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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

As eleições, os candidatos e os “magos”


 Já andava meio triste, macambúzia, quando me deparei com a brilhante entrevista do publicitário Chico Cavalcante, na edição de ontem do Diário do Pará.
É que alguns coleguinhas já estavam até a fazer “piadinhas” sobre o fato de eu ter dito, por diversas vezes, que a governadora Ana Júlia Carepa era a favorita deste pleito.
Como Chico Cavalcante possui o “anel de doutor” que não possuo, fiquei muito feliz em vê-lo declarar uma coisa que sempre me pareceu claríssima: eleição se ganha na campanha.
Ou, como escrevi aqui na postagem anterior: campanha bem feita ressuscita defunto, quase que literalmente. E só quem se assusta com rejeição é quem nunca fez campanha política – e ainda mais se o “rejeitado” estiver montado na máquina.
E essa é uma coisa muito importante: política não se resume a especializações ou a um simples conhecimento livresco.
Política é, sobretudo, prática. E até um pouco mais: é dedicação, é amor, não um simples trampolim para a fama.
E fazer análise política não é apenas expressar um desejo: é, antes, expressar a tendência de um momento.
Além do mais, quando se trata de agregar o tão valorizado conhecimento livresco, o analista ou jornalista político não pode se deixar ficar pelos clássicos da política – se é que os leu: é preciso conhecer, também, um pouquinho de história, filosofia, psicologia social, antropologia, neurociência e até a “arte da guerra” (não, não é só Sun Tzu) e por aí vai.
O problema é que alguns coleguinhas parecem acreditar que a falta de freqüência a uma escola é um impeditivo à leitura, reflexão e aprendizagem.
Mas nem mesmo ética aprenderam em suas escolas. Tanto assim que pretendem subir na vida a pisar em outros colegas. E até, se for o caso, no pescoço da própria mãe.

II
Chico Cavalcante, que é de fato um grande marqueteiro, faz  considerações interessantíssimas sobre a derrota de Ana Júlia. Algumas, vão ao encontro do que escrevi na caixinha da postagem “Os novos rumos da Perereca da Vizinha”.
Para ele, foram três os erros fundamentais da campanha de Ana.
O primeiro, a “tese do desenvolvimento”, advinda de uma leitura incorreta da realidade e até da “subjetividade do eleitor” (?). Um mote que é tanto mais complicado devido às condições de vida do paraense.
Diz Chico, lá pelas tantas: “Num estado como o Pará, com IDH historicamente deplorável, falar em desenvolvimento e alardear de maneira desmedida soa ora como escárnio, ora como discurso desprovido de sentido”.
O “desenvolvimentismo” do “Acelera Pará” teve para ele um “efeito colateral”: aprofundou as diferenças regionais.
“Enquanto insistia em falar da Siderúrgica de Marabá, a campanha da Link deixava descobertas outras regiões, parecendo que privilegiou uma cidade ou região em detrimento de outras. Isso explica a derrota acachapante em Santarém”, observou.
Pode ser. Mas o problema é que Ana não perdeu só em Santarém: perdeu, também, em Parauapebas, outra jóia da coroa petista e que, em tese, também será beneficiado pela siderúrgica.
De igual forma, Jatene perdeu em Abaetetuba, que é administrado por uma tucana.
Daí que a Perereca propõe uma explicação bem mais simples e menos ideológica: é possível que a insatisfação com esses prefeitos tenha levado os munícipes a descarregarem votos na oposição.
O que, aliás, é compatível com a reação de Belém, que votou maciçamente em Jatene, apesar do apoio que Ana Júlia obteve de Almir Gabriel – sem dúvida alguma, o maior “prefeito” da capital desde Antonio Lemos...
Para Chico Cavalcante, o centro da campanha petista teria de ser “o fator humano”, até pela origem do partido, forjado nos movimentos sociais: “Ana teria que insistir no social. Esse é o seu reduto. De costas para ele e guiada por estranhos, se perdeu”
E aqui eu concordo, mas nem tanto assim, com o Chico.
A verdade é que a Link tentou, sim, enveredar por esse caminho – de forma atabalhoada, é verdade, mas tentou.
O problema é que o Orly Bezerra, o marqueteiro de Jatene, já havia previsto isso.
Tanto assim que, logo no começo de julho, essa foi uma das coisas discutidas pela equipe: a necessidade de “humanizar o concreto”, ou seja, de colocar nas obras tucanas o rosto das pessoas, especialmente as mais pobres, que foram beneficiadas por elas.
É aquela história: o PT insiste que a Estação das Docas é a “Estação das Dondocas”; que o Hangar é um “elefante branco”; e que o Mangal, como todo o resto, é “coisa pra rico”.
Mas a verdade é que quem conseguiu emprego e renda com todas essas obras não foi o grande empresário: foi o taxista, a arrumadeira, o garçom, o cozinheiro, o servente - e tantos outros cidadãos que nem de longe podem ser chamados de “ricos” ou de “dondocas”.
A face poderosamente social dessas obras é que nunca foi devidamente mostrada – aí, sim - por erros da comunicação tucana.
Porque tais obras não são feitas para elas mesmas; ninguém coloca tijolos e concreto apenas para agradar ao mister Concreto e à madame Tijolo.
Tais obras, além de inseridas numa estratégica de fomento a alternativas de desenvolvimento econômico, também são feitas para impactar imediatamente a qualidade de vida das pessoas.
Quer dizer: não dá para simplesmente “aplicar” essa história do cimento contra as pessoas – e ainda mais quando se tem cinco hospitais regionais para repisar. (Clique no link para continuar)

