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quarta-feira, 17 de março de 2010

Diário do Pará bate no fundo do poço



A Perereca pede licença aos leitores para retirar o benefício da dúvida que concedeu ao Diário do Pará e ao repórter Ismael Machado, na postagem “A incrível barriga dos 900 casos de raiva humana”. Ela está aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com/2010/03/incrivel-barriga-dos-900-casos-de-raiva.html




A matéria publicada, hoje, pelo Diário, sob o título “Museu Goeldi confirma casos de raiva humana”, não deixa dúvidas de que todo esse bafafá não envolve apenas equívoco – e sim, má-fé.



Na matéria de hoje, jornal e repórter deixam claro que sabem, sem sombra de dúvida, que os 830 casos citados na reportagem de domingo (e que foram arredondados para 900) não se referem à raiva humana, mas, a casos de ataques de morcegos a seres humanos.



E da mesma forma que focinho de porco não é tomada, o fato de 900 pessoas terem sido atacadas por morcegos não significa que tenham contraído a doença.


Mesmo assim, jornal e repórter insistem em usar o peso de uma instituição como o Museu Goeldi, para tentar criar uma dúvida inexistente.


É lamentável que o Diário do Pará enverede por esse caminho.

O mais correto, o mais sensato, seria admitir o erro – e creditá-lo, em boa parte, ao confuso release que embasou a matéria.


Ao lutar contra os fatos, para tentar manter uma informação falsa, o Diário do Pará bate no fundo do poço, em termos de ética e de credibilidade.

Não se pode dizer, no entanto, que isso seja surpresa: afinal, quem o comanda não tem nem cacife, nem pulso, para evitar que seja assim.


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Em tempo:

Preparava-me para postar o texto acima, quando resolvi dar uma passada no site do Museu Goeldi.

Lá, encontrei a seguinte nota de esclarecimento:


“A Assessoria de Comunicação do Museu Paraense Emílio Goeldi esclarece que no parágrafo:

“Alberto Begot, médico veterinário da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) explica que as agressões de morcegos em crianças também são maioria no Pará. Dados parciais mostram que as agressões por morcegos em humanos tiveram uma diminuição a partir de 2005. “É importante lembrar que em 2003 não houve nenhum caso de raiva registrado no Pará”, afirma Begot. Em 2005 foram 8.601 casos registrados. Já em 2009 foram 830. Essa quantidade de casos se baseia no número de doses de vacinas aplicadas pelo Estado.”

que consta da matéria da Agência Museu Goeldi, e reproduzido na matéria postada no Diário do Pará online de 14/3/2010, os casos a que se refere o texto são de agressões de morcegos a humanos. A informação consta de apresentação em Power Point do veterinário da Sespa, Alberto Begot, participante do Simpósio sobre Raiva Humana realizado durante o XXVIII Congresso Brasileiro de Zoologia - Biodiversidade e Sustentabilidade, de 7 a 11 de fevereiro, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, Belém, Pará. Realização: SBZ/MPEG/UFPA”

Para quem quiser conferir, a nota está aqui: http://www.museu-goeldi.br/sobre/NOTICIAS/16_03_2010b.html

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Atualizada às 16h12: Recebi, há pouco, nota de esclarecimento encaminhada pela Assessoria de Comunicação do Museu Goeldi.

Abaixo, a íntegra do documento:

"Belém, 17 de março de 2010

Nota de Esclarecimento

Vimos nos manifestar acerca de matéria “Museu Goeldi confirma casos de raiva humana”, assinada pelo jornalista Ismael Machado, publicada, hoje (17/3/2010) na página 7, do caderno Belém, do jornal Diário do Pará.

A Assessoria de Comunicação esclarece que o Museu Goeldi não foi procurado pelo jornalista, portanto não poderia, como alega, ter confirmado as informações sobre casos de raiva humana. A Agência Museu Goeldi tratou do tema em cobertura jornalística durante evento científico, fazendo uso de informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Saúde Pública, presente ao evento.

Na matéria original da Agência Museu Goeldi, publicada no Portal do Museu Goeldi em 11 de fevereiro de 2010, os casos mencionados são de agressões de morcegos a humanos e não de raiva como equivocadamente afirma o jornalista Ismael Machado.

