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sábado, 27 de novembro de 2010

Ping-pong Jader VII: “Nunca fui biônico, nem escolhido pelo voto indireto, nem fui eleito com o prestígio alheio”.

 
Perereca: Sem mandato, com tantos processos e com esse rescaldo do ACM, o senhor acha que está numa posição de fragilidade, deputado? O senhor acha que os seus inimigos podem cair matando em cima do senhor, para tentar acabar com o senhor de uma vez?
Jader: Olhe, eu não estou absolutamente preocupado, nem acho que haja essa postura. Eu estaria muito preocupado, preocupadíssimo, se eu não tivesse tido o julgamento do povo do Pará.

Perereca: Mas o senhor se sente ou não fragilizado?
Jader: Não. Eu estaria fragilizado se tivesse perdido a eleição para o Senado. Aí, confesso, não sei em que condições psicológicas, morais, eu estaria tendo essa conversa com você.

Perereca: Sim, o senhor não perdeu, mas também não assume, não tem mandato...
Jader: Não assumo em termos: a luta continua, eu tenho recurso judicial. Acredito, inclusive, que com a posse do ministro que está faltando no Supremo essa questão possa ser revista. E ela revista, eu sou o primeiro beneficiário. Tenho medida no TRE contra a proclamação desse resultado, porque o Código Eleitoral diz, não em grego, mas, em português, que quando mais da metade dos votos forem considerados nulos, há necessidade de nova eleição. E eu não tenho nenhum temor de uma nova eleição no Pará, para senador. Pelo contrário: se ela tiver de vir, eu irei novamente para a disputa eleitoral com o sentimento de que mais uma vez o povo do Pará vai fazer o julgamento que a mim interessa. Não me interessa o julgamento, como político, por mais ilustres que os personagens possam ser; não me interessa o julgamento de cinco pessoas. Entre cinco pessoas, por mais ilustres que sejam e por mais importantes os cargos que ocupem, elas são muito pequenas em relação ao 1,8 milhão de votos dos paraenses. Esse é que é o julgamento que me mantém firme politicamente, espiritualmente, para prosseguir a minha luta. Nunca consegui nada politicamente de graça; nunca fui biônico, nem escolhido pelo voto indireto, nem fui eleito com o prestígio alheio. Fui eleito no Pará graças ao meu prestígio. De vereador, a senador, a governador, graças ao apreço do povo do Pará – este é o meu maior patrimônio. Portanto, os meus inimigos, estejam eles em qualquer parte, ocupando cargos públicos ou não, interessados ou não na minha destruição política – o que eu lamento – eu quero dizer que eles não conseguem substituir o julgamento do povo do Pará. O que eu ficaria muito ruim, é se fosse um “ficha limpa” desprezado pelo povo do Pará. Aí, te confesso, que tava num baixo astral que não tem tamanho... (risos). Mas eu ser considerado ficha suja por quem não tem voto; por quem, no meu entendimento, não tem autoridade moral para me julgar... Eu sou é o ficha limpa do povo do Pará. É o povo do Pará quem faz a minha ficha.
(continua)

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