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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A incrível história de Onde Judas Perdeu as Botas (Parte I)






A ilha inteira era um imenso resort da bandidagem: vicejavam pilantras de toda espécie, de simples ladrões de galinha a engenhosos parasitas sociais, que dilapidavam o erário de todas as formas possíveis. 
 
Onde Judas Perdeu as Botas era, assim, um imenso laboratório de todas as torpezas humanas. Uma Galápagos perdida nas brumas de Brasilon, a gerar, todos os dias, espécies únicas de malfeitores.

Acerca de tamanha multiplicidade, até escreveu o ilustre cientista político El Bundon de Mequetrefe: “Trata-se da síntese da ubiquidade, obliquidade e ambivalência do espírito humano”.

Como não poderia deixar de ser, seu opúsculo foi introduzido nos anais da Academia dos Peidorreiros Bucais, onde aguarda a ação do tempo, que a tudo gaseifica.

Em Onde Judas Perdeu as Botas, a Velhacaria, mais que um hábito, era uma necessidade existencial. Dir-se-ia até, um ideal, uma areté.

Famílias e profissões inteiras, políticos e instituições aglutinavam-se em torno do objetivo sublime da Rapacidade. Vendiam a própria mãe nas esquinas, roubavam até pirulitos de crianças. E a tudo superfaturavam, especialmente, o próprio valor moral.

O arquiteto-mor de Onde Judas Perdeu as Botas era um sujeito tosco e arrogante, que mal sabia projetar uma palhoça.

Mas como vivia de lamber as botas do presidente imperial, acabou elevado à categoria dos Doutos&Sábios, na qual só eram entronizados aqueles que demonstravam expertise na capacidade mais antiga e impressionante dos que dominavam aquela ilha: a arte do puxa-saquismo.

De sorte que o arquiteto-mor, Paulinho Caruana, pôde erguer, por toda parte, inúmeros, dispendiosos e mal-ajambrados palácios, à semelhança de seu espírito tosco e arrogante, mas que, assim imaginava, lhe garantiriam lugar cativo na história de Onde Judas Perdeu as Botas. Afinal, caro leitor, cada qual é introduzido pela história nas paragens que merece.

Para erguer tais palácios, Paulinho Caruana importou da Europa toda sorte de materiais: vidros, mármores, lustres, tapetes, e até penicos dourados, dotados de um imaginativo sistema antibodum. Uma fileira de  orifícios disparava nuvens de perfume francês, cada vez que alguma coisa batia no fundo. Assim, o ilustre presidente imperial podia, literalmente, cagar cheiroso. 

Paulinho Caruana amava a Europa. E não entendia o porquê de ter nascido em Onde Judas Perdeu as Botas. Tão distante da luminosa Paris!... Tão longe daquele francês extasiante, o qual, por ironia do destino, foi-lhe substituído pelo humilde saravá!...

Em Paris, pensava, até a Plebe era bonita e cheirosa, ao contrário daquela massa preta e parda de Onde Judas Perdeu as Botas, que, tresandando a suor, pretendia emporcalhar os imaculados palácios construídos para deleite dos kalos kagathos como ele.

“Bando de ignorantes”, reagia, sempre que os líderes da Plebe insistiam em tornar públicos tais palácios, erguidos, afinal, com  dinheiro de impostos.

Mas para acalmar aquela massa imunda e iletrada, mandou abrir os portões dos luxuosos teatros que também construíra. No entanto, determinou que só exibissem espetáculos operísticos, ininteligíveis à Plebe. E, ainda, que cobrassem os olhos da cara.

Na verdade, Paulinho Caruana era um tremendo vigarista. E, muito mais que a Europa, amava os lucros obtidos com o superfaturamento dos materiais importados, e os rapapés dos kalos kagathos, sistematicamente presenteados com ingressos para os “seus” espetáculos operísticos, e com luxuosos livros e outros mimos, que mandava confeccionar com dinheiro público.

Além disso, muitos dos palácios que projetava exigiam a demolição de centenários casarões do patrimônio de Onde Judas Perdeu as Botas. De sorte que Paulinho Caruana podia surrupiar alegremente valiosas peças de arte e arquitetura.

O Eminente-Douto-Meritíssimo daquela República Imperial (um interessantíssimo sistema de governo só factível em Onde Judas Perdeu as Botas, caro leitor) era Dom Fariseu Corleone, que as más línguas diziam comandar a “gangue do judiciário”.

A gangue comercializava desde receitas de bolo a belíssimas sentenças, passando por relíquias medievais: fragmentos do Santo Sudário, raspa-raspa do Santo Graal, e até uma edição revista e atualizada da vida sexual de Jesus Cristo e Maria Madalena, encontrada nas cavernas do Mar Morto.

Mas quando os Indigitados da gangue resolviam realizar os seus “roubalhaços”, os arrastões nos quais extorquiam milhões de patacas a jornalistas, advogados e plebeus, até a guarda imperial se recolhia aos quartéis, a fim de proteger o grude.