III
Mas Chiquinho acredita, também, que o terceiro grande erro da campanha de Ana Júlia foi “fugir ao confronto”.
E comenta: “Ocorre que há quem confunda o termo “confronto” com a expressão “baixaria”. Não há baixaria na confrontação. Confrontar é respeitar o eleitor; é colocar em questão a fala do adversário. Toda campanha vitoriosa, inclusive a de Jatene, fez isso. O comercial “quem fez mais pelo Pará?”, criado por mim para a campanha de deputados, refutava o argumento adversário com base em dados públicos, apresentados pelo governo, sem baixaria nem ataques pessoais. Para o povo, vale a lógica “quem cala, consente”. Se você é atacado e não responde é porque não tem resposta, é porque o que o adversário diz é verdade. A Link fez o impensável, fez o PT calar. Extirpou a rebeldia. Domesticou o vermelho, azulou suas bandeiras. Desde o começo fez Ana Júlia e Paulo Rocha se apequenarem, falarem falas despossuídas de paixão, de vida, enquanto Jatene e Flexa Ribeiro ostentavam um vigor exemplar. A Link impôs ao PT um caráter lerdo, lento, abobalhado diante das denúncias e ataques que, por fim, foram sedimentando. Essa turma colocou na boca das principais lideranças do PT textos e falas abaixo da crítica. A reação reflexa aos ataques, tipicamente de esquerda, inexistiu na campanha da situação”.
Aí eu tenho de concordar em gênero, número e grau com ele.
Ora, as pesquisas detectaram um anseio do eleitor por uma terceira via. Mas uma terceira via com propostas que ele identificasse como factíveis. Além, é claro, de um representante que lhe transmitisse credibilidade.
Quer dizer: o eleitor não queria, a priori, os tucanos. Não queria o que está aí, mas também não queria simplesmente “voltar ao passado”.
Assim, se a Link tivesse conseguido refrescar a memória do eleitor, a mostrar-lhe um passado nada idílico, mas, bem pior que o presente, é muito provável que Ana Júlia tivesse sido reeleita.
(E aqui eu não estou a falar de convicções pessoais – e as tenho – mas de como funciona a “conservadora” cabeça do eleitor).
Era preciso, sim, ter atacado, especialmente, em setores como Saúde e Segurança, para “destruir” e fixar.
E era preciso, também, “desconstruir” a imagem de Jatene – o que nada tem a ver com baixaria.
Baixaria é o piloto, a manicure, o copo de uísque, assim como a “preguiça” e a pescaria.
Coisas que, como se viu, nada acrescentam em termos eleitorais.
O eleitor comum, o cidadão médio, que em geral nem se engaja na política, não tá nem aí se o Jatene pesca e a Ana bebe.
Ele quer é saber se a vida melhorou, se tem dinheiro no bolso, se o hospital funciona, se a escola tem carteira e professor e se já pode andar pelas ruas com um mínimo de tranqüilidade.
E também quer saber, sim, se o cidadão ou cidadã que está a lhe prometer mundos e fundos tem um perfil minimamente honesto e capaz, para realizar aquilo que está a prometer.
Daí que o eleitor vê enorme diferença entre uma denúncia “parruda” – especialmente, se feita em formato jornalístico – e a simples ofensa pessoal.
E ainda consegue, de acordo com a moralidade imperante, fazer a gradação entre essas denúncias “parrudas”.
Por isso, um “kit escolar” é mais difícil de “vender” do que um “Hangar”. Ou um “Hangar” mais difícil de “vender” que a compra superfaturada de medicamentos.
E mais: mesmo a campanha de Flexa Ribeiro era de facílima “desconstrução”.
Bastaria mostrar, em uma série de reportagens, o perigo da doença de Chagas.
Quer dizer: fazer o eleitor perceber, como Belém percebeu em relação aos ambulantes, que existe uma diferença fundamental entre os interesses de alguns e o interesse de milhões.
Mas nem essa coisa tão clara, tão simples, a Link foi capaz de perceber. 

