notícia sobre a prisão de jornalistas, durante as manifestações de ontem:

Repórter de CartaCapital é solto.

Jornalista foi preso nesta quinta-feira 13 durante a cobertura das manifestações pela redução da tarifa do transporte público

O repórter Piero Locatelli, de CartaCapital, foi solto na noite desta quinta-feira 13. O jornalista havia sido preso cerca de duas horas antes na Praça do Patriarca, no centro de São Paulo, durante a cobertura das manifestações pela redução da tarifa do transporte público em São Paulo.

Informada da prisão pela redação de CartaCapital, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo disse mais tarde em nota que "o secretário Fernando Grella determinou que a Corregedoria da Polícia Militar apure episódios envolvendo fotógrafos e cinegrafistas durante manifestação realizada desta quinta-feira 13, no centro de São Paulo".

O fotógrafo do Terra Fernando Borges também foi detido. De acordo com informações do portal, ele portava crachá de imprensa, equipamento fotográfico e se apresentou como jornalista, mas foi levado pelos policiais. Borges passou 40 minutos detido juntamente com manifestantes, mas depois foi liberado.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a prisão do jornalista de CartaCapital. "A Abraji pede que o repórter Piero Locatelli seja posto em liberdade para que possa seguir cobrindo a manifestação e lamenta que a polícia novamente impeça o trabalho da imprensa."

Em repúdio à detenção, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo disse em comunicado ter enviado ofício à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Tribunal de Justiça de São Paulo, Ouvidoria das Polícias de São Paulo, Corregedoria das Polícias Civil e Militar, Comandos da PM e GCM, ao Palácio dos Bandeirantes e à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), exigindo providências contra as arbitrariedades ocorridas contra os jornalistas. "Tendo em vista que muitos jornalistas foram agredidos e detidos por autoridades policiais enquanto realizavam seu trabalho jornalístico, fato ocorrido na última manifestação e amplamente divulgado pela imprensa, solicitamos garantia à integridade física e o direito à liberdade de imprensa aos jornalistas que cobrem o evento para que possam trabalhar sem o “risco” de serem detidos ilegalmente ou constrangidos no exercício da função de informar o cidadão sobre este acontecimento de importância pública relevante."

A Anistia Internacional também divulgou nota condenando o aumento da "violência na repressão aos protestos" e a prisão de jornalistas. Confira a íntegra da nota:

A Anistia Internacional vê com preocupação o aumento da violência na repressão aos protestos contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo. Também é preocupante o discurso das autoridades sinalizando uma radicalização da repressão e a prisão de jornalistas e manifestantes, em alguns casos enquadrados no crime de formação de quadrilha.
O transporte público acessível é de fundamental importância para que a população possa exercer seu direito de ir e vir, tão importante quanto os demais direitos como educação, saúde, moradia, de expressão, entre outros.
É fundamental que o direito à manifestação e a realização de protestos pacíficos seja assegurado. A Anistia Internacional é contra a depredação do patrimônio púbico e atos violentos de ambos os lados e considera urgente o estabelecimento de um canal de diálogo entre governo e manifestantes para que se encontre uma solução pacífica para o impasse”.
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/reporter-de-cartacapital-e-solto-747.html

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No site da Folha de São Paulo, relato da violência contra sete jornalistas daquele veículo:

Em protesto, sete repórteres da Folha são atingidos; 2 levam tiro no rosto

DE SÃO PAULO

Atualizado em 14/06/2013 às 01h22.

Sete jornalistas da Folha foram feridos com balas de borracha ou atingidos por spray de pimenta de policiais militares de São Paulo enquanto cobriam as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus na região central. Os sete estavam identificados como profissionais de imprensa.

A repórter da TV Folha Giuliana Vallone teve a região do olho direito atingida por uma bala de borracha e foi hospitalizada. A Folha repudia toda forma de violência e protesta contra a falta de discernimento da Polícia Militar no episódio.

A cabeleireira Valdenice de Brito, 40, testemunhou o momento do disparo. "Quando ela me disse para sair dali por causa do tumulto, um policial mirou e atirou covardemente nela."

Giuliana foi socorrida por funcionários de um estacionamento. Outros cinco jornalistas da Folha também foram atingidos. Um deles, o repórter-fotográfico Fábio Braga foi atingido por dois disparos. Um atingiu o rosto e o outro a virilha.

"Estávamos perto do Choque, encostados numa parede para nos defender das balas de borracha, quando a polícia se afastou de nós e jogou três bombas de gás lacrimogêneo na nossa direção. Foi quando me perdi do outro repórter e acabei desmaiando depois de fugir dali", relatou a repórter Ana Krepp.