Não sendo o Museu Goeldi o órgão que desenvolveu o estudo sobre raiva humana, mas apenas o que noticiou os dados enquanto promotor do evento científico no qual os mesmos foram divulgados, não podemos ser a fonte de informação para confirmar ou não os fatos em debate.

O código de ética do jornalismo é bastante claro em suas regras: o jornalista deveria buscar a fonte especializada nas informações divulgadas, ou checar aquelas citadas no texto original. Mas, o que transparece neste episódio é a utilização errada dos dados que constam da matéria, utilizando incorretamente o nome do Museu Goeldi.

Reiteramos o que já dissemos em Nota de Esclarecimento publicada no Portal do Museu Goeldi, no dia de ontem, 16 de março de 2010: a matéria da Agência Museu Goeldi foi escrita com dados fornecidos pelo veterinário da Sespa, Alberto Begot, participante do Simpósio sobre Raiva Humana realizado durante o XXVIII Congresso Brasileiro de Zoologia- Biodiversidade e Sustentabilidade, de 7 a 11 de fevereiro de 2010. O veterinário citado referiu-se às agressões de animais conforme informado na matéria.

Nos parece particularmente estranha a polêmica um mês após a circulação da matéria da Agência Museu. Versões editadas desta notícia foram publicadas por vários veículos da imprensa local e nacional[1], entre os quais o Diário do Pará, no dia 12 de fevereiro, quando não causou celeuma e tão pouco foi questionada.

A Agência Museu Goeldi tem como principal objetivo produzir e distribuir conteúdo jornalístico sobre temáticas amazônicas. Para isso, conta com fontes especializadas, reconhecidas nacional e internacionalmente e demandadas diariamente pela imprensa local, nacional e internacional. Formada por profissionais de reconhecida competência e responsável pela formação de outros tantos profissionais atuantes no mercado, a Agência Museu Goeldi, vinculada à Assessoria de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi, ao produzir e distribuir conteúdos, autoriza e estimula o seu uso pelos inúmeros veículos que atende, mas repudia de forma veemente o uso indevido e deturpado das informações que veicula".

(Os grifos são da Assessoria do Museu)

4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns dona Ana. Ontem a senhora ainda tentou entender a palhaçada do senhor Ismael Machado e do jornal que ele trabalha como um equívoco porque o site do Museu Goeldi poderia dar uma interpretação dúbia. Mas isso caiu por terra hoje, quando o indigitado jornalista e o seu jornal reafirmam a estúpida e mentirosa notícia e ainda por cima jogam a responsabilidade na costa da nossa centenária instituição de pesquisa científica, o Goeldi. O resumo da ópera é simples: esse falso jornalista só trabalha dentro de casa ou da redação do jornal. Em vez de apurar os fatos no local adequado, que é a Sespa, ele prefere chupar notas de sites e fazer a sua interpretação de acordo com a conveniência política do patrão dele, que é o filho do deputado Jader Barbalho. Não faço defesa do governo, mas da instituição científica. Não podemos tolerar que pessoas inescrupulosas jogem na sargeta a credibilçidade de uma instituição como o Museu Goeldi.

Ana Célia Pinheiro disse...

Olhe, anônimo das 4:54:


Não tenho procuração para defender o Ismael Machado, mas sempre o tive na conta de um bom jornalista.


Acho que ele tem um texto primoroso, especialmente, quando escreve acerca de dramas humanos.


Penso, no entanto, que ele errou feio, e mais ainda na matéria de hoje, na qual não há como falar em equívoco, dele ou do jornal.


Penso que é difícil a gente querer se colocar na situação do outro; falar sem saber onde o calo aperta.


Mas, sinceramente, creio que nem se estivesse a morrer de fome assinaria algo assim.


Lembro do barulho que fiz, na internet, diante daquela matéria acerca da Fadesp, que o jornal O Liberal alterou, inserindo dois parágrafos, sem me consultar e ainda por cima mantendo a minha assinatura.


Não vou dizer que nunca errei, que nunca me equivoquei nas milhares de reportagens que já escrevi.


Mas uma coisa é errar por desconhecimento, ignorância, falta de cuidado na apuração, etc...


Outra, completamente diferente, é insistir em divulgar informação que se sabe que é falsa.