IV
Chiquinho também diz o seguinte: “Mesmo em inferioridade de tempo no primeiro turno, Jatene conseguiu consolidar a rejeição da candidata petista, retirando a possibilidade de que essa rejeição inicial, natural em quem governa, caísse ao longo da campanha e se diluísse no segundo turno. Com a rejeição alta e sólida, o círculo de voto da campanha de Ana Júlia acabou se circunscrevendo praticamente aos votos do PT, situados um pouco além do terço do eleitorado identificado com a legenda. É curioso isso porque, ao fazer uma campanha azul no primeiro turno [no segundo turno a campanha tornou-se vermelha por imposição do partido, contra a vontade da Link], escondendo os símbolos do partido, negando a história das campanhas passadas, a Link queria que Ana se distanciasse do PT que, por fim, acabou sendo seu abrigo”.
É verdade: esse distanciamento do PT (e a conseqüente perda da identidade e da militância) foi decisivo para a derrota de Ana, vez que tudo se resolveu, de fato, no primeiro turno.
E aqui é preciso entender uma coisa: esse segundo turno foi muito mais “pro forma”, do que qualquer outra coisa.
E por quê?
Porque dificilmente se consegue uma virada tão extraordinária – foram mais de doze pontos de distância, se bem me recordo, no primeiro turno – em apenas vinte dias.
Não há como, a não ser que aconteça uma catástrofe: o sujeito, por exemplo, seja preso por assassinar a mãe e o pai.
Fora isso, talvez só a Lei da Ficha Limpa pudesse ter tido algum impacto, até pela decisão do Supremo em relação a Jader.
Mas para isso seria preciso esgrimir a Ficha Limpa com uma perícia que a Link não terá nem nas próximas dez mil reencarnações...
Seria preciso apelar de forma firme – e planejada – para esse medo enorme que o eleitor tem de “perder o voto” (coisa que foi fatal até mesmo para a votação de políticos do quilate de Paulo Rocha e Jader Barbalho).
O eleitor quer ter certeza de que “votou bem”; não quer ser “motivo de chacota” das pessoas que o cercam. E mais: quer amanhã, se necessário, poder dizer, sem ter de mentir: “me ajude, porque eu votei no senhor”.
Quer dizer: a Ficha Limpa, se bem usada pela Link, poderia fazer um estrago considerável na campanha de Jatene. E mais ainda se fosse possível criar uma expectativa de recuperação da Ana, na reta final do segundo turno.
Mas nem isso seria “garantido”; até isso envolveria um esforço sobre-humano, dada a “cristalização” do primeiro turno.
Em outras palavras: esses doze pontos de diferença só poderiam ser considerados “uma coisa menor” se eles, na verdade, indicassem uma tendência de crescimento da candidatura da Ana.
Mas essa fala do Chiquinho também nos leva a outra questão importante: o distanciamento da militância petista em relação à campanha de Ana.
Ora, esse temor já havia em 2006. Mas isso acabou “contornado”, digamos assim, pela grande liderança de Paulo Rocha e até por Mário Cardoso, que se curvou à decisão da cúpula partidária.
Mas naquela altura os petistas nem sequer imaginavam, mesmo em seus piores pesadelos, que esse viria a ser um governo da DS – e não do PT.
Agora, porém, eles tinham plena consciência do que se tratava.
Tinham consciência de que a coisa não era assim tão diferente em relação aos tucanos – mas, talvez, um bocado pior.
E apesar disso, da descrença de um PT tão sofrido - que às vezes era até obrigado a reconhecer a superioridade administrativa dos tucanos – a Link ainda tentou “azular” a campanha paraense.
E esse talvez seja o fato revelador da dificuldade de importação de agências de propaganda – seja da Bahia, do Rio Grande do Sul ou de São Paulo.
Uma agência com um mínimo de conhecimento da realidade local teria “avermelhado” a campanha desde o início e até aconselhado Ana Júlia a afastar temporariamente o seu triunvirato.
Um movimento que, embora diversionista, seria decisivo até para a rearticulação da base de apoio do governo.
Mas a Link, como não conhecia nada do Pará, sacou do bolso um manual de campanhas eleitorais (por sinal, não atualizado desde a primeira eleição de Lula) e achou que a questão seria “azular”, quando, na verdade, o problema nunca foi o PT – nem para a militância, nem para a população, que deu aos petistas a maior bancada que eles jamais tiveram na Assembléia Legislativa.
No fundo, tudo o que sobra quando se passa o coador é a sombra da DS: no afastamento da militância, na desarticulação da base aliada, no aborrecimento do eleitor por sucessivos disparates e até na escolha e manutenção da Link Propaganda.
Ou seja, como já disse tantas vezes, o xis da questão foi a opção de Ana Júlia pela sua corrente política. 

