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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os fins e os meios





A verdade é que nós, os paraenses, estamos encalacrados.


Não podemos andar pra trás, com o PMDB.


Mas também não podemos continuar a caminhar com o PSDB e o PT, com as suas práticas tão complicadas em relação à coisa pública.


Nos últimos dias, ao ler avaliações sobre a última eleição, em postagens e comentários na blogosfera, chego a ficar enjoada com a hipocrisia de alguns.


E acabo sempre com a sensação de que o sujo não consegue enxergar a própria sujeira, ao apontar o dedão acusador para o mal lavado.


Afinal de contas, haverá diferença qualitativa entre o que aconteceu no Hangar, antes e depois?


Haverá diferença qualitativa entre os kits escolares e o superfaturamento de medicamentos?


Ou entre as malfeitorias na área ambiental e o projeto Alvorada?


Ou entre Marcelo Gabriel, Eduardo Salles e o triunvirato que comandou o atual governo?


Ou entre o nepotismo de Jatene e o piloto de Ana Júlia?


Qual é a diferença, afinal?


Da área “afetada”? Do tamanho do rombo? Dos “beneficiários”?


Não, não estou a falar dos eventuais impactos eleitorais dessa ou daquela patifaria. Mas da essência mesma da patifaria.


Nos últimos dias, enquanto dou uma descansada e resolvo problemas de trabalho, tenho sido tomada por uma enorme angústia.


Nestes mais de dez anos de reportagens investigativas (e que me renderam, por sinal, mais do qualquer outra coisa, pencas de inimigos...) já vi de tudo.


Coisas de deixar a gente de cabelo em pé. Ou que faziam até gargalhar, de tão absurdas...


Mas que, ao fim e ao cabo, como que me escavaram no coração uma profunda descrença.


Sempre achei que num país escravocrata como o Brasil, e mais ainda nesta colônia que é o Pará, as esquerdas jamais poderiam almejar o Poder – e manter o Poder – sem apelar a práticas complicadíssimas, como é o caso do caixa dois.


Afinal, a venda de brochinhos e camisetas, ou até mesmo um “herói popular”, não ganham uma eleição se você não tiver dinheiro para sustentar uma campanha.


Mas o que vi nesses anos todos não foram apenas os nobres fins a justificar os tristes meios.


Vi, muitas vezes, foi a complacência com bandidos que se utilizam desses nobres fins para a simples obtenção de vantagens pessoais.


Às vezes penso que o problema é genético - e mais do Pará do que do Brasil.


Tudo aqui leva 100 anos para vir a ser.


E talvez seja essa lerdeza histórica, esse processo em câmera lentíssima, que nos leve a enveredar por caminhos tão tortuosos.


Afinal, não podemos simplesmente nos torturar em crises existenciais enquanto a nossa gente morre de fome. Ou vive que nem bicho, a reproduzir a miséria de geração em geração.


Se nada fizéssemos, certamente que teríamos ainda mais trabalho escravo, exploração sexual infantil, espancamento de mulheres, racismo, devastação ambiental – e toda a sorte de misérias destinadas às províncias.


Por isso, quando olho pra trás sei que avançamos um bocado. E que as novas gerações não têm sequer idéia da dimensão que tais misérias alcançavam, até pela “naturalidade” com que eram encaradas.


Mas quando me lembro de tudo o que investiguei fico também com a certeza de que temos, sim, de buscar meios muito, muito mais nobres, para tão nobres fins.


Temos de encontrar uma baliza, um Norte, um parâmetro.


E isso já não pode esperar.


Se é que alguma vez pôde, de fato, esperar.


FUUUUIIIIIII!!!!!!!!


.........


PS: Ainda não consegui nem abrir a minha caderneta de telefones. Apenas tenho pensado nos novos rumos deste blog, a partir do final deste mês. Novos rumos que serão, no fundo, os desta blogueira. Sei que me falta fôlego financeiro. Mas também sei que já não tenho nem idade nem paciência para determinadas concessões.


Pra vocês!

 

13 comentários:

Anônimo disse...

É por isto que continuo te amando.

Anônimo disse...

Perereca
Procure acompanhar a história com a dialética que ela requer para poder compreendê-la e aceitar a realidade como "síntese das muitas determinações". De outro modo, você vai pirar ainda mais, esperando que o Cristo em pessoa baixe por essas plagas e reescreva a história do nosso Pará. De outro modo, você vai aprofundar sua bipolaridade e vai sair por aí esperando topar, de repente, com o "Enviado" em pessoa, que uma hora pode ter a cara do Vic, outra hora a aparência do Charles Alcântara, ou a cara da Ana Júlia, ou do próprio Jatene e, até mesmo, a cara do Jáder (vide suas próprias reflexões(?),em edições anteriores do seu blog). Superando sua visão maniqueísta do mundo, você vai poder, com o seu talento jornalístico e seu senso de justiça social, dar uma enorme contribuição para que o povo paraense redescubra/descubra a sua floresta.

Ana Célia Pinheiro disse...

Anônimo das 9:46:

Olhe que eu já vi chamarem corrupção de muita coisa. Mas, de “síntese das muitas determinações”, sinceramente, é a primeira vez...

Vai ver que é dessa maneira asséptica que os nobres doutores classificam a corrupção, né mermo?