Mesmo assim, os Indigitados eram tarados por romarias e não perdiam nem missa nem hóstia. E, aliás, eram aqueles que mais superfaturavam o próprio valor moral.

Fariseu Corleone, assim como Paulinho Caruana, era um kalos kagathos apaixonado pela França e um eminente vigarista.

Nascera apenas remediado, a um passo daquela Plebe ignara, mas agora possuía uma das maiores fortunas da República Imperial, só comparável a do presidente-imperador.

As armações de Fariseu Corleone transformaram o Eminente-Douto-Meritíssimo Judiciário numa espécie de banca de bicho togada: os processos mais rentáveis eram direcionados, sempre, para os Indigitados da gangue, que possuíam uma coleção de doutas sentenças pré-fabricadas, cujos preços variavam em função do bicho correspondente.

Assim, ladrões de galinha e aprendizes de meliantes pagavam por sentenças do tipo Avestruz, as mais baratas da tabela.

Já merceeiros de esquina e ladrões remediados, autuados pelos cobradores de impostos, pagavam por sentenças do tipo Burro.

Para comerciantes maiores, pessoas de classe média alta e até pequenos industriais, que possuíam recursos para longas disputas judiciais, mas preferiam molhar o pé da planta, as sentenças tabeladas eram as do tipo Carneiro.

Políticos e alcaides interditados, ou que buscavam ganhar uma eleição, desembolsavam milhões de patacas por sentenças do tipo Cobra.

Pedófilos, para se livrar da cadeia, só de Porco para cima.

E nos casos que envolviam o presidente imperial, ou os parentes do presidente imperial, ou até bilionárias expropriações bancárias, valiam as sentenças mais caras: as do grupo Vaca.

Mesmo assim, os processos envolvendo os de sangue real eram tão complexos, que, por vezes, extrapolavam os preços tabelados.

De sorte que os valores de tais sentenças eram complementados com a oferta de singelos agrados aos Indigitados da gangue: o emprego de uma profusão de parentes e amásias pela República Imperial, o aluguel ou a compra superfaturada, com dinheiro do erário, das propriedades que possuíam.

Pilantra até a raiz dos poucos fios de cabelo, Fariseu Corleone também ganhava comissões e rapapés enriquecendo bancas de advogados, o elo necessário entre o bicho e a sentença, e a garantia de que ninguém viria a cuspir na panela em que comeu.

Era um sujeito ladino: abriu caminho entre os seus pares, alguns até com maior expertise em roubalheira, ao perceber que eram, invariavelmente, semianalfabetos, inclusive no Direito, e com neurônios que, simplesmente, não conjuminavam.

Assim, rapidamente se encantaram com a vasta cultura de Fariseu e com a habilidade que possuía para construir uma vasta rede de relações e de favores sub-reptícios, que ampliavam, dia após dia, as benesses da patota.

Foi assim com a parceria que cultivou com o presidente imperial, para domesticar integrantes de todas as instituições daquela república imperial.

Sempre que alguém assumia um cargo importante em Onde Judas Perdeu as Botas, Fariseu Corleone procurava o sujeito.

E sibilava: “A vida tá dura, né? Família grande, salário baixo... Mas, olhe, o presidente imperial tem dois ou três empregos reservados aos parentes dos amigos. Afinal, é dando que se recebe”.

Assim, os Indigitados da gangue e todos aqueles que aceitavam tais favores exibiam diante do presidente imperial um comportamento dulcíssimo.

O presidente imperial dizia: “Senta, Rex!”, e eles sentavam; “Rola, Rex!”, e eles rolavam; “Dá a pata, Rex!”, e eles davam.

.........


A obra acima é de ficção, sem a mais tênue semelhança com a realidade, como bem sabem os argutos leitores. Assim, só serão aceitos comentários na mesma linha.

16 comentários:

Anônimo disse...

O duciomar deve tá mais preocupado com os seus lucrativos laranjais e com a porrada de processos que terá de se safar.

Ibraim Rocha disse...

É uma Beleza saber que só onde Judas perdeu as botas que de acha normal fazer projetos para cobrir canais naturais urbanizados e cercados de palácios sabendo que se tem ruas onde os pardos e pretos andam sobre palafitas e moram em cima de canais.

Anônimo disse...

Tudo começa e acaba nos vendilhões de sentenças, que arrotam falso conhecimento e moralismo.
Se não fosse esse comércio imundo, não haveria espaço pra tanta violação da cidadania.
Que morram nos esgotos de Paris...

Anônimo disse...

O Gordo do Aurá te soltou foi mana?

Anônimo disse...

11:09 o gordo não soltou a perereca já que nunca a teve. Quem é amigo do Gordo é a tucanalha. Né mana? kkkkkk

Hugo Leonardo Mercês disse...

Fiquei aflito com o texto, mas graças ao Papai Neol é só uma obra de ficção.

Sandro Batista disse...

