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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CPI do Tráfico Humano investiga denúncias no Marajó


Os deputados da CPI que apura o tráfico humano do Estado do Pará realizam audiências públicas nas cidades de Breves e Curralinho. No dia 17 de novembro (amanhã), a audiência será na Câmara Municipal de Breves, e no dia seguinte, 18, a reunião acontecerá na colônia de pescadores de Curralinho. 

Nas audiências públicas os deputados irão averiguar denúncias nestes municípios e em Portel. Serão ouvidas vítimas, testemunhas e acusados de envolvimento com o tráfico de mulheres, jovens e adolescentes para exploração sexual no Brasil e no exterior.

“A visita ao Marajó tem por objetivo dimensionar a proporção e o impacto da existência nestas cidades do tráfico sexual de mulheres, até porque são inúmeras as denúncias e depoimentos colhidos em Belém, Bragança e em outras cidades do Pará sobre a existência da rota de exportação de mulheres e adolescentes para as Guianas, principalmente para Caiena”, disse o deputado Carlos Bordalo (PT), relator da CPI.

Para ele esta rota pode estar alimentando ainda o mercado sexual em países europeus, principalmente França e Espanha.

Participarão das audiências, além de Bordalo, os deputados Celso Sabino (PR), Edmilson Rodrigues ((PSOL) e Edilson Moura (PT).

Até o momento a CPI ouviu 66 pessoas, dentre elas a adolescente que teria sido vítima de abuso sexual dentro da penitenciária Heleno Fragoso.

Para o deputado Celso Sabino, o trabalho dos deputados da CPI é difícil: “Não existem informações consolidadas, boa parte da sociedade não acredita que ele exista. As vítimas são enganadas com a promessa de que vão melhorar de vida, entretanto só denunciam no destino, quando descobrem que foram enganadas, e não na origem do problema quando são aliciadas por falsas promessas”.

Lucro ilegal - O tráfico humano movimenta atualmente mais de US$ 12 bilhões por ano, segundo dados da ONU. A atividade compete apenas com o tráfico de armas. É comprovadamente a segunda prática criminosa mais lucrativa do mundo.
 
Em 2008, cerca de 500 mil pessoas foram vítimas do tráfico humano na Europa. Desse total, 75 mil eram brasileiras. Na maioria dos casos são jovens e mulheres, afrodescendentes com baixa escolaridade e desempregados, que são atraídos por promessas de bons empregos e uma vida melhor. Sem passaportes, lá são escravizados para atividades sexuais ou econômicas.

A região amazônica também se insere neste mercado mundial, e é uma das que mais fornece vítimas para essas redes criminosas. Estima-se que 500 mil crianças são vítimas de tráfico para fins de exploração sexual no mundo inteiro.

Programação da CPI no Marajó
17.11 – Quinta-feira,
Breves
Local: Câmara Municipal na Rua Duque de Caxias
09:30 h - Entrevista livre com os deputados para a imprensa presente;
10:00h –Audiência pública com a presença de autoridades do município, representantes de entidades de defesa dos direitos de crianças e adolescentes; especialmente, o Conselho Tutelar, a Arquidiocese, Pastores, Sindicatos e o Conselho Regional de Assistência Social, para em seguida iniciar os depoimentos (oitivas públicas);
14 h – Segue depoimentos de vítimas, testemunhas e acusados.

18.11 – Sexta-feira
Curralinho
Local: sede da Colônia de Pescadores
09:30 h - Entrevista livre com os deputados para imprensa presente;
10:00 h – Audiência pública com a presença de autoridades públicas do município, representantes de entidades de defesa dos direitos de crianças e adolescentes do município; especialmente, o Conselho Tutelar, a Arquidiocese, Pastores, Sindicatos e o Conselho Regional de Assistência Social, para em seguida iniciar os depoimentos (oitivas públicas);
14 h – Segue depoimentos de vítimas, testemunhas e acusados.

(Fonte: Assessoria de Comunicação da Assembléia Legislativa do Pará, com modificações do blog).

Um comentário:

Anônimo disse...

Perereca, eu acho que só tem um jeito da região do Marajó melhorar: é votar 77 SIM. Quem sabe as mazelas não darão lugar ao turismo sério e competente dessa ilha linda (e mal cuidada) maior do que alguns países europeus.