V
Na entrevista ao Diário, Chiquinho também se refere a duas coisas importantíssimas.
A primeira é o conhecimento do teatro de operações; a segunda, a importância do marketing político para a artilharia dos exércitos.
De fato, bem pouca gente que trabalha em campanhas políticas atenta para uma coisa fundamental: fazer campanha de rádio e TV não é simplesmente bolar uma linda peça de propaganda. E não é, apenas, editar programas de maneira certinha, “profissional”.
Na verdade, esses programas, assim como os comícios, funcionam como verdadeiras “linhas de abastecimento” aos nossos arraiais.
E essa é uma coisa bem simples de entender: numa guerra, até o mais poderoso exército pode ser aniquilado pela falta de água, comida, armamentos, informações.
E essas linhas de abastecimento, no nosso caso – um Estado Democrático e que não anda metido em guerras – teriam a sua melhor representação, talvez, não apenas no dinheiro que se pode enviar aos militantes, mas, sobretudo, no “fornecimento de argumentação”.
O discurso da campanha, que se consegue captar não apenas nos comícios, mas, também, nas peças de propaganda do rádio e TV, que são transmitidas de forma bem mais célere e massiva, são fundamentais ao trabalho dos militantes.
Mesmo com dinheiro, se esses argumentos não estiverem bem “mastigados”, corre-se o risco de os militantes nem conseguirem trabalhar. Ou de trabalharem num rumo oposto ao pretendido, dispersando as forças, em vez de agregar.
Daí a importância de um discurso fácil, com fixação da idéia central, que a militância poderá reproduzir quase que de ouvido. Daí a importância de nunca deixar uma acusação sem resposta – e de ser lógico, claro, preciso e até emocional nessa resposta. E daí a importância de peças extraordinárias de propaganda, como é o caso do jingle, que nada mais é do que um discurso cantado e de assimilação bem mais rápida.
E quanto ao conhecimento do “teatro de operações”, ou seja, do terreno em que a guerra acontece, esse já foi tratado acima, quando se falou do “azulamento”, em vez do “avermelhamento” da campanha da minha xará e até da inadequação do mote de campanha.

