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segunda-feira, 3 de maio de 2010

A exoneração de Tereza Cordovil II: Botelho e Puty estariam na alça de mira da ex-auditora


Na entrevista que concedeu à Perereca da Vizinha (leia a postagem anterior), a ex-auditora geral do Estado, Tereza Cordovil, evitou falar abertamente sobre os fatos que motivaram, mais concretamente, a sua saída do governo.


No entanto, uma fonte próxima à Tereza garante que a decisão estaria relacionada ao troca-troca que acabou não acontecendo, no final de março, na Secretaria Executiva de Educação (Seduc).


Na época, a governadora chegou a exonerar a secretária de Educação, Socorro Coelho. Mas acabou voltando atrás, devido às pressões do PT.


O problema, diz-me a fonte, é que Tereza teria apoiado Socorro, o que acelerou o seu “processo de fritura”.


“A Tereza se colocou ao lado da Socorro, até porque estava dando todo o apoio para que a secretária pudesse enfrentar os esquemas montados lá dentro. A Socorro se agarrava na falta de documentos, para não pagar empreiteiros que vinham cobrar por serviços que teriam realizado. Mas, na verdade, ela não pagava porque desconfiava de irregularidades. E a Tereza dizia que não tinha mesmo que pagar. O desgaste dela (Tereza) tem a ver com isso, porque ela acabou entrando em rota de colisão com o Carlos Botelho e com o Cláudio Puty”, explica.


E acrescenta: “Acho que ela (Tereza) chegou à conclusão que essa turma venceu. E acho que quando abrirem as caixas da Seduc (os documentos das auditorias entregues à Assembléia Legislativa) vai ser como naqueles armários velhos, trancados há muito tempo, dos quais sai de tudo: barata, morcego, escorpião”.


No entanto, avisa: embora aparentemente tenham vencido uma batalha, Puty (ex-chefe da Casa Civil) e Botelho (consultor geral do Estado) não devem nem pensar em comemorações.


“Você pode ter certeza” – disse a fonte – “que ela (Tereza) está pronta para guerra com esses dois. Imagino que ela deve ter feito um esforço enorme para poupar a Ana. Mas esses dois que se preparem e não brinquem com ela, porque ela tem cacife e ficha limpa”.


Se o apoio a Socorro Coelho acelerou a “fritura” de Tereza, a decisão de entregar o cargo teria acontecido durante uma solenidade no Hangar, no início do mês passado, quando ela sentiu, enfim, a “frieza” da governadora.


Ana teria “ignorado solenemente” a presença de Tereza, a quem conhece há uns 20 anos, desde os tempos em que ambas trabalhavam no Banco do Brasil.


E esse fato, aliado ao imbróglio na Seduc, teria levado a auditora a decidir tirar férias e, na volta, entregar o lugar.


“Sabe quando, contra todas as evidências, você precisa acreditar que tem o apoio de uma pessoa? Era mais ou menos isso que acontecia com a Tereza em relação à Ana. Mas, naquele dia, parece que ela (Tereza) levou um choque de realidade. Durante as férias, ela ficou pensando, amadurecendo a decisão de sair. Mas, foi naquele dia que ela percebeu que não dava mais”, relata.


A fonte diz que o processo de “fritura” ou “esvaziamento” de Tereza já vinha de algum tempo – aliás, pensa que ela, em verdade, nunca teve de fato o apoio que imaginou receber de Ana Júlia Carepa.


“O trabalho de auditoria é muito chato: aborrece uns, contraria outros, porque você tem de viver apontando o que está errado. E, para ter possibilidade de êxito, é preciso o apoio da cúpula. Na medida em que você vai perdendo isso e os gestores percebem, eles acabam dando menos importância a esse trabalho. Aí, a coisa vai se degenerando. E só isso, para uma pessoa séria como a Tereza, já seria suficiente para não permanecer no cargo – daí que ela tenha pensado muitas vezes em sair. Mas, no caso dela, ainda aconteceu de começarem a pressioná-la para que legitimasse procedimentos errados. Com isso, ela passou a não ter mais apoio, uma vez que entrou em rota de colisão com demandas que vinham da cúpula”, comenta.


No entanto, observa, Tereza ainda continuou a resistir estoicamente na AGE, talvez até por confundir os “afagos”, a gentileza pessoal da governadora com apoio propriamente dito. E assinala: “Mas que apoio era esse que não se traduzia em questões concretas? O Carlos Botelho dizia que alguma coisa tinha de ser feita de determinada maneira e a governadora, apesar da opinião da Tereza, acabava acatando isso. Depois, vinha e afagava a Tereza. Mas o que prevalecia era a orientação do Botelho e do Puty.”


O imbróglio da Seduc, o episódio do Hangar e a longa reflexão durante as férias teriam levado a uma mudança até na postura de Tereza, diz a fonte.


Até então, por ainda acreditar no governo, ela relutava em encaminhar os relatórios das auditorias requisitadas pela Assembléia Legislativa.


