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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Feriadão acalma deputados, mas Assembléia Legislativa deve pegar fogo na semana que vem. Material apreendido pelo MP é bombástico e inclui gravações feitas por Mônica Pinto e Edmilson Campos


É de fato explosivo o material apreendido ontem pelo Ministério Público, para investigar supostas fraudes na Assembléia Legislativa do Estado.
São milhares de documentos: agendas, contracheques, notas fiscais, tíquetes-alimentação e até lista de abastecimento de veículos.
Em uma das casas revistadas, por incrível que pareça, teriam sido apreendidos até contratos sociais de empresas que forneciam produtos à AL.
E a cidadã apanhada com a boca na botija - já que funcionária da Casa - teria até indicado o filho e o cônjuge como proprietários de tal empresa.
“Eles (os supostos envolvidos nas fraudes) já estão naquela de confessar o mínimo, pequenas coisas, para tentar escapar”, diz alguém.
Haveria até empresa cujos funcionários seriam “fantasmas”.
E a existência de “fantasmas” nos quadros da própria AL “já estaria provada”, até pela profusão de contracheques encontrados na casa de um dos presos – possivelmente, Jorge Moisés Caddah, que, há cerca de um mês, foi guindado ao comando da seção de Informática da Assembléia.
Haveria, ainda, funcionários particulares de ex-deputado que eram pagos pela AL.
“Essa folha era uma festa”, resume uma fonte.

II   

O  mais impactante, porém, seriam as gravações – muitas, e bombásticas, e esclarecedoras, que poderiam levar a peixes graúdos.
Os vídeos foram feitos secretamente por Mônica Pinto, a ex-servidora demitida por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes em empréstimos consignados. Alguns teriam sido entregues ao MP por ela mesma. Outros teriam sido apreendidos, ontem, na casa dela.
Mônica teria gravado a romaria de supostos emissários, com propostas de toda ordem -  até dinheiro – em troca de seu silêncio.
Tais emissários representariam vistosos peixões: deputados de vários partidos, entre outras “otoridades”.
Além dos vídeos, há gravações apreendidas na casa de Edmilson Campos, sobrinho de Domingos Juvenil e ex-chefe de gabinete da AL.
Edmilson também teria o hábito de gravar as conversas de quem telefonava ou aparecia no escritório da casa dele: sob a sua mesa de trabalho teria sido  descoberto um gravador, acionado por voz e conectado a um equipamento de informática (possivelmente, um HD externo).
No MP o que se cogita é tornar públicas tais gravações – embora se evite prever quando.
“Isso não vai ser divulgado agora, mas acredito que será, sim”, diz alguém.
Certo mesmo é que é praticamente impossível manter esse conteúdo explosivo entre quatro paredes por muito tempo.
Gravações feitas por Mônica estão sendo usados para confrontar depoentes que tentam negar as acusações.
Os advogados deles também tomam conhecimento desse conteúdo.
E, é claro, também fica ciente quem esteja envolvido nos supostos esquemas.
O resultado é muita gente falando.
E um batalhão de jornalistas, advogados e políticos a tentar arrancar um pedacinho de tão extraordinário pitéu.

III

As gravações feitas por Mônica seriam antigas, mas ela só teria resolvido colaborar com as investigações depois do resultado da sindicância realizada pela AL, quando se tornou visível o óleo da fritura.
Segundo o advogado dela, Luciel Caxiado, ela teria obtido do MP a possibilidade da “delação premiada”, mas estaria, no momento, sob a proteção de um habeas corpus.
Na semana que vem, deve depor no MP e até conceder uma coletiva à imprensa. “Vamos provar a inocência dela”, afirma Caxiado.
Mas, com a AL semideserta devido ao feriadão, a existência dessas gravações, divulgada pelo jornal Diário do Pará, não chegou a provocar o  frisson esperado – pelo menos na superfície.
“Conversei hoje com um deputado, que me pareceu tranqüilo e até disse: ‘deixa apurar’. Não tô vendo nenhum pânico”, disse um parlamentar.
A operação do MP também não o teria deixado nem mais nem menos a favor de uma CPI: “Depois da fidelidade partidária, quem decide é o partido. Logo, a gente só pode assinar se o partido resolver assim”.
O deserto na AL não impediu, porém, as especulações da “rádio cipó” em torno do possível conteúdo dessas gravações – e até sobre os  depoimentos prestados ao MP por alguns dos servidores presos ontem.
“O que se diz é que a Semmel (Charone), com base na delação premiada, abriu o que sabia e disse que tudo foi feito a mando do Juvenil (Domingos Juvenil, ex-presidente da AL)”, disse outro deputado.
E observou: “Acho que a Mônica fez essas gravações quando percebeu que a situação dela estava muito ruim. Aí, quis envolver outras pessoas, para poder chantageá-las. Até porque, se ela armou tudo isso, é porque estava com más intenções”.
Especulava-se, ainda, que Mônica teria entregado um DVD ao MP durante  um depoimento que teria prestado, há uns 15 dias, antes mesmo do resultado da sindicância da AL.
O zum-zum-zum incluía a possibilidade de ela ter fornecido aos promotores também uma folha de pagamentos “intermediária”, usada nas supostas fraudes.
Funcionaria assim: os envolvidos rodavam a “folha normal” e a colocavam num arquivo.
Depois, rodavam uma folha alterada (a intermediária) com as gratificações e outras majorações.
Depois de imprimir os contracheques, apagavam a folha alterada, para não deixar pistas.
Aí, voltavam para a “folha normal”, que ficava arquivada na Casa.
Ou seja: o que se comenta é a possibilidade de que Mônica tenha guardado algumas provas – se é que o esquema de fato existiu.
A calma aparente da Assembléia Legislativa deve acabar, porém, na próxima segunda-feira, quando os deputados voltarem ao batente.    
E a previsão é que falte Maracujina na AL e proximidades.
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Sem explicação

Os processos licitatórios da Assembléia Legislativa apreendidos no gabinete do diretor geral do Detran, Sérgio Duboc, são de 2007 e 2008. Pelo menos um diria respeito  à contratação de uma empresa sem licitação.
Tá certo que Duboc, persona da mais absoluta confiança do senador tucano Mário Couto, foi diretor financeiro da AL.
Mesmo assim, ninguém consegue entender o porquê de tais processos estarem na gaveta dele, lá no Detran.
Um enigma que talvez seja esclarecido com uma aprofundada análise dessas licitações.
A Perereca volta já.

3 comentários:

Anônimo disse...

Perereca como está a sua situação com aquele "Maugistrado"

Anônimo disse...

Nada passa na ALEPA sem passar no Financeiro. Né Duboc?

Anônimo disse...

Quem for podre, que se quebre, né Perereca?