Ban

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Flexa Ribeiro: o Senador do Imponderável



Nem Moura Carvalho, Zacharias de Assumpção, Magalhães Barata, Alacid Nunes, Jarbas Passarinho, Hélio Gueiros, Almir Gabriel ou Jader Barbalho: o político paraense mais votado de todos os tempos atende pelo nome de Fernando Flexa Ribeiro.


Pelo menos em números absolutos, Flexa Ribeiro bateu nas urnas todos os políticos que o antecederam na disputa ao Senado – e até mesmo todos os que concorreram ao Governo do Estado.


Em outras palavras: Flexa, com os mais de 1,816 milhão de votos que obteve neste domingo, saiu da Fiepa (e da suplência que o guindou ao Senado) para entrar na história.


Até aqui, o campeão de votos entre os senadores paraenses era Mário Couto, que se elegeu, em 2006, com 1.456.587 votos – uns 40% a mais que a campeã anterior, Ana Júlia Carepa, que obteve 1.097.061 votos, em 2002.


Entre os governadores, a mais bem votada era Ana Júlia Carepa, com 1.673.648 votos no segundo turno das eleições de 2006.


No entanto, a votação de Flexa foi tão expressiva que até superou a de seu companheiro de chapa, o tucano Simão Jatene, que conquistou, neste domingo, 1.719.208 votos ao Governo do Estado, ou 48,92% dos votos válidos, e quase ascende ao Palácio dos Despachos já no primeiro turno


E, suprema heresia: Flexa bateu nas urnas até mesmo o deputado federal Jader Barbalho, presidente regional do PMDB, e o favorito, em todas as pesquisas, a sagrar-se o mais bem votado senador paraense.


E quando se olha bem mais para trás nas eleições paraenses... Bem, aí o Flexa deixa a comer poeira até mesmo as lideranças políticas, que, a exemplo de Jader, também marcaram época no Pará.


Na verdade, a eleição de Flexa Ribeiro – e com tamanho balaio de votos – foi a grande surpresa deste pleito.


Quando iniciou a corrida ao Senado, ele era pouco mais que um traço nas pesquisas.


Apesar de estar no Senado desde 2005 – ele era suplente de Duciomar Costa, que renunciou ao mandato para assumir a prefeitura de Belém – Flexa era praticamente um desconhecido do eleitorado paraense.


Entre outros fatores, por ter um perfil muito mais empresarial do que propriamente político, apesar de ter sido presidente regional do PSDB e de ter até disputado o Senado, em 1994, quando obteve 205.714 votos e acabou em quinto lugar.


Por isso, há apenas três meses, em julho, ninguém apostava um tostão furado na possibilidade de se reeleger.


Os mais cotados para as duas vagas em disputa no Senado eram Jader Barbalho e o petista Paulo Rocha, o primeiro a correr na raia das oposições; o segundo, na raia do Governo. Até porque, quando há duas cadeiras ao Senado, o eleitorado geralmente elege um candidato do Governo e um da oposição.


Mas como em política dois mais dois, por vezes, resulta em cinco, Flexa acabou não apenas eleito: na verdade, transformou-se em um fenômeno eleitoral.


Vários fatores concorreram para isso: a surpreendente arrancada de Jatene ao Governo, a empurrar a candidatura de Flexa também rumo ao topo; o peso da campanha desastrada da governadora Ana Júlia Carepa, que ajudou a enterrar a candidatura de Paulo Rocha, por exemplo.


Mas o principal fator a determinar a vitória de Flexa, e com tamanha quantidade de votos, foi, certamente, a indefinição em torno da validade dos votos destinados a Jader Barbalho e Paulo Rocha, ambos flechados em pleno vôo pela ameaça de aplicação retroativa da Lei da Ficha Limpa e pelo impasse do Supremo Tribunal Federal (STF), naquele fatídico placar de 5X5.


Mais do que a disparada de Jatene, a sofrível performance de Ana Júlia ou até mesmo a Lei da Ficha Limpa em si, o que realmente pesou na decisão do eleitor foi o medo de “perder” o voto.


Um temor reforçado, na reta final da campanha, pelas manchetes de veículos locais de comunicação e até por declarações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que teimou em fazer valer, de qualquer maneira, o entendimento daquele tribunal acerca da retroatividade da Lei da Ficha Limpa, apesar da indefinição do STF, a mais alta Corte de Justiça do País.


Daí não apenas a adubada votação de Flexa Ribeiro, mas, também, a surpreendente votação de Marinor Brito, candidata ao Senado pelo PSOL: 727.395 votos, sete vezes mais que os 107.096 votos do candidato do partido ao Governo, Fernando Carneiro, e um verdadeiro marco na história da legenda no Pará (em 2006, a candidata ao Senado do PSOL, Neide Solimões, obteve apenas 21.698 votos, ou um quarto dos quase 80 mil votos obtidos por João Augusto, o segundo candidato da legenda ao Senado, nas eleições deste ano).


