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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bordalo entrevista Chiquinho Cavalcante


O blog do deputado estadual Carlos Bordalo, do PT, traz uma entrevista muito interessante com o marqueteiro Chico Cavalcante, da Vanguarda Propaganda, que ajudou a eleger Ana Júlia Carepa ao Governo do Pará, em 2006, e deve fazer a campanha dela também neste ano.


Para Chiquinho, a governadora tem boas chances de reeleição.


Eis um pedacinho da entrevista:


Deputado Bordalo - A partir de primeiro de janeiro, as pesquisas tem que ser registradas no TRE. O que muda, em termos de confiabilidade e perspectivas na visão de quem teve acesso aos dados "informais"?
Chico Cavalcante -
Pesquisas eleitorais feitas antes do início do período de propaganda gratuita no rádio e na TV têm pouca valia real. Servem mais para avaliar o nível de conhecimento e rejeição, elementos que podem ser alterados no curso da campanha. É por isso que as pesquisas eleitorais erram tanto, a não ser quando o curso dos acontecimentos é óbvio, como aconteceu com Lula em 2002. Em 1994, Almir Gabriel aparecia em terceiro lugar, tendo Jarbas Passarinho na liderança das pesquisas e o resultado foi a vitória de Almir. Em 1996, Edmilson aparecia em último lugar nas pesquisas e venceu o pleito em Belém; em 2002, Maria do Carmo, hoje prefeita de Santarém, nem aparecia nas pesquisas e foi ao segundo turno sendo derrotada por uma ninharia de votos que o PT teria obtido se compusesse com o PMDB; em 2006, Almir liderava as pesquisas e perdeu as eleições com uma margem larga para Ana Júlia. Então, nesse momento, sejam formais ou informais os dados de uma pesquisa servem para que a gente veja um simples fotograma de um filme inteiro que é o processo eleitoral.



Deputado Bordalo - A governadora aparece nas pesquisas com alto índice de rejeição. Qual a estratégia para reverter esse quadro? E especialmente na região metropolitana?
Chico -
Não conheço a pesquisa à qual você se refere; conheço apenas a repercussão dela nos blogs. Não sei se ela é real. Mas se ela for efetiva, ou seja, se houver um alto grau de rejeição agregado a Ana Júlia ele deve estar calcado no desconhecimento de seu trabalho como governadora ou apoiado no preconceito contra a mulher, que se revela em certa crítica feita em notas de jornais que atacam pessoalmente a governadora por discriminação de gênero. Não é, portanto, rejeição no sentido que a sociologia aplicada à pesquisa confere ao termo. Em pesquisa qualitativa podemos aplicar um simples formulário para conhecer esse eleitor e saber qual o argumento que lhe assegura uma mudança de posição e com isso estabelecer se essa "rejeição" é política ou produto da ignorância. Ou seja, o período de propaganda gratuita é que dará ao eleitor a oportunidade de ouvir os argumentos necessários para fazer sua escolha de maneira clara. Até lá estamos na fase do que chamo de especulação politizada.



Deputado Bordalo - Como o povo do Pará enxerga governo Ana Júlia? É correta a déia de "governo sem obras" ou que "cuida das pessoas"?
Chico -
Ana Júlia tem uma imagem de guerreira, de lutadora, de vencedora. Essa imagem está intacta. Quem se aproxima dela e percebe como a governadora consegue andar, caminhar, viajar por todo esse estado sustentada em uma perna que foi destroçada por uma fratura imobilizante, saberá do que estou falando. Ela tem fibra, tem coração e disposição para a disputa. No entanto houve, durante o primeiro ano e meio de seu governo, um ataque voraz dos adversários contra ela e isso deixa marcas. É natural. Como é natural que se cobre de quem se elegeu amparado na bandeira da mudança que as mudanças estruturais ocorram rapidamente. Veja Obama. Mas a realidade não é assim. Os tucanos ficaram doze anos no poder e não fizeram nenhuma mudança estrutural; ao contrário, desmontaram a estrutura produtiva e fragilizaram a máquina pública, com consequencias sérias no campo na saúde, educação e segurança. De memória, lembro de seis obras que foram propagandeadas por eles, algumas por pura liberdade poética, como o Aeroporto de Belém, reconstruido pela Infraero e apropriada pelos amarelos locais. Ana Júlia está sendo cobrada como se estivesse governando há décadas; poderia estar fazendo obras de fachada, mas seu governo assumiu uma tarefa grandiosa: mudar o modo como se faz política pública, dando ênfase às pessoas, fazendo apenas obras que beneficiam diretamente a população e ajudam no desenvolvimento local. Nem todas são obras grandes, como a de aproveitamento da água da chuva por comunidades ribeirinhas, embora as grandes obras existam, como é o caso do Ação Metrópole, o projeto que dará mobilidade urbana à capital, hoje estrangulada; o Bolsa Trabalho, que remunera jovens enquanto os qualifica para o mercado de trabalho ou o Navegapará, que está levando internet gratuita e com isso educação, informação e formação aos lugares mais remotos do Pará. E esse deve ser o foco de um governo popular: as pessoas primeiro.



Deputado Bordalo - Na eleição de 2002, conseguimos trazer o PSDB para o nosso campo da disputa, isto é, saimos das obras faraônicas para a área social. Qual o nosso "campo de disputa" em 2010?
Chico -
O nosso campo de disputa será sempre o social. Para a esquerda, obras só servem quando ajudam a mudar a vida das pessoas e a preservação do meio-ambiente é, antes de tudo, a preservação da vida humana. Essa é a nossa pauta em 2010 e será sempre. Nisso podemos dizer que somos totalmente previsíveis. As crises de nosso tempo podem e devem ser vistas como oportunidades revolucionárias para a esquerda, e como tal temos o dever de afirmá-las e concretizá-las sempre no sentido de dar às pessoas as condições para seu crescimento material e imaterial. As eleições são também uma oportunidade para essa disputa de idéias e pontos de vistas e não apenas um embate entre plataformas táticas.


A íntegra da entrevista pode ser lida aqui:
http://bordalo13.blogspot.com/

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