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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A escolha de Ana Júlia Carepa



Penso que há algumas avaliações bastante equivocadas sobre a derrota da minha xará, Ana Júlia Carepa, nestas eleições.


Creio que algumas pessoas andam a confundir os sintomas com a doença – e isso é tanto mais complicado porque estamos a lidar com um caso concreto.


Ora, diz-se que Ana perdeu por erros da Comunicação e de articulação política.


Mas tais erros – que existiram de fato – foram apenas as conseqüências, e não a causa.


A causa mesma foi a opção que Ana Júlia fez por sua corrente política, a Democracia Socialista (DS).


E isso foi uma escolha, não alguma coisa a que a tivessem obrigado, até porque ela é maior de idade e, presume-se, não padece de problemas mentais. Além disso, possuía poder suficiente para se livrar desse grupo a hora que bem entendesse.


Então, Ana Júlia fez uma escolha por aquilo que lhe pareceu, sabe-se lá por que, o mais importante.


E dessa escolha é que nasceram os erros da propaganda, da articulação política e de tantos outros setores essenciais à manutenção do poder.


Quem é que dava as cartas na propaganda? A DS. Quem é que dava as cartas na articulação política? A DS. À quem, em suma, pertencia a última palavra sobre os rumos e até sobre as eventuais mexidas no Governo? À DS.


Então, o xis da questão foi a escolha que a minha xará fez de delegar o poder a uma espécie de triunvirato.


Todo o resto não passa de conseqüência dessa opção.


O PT errou por não intervir decididamente nessa concentração do poder nas mãos da DS? É claro que errou.


E é um erro que não é assim tão simples quanto parece, já que tem a ver com a própria relação do partido com essas tendências minoritárias e sectárias.


Afinal, é a segunda vez que o PT se esborracha, ao chegar ao poder através de correntes assim – a primeira foi na capital.


Mas aí fica a pergunta: como intervir decididamente, dar “murro na mesa” de um governante? E como fazer isso sem que a emenda acabe se revelando pior que o soneto, em termos de desgaste perante a opinião pública?


E mais: como realizar uma articulação política com um mínimo de credibilidade, num governo que se transformou num monstro de duas cabeças, que ora puxa para um lado, ora para o outro?

Até porque, mesmo que se conseguisse encostar o governante na parede, ainda assim ele permaneceria como o detentor da caneta.


Sempre disse aqui que o problema genético desse governo foi o fato de Ana pertencer a uma corrente minoritária e sectária – e à qual ela sempre demonstrou uma fidelidade canina.


Ora, os tucanos governaram o Pará por 12 anos, com uma ampla base de sustentação e também fizeram campanhas a comandar coligações até mais amplas que a Acelera Pará.


E olhem que nas campanhas municipais o pau comia entre os partidos coligados na esfera estadual – até porque as campanhas municipais são o momento em que todo mundo tem mais é de se cacifar.


Mas penso que os problemas eventualmente vividos pelos tucanos no comando dessas coligações foram fichinha perto do que se viu nesse governo da DS.


Até porque Almir e Jatene – quer se goste ou não – eram lideranças reconhecidas pelas demais lideranças políticas; tinham, de fato, a última palavra sobre o que acontecia ou deixava de acontecer no governo.


Já esse triunvirato jamais foi – e nem poderia ser – reconhecido pelas lideranças políticas. Aliás, jamais foi reconhecido nem mesmo pelo PT. Afinal, sempre faltou a esses senhores o principal: o mandato, a delegação de poder, de milhões de paraenses.


Sem falar, é claro, na absoluta incompetência política desses senhores, e na arrogância, o ar “doutoral”, que não lhes permitiu reconhecer a experiência das demais lideranças, nem mesmo quando pertencentes ao próprio PT.


Não reconhecer tudo isso, é tentar tapar o sol com a peneira; é tentar passar a mão – talvez até por certa nostalgia – na cabeça da DS.


Mesmo a desastrada campanha política que sepultou os sonhos de reeleição de Ana Júlia Carepa tem por trás a folha corrida da DS.


Quem foi que, afinal de contas, escolheu e manteve até o fim a Link Propaganda? Um doce para quem adivinhar...


Já estava tudo perdido em junho? Não, não estava.


Pelo contrário: devido à ampla coligação que a apoiava e ao fato de deter a máquina federal e estadual, além de dezenas de prefeituras, a cidadã Ana Júlia Carepa era, de fato, a favorita dessa disputa.


Só quem nunca fez campanha política é que se assusta com rejeição – e ainda mais se o sujeito detiver a máquina.


Porque campanha política bem feita “ressuscita defunto”, quase que literalmente.


Parece pouco, mas esses três ou quatro meses são suficientes para transformar a imagem de qualquer pessoa da água pro vinho.