Essa ficção, que não sai da realidade do meu Pará, eita pará paidegua, Pará da União, da Paz. ègua chega.

Anônimo disse...

quem seria o corleone nobre blogueira?

Anônimo disse...

Qual será a chaves do mistério?

Anônimo disse...

Tadinho do Rex, é só alguém falar na orelha dele: chupetinha kkkkkk

Anônimo disse...

Caro jornalista se informe e denuncie porque o orçamento da PM foi cortado, inclusive não pagaram o auxílio fardamento de oficiais e sargentos promovidos em 25 de setembro e ainda não pagaram algumas ajudas de custo, como fez a ex governadora no ano de 2009 e que até hoje vários PMs foram transferidos por interesse do serviço e não receberam suas ajudas de custo.

Anônimo disse...

Perereca, creio que a matraca não era o único meio de comunicação utilizada no Reino de Onde Judas perdeu as botas, devendo existir um comandante ou uma grande organizacão para difundir entre os plebeus que o Reino era feliz.

Anônimo disse...

Perereca, adoro os teus textos nesse estilo. Contemple a gente mais vezes, já tinha algum tempo que não via, desde o Barão De inhaNgapi, momento em que comecei a ler o seu blog. Parabéns!!
Isabela

Anônimo disse...

Dona Perequinha, permita-me a intimidade, dê logo nome aos bois. Muitos vizitantes são jovens demais para entender em que local o capeta deixou as botas. Bote quente para f...erver e não se fala mais nisso. Fui!

Mestre Chico Barão disse...

ROLA REX NÃO , A ROLA REX SIM!

Será que onde Judas Perdeus as Botas fica no Norte Brasileiro, se fica é o local onde tinha o antigo campo do maconhão e jogava o Norte Brasileiro , time que acabou por excesso de Crack não de Craques.

Contudo sendo uma ilha o local é propicio para pesca, assim se justificam os parasitas, pois não existe isca melhor para tal pratica , experimente usar uma apetitosa sangue sunga o resultado é incrível!

Erraste em comparativo ou será que os mais conhecidos habitantes de Galápagos teriam velocidade para percorrer uma ilha em apenas quatro anos, acho que não!

Sendo o conteúdo do opúsculo abstrato como ira gaseificar-se, afinal imagino que o concreto seja de traço vide tabela de Caldas Branco, porem digno da Caldas Brito!

Fiquei perdido na areté embora tenha o habito de não usar bússola para me orientar, corrigindo deflexão magnética apenas observando o sol , a lua , uma estrela , assim esperarei a chuva passar!

Vender mãe é ato de caridade para o cônjuge que não correra mais risco na peçonha e para própria se o comprador for um jovem personal treiner!

Novo erro não existe concreto em palhoça mármore ou vitral , será que sabes ao menos se alguém quiser sair da ilha de jangada com quantos paus ele constrói?

Ao Chacrinha nada se cria e basta duas two coins of fifty cents para alguém ser borrifado com o odor que escolher em qualquer toalete nos EUA.

Suponho que sendo tal ilha em local tropical está sujeita as temperes e como o povão anda deapés no maximo de Gol (Grande Ônibus Lotado) vai pisar na lama sim e vai levar lama nos pés para onde for , lama só menos prejudicial que há da alma!

Cismar com ópera é o seu maior erro ou você queria combinar veludo com Ex My Love melô de 1,99 ?

O que você se refere não foi surrupiado , apenas voltou aos legítimos donos , porem como há um litígio entre as tribos dos Boboquequetes e das Chuchupepetas sobre tal posse há controvérsias!

Esse tal de Don Fariseu não forma , nem julga quadrilha, não sendo católico não conhece nem São João quanto mais receita de quentão, desculpe te deixar sem, minha intenção era tensa!

Superfaturar a moral se faz correto , errado é superfaturar o imoral pois inflacionar o mercado de sexo não interessa se lá ou na França resulta na perigosíssima perda de poder aquisitivo ai mana ninguém vai possuir um anel , ficaram só estragando os cinco dedos!

O premio da avestruz nunca poderia ser o mais barato, avestruz se não sabes quando existe perigo o corpo que se foda, esconde apenas a cabeça no primeiro buraco!

Um premio pra lá de correto é o da cobra , o feliz político ganhador realmente nada faz de graça só faz desgraça!

Olhe estou bastante chateado com você, seja cristã não queira destruir uma grande família, essa família é muito unida, embora também muito ouriçada, brigam por qualquer tostão, mas acabam enchendo as mãos!

Vide a dura eu não, quero ver só se for a minha, odeio golpe embaixo e assim não dou para não receber, aceito favores porem nunca obedeceria o senta se fosse no colo de outro, porem se for para alguém sentar no meu o papo é outro, deixo quem quiser me chamar de Rex desde que haja mudança de rola Rex para a rola Rex e darei minha patinha na cara de algum comentarista que achar que eu não mantive a linha do texto!

MCB

Anônimo disse...

O Rex vai ser assessor de comunicação do Zenaldo, é perereca?