Lamento pelo Ismael, lamento pelo Diário.


E lamento, sobretudo, pelos jornalistas e pela sociedade paraense, que não merecem algo assim.


Obrigada pela participação.



Ana Célia

Anônimo disse...

Servidores do DETRAN em greve e a corrupção na autarquia correndo frouxa. Veja o ultimo informe:

Blog: www.servidordetran.wordpress.com



Servidores denunciam atendimento vip no Detran




No sétimo dia de greve, um grupo de servidores do Detran se dirigiu novamente ao gabinete do Diretor Geral, desta vez para denunciar que alguns clientes recebiam atendimento exclusivo numa sala anexa. O fato foi registrado pela imprensa e causou constrangimento e uma certa tensão, por conta dos episódios do primeiro dia de greve que culminaram com a quebra de uma porta de vidro, servidores feridos e a abertura de um processo administrativo disciplinar. “Desta vez nós não fomos barrados por seguranças e nada aconteceu, como nada aconteceria no dia 11, se não fosse a ação truculenta dos policiais à paisana comandados pelo Corregedor Geral do Detran, Dino Calvet ”, explicou o presidente do Sindetran, Elias Monteiro.




O atendimento exclusivo também foi denunciado pelos grevistas aos clientes do Detran que, no período de greve, aguardam até três horas na fila.


A direção do Detran também teve que explicar por que uma equipe de TV foi proibida de fazer imagens do lado de fora do prédio. O cerceamento do trabalho da imprensa foi imediatamente condenado pelos grevistas que deram apoio a equipe para entrar no prédio e fazer a reportagem. “É um absurdo que num momento em que se discute a liberdade de imprensa no país a direção do Detran do Pará se comporte dessa maneira, cerceando o trabalho dos profissionais de comunicação que estão cumprindo seu dever de informar a sociedade”, disse o Diretor de Comunicação do Sindetran, Lacênio Barbosa.




Ainda pela manhã, o Secretário do Sindetran, Reyson Gibson, juntamente com um grupo de servidores, se dirigiu a Assembléia Legislativa onde foi acompanhar a votação de um requerimento de autoria dos deputados Arnaldo Jordy (PPS) e Bira Barbosa (PSDB), que solicitam a realização de uma sessão especial para analisar o impasse na autarquia, além da formação de uma comissão suprapartidária para intermediar as negociações com o governo. O documento também convoca os secretários José Júlio Lima (Sepof) e Wilson Figueiredo (Sead), para prestar esclarecimentos aos parlamentares. “O documento foi protocolado, mas infelizmente não pode ser votado hoje devido aos problemas envolvendo o presidente da casa em Altamira, que ocupou o tempo de votação em sua defesa”, explicou secretário geral do Sindetran, Reyson Gibson.




O requerimento será votado na terça-feira, 23, com a sessão sendo realizada na quinta, 25.





Os grevista dos Detran também tiveram audiência com o vereador Marquinho (PT) que faz parte da mesma corrente da Governadora Ana Júlia. Ele se comprometeu a intermediar um encontro da direção do sindicato com Claudio Puty, ex- chefe da Casa Civil e atual assessor especial do governo.



Passeata



Nesta quinta- feira, 18, os servidores do Detran realizam logo cedo uma Assembléia Geral em frente a sede da autarquia e decidem como será a participação na audiência que terão às 16 horas, com o chefe da Casa Civil, Everaldo Martins.

Na sexta-feira, os grevistas se reúnem em frente ao Posto Avançado do Detran, na Rua Antônio Barreto, e logo depois se dirigem em passeata até a sede da Sepof , na Av. Visconde de Souza Franco (Doca), onde acontece mais uma rodada de negociação da Intersindical com o governo.

Val-André Mutran disse...

Cara Ana Célia.
E que tal os dados, sem qualquer fonte, que a ORM, bancada por empresários jurássicos, colocam na campanha contra o Carajás e o Tapajós.
Qual é a fonte das afirmações?
Isso fere o código de ética jornalístico e está sujeito à cassação da concessão pública, caso haja queixa formal nos órgãos competentes, independente do contrato que a competentíssma empresa, mantém com a controladora (REDE GLOBO) que ora, ainda, o sustenta.