Em nota, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse que lamenta os episódios e determinou a "abertura imediata de investigações, pela Corregedoria da PM, para apurar rigorosamente os fatos".

OS JORNALISTAS ATINGIDOS

Giuliana Vallone
Félix Lima
Rodrigo Machado
repórteres da TV Folha

Ana Krepp
Leandro Machado
Repórteres do caderno Cotidiano

Fabio Braga
Marlene Bergamo
Repórteres fotográficos da Folha”
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1294799-em-protesto-seis-reporteres-da-folha-sao-atingidos-2-levam-tiro-no-rosto.shtml

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Na Revista Forum, manifestantes falam sobre os protestos e negam que sejam apenas “vândalos”, como tem afirmado a maior parte da grande imprensa:

Não somos vândalos”, dizem manifestantes pelo passe livre

Quarta manifestação é marcada por críticas à repressão da polícia e termina novamente com detidos e gás lacrimogêneo

Por Adriana Delorenzo

Mais um protesto contra o aumento das tarifas em São Paulo terminou com repressão policial e disparo de bombas de gás lacrimogêneo, nesta quinta-feira (13). Esta foi a quarta manifestação encabeçada pelo Movimento Passe Livre. Milhares de pessoas se reuniram a partir das 17h, em frente ao Teatro Municipal, no centro da capital paulista. Nesta hora, helicópteros da PM já sobrevoavam a região, anunciando o clima tenso. Em seguida, os manifestantes marcharam até a Praça Roosevelt, quando foram impedidos de continuar o protesto e teve início o conflito.

Além da luta pela redução do preço do transporte público, não faltaram críticas à violência da polícia e à cobertura da mídia em relação aos protestos. “A mídia fala que nós somos os bandidos, os vândalos, mas não veem quem realmente é bandido”, disse o estudante de arquitetura Henrique de Paula Rossi.

O pedido de libertação dos 13 detidos no último protesto de terça-feira (11) também era exibido em faixas e cartazes. No entanto, até o fechamento desta matéria, já eram 68 o número de presos durante a manifestação de hoje, segundo a Secretaria de Segurança Pública de SP. A reportagem da Fórum presenciou diversos jovens sendo presos pela polícia. Todos estavam sendo levados para um ônibus da PM. Um repórter da Carta Capital chegou a ser detido porque estava portando vinagre, que é usado para aliviar o efeito do gás lacrimogêneo.

Mais que 20 centavos

“Não sei se vai baixar para R$ 3,00 ou para R$ 2, 75, acho que precisa de mobilização, e o brasileiro não está acostumado com isso,” afirmou Tamires Medeiros, professora de Biologia da rede pública de SP. “Vinte centavos qualquer um paga, a questão é a mobilidade, a qualidade. É pagar 20 centavos por um transporte que é um lixo. É a falta de coletividade, todos com um carro e [o trânsito de] São Paulo já parou.”

 “Pego ônibus e metrô todos os dias, e a condição do transporte público é precária”, criticou o estudante Robson dos Santos Almeida, 18 anos, que participou pela primeira vez do protesto contra o aumento da tarifa. “Vim para mostrar que a gente tem voz”, disse ele, que trabalha com análise de sistemas e faz faculdade de Ciência da Computação.

Outro manifestante, Alan Ulisses, de 23 anos, que trabalha com terceiro setor, ressalta que “é assalariado” e que “a juventude brasileira tem que ter voz ativa em tudo que ela faz”. “É totalmente errôneo as pessoas acharem que isso é uma forma de vandalismo, isso é uma forma de mostrar que também somos seres humanos e buscamos direitos”, disse.
http://revistaforum.com.br/blog/2013/06/nao-somos-vandalos-dizem-manifestantes-pelo-passe-livre/

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No Viomundo, um excelente artigo de Luiz Carlos Azenha sobre a violência policial em São Paulo:

Classe média experimenta o terror que a PM paulista toca na periferia

por Luiz Carlos Azenha

Foi brutal, mas foi didático.

A classe média paulistana — inclusive aquela formada por repórteres da Folha e do Estadão — experimentou na própria pele o comportamento autoritário, brutal e descontrolado da Polícia Militar de Geraldo Alckmin, com a conivência do PT, de Fernando Haddad e do ministro da Justiça, que ofereceu o reforço da Força Nacional.

Incitado, ironicamente, pela própria mídia fã da ditabranda.