VI
Por último, quero falar sobre a imagem da candidata. 
Diz Chiquinho, à certa altura: “Já o erro de posicionamento de imagem foi o que fez consolidar a rejeição da governadora. A imagem apresentada ao eleitor aumentava a rejeição de Ana Júlia. Era a antítese da guerreira, da lutadora, da mulher destemida, da mulher sintonizada com o povo, da mulher que fez sua trajetória a partir dos movimentos sociais. Ela parecia Margaret Thatcher, a baronesa que foi primeira ministra da Inglaterra. Falava lento como se estivesse anestesiada, com estranha ênfase no final das frases”.
O problema é que é quase impossível pegar um candidato e enfiar num “personagem” diferente daquele que as pessoas enxergam ou até daquele que é mesmo próprio desse candidato.
Isso soa falso demais: as pessoas não reconhecem mais aquele sujeito e toda a relação que ele construiu com o eleitor vira fumaça. O próprio candidato acaba como que “se perdendo de si”, diante desse novo personagem. Daí a velha máxima: o marketing político é que tem de se adequar ao candidato – não o contrário.
É certo que Jatene, com a sua personalidade Zeliguiana, é quase que um coringa: tanto pode ser o técnico competente que todos reconhecem e que é o papel no qual ele fica muito mais à vontade; quanto, com uma boa guaribada na linguagem, pode se transformar no “herói popular”.
Mas esse é um perfil muito, muito raro entre os políticos; esse que permite “casar” o técnico e o herói; a magia e a racionalidade.
Por isso, é um enorme erro tentar encafuar o candidato numa imagem que não tem nada a ver com ele. É como se alguém resolvesse transformar o Lula num José Serra. Ou o José Serra num Luís Inácio.
O eleitor, que não é burro nem nada, nota a diferença. No fundo, é a quebra da confiança e intimidade entre o candidato e o eleitor.
E essa é coisa muito importante, que acho que até já disse aqui: o grande erro de muita gente está em confundir inteligência com educação formal. A educação formal pode, de fato, ajudar a ampliar as nossas perspectivas. Mas a falta dela não torna ninguém burro.
E se as pessoas não entendem o que você diz, o erro é seu, que, provavelmente, não está usando as palavras certas: o vocabulário de domínio popular.
Até porque um discurso simples é muito mais difícil de elaborar: isso requer domínio da língua mátria e da forma como as palavras são de fato percebidas pelo ouvinte. Requer, ainda, a permanente adequação do discurso, mesmo que “improvisado”.
Por seus longos anos de militância política, Ana Júlia Carepa possui essa capacidade em grau muito maior do que Jatene, que, nos debates, muitas vezes ficava “lutando” com o técnico, que é extremamente forte nele e prioriza a exatidão – quando, na política, a prioridade tem de ser a compreensão do discurso.
Afinal, se as pessoas não compreenderem o que você está a dizer, como é que elas poderão apoiar? Além disso, um discurso mal compreendido é de facílima distorção pelo adversário.
Mas nem essa capacidade de Ana Júlia a Link Propaganda soube aproveitar.
Uma qualidade poderosa, que poderia até ajudar na recuperação da credibilidade da candidata, já que é muito mais fácil confiar naquele que se faz compreender, porque parece “simples” e sem “enrolação” – em suma, um igual.  
Como disse na caixinha daquela minha postagem sobre os novos rumos da Perereca, era preciso mostrar Ana Júlia como “repórter” das próprias obras desde o início. Isso – e já aproveitando as declarações do Chiquinho – ajudaria também a reforçar a ligação dela com o povo, que é reconhecida pelo eleitor.
Mas esse tipo de percepção, acerca de quem é de fato o candidato, não está disponível em nenhum manual de campanha. E requer, sobretudo, conhecimento da “criatura” e das suas potencialidades.
FUUUUIIIIII!!!!! 

Pra Vocês!




15 comentários:

Edson disse...

Uma verdadeira tese de doutorado esse post.
Num primeiro momento se procuram os culpados pelos erros de lá, assim como se apresentam muitos heróis do lado daqui, heróis esses que, como sabemos, a partir de 31 de Outubro, sempre foram "jatene" des de pequenininhos, pouco importando se surfaram nas vermelhas ondas do governo de Ana Julia.
Afinal, esse é, acima de tudo, o momento de amadurecer das maçãs: vermelhas por fora, amarelas por dentro.

Anônimo disse...

