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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

2010 e os rolos das alianças




A parte do leão I


Infeliz e lacrimoso com o espaço conquistado pelo PMDB na chapa à reeleição da governadora Ana Júlia Carepa, o PTB parece cada vez mais inclinado a uma candidatura própria, até para barganhar uma fatia maior do bolo, no segundo turno.


E o fato é que não se pode dizer que os petebistas estão errados: por conta do cabo de guerra dos últimos meses, os petistas já colocaram à disposição dos peemedebistas um naco apreciável da coalizão.


Primeiro, ofereceram a Jader uma das vagas da disputa ao Senado. Mais recentemente, cederam na oferta da menina dos olhos do PMDB: a Vice-Governadoria.


A parte do leão II

Ao respeitável público, os peemedebistas juram que jamais pediram a Vice.


Mas, a verdade é que pediram, sim – um fato confirmado ao blog, em várias ocasiões, por diversas fontes petistas, e que até chegou a ser discutido no café da manhã de Jader com Ana Júlia, no final do ano passado.


Mesmo com a entrega dessa enorme fatia aos peemedebistas, o PT e o Governo não perderam a esperança de atrair para o acordão o bloco PR/PTB, que poderia ser compensado com várias secretarias e até com uma suplência ao Senado.


Mas, se Flexa Ribeiro e José Nery estão aí para provar que a suplência de senador não é de todo inútil, o fato é que esse naco talvez não convença nem petebistas, nem republicanos.


Até pouco tempo, como se sabe, a oferta da Vice era dada como certa para o PR, provavelmente através do vice-prefeito de Belém, Anivaldo Vale.


Além disso, vários prefeitos do PR são jatenistas desde criancinha.


Daí que é preciso um acepipe mais apetitoso para fisgar o partido, especialmente numa eleição em que ninguém imagina que bicho vai dar.


A parte do leão III


Do lado dos peemedebistas, a coisa também anda pra lá de enrolada.
Petistas apontam o tamanho e tempo de TV do PMDB como justificativa para a entrega dos melhores anéis.


Garantem que nunca tiveram problemas em ceder a Vice, embora quisessem discuti-la num contexto mais amplo, da totalidade da aliança, até para acomodar uma quantidade maior de partidos.


No entanto, agora bateram o martelo e a ofereceram publicamente.
Mas, avisam: não vão esperar indefinidamente pela reposta do PMDB.
Em outras palavras: não vão permitir que Jader empurre a decisão com a barriga até 30 de junho, o prazo fatal das convenções.


Querem uma sinalização peemedebista dentro de um prazo razoável. Possivelmente, até o final deste mês.


A parte do leão IV

E o que falta, então, para que o PMDB se acerte com o PT?


Muita coisa, diz-me um peemedebista.


Em primeiro lugar, assegura, a Vice nunca foi uma proposta do PMDB - mas, do PT.


Além disso, o partido não estaria convencido de que os petistas “aprenderam a cumprir compromissos”.


Ou, em outras palavras, que o PMDB vai poder participar efetivamente do governo, para imprimir a sua política administrativa, nos espaços que vier a ocupar.


“Essa oferta não serviu de nada, porque não estamos convencidos de que esse vice terá espaço político”, diz a fonte. E observa: “O vice pode acabar valendo menos do que um vereador de Bannach”.


Por isso, salienta, o que é preciso é repactuar a aliança.


“O PT tem de parar de tratar o PMDB como uma tendência”, resume.


E, adverte: talvez já nem haja mais tempo para tudo isso.

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