Não fosse o “imponderável” – quer dizer, o espantoso impasse do STF naquele julgamento de 5X5 – é bem possível que o resultado da eleição ao Senado fosse outro.


É bem possível que Flexa não conseguisse se reeleger, ou que se reelegesse com uma quantidade de votos bem menor – e atrás de Jader.


Mas a Fortuna trabalhou a favor do tucano, que é, desde ontem, mais do que o “Senador do Açaí”, o “Senador do Imponderável”.


E se a Fortuna lhe sorriu, quem somos nós para contrariá-la?


(NR: os números acima correspondem à apuração de 99,87% da votação)


E vumbora sofrer mais um pouco


Ana Júlia e Simão Jatene vão disputar o segundo turno das eleições paraenses, que acontecerá no dia 31 deste mês.


Por pouco, como já se disse, Jatene não leva no primeiro turno.


Às 5 da manhã de hoje, quando a apuração já alcançava 99,87% da votação, Jatene tinha 1.719.208 votos (ou 48,92% dos votos válidos).


Ana Júlia estava com 1.266.538 (36,04%)


Domingos Juvenil (PMDB) com 379.761 (10,81%)


Fernando Carneiro (PSOL) com 107.096 (3,05%)


E Cleber Rabelo (PSTU) com 41.508 (1,18%)


A abstenção foi alta: 21, 15%, o que dá mais de um milhão de votos, num eleitorado de 4.763.456. Já os votos válidos somaram 3.514.111, ou 93,69%.


Em relação ao primeiro turno das eleições de 2006, os tucanos, apesar de se apresentarem agora sem máquina e com uma coligação lipoaspirada (eram 15 partidos contra os sete atuais) deram uma boa empinada: foram 1.370.272 votos obtidos por Almir, em 2006, e 1.719.208 os de Jatene, o que se traduz, em percentuais de votos válidos, em 43,82% para Almir e 48,92% para Jatene.


Os petistas também cresceram, mas não muito: no primeiro turno de 2006, Ana Júlia teve 1.173.079 votos, contra os 1.266.538 votos deste domingo, o que representa até uma queda em termos de percentuais de votos válidos – de 37,52% para 36,04%.


E isso apesar de Ana deter as máquinas federal e estadual e de comandar uma coligação bem mais adubada: eram apenas cinco partidos, em 2006, contra os 14 de agora.


O PMDB, que em 2006 concorreu com José Priante, também caiu: de 438.071 votos, para 379.761 ou de 14,01% para 10,81% dos votos válidos.


Recuo também no PSOL, que em 2006 obteve 131.088 votos com Edmilson Rodrigues, ou 4,19% dos votos válidos.


Já o PSTU foi o que mais cresceu, uma vez que obteve em 2006, com Atnágoras Teixeira Lopes, 10.905 votos (0,34%).


(Se continuar a quadruplicar a votação, pode ser que consiga chegar ao Governo nas próximas cinco décadas...).


O segundo turno ao Governo do Pará será, certamente, muito, muito disputado.


No entanto, o fato de, para surpresa geral da nação, haver segundo turno também para a Presidência da República, deve amenizar as dificuldades tucanas diante do fator Luiz Inácio Lula da Silva, já que toda a energia do presidente deve estar voltada para a eleição de Dilma Rousseff.


Além do mais, não se sabe como reagirá a tendência Unidade na Luta diante do naufrágio da candidatura de Paulo Rocha e da possibilidade de crescimento da Democracia Socialista (DS), na hipótese de reeleição de Ana Júlia Carepa.


Outra incógnita é o posicionamento do PMDB neste segundo turno. Não apenas porque o partido parece dividido entre Ana e Jatene, mas também devido aos compromissos federais de Jader Barbalho e da própria situação eleitoral do morubixaba peemedebista, a necessitar da mão amiga do Lulismo, no STF.


De qualquer forma, o fato de Jatene ter conseguido obter um amplo apoio popular, capaz de guindá-lo ao segundo turno léguas à frente de sua oponente, indica que, mesmo que o PMDB acabe por perfilar com os petistas, a eleição acabará decidida voto a voto.


No mais, é aguardar o desenrolar da campanha.


Abaixo, deixo para vocês também a relação de todos os senadores e governadores eleitos no Pará, desde a década de 40.


Os Senadores do Pará


1945 - Álvaro Adolfo da Silveira (PSD): 61733 votos/Joaquim Magalhães Cardoso Barata (PSD): 61906 votos


1947 - José Augusto Meira Dantas (PSD): 68040 votos


1950 - João Prisco dos Santos (CDP): 89833 votos


1954 - Álvaro Adolfo da Silveira (PSD): 88610 votos/Joaquim de Magalhães Cardoso Barata (PSD): 87991 votos


1958 - Alexandre Zacharias de Assumpção (PTB/PSP/PSB/PR): 112729 votos.


1962 - Edward Cattete Pinheiro (PSP/PTN/PRT/PR/PSB/UDN/PL/MTR): 123870 votos/Joaquim Lobão da Silveira (PSD): 97444 votos.


