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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O jogo eleitoral e os jornalistas

I




Estou realmente muito cansada, quebrada, quase sem conseguir raciocinar direito.


É tanto número na minha frente que eu já começo até a ver alma penada aqui em casa...


Mas o bom humor e a empolgação política dos comentaristas deste blog me fizeram vir aqui hoje. Afinal, todos temos essa irresistível veia “urubusística-veropesística”...


Choveram comentários na postagem “O PT e o terrorismo de Estado”, boa parte a me cobrar um posicionamento em relação à “censura” do blog da Franssinete Florenzano.


E eu quis vir aqui, hoje, para liberar todos os comentários, embora que amplamente desfavoráveis a mim. É que tenho um enorme apreço pela crítica, que é responsável por alguns dos melhores avanços da gente, na nossa maneira de pensar o mundo.


Da mesma forma que só soube no domingo – que foi quando escrevi a postagem anterior - acerca da história da Rádio Tabajara, também só soube da história da Franssinete na noite de anteontem.


É que estou “sitiada” por enormes pilhas de papéis, o que torna até difícil acompanhar o noticiário.


Quero também esclarecer que as colocações que vou fazer são estritamente de minha responsabilidade.


Vou falar como cidadã, como jornalista, e não como integrante da campanha do Jatene.


Até porque o que eu vendo ao Jatene é apenas a minha força de trabalho – e no horário de expediente.



II

Na noite de anteontem, pouco depois de saber da história da Franssinete, soube também da decisão do Jatene de mandar retirar tal processo.


Considerei mais do que acertada essa decisão. Aliás, penso até que é lamentável que tudo isso tenha chegado a acontecer.


Vou repetir a vocês o que disse a uma pessoa que me perguntou, na noite de ontem, o que eu achava desse processo contra a Franssinete.


O problema é que o Jurídico – e isso acontece praticamente em toda campanha – se atém estritamente à questão legal.


Quer dizer: não tem o hábito de fazer ponderações políticas acerca dessa ou daquela medida. Age estritamente como técnico. Daí ter ajuizado esse processo, o que acabou até por surpreender boa parte das pessoas que trabalham na campanha do Jatene.


É claro que houve um erro aí – e tentar negar isso, é tentar tapar o sol com a peneira.


Houve um erro coletivo de comunicação; um erro de toda a cúpula e até da estrutura da campanha do Jatene.


Candidato é pra estar na rua, a pedir voto: não tem de se preocupar com esta ou aquela ação de campanha.


Quem tem de examinar tais atos é a coordenação. E a falha foi claramente de toda a coordenação, até por uma questão estrutural: a falta de um canal permanente de comunicação entre os diversos setores.


Penso, no entanto, que o importante é que se conseguiu detectar e corrigir tal erro – sem meias palavras, sem titubeios.


Corrigiu-se o erro até publicamente, com toda a sociedade a acompanhar e a debater a correção dele.


E isso é muito mais importante do que parece, já que o Jatene pretende voltar a governar o Pará. Quem almeja comandar o Estado tem de ser, antes de mais nada, transparente. Tem de saber conviver tranqüilamente com a crítica. Porque isso é fundamental pra unir, em vez de desagregar.


Penso que o mais sensato, em todo esse episódio, teria sido enviar um pedido de direito de resposta à Franssinete, já que a divulgação de pesquisa sem registro na Justiça Eleitoral é, sim, ilegal.


E aqui eu vou pedir que vocês esqueçam que trabalho na campanha do Jatene. Porque se o que eu falei acima é a minha opinião pessoal, muito mais o que vou dizer agora.



III

Nenhum cidadão está acima da Lei. A igualdade de todos nós perante a Lei é, aliás, condição basilar da Democracia.


E as regras do jogo eleitoral têm, sim, de ser respeitadas. Até porque não estão aí por acaso: estão aí para garantir a igualdade de condições entre os candidatos em disputa.


É nesse sentido que a legislação nos impõe limites.


E pouco importa se somos jornalistas, médicos, advogados, políticos. Pouco importa se temos um pequeno ou um grande veículo de comunicação, ou até um blog - eis que a blogosfera não é um “universo paralelo”, e nós, os blogueiros, não somos “extraterrestres”.


Se vocês lerem a minha postagem anterior, vão perceber que, em momento algum, critiquei a Frente Acelera Pará por recorrer à Justiça contra a Rádio Tabajara.


Embora também aí eu considere que o mais lúcido, teria sido encaminhar à emissora um pedido de direito de resposta.


E nesse ponto os episódios que envolveram a Rádio Tabajara e o blog da Franssinete como que “se tocam”, uma vez que, em ambos os casos, lançou-se mão de um recurso extremo, antes de esgotar as possibilidades de negociação.


E essa é uma coisa muito importante, que todos nós temos de entender.


É claro que é sempre mais sensato, e até civilizado, tentar, primeiramente, negociar.


Mas não há rigorosamente nada de antidemocrático ou de “censura” no fato de alguma coligação – Acelera Pará, Juntos com o Povo, ou o raio que o parta – recorrer ao Judiciário para obrigar ao cumprimento da Legislação.


Não há no recurso ao Judiciário, para conter eventuais abusos de médicos, políticos, advogados, jornalistas, nem sombra de agressão à Democracia e à liberdade de expressão.