Mas para isso é preciso uma boa estratégia de marketing e um bom comando de campanha.


No entanto, até essa derradeira oportunidade de “ressurreição” acabou “sepultada” pela escolha de Ana Júlia.


Que lhe ornamentem o velório, portanto, as flores e as lágrimas de crocodilo da sua DS.


FUUUUIIIIIII!!!!!!!


PS: na caixinha de comentários da postagem anterior faço um comentário um pouco mais longo sobre os erros de campanha da Link Propaganda.


..............


Pra todos aqueles que nunca desistirão de lutar por um mundo melhor!

 




8 comentários:

Anônimo disse...

É por isto que não a perdoo: ela sabia o que fazia.

Anônimo disse...

Com certeza esse amor eterno com a DS, naufragou a administração da Ana, mas o silencio do PT como todo; contribuiu mais ainda pra esse sinistro. Eu pergunto; Porque a tendencia UNIDADE NA LUTA ficou omissa e não virou esse jogo, pois o que tava em jogo não era a regalias da DS mais o proprio PT como partido.
E o Paulo Rocha, que a meu modo de ver, tinha ou tem todos os poderes pra enquadrar essa Ana Julia e seus asseclas, mais ele preferiu ficar quieto!!! To certo dos erros grosseiros da Ana, mas o PT como partido errou muito mais, por não se opor a administração da Ana. A exemplo, ta esse silencio do Paulo durante todas essas estrapolias da Ana.

Anônimo disse...

Prezada Ana Célia,


Estou de acordo com tua análise, mas penso que os petistas estão a tentar criar, por assim dizer, um mito, a saber, a de que o governo Ana Júlia foi pleno de serviços e obras, mas perdeu a eleição por falhas na comunicação social do governo, que não soube levar ao conhecimento do eleitorado paraense a notícia de tais realizações. Ora, isto é uma mentira deslavada não somente porque o atual governo foi fraco como também porque o governo Simão Jatene deixou alguns sinais visíveis de sua boa gestão, aliada, é claro, à notória superioridade intelectual de Jatene frente à adversária. Mas o certo é que estão fomentando este mito ou farsa - tal como fizeram com aquele outro segundo o qual Edmilson Rodrigues teria sido um grande prefeito de Belém (imagine só que absurdo!) - na certeza de que uma mentira, dita mil vezes, torna-se, ao fim e ao cabo, verdade.

Anônimo disse...

A DS COM O GOVERNO NAS MÃOS NÃO CONSEGUIU TER MAIS DE 10% DO DIRETORIO DO PT, QUE COMPETENCIA ELES TERIA PARA GANHAR UMA REELEIÇÃO, NÃO SOBERÃO NEM FAZER O DEVER DE CASA.

PONÊS

Anônimo disse...

Só discordo do seguinte: na capital, o governo do Edmilson deu um show, mana... tanto que olha aí a votação do homem pra dep. est. Será prefeito de novo, se Deus quiser e sem o PT/articulação pra atrapalhar...

Agora, vamos aqui: o que é o PT? Pra quem entende, pra quem vive o PT, sabe que o PT é um amontoado de grupos de interesse que se denominam "tendências". Lá no comecinho, eram grupos que se organizavam por crenças e posições ideológicas, mas hoje se organizam por interesses de parlamentares/candidatos.

Quando Edmilson se elegeu prefeito, mana, o Mário Cardoso foi um dos que coordenou a transição e foi o primeiro secretário de administração. Tinha poder. Valdir Ganzer, também. Paulo Rocha, também. Ana Júlia, era vice-prefeita, também. Faça-me um favor! Esse partido de grupos de interesses tinha poder sim, mas esses interesses não podiam fazer refém o prefeito, porque, mana, eles nunca acreditaram na eleição do Edmilson, mas depois, quando fomos para o segundo turno, daí os olhos cresceeeeeeeeeram... rsss

O governo do Edmilson era um governo de comando, sim. E tem que ser assim. Mas um comando que escutava, bem diferente do núcleo duro da DS.

Naquele período ouvia falar muito mal de ti... taí, a única coisa que discordo hoje, daquelas avaliações feitas exatamente na comunicação... mal sabia eu que tua eras tão boa, como sei hoje...

Mundo dá voltasssssssssssss...

Anônimo disse...

Perereca,
Estamos com saudades e te esperando em Capanema.
Bom domingo e bom feriado. Beijão

Anônimo disse...

Célia,

Sou militante petista e, como tal, tenho minhas angústias e dilemas. Concordo com tua análise e de muitos anônimos. O PT não se impôs e isso foi fatal para dar comando ao Governo. A Ana carismática não se revelou uma Ana liderança, capaz de juntar as várias tendências e interesses, em prol de um bom Governo para o Pará.

PAraense disse...

SOu do PT. Obrigado pelos Vídeos. Que saudade!!!