Cara Perereca. Quase todos os comentários que li sobre a entrevista de Chico Cavalcante tentam desqualificá-lo ou tentam desqualificar o marketing político. Os comentaristas, provavelmente de eleitores do Jatene, dizem que Ana perdeu porque o governo dela foi ruim e ponto. Não é isso: você e Chico têm razão. A campanha na TV bem feita ganha, sim, uma eleição. Não sei se Chico faria o que diz, mas ele está certo no que diz: os programas de Ana, não eram apenas equivocados no conteúdo, eram feios na forma, não tinham brilho criativo nem beleza. E essa linha desenvolvimentista, tá na cara, foi imposição do "governador" Maurílio Monteiro, responsável, ao lado do irmão Marcílio, por todos os projetos que tiveram visibilidade, além dos escândalos, neste governo. Deu no que deu.

Anônimo disse...

O Chico sabe muito bem que a Ana Júlia sempre foi uma FRAUDE que surfou na onda vermelha crescente do PT. E essa fraude se revelou. Ou melhor, a fraude foi desvelada durante todo o governo e mais ainda na campanha.

Agora, concordo quando ele diz no texto dele, que não houve comunicação no governo. Mas a VANGUARDA esteve muito próxima do núcleo duro do governo, tanto que respondeu pela campanha do candidato oficial da DS, o PUTY.
Além disso, uma das "cabeças pensantes" rssss da Vanguarda (aliás uma bancária liberada para atividade sindical) compunha a coordenação da comunicação da campanha da Ana Júlia. Passa muito mais tarde, né??!! O resto, mana, é pura auto-promoção do Chico. Me poupe!

Anônimo disse...

Eu já tinha visto marqueteiro se promover com a vitória, mas com a derrota, sinceramente, é primeira vez que vejo. Não foi esse mesmo Chico Cavalcante que comandava a propaganda da governadora antes das eleições? Pelo menos vi muitos anúncios assinados pela agência Vanguarda que, pelo que eu sei, é do próprio. Aliás, basta consultar o blog dessa agência pra se rever vários, ou melhor, muitos filmetes proclamando o "bom" governo Ana Júlia. Que tal uma reflexão sobre essas peças? Talvez esteja alí a raiz de toda essa discussão.
E vamos acabar com esse negócio de promoção barata, isso é de uma babaquice sem tamanho. Fotos em estúdio com ar de "pensador" e notinhas plantadas em colunas são sinais bem típicos de quem quer ser mais do que é.
AHAHAHAHAHAHAHAH...........

Anônimo disse...

Perereca do meu coração,

Duas coisas me chamam atenção. A primeira é o Chico se colocando como autor daquelas peças "Comparação - quem fez mais pelo Pará". Veja o caso dos Rios de Saúde e da Homoliálise. Ali estavam embutidas grandes mentiras do Governo Ana Júlia. Os números são mentirosos e o Chico sabe disso, ou, pelo menos, deveria saber.
Outra coisa: a Vnaguarda, do mesmo Chico, foi uma das grandes, senão a grande beneficiada pelas verbas de comunicação deste governo. E o que se viu? Peças de baixíssima qualidade, embaladas por um conceito pra lá de inverossímil: Pará Terra de Direitos.
A comunicação do governo Ana Júlia foi um horror e Chico tem grande participação nisso.
Espero, sinceramente, que o governo Jatene não recorra a esse senhor.

Beijos mil, queridinha.

Anônimo disse...

Aviso aos Policiais Militares

Já viram a reportagem no Jornal O Liberal de ontem (domingo)???
Nesta matéria, o responsável pela transição do governo - PSDB - SÉRGIO LEÃO demonstra claramente que o governo tucano não pretende pagar a gratificação "tempo integral" aos servidores militares.

Em face do governo tucano não ter interesse em pagar a gratificação de tempo integral, o Deputado Márcio Miranda, orientado pelo PSDB, pediu vistas ao projeto com o intuíto de impedir a aprovação da lei na Alepa.

Os imbecis da PM possuem a memória curta mesmo, pois já haviam esquecido de tucanos como o SÉRGIO LEÃO e TEREZA CATIVO, que sempre colocaram obstáculos nos reajustes de salários da categoria.