É um direito de todo e qualquer cidadão exigir o cumprimento das regras do jogo eleitoral. Porque é do interesse da coletividade, é do interesse de duzentos milhões de brasileiros, que esse jogo seja verdadeiramente justo.


Confesso que não ouvi os programas do Mendes e do Sidou, que foram objeto de reclamação da Acelera Pará. Daí que não posso achar ou deixar de achar que extrapolaram os limites da Lei Eleitoral.


Mas uma coisa é certa: tanto a Acelera Pará, quanto a Juntos com o Povo – e qualquer outra coligação – têm, sim, o direito democrático de recorrer à Justiça, sempre que um veículo de comunicação, um blog ou qualquer cidadão descumprir a Lei Eleitoral.


Não dá para ficar nessa hipocrisia de ficar dizendo que todo processo movido contra um jornalista é um atentado à liberdade de expressão. Não existe essa “metonímia” entre o jornalista e a informação.


Jornalista nem é anjo, nem está acima da Lei: não pode, simplesmente, “dar carteirada” na Legislação. É claro que existe muito de covardia nessa história de processar o jornalista – e não o jornalão. Mas o jornalista tem, sim, de se submeter às regras do jogo eleitoral.


Mas, atenção: a Legislação Eleitoral também não é “uma blindagem” à crítica democrática aos atos dos governantes.



IV

O que critiquei na Acelera Pará não foi, portanto, o fato de ela ter recorrido à Justiça Eleitoral contra a Rádio Tabajara – e isso está claríssimo na minha postagem anterior.


O que disse – e reafirmo – é que o fechamento da Rádio Tabajara foi um atentado terrorista de Estado contra a liberdade de expressão.


Se a Frente Acelera Pará se sentiu “ofendida” por afirmações dos jornalistas Carlos Mendes e Francisco Sidou, que enviasse um pedido de direito de resposta ou até ingressasse na Justiça Eleitoral.


Mas fechar a rádio é que não pode – porque aí deixa de ser Democracia e passa a ser aparelhamento do Estado, para intimidar eventuais adversários.


E eu tenho certeza de que há muitos companheiros petistas, muitos deles com uma extraordinária história de luta em defesa da Democracia, que também não concordam com esse tipo de coisa.


Assumo o risco do que estou a dizer com a tranqüilidade de quem sabe que está a defender um bem preciosíssimo para todos nós e para as futuras gerações. Um bem que, aliás, possibilita toda essa discussão que estamos a ter.


A forma como a Acelera Pará e o PT agiram nesse episódio é simplesmente indefensável.


E não me venham dizer, candidamente, que a Rádio Tabajara era pirata, funcionava irregularmente. Porque se é para fechar todas as emissoras que funcionam irregularmente, quantas é que vão sobrar no estado do Pará, heim, companheiros?


Por fim, espero apenas que vocês me permitam continuar com a minha “desincompatibilização” deste blog.


Não me parece que seja lá muito ético estar aqui a escrever todas essas coisas, já que estou a trabalhar na campanha de um candidato.


E fiquem certos de que não precisa ninguém me apontar o dedão acusador: eu me aponto, em primeiro lugar, o dedão acusador.


Por isso, por favor, me errem até novembro.



FUUUUUIIIIIII!!!!!!!


Pra vocês!



4 comentários:

André Luiz disse...

Parabéns pela postura, mas, e sempre tem um mas, constantemente a Anatel tem fechado Rádios Piratas e não é justo que fechem umas e outras não só porque a pirataria é de um jornalista.

Tem que fechar sim, deixar que uma rádio pirata funcione com a argumentação de que existem muitas que funcionam na ilegalidade não é argumento plausível. Deixem os políticos roubarem então. Paulo Maluf, Jader e Daniel Dantas não estão soltos, muitos até por ordem do supremo? Tem muito ladrão do dinheiro público solto por ai, muito pedófilo, assassino, liberem geral então, salve a anarquia.

Defender a afronta à lei, isso sim é antidemocrático e um atentado ao estado de direito. A Rádio foi fechada pela Polícia e pela Anatel em uma operação legal e em cumprimento à Lei. Até nas civilizações primitivas existem regras que são obedecidas por todos.

Abram a Rádio Tabajara, mas liberem as Rádios Piratas para todos os cidadãos e pronto, isso sim seria democrático. A Lei é igual para todos ou existem exceções para os jornalistas e os políticos?

Ora bolas, fala sério!!

Anônimo disse...

Você, realmente só se interessa por aquilo que lhe é conveniente. A coligação da Ana Júlia divulgou nota informando que representou pedindo o direito de resposta na Rádio Tabajara, na Rádio Clube do Pará, na TV RBA e no jornal Diário do Pará. Divulgou também (porque a sua assessoria fez o que ninguém faz mais: apurar)que a Anatel, lacrou, além da Tabajara, mais três emissoras piratas. E declarou, com todas as letras, que não pediu o fechamento da emissora, até porque isso não está previsto na lei eleitoral, que é o foco da assessoria jurídica da campanha.

Anônimo disse...

Duas certezas no eleitrorado paraense:Dilma presidenta e Ana Julia fora do segundo turno ao governo do Estado

Anônimo disse...

Jatene, estamos com vc. O povo parense está ao teu lado e não te abandonará NUNCA.
Estamos muito orgulhosos de você e de nós mesmos.
Viva o Pará, Viva Jatene, viva meu filho Luis Roberto e todos que estão dando o sangue na campanha vitoriosa.
Edir Roberto e família