A partir daí, porém, teria compreendido “que não vale a pena correr riscos para livrar a cara de pessoas que não merecem isso. Ela decidiu não colocar a reputação em jogo por causa deles. Veja: Ela estava segurando essa documentação, até porque acreditava que tinha base jurídica para se defender, mesmo diante do Ministério Público. Mas, ela se sentiu largada e resolveu não correr risco nenhum. Então, ela não mudou de tese: o que fez foi uma inflexão. Mudou foi de atitude, de postura, em face desse desencanto”.


Perguntei à fonte se ela acha que Tereza Cordovil está disposta a abrir o bico sobre o que vivenciou no governo.


A resposta: “Não sei o que é abrir o bico. Mais do que ela fale, ela entregou um monte de documentos. A maior parte é sem gravidade. Mas, em dois casos específicos, Seduc e Setran, tem coisa de arrepiar. Ela vai ter que falar, se tiver que falar. Não sei o que a Assembléia Legislativa vai fazer. É preciso esperar”.


A fonte acredita que a saída de Tereza é uma perda muito grande “nesse duelo que há dentro do governo. Os que querem um governo ético, que respeite a coisa pública, perdem muito com essa exoneração. Em contrapartida, se fortalecem os que puxam para o outro lado: para a banalização, para a coisificação da política, ou seja, o velho padrão que o PT sempre condenou”.


E arremata: “Foi essa corrente que provocou a saída de Tereza. E a saída dela sinaliza que ela não acredita mais que esse governo esteja comprometido com esse propósito. Então, mesmo que o governo se reeleja, restará empobrecido, em termos éticos”.

8 comentários:

Prof. Alan disse...

Não entendi bem essa ideia de que a AGE poderia se negar a fornecer esses documentos para a Assembleia Legislativa. O Legislativo é, por definição político/constitucional, controle externo do Executivo. Cabe a ele inclusive fiscalizar a execução de programas de governo.

Agora, se o Legislativo fez isso movido por razões partidárias (ou se nunca fez antes pelas mesmas razões...), já são outros quinhentos. Mas que ele está absolutamente no exercício de sua função constitucional, isso está.

Anônimo disse...

A AGE é um instrumento do próprio Executivo Estadual que busca verificar as ações das Secretarias do Governo. A auditorias buscam fazer com que as ações sejam consentâneas com as normas/leis. Falhas sempre existirão e as auditorias apontando-as buscam a correção. E assim é feito nos governos como nas grandes empresas.
Esse é um trabalho técnico que deve ser feito com muita responsabilidade, pois envolve pessoas e sua publicidade, antes da conclusão dos trabalhos, podem trazer distorções, acusações de toda ordem e que não tem reparações. A grande maioria geralmente observadas são falhas corrigíveis. Problemas graves apontados trazem consequências para quem os criou. Entretanto, quando as motivações são político-partidárias há uma reverberação que não condiz com a realidade, em prejuízo da verdade e benefício de outros e até mesmo, ao alegar, nesses casos, nessa encenação, "sigilo", podem ter um caráter ainda pior. O mal estará feito, pois conduz a suspeitas de todo tipo. Mas inquestionávelmente esse é o objetivo de certos políticos, ao criar tais factóides.

Anônimo disse...

Essa postura da Governadora, com a Tereza Cordovil é a mesma que ela tinha com a Professora Edilza -sua comadre. Ela parece barata "morde e assopra", ela até tem boa vontade, mas, quem manda é o Núcleo Duro, ou burro, ou mole ou o diabo a quatro! É uma pena, vê uma pessoa eleita pelo povo a mercê de um grupelho!

Anônimo disse...

é Bom, lembrar, que o Tio do Puty, é proprietário de uma empreiteira, que presta serviços ao Governo.
Paulo Sergio

Anônimo disse...

Ana, procure saber por que o Josiel, também funcionário do BB saiu da SEDUC, alegando motivos éticos para o seu afastamento. Parece que as pessoas de bem estão pulando fora desse governo de hipócritas.

Anônimo disse...

Opa, retifico a informação. O nome do colega do BB é Josué e trabalhava na SEFA e decidiu sair por motivos éticos. Josué é conceituadíssimo entre os funcionários do BB e considerado extremamente competente e inteligente. Sai desiludido assim como o companheiro Sílvio que foi expulso da SEMAD. Ana Júlia não vai ter votos de seus colegas do BB...

Anônimo disse...

Também o Ricardo saiu da SEAD magoadissimo e, voltou para Fortaleza assumindo de volta o BB.
Como é que fica agora, os colegas todos pulando ou sendo empurrados para fora do barco.
Essas caixa da AGE são café pequeno tem muito mais por aí !!!

servidor SEFA disse...

O tal Josue saiu porque queria continuar a mandar na SEFA, pois o Trindade com medo que o Josue denunciasse seus milhares de cunhados com DAS na SEFA, aceitava tudo que o Josue queria.O Vando não tem esse problema, e cortou as asas dele,revogando portaria de amplos poderes que o pateta do Trindade deu a ele.E por isso o nanico saiu, ele só fazia ingessar o administrativo da SEFA.