Segundo comentários de pessoas próximas ao Jatene, o Coronel Edson, ex-Chefe da Casa Militar, não abre mão de assumir o Comando da PM.

Se o Coronel R/R VIEIRA foi Comandante Geral da PM, porquê o Coronel R/R EDSON não pode ser ???

Não falei que pior do que está podia ficar !!!

Anônimo disse...

Antes fiquei preocupado com o poder da máquina e a campanha milionária da governadora. No entanto fiquei bem mais tranquilo quando comecei a ouvir da periferia, de gente que não vê horário eleitoral e muito menos lê jornal, que jamais votaria novamente em Ana Júlia. Ainda penso sim que produto podre não vende e o consumidor descarta. O verdadeiro Marketing se faz desde o desenvolvimento do produto, portanto o governo como produto foi mal elaborado e trazia como brinde a rejeitada figura da governadora. Nem Lula deu jeito.

Anônimo disse...

Uma pintura sua análise, Perereca!

Bruno Calheiros disse...

Ana querida, nós blogueiros quando podemos temos que puxar a sardinha pro nosso lado ne? caramba, temos que lutar com armas desiguais frente a grande midia. por exemplo, vc ainda tem um numero consideravel de postagens. ja eu e meu blog terra de direitos, ate por vontade propria de nao divulgar muito, acfabo que nao tenho a mesma visibilidade, porem, eu rfiz uma entrevista com chico cavalcante, antes do diario, porem, como o diario detem um alto poder de penetração nas massas, acaba que ele fica com uma divulgação maior. a minha entrevista nao foi tão erlaborada, concordo, porem, feita com muito carinho esta em meu blog neste link.. http://terradedireitos.blogspot.com/2010/11/chico-fala-tudo-com-exclusividade.html... esta colocada para a avaliação, leitura e tmbm publicação, caso seja o caso... a grande midia ja tem muita divulgação nao acha? vamos ajudar os amigos blogueiros um pouco? rsss bjs querida.

Anônimo disse...

"Gente que não vê horário eleitoral e muito menos lê jornal" reproduz o senso comum que é construído na mídia. Essa mesma gente que não vê TV nem compra jornal sabe o que é um tênis Nike, um relógio Rolex e uma calça Levis. A comunicação é onipresente. Ela, através de jornais e de radialistas, começou a descontrução de Ana Júlia e moldou o conceito de que ela fez o pior governo da história. Mas o governo Jatene, que foi pródigo em escândalos como o da Cerpa e que não começou nenhuma obra importante nesse estado que não tenha sido planejada e licitada por Almir, não foi melhor que o governo dela. Mas PARECEU melhor. Foi a APARÊNCIA que venceu a essência. Foi a comunicação que venceu a inação. Ana Célia e Chico Cavalcante estão certíssimos: é na campanha que se ganha ou se perde uma eleição.

Anônimo disse...

A VANGUARDA nunca esteve muito próxima do núcleo duro do governo. Fez a campanha de Cláudio Puty porque Cláudio Puty não é doido de entregar sua campanha na mãos dos despreparados da Link.
Vera Paoloni, dirigente bancária, não é funcionária da VANGUARDA nem compunha a coordenação da comunicação da campanha da Ana Júlia.
As pessoas poderiam fazer o debate sem mentir. Mas não o fazem. Mentir é mais fácil do que enfrentar o debate.

Anônimo disse...

Chico Cavalcante NUNCA comandou a propaganda da governadora, nem antes, nem durante, nem depois das eleições. Nesse governo NENHUMA agência comandou nada. Por decisão da governadora, nenhuma poderia autorizar mais do que 12,5% da verba. Houve muitos anúncios assinados pela agência Vanguarda, pela agencia Mendes, pela agência Gama, pela agência Fax, pela agência Double M, pela agência DC3, pela agência CA... Sobre as peças criadas pela Vanguarda para o governo, duas ganharam medalha de ouro em premiações internacionais (Creativity Award e Arts Directors Club); também houve peças premiadas no Voto Popular, na revista Meio e Mensagem e no Prêmio Colunistas.
O despeito e a inveja não pode turvar o debate. A entrevista de Chico Cavalcante é elucidativa e esclarecedora. Quem não for limitado vai poder, a partir das opiniões expressas ali, fazer reflexões importantes sobre o papel do marketing e da comunicação no cenário político atual.

