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sábado, 27 de novembro de 2010

Ping-pong Jader X: “Ana Júlia perdeu pra ela mesma e Jatene foi o beneficiário”




Perereca: Agora, um PT fragilizado no Pará favorece bastante o PMDB, no caso de uma candidatura ao Governo, em 2014. O seu filho Helder, o seu herdeiro político, ele deve ser candidato ao Governo em 2014? E essa fragilização do PT pode, de fato, beneficiá-lo?
Jader: Em primeiro lugar, acho que uma semana em política já é um grande prazo. Então, não me arrisco a falar sobre 2014. Acaba de haver a eleição de 2010 e se inaugura um novo governo no estado. E a política, como a vida, é feita de circunstâncias. Então, eu não me arriscaria, absolutamente, seria uma pretensão demasiada, em fazer juízos e previsões a respeito de 2014. Não o faço. Desejo que o Jatene faça o melhor governo em favor do povo do Pará e o resto são as circunstâncias; é o que virá. A gente sempre sabe que os governos começam com festa. A gente não sabe é como eles terminam.

Perereca: Qual a sua avaliação do governo da Ana Júlia? E, na sua opinião, qual o maior erro dela, que esteve por trás dessa derrota?
Jader: Acho que o que faltou foi maturidade política. Acho que a Ana Júlia perdeu a eleição por falta de maturidade política, mais nada. Acho que ela se deixou cercar por um grupo de pessoas que não tinham experiência, mas, seguramente, pela inexperiência e pelo excesso, eu diria, de presunção... Algumas pessoas que não têm experiência política, às vezes, se enchem de presunção. E eu acho que o que acabou por acontecer foi exatamente isso.

Perereca:O senhor se decepcionou com a Ana? Afinal, o senhor foi um dos principais articuladores da candidatura dela...
Jader: Nunca tive nenhuma divergência pessoal com a governadora Ana Júlia. Pelo contrário: nas oportunidades que tive, sempre procurei ajudar, colaborar, aconselhar... Mas tenho a impressão de que, em algumas oportunidades, o meu aconselhamento foi visto como uma presunção do “velho diabo”... Como o “velho diabo”, pelo tempo de janela que ele tem...

Perereca: Qual foi o divisor de águas? Quando foi que o senhor percebeu: não vai dar mais, não tem mais como a gente continuar com o PT. Houve mesmo um momento que marcou ou foi um conjunto de circunstâncias?
Jader: Um relacionamento e um amor, já dizia Shakespeare, você não sepulta numa única sepultura – você o vai acabando em pequenas covas. É assim que acabam os amores e os relacionamentos.

Perereca: Qual foi a primeira cova e qual foi a última?
Jader: Não consigo registrar... Mas foram covas tão bobas, que acabaram nos conscientizando que não daria certo. Não tenho nenhuma divergência com a governadora Ana Júlia, de natureza pessoal. Ela sempre me tratou com o maior respeito e eu sempre a tratei com o maior respeito.

Perereca: Com o PT o senhor também não tem divergências? Então, o problema foi com a DS?
Jader: Também nunca tive embates com a DS, essa coisa toda. Com o PT tenho grandes amigos e respeito, pessoas que considero do maior valor político. Acho que até com a maioria do PT tenho a melhor convivência. Apenas cheguei à conclusão que a governadora estava cercada por uma influência que, inevitavelmente, levaria ao desfecho que levou. A Ana Júlia, na verdade, não perdeu para o Jatene: ela perdeu pra ela mesma. E o Jatene foi o beneficiário. 

Perereca: E quando o senhor liberou o partido não foi justamente porque o senhor já estava diante de um fato consumado? O senhor não temeu perder o controle do PMDB, caso o senhor dissesse: não, vamos votar todos na Ana Júlia?
Jader: Não; o meu diagnóstico sobre esse resultado foi muito anterior à eleição. Eu comecei a me dar conta que, evidentemente, as coisas não acabariam bem. E, evidentemente, que não havia nenhum compromisso... Acho que ninguém deve ter compromisso em ficar em posição que não se sinta confortável. E nós passamos a não nos sentir confortáveis.

Perereca: Sim, mas o PMDB permaneceu no governo até quase o final...
Jader: Não, imaginamos... Quer dizer: imaginamos que... E as coisas foram acontecendo... Como eu disse, em pequenas covas... Simplesmente já sabíamos que o desfecho, pela não alteração dos rumos, seria esse.

Perereca: Desde quando o senhor sabia disso: há um ano, dois anos, seis meses?...
Jader: Não, não consigo medir. Só que a experiência, o sentimento, não só meu, mas, de outros companheiros, foi que não daria certo. E tenho impressão que esse sentimento não foi só nosso. Acho que esse sentimento atingiu, inclusive, setores do próprio PT. O partido da governadora deve ter sentido, nas conversas que tive oportunidade de ter, que as coisas não dariam certo. Os índices de rejeição que a governadora atingiu eram conseqüência de tudo isso. Acho até que, durante a campanha, ela até conseguiu reduzir esses índices de rejeição.

Perereca: O senhor acha, então, que o Jatene é melhor, neste momento, para o Pará? O senhor acha que o Jatene vai ser um governador melhor do que a Ana foi?
Jader: O meu sentimento é que o Jatene tem tudo para ser melhor. Primeiro porque ele tem uma vasta experiência administrativa. Não só no cargo de governador, mas, no conhecimento da máquina administrativa do Estado. Depois, já foi governador e encerrou o governo bem avaliado. E acaba de ser eleito governador. Quer dizer: ele recebe o respaldo, o estímulo, o incentivo do povo do Pará. Então, acho que ele tem tudo para fazer um bom governo. Acho que ele tem todas as condições e que essa é que é a expectativa do povo do Pará.

Perereca: Sua, inclusive, porque o senhor deve ter votado nele...
Jader: Olha, não queira descobrir votos secretos, certo? (risos).


Um comentário:

Anônimo disse...

O PMDB ainda não saiu do Governo mesmo, no Detran e na Cosanpa ainda existe mais de uma centena de DAS ocupados por paraquedistas do PMDB.