1966 - Jarbas Gonçalves Passarinho (Arena): 204913 votos


1970 - Edward Cattete Pinheiro (Arena): 157457 votos/ João Renato Franco (Arena): 170094 votos


1974 - Jarbas Gonçalves Passarinho (Arena): 290229 votos


1978 - Aloysio da Costa Chaves (Arena): 293837 votos


1982 - Hélio Mota Gueiros (PMDB): 225120 votos


1986 - Almir José de Oliveira Gabriel (PMDB): 463774 votos/ Jarbas Gonçalves Passarinho (PDS): 336041 votos


1990 - Fernando Coutinho Jorge (PMDB): 394636 votos


1994 - Jader Fontenelle Barbalho (PMDB): 586.008 votos/ Ademir Galvão Andrade (PSB): 488.568


1998 - Luiz Otávio Oliveira Campos (PPB/PPS/PSD/PSDB/PTdoB/PV/PMN/PL/PTB/PSC): 609.239 votos


2002 - Duciomar Gomes da Costa (PSDB/PRP/PPB/PTdoB/PSD/PV/PST/PFL/PRTB/PRONA/PSDC): 1.041.516 votos /Ana Júlia de Vasconcelos Carepa (PT/PCB/PL/PMN/PCdo B): 1.097.061 votos.


2006 - Mário Couto Filho (PP/PTB/PSC/PL/PFL/PAN/PRTB/PHS/PMN/PTC/PV/PRP/PSDB/PRONA/PTdoB): 1.456.587 votos.


Os Governadores do Pará


1947 - Luiz Geolas de Moura Carvalho (PSD): 68302 votos


1950 – Alexandre Zacharias de Assumpção (UDN/PSP/PST/PL): 94794 votos


1955- Joaquim Magalhães Cardoso Barata (PSD/PTB): 97307 votos


1960 – Aurélio do Carmo (PSD/PDC/PTB): 118129 votos


1965 – Alacid da Silva Nunes (UDN/PTB/PDC/PTN/PR): 163527 votos


1982 – Jader Fontenelle Barbalho (PMDB): 501605 votos


1986 – Hélio Mota Gueiros (PMDB): 707536 votos


1990 – Jader Fontenelle Barbalho (Frente de Trabalho): 617475 votos


1994 –Almir José de Oliveira Gabriel (PSDB): Não consta a votação do segundo turno no TSE


1998 – Almir José de Oliveira Gabriel (PPB/PL/PSC/PTB/PPS/PSD/PSDB/PTdoB/PV/PMN): 981.409 votos ( 53,887)


2002 – Simão Robison Oliveira Jatene (PSDB / PRP / PPB / PTdoB / PSD / PV / PST / PFL / PRTB / PRONA / PSDC): 1.291.082 votos (51,720)


2006 – Ana Júlia de Vasconcelos Carepa (PRB/PT/PTN/PSB/PCdoB): 1.673.648 votos (54,926)

9 comentários:

Anônimo disse...

Aninha, os números conspiram contra Ana Júlia e são altamente favoráveis ao Jatene. Na minha opinião a PTzada só ganhou mais um tempinho pra limpar as gavetas.

Anônimo disse...

Contrariamente a pesquisas publicadas até no dia da eleição nos dois jornais do Pará. Segundo a Perereca, quase Simão ascende ao governo no primeiro turno e por pouco o candidato tucano não ganhou. Chora Ana Célia, no dia primeiro de novembro vais repetir as lamúrias: vais ficar no quase, mas publicarás outras pesquisas do Ibope e do Veritate prá gente se divertir.

Anônimo disse...

Pois é Ana.
A soberba lá e cá fizeram vir o 2o turno lá e cá. Ninguém pode cantar antes do jogo terminar, viu Jatene. Viu Dilma.

Anônimo disse...

Muitos blogueiros diziam que o Flexa era o senador sem voto. E agora? O que vão falar? Bem feito!! Serviu pra calar a boca desses baratas da vida.Valeu povo de Pará!! Valeu Flexa!! Jatene no segundo turno!!

Herbert Marcus disse...

Ana,

É como você disse. Flexa é o mais votado em números absolutos, com a ajuda do imponderável, que também ajudará a Marinor a se eleger senadora.

Seria bom relativizar os números. O

Anônimo disse...

Esse pessoal não sabe interpretar pesquisa?? Não observaram que não houve tanta discrepância assim??
Quem está sofrendo é a PTzada, já que o Jatene deu uma pêia na Ana e a tendência é de uma vitória esmagadora do caboclo no segundo turno, uma vez que o acelareador tem de correr atrás de mais de 450 mil votos pra empatar com o Jatene,, enquanto que este só precisa de algusn milhares para colocar a faixa no dia 1º de janeiro.

Anônimo disse...

Êle vai é assistir a recondução da governadora. Agora é Dilma lá e Ana júlia aqui!

Anônimo disse...

Nossa família já decidiu. Agora é Dilma e Ana Júlia.

Rose / STM / PA.

Anônimo disse...

Eu prefiro chama-lo de senador Pororoca, amigo do senador tapioca.