A PM paulista demonstrou o zeitgeist de sua existência: bater, em nome da segurança nacional, nos mais frágeis. Suprimir a democracia. Barbarizar jornalistas e manifestantes. Usar as armas de que dispõe graças ao financiamento público para atacar o público que a financia.
Em nome de manter a avenida Paulista “aberta ao trânsito”, a PM paulista fechou a cidade de São Paulo.

Se tivesse acompanhado à distância o protesto dos manifestantes, como aconteceu no Rio de Janeiro, a cidade teria sofrido muito menos do que sofreu.

A “demonstração de força”, às custas do dinheiro público, foi bárbara — como podem testemunhar centenas de pessoas que foram atacadas indiscriminadamente pela PM paulista “por estarem na rua”.

O resultado concreto é que, graças à lógica doidivanas da PM paulista, as manifestações do Movimento do Passe Livre — sobre o qual cabem dezenas de questionamentos — só tendem a crescer.

O mais repugnante é ver gente supostamente ligada ao PT e à esquerda posicionada sobre o muro, aguardando um piscar de olhos das “lideranças” para lamentar ou aplaudir o comportamento dos manifestantes.

Eles podem errar. O Estado, não.

O Estado não pode torturar, bater ou barbarizar, como fez nos tempos da ditadura militar.

Jovens podem agir de forma irresponsável. O Estado, com o monopólio da violência, não.

Infelizmente, ontem vimos o Estado agir como um jovem irresponsável, disparando bombas, atacando jornalistas e barbarizando transeuntes.

Como na ditadura militar. Vimos, também, o oportunismo de petistas, tomados por uma amnésia profunda sobre os primórdios do próprio partido, nos anos de chumbo em que a mesma PM atuou para abortar o PT e os movimentos sociais”.

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E aqui outro excelente artigo, agora de Leonardo Sakamoto:

Editorial do blog: Chegou a hora do basta

Leonardo Sakamoto

Todos têm direito a ter uma opinião e divulgá-la. Por isso, respeito (praticamente) todas. Mas como percebi que a minha era diametralmente oposta à do jornal Estado de S.Paulo, desta quinta (13), no caso das manifestações contra o aumento no preço da passagem, aproveitei o texto do editorial de lá para uma paráfrase. A bem da verdade, o texto é o mesmo, invertendo o “sinal”. Certamente, o Estadão não vai se importar com este exercício de retórica. E como fui informado que boa parte dos jornalistas que lá trabalham também discordam desse posicionamento, acho que estou absolvido.

No quarto dia de protesto contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos, o Estado policialesco que o reprime ultrapassou, ontem, todos os limites e, daqui para a frente, ou as autoridades determinam que a polícia não aja feito um animal que baba, ao contrário do que vem fazendo, ou a capital paulista ficará entregue à desordem, o que é inaceitável. Durante sete horas, numa movimentação que começou na Praça Ramos de Azevedo, passou pelo centro – em especial pela Praça da República e a Rua da Consolação – chegando à avenida Paulista, os policiais provocaram conflitos com os manifestantes, agrediram  jornalistas e aterrorizaram a população.

A violência desmesurada, que tem sido a marca da Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma corporação que mantém ranços desenvolvidos durante o último período ditatorial brasileiro, só tem feito aumentar. Por onde passaram, os 900 policiais deixaram um rastro de desrespeito aos direitos humanos – estudantes feridos, pessoas detidas por carregar vinagre (usado no combate à intoxicação das bombas), idosas senhoras que não participavam do ato e até uma universidade atingidas por bombas de gás lacrimogênio. Spray de pimenta foi jogado em um cinegrafista na Praça Patriarca e um policial, de acordo com imagens que aparecem em um vídeo, quebrou o vidro de sua viatura. Para quê, não se sabe. Em algumas das ruas e avenidas por onde passaram, especialmente na rua da Consolação, aterrorizaram a população e lançaram bombas para impedir a passagem dos manifestantes e inviabilizar uma passeata que seguia, até então, pacífica.

Atacada com bombas e tiros de borracha sempre que tentava seguir com a caminhada pacífica, uma minoria nem de longe representativa dos manifestantes devolveu com pedras e paus, sendo que a maioria correu desesperada para longe. Também uma minoria depredou ônibus, lixeiras e fez barricadas com sacos de lixo. O saldo foi de, ao menos, 192 pessoas detidas e dezenas com ferimentos graves, entre eles jornalistas.

A PM agiu com ignorância, ao contrário do que disse o poder público, que a defendeu da truculência para justificar a contenção da manifestação. Num episódio em que isso ficou bem claro, um PM que passava pela rua Augusta, feriu gravemente o rosto de uma jovem repórter do jornal Folha de S.Paulo. Sacou a arma, mirou e atirou com bala de borracha. Outros seis jornalistas do periódico ficaram feridos.

