Ban

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Link e a propaganda do governo II





Entre 2004 e o ano passado, a Link Comunicação e Propaganda (CNPJ: 34.358.432/0001-90; nome “real” Link/Bagg Comunicação e Propaganda Ltda) recebeu mais de R$ 70 milhões do Governo Federal – mais da metade (R$ 35,178 milhões) apenas no ano passado.


Os valores, extraídos do Portal da Transparência, são históricos e englobam, apenas, a administração direta.


Ou seja, não incluem, por exemplo, o contrato com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que alcançaria R$ 23 milhões por ano, segundo notícia do blog Media Monitor.


Os mais de R$ 70 milhões constantes no Portal da Transparência foram repassados a Link pelos ministérios dos Transportes, Educação e Agricultura e pela Presidência da República.


As verbas estão assim distribuídas:


2004 – R$ 11.381.448,12


2005 – R$ 7.550.371,38


2006 – R$ 11.051.686,50


2007 – R$ 1.694.644,69


2008 – R$ 3.156.723,69


2009 – R$ 35.178.456,04


Como o leitor deve ter notado, os anos em que a empresa recebeu menos dinheiro do Governo Federal foram 2007 e 2008 – coincidência ou não, na esteira da CPMI dos Correios.


O próprio contrato da Link com os Correios, também milionário, alvo de investigação e firmado em 2003, estendeu-se até 2006.


Houve, inclusive, recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), em acórdão de setembro de 2005, para que os Correios apurassem a possível utilização de propostas fraudulentas, nas subcontratações realizadas pela empresa – o que, se comprovado, deveria resultar em rescisão contratual.


Mas tão logo amainou a “onda” da CPMI, a Link voltou a ampliar seu espaço no Governo.


Em meados de 2008, segundo o Portal da Propaganda, tornou-se a única agência do MEC, com uma verba anual de R$ 14 milhões.


Em janeiro do ano passado, ganhou o contrato do Ministério dos Transportes, também de R$ 14 milhões.


E, em setembro do ano passado, restabeleceu sua “parceria” com os Correios.


Tudo, é verdade, através de licitação...


Além da bolada que recebe da União, a Link também detém as contas dos governos de Pernambuco, Ceará e Sergipe.


E, na sua carteira de clientes, além da Abiec (associação dos exportadores de carne), CVC, NET, Governo de Angola e Banco Africano de Investimentos, figuram o PT e o PSB, os partidos dos governadores que administram esses estados.


Foi a Link, aliás, quem fez a campanha de Eduardo Campos, do PSB de Pernambuco, em 2006.


No entanto, vale salientar, as relações dela com o Governo Federal remontam ao tucanato: os primeiros contratos ministeriais da Link datam de 1999.


Sua primeira CND (pelo menos online) é de 1998, embora a empresa tenha sido fundada em janeiro de 1991.


E a certidão negativa de débito, como se sabe, é documento obrigatório para as transações com o Poder Público.




Mais de R$ 90 mil por dia



Dos 35 milhões recebidos pela Link, no ano passado, mais de R$ 29 milhões vieram do Ministério da Educação – o restante saiu dos cofres do Ministério dos Transportes.


Agora em 2010, num período que engloba, apenas, de 08 de janeiro a 23 de fevereiro, o montante repassado à empresa já atinge exatos R$ 4.059.549,26 – ou seja, mais de R$ 90 mil por dia.


Desse total, R$ 1.588.817,83, oriundo do MEC, foi lançado na rubrica “despesas de exercícios anteriores”.


Do restante, R$ 2.272.853,07 foram pagos pelo Ministério dos Transportes e R$ 197.878,36 pelo MEC.


Todos os lançamentos são classificados como publicidade de utilidade pública e alcançam várias páginas, devido aos pequenos valores dos documentos aos quais se encontram vinculados – OB, DR e DF (o primeiro presumo que seja ordem bancária; os dois últimos não sei o que são, e peço aos leitores que me ajudem, se souberem)


Os pagamentos do Ministério dos Transportes, por exemplo, que se estendem de 08 de janeiro a 23 de fevereiro, totalizam 348 lançamentos, em 24 páginas.


E, o que é extremamente curioso: há OBs de numeração seguida e documentos de pagamento de publicidade com valores abaixo de mil reais e até em torno de R$ 2,00 (o menor é de R$ 1,73).


As maiores OBs (2010OB800088 e 800089), ambas de 13 de janeiro de 2010, têm o valor de R$ 497.195,82 e R$ 334.293,23 – respectivamente.


Já no caso do MEC, os R$ 197.878,36 foram pagos à Link em apenas cinco dias – entre 22 e 27 de janeiro deste ano e estão fracionados em 57 lançamentos.


O maior é de R$ 229.903,83.


Mas, também aí, há documentos de numeração seguida – como é o caso das OBs 2010OB800530 e 800531, ambas de 09 de fevereiro deste ano e ambas no valor de R$ 108.722,44.


Amanhã, tento falar com alguém que domine Contabilidade Pública.


Daqui a pouco, o relatório da CMPI e os processos no TCU que envolvem a Link Propaganda.

2 comentários:

Anônimo disse...

Na verdade, jornalista Ana Célia, a você e à imprensa não cabe provar nada, apenas revelar os fatos. E os fatos gritam: a contratação da Link é um rolo desnecessário e a forma como foi feita denota propaganda extemporânea e desvio de dinheiro público. A mulher de Cesar não deve apenas ser honesta, deve parecer honesta. Diante dos fatos, gostaria que Ana Júlia respondesse a uma única pergunta feita na Carta Aberta de Oswaldo Freitas: "a senhora acha que as agências locais são todas incompetentes?". Ou seja, a Link é mais competente que todas as agências paraenses juntas? Depois de ler a análise feita por Ana Célia em seu blog, fui eu mesmo conferir a informaçao. Fiquei abismado. Aquilo lá é sofrível. É uma agência com produçao sofrível, abaixo da média das agências grandes que atuam para governo federal. Como então, foi feita essa contratação pela governadora? Com base naquele portifólio é que não foi. Qualquer, qualquer mesmo, das agências que hoje são licitadas no governo, apresentam um portifólio melhor que o da agência baiana-angolana. O que levou, então, a essa escolha?
Por fim, lamento que uma agência com a história da DC3 estava envolvida nesse rolo que não vai acabar bem. Mas sei: a necessidade é má conselheira. Sei também que a DC3 seguirá sustentando sua versão, mesmo que ela trombe com o contrato que proibe sub-contratação.
Por fim, Ana Júlia, pela Link vale a pena comprar esse desgaste?

Anônimo disse...

Parodiando o José Simão, esse governo da Ana Júlia é o governo da piada pronta!

Dizem que a dinheirama gasta com o aniversário do Paulo Rocha foi tão alta que a Ana Júlia está pensando até em incluir o evento como mais uma das obras do governo petista, afinal de contas foi paga mesmo com o dinheiro da viúva....

Já o Paulo Rocha foi esperto, para não ficar aperreado no final do mês, parcelou o pagamento do rega-bofe. Vai quitar tudo em “mensalidades”.

Esqueça esse negócio de Infocentro. A verdadeira inclusão digital do governo Ana Júlia é a contratação da Link. Mas é inclusão digital do tipo exame de próstata no pobre do contribuinte paraense.