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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Salame chama de “fracos e estúpidos” argumentos contra a divisão do Pará


BELÉM – Num vigoroso feito nesta quarta-feira, na Assembléia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), o deputado João Salame Neto, líder do PPS, saiu, mais uma vez,  em defesa da criação dos estados de Carajás e Tapajós. Ao termo do discurso, Salame foi aplaudido tanto por seus pares, em plenário, quanto por populares, nas galerias.
O parlamentar eleito por Marabá e região, principalmente, demonstrou, claramente, com argumentos e dados estatísticos, que os discursos contrários às novas unidades federativas, provavelmente ainda este ano, carecem de fundamentação. Segundo ele, em hipótese alguma, é lícito afirmar que a criação dos novos estados – se isso for aprovado no plebiscito – vá resultar elevados ônus para a União.  Ou, ainda, que a divisão vá resultar três estados pobres. ou, ainda, que os novos estados vão servir apenas para gerar cargos públicos.
O discurso de Salame serviu de contraponto ao do deputado Edmilson Rodrigues, líder do Psol, contrário a Carajás e Tapajós. Mesmo no improviso, Salame desfilou dados e exemplos do quanto a divisão do Pará pode ser boa para os estados resultantes e para toda a região Amazônia que, segundo ele, ganhará maior expressão e representação política. Disse que morava em Goiás quando este Estado foi dividido para que se criasse o Estado do Tocantins. “Hoje, o Tocantins apresenta uma taxa de desenvolvimento superior à média nacional, conta com cinco faculdades de Medicina e passou de 200 quilômetros de estrada pavimentada para 6 mil quilômetros”. O mesmo, de acordo com Salame, aconteceu no Mato Grosso, com a criação do Mato Grosso do Sul: as duas unidades federativas tornaram-se potências agrícolas e adquiriram enorme de desenvolvimento. Citou, ainda, o Amapá, que pertencia ao Pará até o início da década 1950 e foi transformado em território federal passando à condição de Estado em 1988. “Perguntem em Macapá se eles querem voltar a pertencer ao Pará?” – instigou Salame, lembrando que, município do Pará, como Afuá e Chaves, no arquipélago de Marajó, são atendidos em termos de saúde e educação pelo governo do Amapá.
 
Para Salame, também não passa de balela a afirmação de que Carajás já nasceria como campeão brasileiro de trabalho escravo. “Será porque o Pará já é assim, por falta da presença do Estado nessas regiões afastadas da capital. Mas, com o novo Estado, teremos a oportunidade de acabar com essas mazelas, porque vamos ter maior presença do Estado num território menor e, portanto, mais fácil para ser administrado”.
De acordo com Salame, também padece de inconsistência a afirmação segundo a qual o que restar do Pará será a parte mais pobre porque as maiores reservas minerais do Planeta, das quais o Pará é detentor, ficarão para o Estado de Carajás. “ Sabemos todos que isso não é verdade. Bens minerais não fazem o desenvolvimento de nenhum lugar. Se não fosse assim, o Japão, que não tem nenhuma mina, não seria hoje a terceira economia do mundo. A Vale, que explora essa riqueza do subsolo, paga menos impostos ao Estado que uma rede de supermercado.  O que leva ao desenvolvimento é o conhecimento científico e  tecnológico.  E por essa lógica, o Pará remanescente sai ganhando porque ficará com 90% dos mestres e doutores da Universidade Federal”.
Salame observou que, com os dois novos estados, a região amazônica ganhará  mais seis senadores, ampliando a sua capacidade de defesa no plano nacional. Disse que o Nordeste em 27 senadores e estados que, em alguns casos, são menores que alguns municípios do Pará. Mas é assim que aquela região consegue eleger inexoravelmente o presidente do Senado. “Hoje, a força política da Amazônia é pequena. Com os novos estados vamos influenciar mais”.
O líder do PPS demonstrou também que países como a Itália, Alemanha e França têm mais estados que o Brasil, e, por isso, seriam potências econômicas mundiais. Segundo ele, o Estado com dimensões continentais favorecem a ação criminosa, a pistolagem, a grilagem de terra. O Sul e Sudeste do Pará, que compreendem o projetado Estado de Carajás representam 25% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas – do atual Estado do Pará; 22% da população (1,3 milhões de habitantes), e apenas 2% do funcionalismo, numa área de 284.721 quilômetros quadrados, dividida em 38 municípios.
A todos esses fatores favoráveis á criação dos novos estados, aduz João Salame, soma-se uma elite arrogante, que historicamente domina o atual Estado do Pará. Mudam, de acordo com ele, apenas os nomes. Os sobrenomes são os mesmo, seja o governo de direita, de esquerda ou da tendência que for, acostumados a mamar nas tetas do Estado. Ele ainda criticou a um colega que teria postado em seu blog conselho para que os secretários que favoráveis às novas unidades federativas renunciem. “Posso até ser convencido de que a divisão não é importante para o nosso desenvolvimento, porque vamos melhorar se continuarmos como estamos hoje, em função de mais investimentos e mais políticas públicas para essas regiões previstas para serem desmembradas. Mas não com esses argumentos aqui apresentados por vários parlamentares. Os argumentos são muito fracos e estúpidos”.
(Antônio José Soares – Ascom/ João Salame)

3 comentários:

W. Alves disse...

Claro que a intenção não é melhorar a região ...estúpido e quem acredita nesse senhor !!! Loucos , todos , para terem um estado para chaamr de " meu " . Não tem capacidade de serem governadores no Pará grande e querem dividir para somar ( em prol deles ) . Ainda bem ...isso é vergonhoso !!! Alguns que defendem a divisão já até foram prefeitos de cidades na região e o que fizeram ? Pelo visto nada ..nem eleitos para um novo mandato foram !!! Deputado deixe de estória ( com "s" mesmo ) . Ainda bem que o Sr , com a graça de DEUS , não vai conseguir o queres ...ah e sem falar em muitos deputados que nem paraense são !!! O pior é ainda o Jatene ( como governador ) ter seu partido como aliado ..vá assinar a CPI da "sua casa " em vez de querer dividir o que é nosso meu senhor !!!

Ademir Braz disse...

O Sr. W. Alves é uma tristeza: da forma como escreve, revela-se analfabeto funcional. Pelas coisas que diz, não possui coerência nem consciência crítica. Do jeito que destila baba venenosa, parece que não lhe basta assassinar a língua.
Se no Pará inteiro existissem apenas paraenses, como talvez desejasse o Sr. W., por aqui viveríamos ainda na idade da pedra por falta de gente e mão de obra para amansar e explorar a terra.
Ah, sim, seu W.: Sou paraense, filho de paraenses descendentes de europeus e africanos escravizados. E lhe digo que se talvez o estado paraense tivesse algum dia desembarcado por aqui, de forma menos truculenta do que na Curva do S, não pensaríamos em cortar o cordão umbilical.

Anônimo disse...

Esse senhor, e mais o Deputado Giovani Queiróz, do PDT, partido que se auto denomina "correto", é o mesmo que tem a mulher do "Conselheiro" Luís Cunha nomeada na Asipag, dois irmãos: Antonio e Paulo Cunha Teixeira, Vice-Diretor e Ch. de Segurança, no Presídio de Bragança entre outros. Imagine o que esses senhores irão aprontar.