Anônimo disse...

Chico Cavalcante foi o autor daquelas peças "Comparação - quem fez mais pelo Pará", que foram feitas para a campanha de proporcionais da coligação Acelera Pará. Os dados sobre Rios de Saúde e da Homoliálise são dados públicos, assinados pelo Governo do Estado e foram dados como verossímeis pela Secretaria de Estado de Saúde.
A Vanguarda não foi "uma das grandes, senão a grande beneficiada pelas verbas de comunicação deste governo". A Vanguarda prestou serviços de publicidade para o governo do Estado, dentro dos limites contratuais previstos e foi remunerada por isso de acordo com a tabela corrente do Sindicato de Agências, como todas as demais fizeram.
Não houve nenhuma "peça de baixíssima qualidade"; ao contrário. Várias das peças assinadas pela agência foram premiadas nos melhores certames de publicidade do país.
O conceito "Pará Terra de Direitos" não foi um slogan de governo, mas um mote de campanha para a Secretaria de Direitos Humanos.
Se a comunicação do governo Ana Júlia "foi um horror" isso deve ser cobrado de Paulo heineck, assessor de Ana Júlia responsável pela área.

Anônimo disse...

"O verdadeiro Marketing se faz desde o desenvolvimento do produto". Que grande bobagem. "Conhecimento" de orelha de livro. Vá estudar, amigo.

Anônimo disse...

Ana Célia,

Muito obrigado por seus comentários e análises acerca de minhas palavras ao Diário. Sua abordagem ajudou a melhorar em muito a entrevista. Queria lamentar aqui o baixíssimo nível dos comentários de anônimos que ao invés de somar argumentos para o debate buscam ora desqualificar minha opinião ora tentar me jogar no caldeirão de bruxa dos culpados por uma comunicação que jamais comandei. Tragicamente, minha opinião incomoda aos dois lados, porque situa a dicotomia vitória-derrota no campo do marketing ou da comunicação (da retórica, portanto) e não no desempenho pessoal deste ou daquele candidato ou mesmo governo.
Gaiatices, como a de dizer que eu “comandei” uma suposta “propaganda de governo” tem um duplo objetivo: colocar no meu colo um filho que não pari e desviar o debate da campanha para uma inexistente “comunicação de governo”. Jamais comandei qualquer comunicação do governo do Pará e se tivesse comandado essa comunicação teria a minha cara, o meu DNA, com um conceito: o meu conceito. Por razões que compreendo, jamais fui assimilado pelo grupo próximo de Ana Júlia. Eu incomodo. Sou inquieto, não obedeço à hierarquia; tenho "baixa governabilidade", sou rebelde. A prova final da minha não assimilação é que fui alijado de sua campanha. Não chegava nem na porta. Já os ataques diretamente feito contra a Vanguarda são parte de uma guerra suja de mercado. Mesquinharias do meio publicitário. Minha empresa, segunda colocada na licitação pública feita pelo estado, atendeu a conta como as demais agências, respondendo ao governo por demanda, assim como as empresas licitadas por Jatene atenderam o governo de Ana Júlia em 2007.
Quando parabenizei Orly e Jatene pela campanha o fiz de maneira sincera e não para conflitar com Barbosa ou a Link. Não tenho antagonismo pessoal com Orly. Somos profissionais que nos levamos a sério e por isso quando estamos em lados opostos assumimos esse papel. Jatene, ele e Zé Paulo acertaram em quase tudo enquanto Ana Júlia e Edson Barbosa erraram em quase tudo. Isso não é fruto do acaso. É resultado de uma síntese política qualificada e da tradução precisa dessa síntese política para os meios de comunicação. Não falo aqui como torcedor de um dos lados porque eu fui impedido de estar de qualquer dos lados nesse processo, mas como um especialista diante de um caso exemplar. Sou profissional e mesmo os mais odiosos detratores deveriam dar o braço a torcer. Afinal eu vivo disso há 30 anos e já teria fechado as portas se não soubesse fazer o que faço.
Sigo pensando e falando, sem me importar em me afinar com o coro dos contentes.

Novamente, obrigado.

Bj.
Chico Cavalcante