Sim, porque é desta “realidade” que se está a tratar: a “bufunfagem” que corre solta, sempre sob a capa das boníssimas intenções.

Não, anônimo, nunca esperei um Messias. E até já disse aqui que a Política é feita por seres humanos – e não por anjos ou demônios.

Agora, há limites para tais “fraquezas”, não é?

Do contrário, o que é que nos diferencia? O discurso? Será que basta apenas um belo discurso para justificar tudo aquilo que temos feito? Será que basta comprarmos um indulgência, fazermos um mea culpa, para que sejamos “salvos” perante a História?

Que é de nós sem a prática?

O que sobra de nós, sem a prática, além de um discurso vazio?

Nunca enxerguei o Charles Alcântara como um “Enviado”. Tenho é um profundo respeito e admiração por ele.

Com o Vic apenas trabalhei. E respeito o Vic como profissional. Disse, por várias vezes, que é um bom jornalista, com boas fontes e grande capacidade para a produção de excelentes notas. Fazer o quê? Lá por a gente ter brigado não vou negar as qualidades dele.

A minha xará, já disse aqui, foi uma esperança – como foi, em 2006, para milhões de paraenses.

No caso do Jatene, fui convidada para trabalhar na campanha dele. E realmente penso que a competência técnica e a capacidade de articulação política do Jatene serão, sim, muito importantes para a realização de várias obras previstas para o estado – e até para que a gente possa ter uma relação mais respeitosa entre os diversos partidos.

Quanto ao Jader, o que você vai encontrar no meu blog não é a defesa ardorosa de um “Messias” – mas, do Estado Democrático de Direito, conquista, construção social que, aliás, possibilita esse debate que estamos a ter.

Quanto a sua opinião sobre a minha “bipolaridade” – digna, aliás, de um cursinho de psicanálise por correspondência – penso que é mil vezes melhor ser considerada bilé do que ficar arranjando “doutorismos” para justificar toda essa roubalheira que está aí.

Mil vezes a loucura, maninho, a considerar rapacidade como coisa “normal” ou até a “síntese das muitas determinações”.

FUUUUUIIIIIII!!!!!

Ana Célia Pinheiro disse...

Obrigada, anônimo das 8:55. Abs.

olhodilince.blogspot.com disse...

Ana Célia,

A experiência é grande aliada na vida para a gente aprender com os próprios erros, mas não nos impede de seguir acreditando que um mundo melhor é possível e a continuar lutando contra esta sociedade de consumo, cheia de hipocrisia.
Por isso, em meu blog busco denunciar como acontecem as coisas nesse nosso Estado, cheio de doutores que tudo sabem!
Faça-me uma visita! :)

Anônimo disse...

Quando você fala em crime de exploração sexual até parece que se trata de uma coisa de um passado distante. Leia a nota explosiva "Escândalo. Escândalo", no Blog do Bogéa. O caso do Seffer parece fichinha perto do envolvimento de um deputado federal reeleito pelo PMDB.

Anônimo disse...

Oi, blogger. Prometo rever meu conceito quanto à sua bipolaridade. Até porque o meu cursinho por correspondência não me dá fundamentos para uma análise mais profunda de tão complexa personalidade e tão singular caráter. Pelo menos vc demonstra ter um perfil "a la mineira": no seu corazinho generoso há lugar para todos..., dependendo da oportunidade. E de que roubalheira mesmo vc está falando?

Olho de Boto disse...

Perereca,

Entendo a tua crise existencial, parece que Jean Paul Sartre se apossou do teu espírito. Penso que parte do povo (inteligente) do Pará deve sentir a mesma náusea que sentes. Uma coisa é certa: precisamos nos reinventar. Abrçs.

Anônimo disse...

É isso ai Aninha!!!chega de belas frases para acobertar e tentar justificar toda essa gatunagem que impera no nosso Estado.Como disse a desgovernadora no horário eleitoral,"ESTÁ VALENDO A PENA GOVERNAR O PARÁ".

Abraços

HBC HD disse...

HBC HDTV:
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Anônimo disse...

É isso. Concordo.
Desde o:
"estamos encalacrados", afinal não há saída fora dos partidos políticos existentes;
passando por:
"Sempre achei que as esquerdas jamais poderiam almejar o Poder ... sem apelar a práticas complicadíssimas..."
até:
"Temos de encontrar uma baliza, um Norte, um parâmetro." Essa é a única saída.

Mas quem topa?
Ou melhor, quem poderá propor isso?

O problema da política é que para entrar nela é preciso três qualidades:
- Competência (para poder realizar, materializar, as vontades coletivas);
- Disposição (para trabalhar de domingo à domingo, sacrificando a vida privada);
- Honestidade (para saber separar o público do privado).

Mas quem tem estas três qualidades estará disposto a correr os riscos da política, ou pagar o preço de muita luta, pouco salário e tempo para si, os amigos e a família?

Encontar muitos (e um Lula) com essas qualidades dispostos a construir o pacto que propões, este é o desafio.

Parabéns!

Rafael

Anônimo disse...

eh, mulher, que vadiagem é esta. Vamos trabalhar.

Anônimo disse...

Então, galera, só resta a gente se filiar na Arena...