Em suma, foi mais um dia de cão, pior do que os outros, no qual a violência da polícia assustou e comprovou que as leis que garantem os direitos de milhões de paulistanos que vivem na cidade não vale absolutamente nada.  O comportamento da polícia deixou apreensivos milhões de outros que assistiram pela televisão às cenas de violência.

O reconhecimento por parte do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo de que excessos podem ter sido cometidos, assim como a incapacidade do poder público de garantir que sua própria força policial aja de forma adequada, não atenuam a sua responsabilidade pelo fogo que atearam. Embora tenha afirmado que abrirá sindicância para apurar os fatos, o governo mantém a confiança na polícia, mesmo já tendo demonstrado sua incapacidade de lidar com manifestações e seu comportamento em momentos de enfrentamento social. Sabem todos muito bem o que estão fazendo.

A reação do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad às manifestações indica que eles se dispõem a endurecer o jogo. A atitude excessivamente moderada do prefeito cansa a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer um transporte público de melhor qualidade e com preço mais baixo – e isso depende de coragem política, coisa que parece faltar.

De Paris, onde se encontrava para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Depois das cenas de violência desta quinta, espera-se que ele segure seus policiais e determine que a PM aja com o máximo rigor para apurar a selvageria e conter a fúria de alguns de seus policiais, que se mostraram mal-preparados, mal-intencionados e alheios à sua função de proteger o cidadão, antes que esse comportamento violento tome conta da cidade.

Haddad, que se encontrava em Paris pelo mesmo motivo, também foi afirmativo ao dizer que “os métodos (dos manifestantes) não são aprovados pela sociedade. Essa liberdade está sendo usada em prejuízo da população”. Nesta quinta, reclamou da violência policial, mas disse que a tarifa não vai baixar. E o ministro da Justiça de seu partido político, José Eduardo Cardozo, ofereceu ajuda do governo federal para a contenção dos protestos. A gravidade da situação exige que o prefeito esclareça se com isso o seu partido quis dizer que concorda que manifestações populares devem ser reprimidas à bala”.

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E confira, agora, algumas fotos das manifestações em São Paulo. As fotos são do Face, Folha, Estadão, Terra Magazine e Carta Capital:





 

































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Pra vocês: Me gustan los estudiantes!

5 comentários:

Anônimo disse...

Não me venham comprar com os protestos revolucionários e a praça Tahir. Ali ninguém era santinho. Quem tem boas intenções de protestar não sai com "molotov" na sacola e muito menos com pedaços de ferro. O tempo passpou e tem maneiras mais inteligentes de se fazer um protesto.Todo mundo quer estar na foto e no vídeo para dizer depois que era revolucionário e se candidatar a um cargo politico.Direito de ir e vir sempre. Pimenta neles, não saiu mete a borracha, para deixarem de ser estudantes burros que não conseguem fazer um protesto mais inteligente.Tá certo PM. Pau que bate em chico bate em francisco, o único que não entra nesse ditado é o Papa, gente boa, deve ter cartão Yamada.

Anônimo disse...

Transporte público "gratuito" não existe!!!

Iríamos todos ter que pagar AINDA MAIS impostos a políticos que iriam roubar a maior parte do dinheiro e administrar o transporte público com a mesma ineficiência que administram a saúde e educação públicas!

Vão protestar contra a corrupção, a PEC-37, a alta de inflação, sei lá qualquer coisa que faça mais sentido seu bando de IDIOTAS!!!

Anônimo disse...

Parabens , Ana , pela sua iniciativa de informar para além da bitola " do local ". Compartilho seus sentimentos de solidariedade aos manifestantes e de repúdio à truculência .
Tomará que esta onda de indignação, desejos de mudança e e ação chegue por aqui .
Marly Silva

Anônimo disse...

Não acreditamos mais em políticos, somente a sociedade civil organizada poderá mudar esse país, chega de câmaras municipais e federais, assembleias legislativas e senado, são caro demais e não dão nenhum retorno. A juventude, com muito orgulho, está iniciando um movimento para acordar os brasileiros e mudar toda essa sacanagem que fazem com o povo. Queremos resultado, chega de blá blá blá e busca desenfreada pelo poder, fora os políticos profissionais. É hora de todos se unirem por um Brasil mais justo e honesto. obrigado pelo espaço.

Anônimo disse...

Quando se trata de traficantes e bandidos, esses canalhas pegam a ponta. Contra o povo que paga seus salários e suas mordomias, querem baixar porrada. Covardes.