Ban

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um rolo sem fim

Tucanos trocam bicadas e
confusão toma conta do PSDB


É uma barafunda que não tem por onde se lhe pegue.

Na noite de ontem, o líder do PSDB na Assembléia Legislativa, José Megale, reafirmou ao blog tudo o que disse na tribuna da Casa, na última terça-feira: que a direção nacional do partido já escolheu o ex-governador Simão Jatene para disputar as próximas eleições ao Palácio dos Despachos.

“A nossa posição continua a mesma. Não retiro, nem acrescento nada. Foi a verdade posta na tribuna”, disse Megale ao blog.

Naquela fatídica terça-feira, Megale afirmou, para quem quisesse ouvir, que a Executiva Nacional do partido até chamou Jatene a Brasília, na quinta-feira passada, para comunicar a decisão

O problema é que dois integrantes da direção nacional do PSDB, os senadores Tasso Jereissati e Arthur Virgílio, desautorizaram as declarações de Megale e reafirmaram a indefinição tucana.

O desmentido de Tasso e Virgílio, estampado no jornal Diário do Pará de ontem, provocou até uma reunião da bancada estadual do PSDB com Simão Jatene, para discutir a confusão.

Pior: enquanto Megale reafirmava ao blog o que dissera na tribuna, outro dirigente tucano, o senador Fernando Flexa Ribeiro, presidente regional do partido, acabaria por desmenti-lo novamente.

Flexa reafirmou tudo o que já dissera ao blog, na última terça-feira. Ou seja, que ainda não existe posição oficial do partido, nem a nível local, nem a nível nacional, quanto à candidatura tucana ao Governo do Pará.

“Estamos caminhando para um entendimento e avançamos muito, mas, isso não está fechado”, afiançou ele ao blog, naquela ocasião (Leia aqui http://pererecadavizinha.blogspot.com/2009/12/2010_02.html )

E se você, caro leitor, acha que tudo isso já está muito confuso, preste atenção porque vai ficar ainda pior.


Deputada recua e desmente blog


Na noite de ontem, o blog também conversou com outros cinco deputados estaduais.

Dois deles – Suleima Pegado e André Dias – foram enfáticos na defesa de Megale e na afirmação de que a direção nacional do partido já bateu, sim, o martelo em favor de Jatene.

“Ele (Megale) falou em nome da bancada estadual e apenas reproduziu o que a bancada ouviu do presidente do partido” - disse Suleima.

Segundo ela, a decisão ocorreu numa reunião em Brasília, ao que parece na terça-feira da semana passada, na qual estiveram presentes, além de Jatene, os senadores Sérgio Guerra e Fernando Flexa Ribeiro – o primeiro, presidente nacional do PSDB - e o senador Mário Couto, que também postula a candidatura tucana ao Governo Estadual.

“Nessa reunião foi colocado que tinha de haver um entendimento entre os dois. Eles conversaram e ficou definido que Mário retiraria a candidatura e apoiaria Jatene. O Flexa foi quem comunicou pra nós essa conversa”, contou.

“O Megale falou o que estava autorizado a falar pela bancada e o que era do conhecimento dele por duas fontes diferentes: o Flexa e a imprensa nacional. E o fato maior é que a Folha de São Paulo publicou uma nota sobre isso, na sexta-feira, na coluna Painel e o Tasso e o Virgílio não questionaram isso”, ecoou André Dias.

Antes, ele já havia contado ao blog que a decisão nacional foi comunicada por Flexa à bancada, através de Megale.

Da mesma forma que André, também Suleima repetiu essa história duas ao blog.

O problema é que Flexa garante que jamais disse isso.

E, diante da irritação do senador, Suleima acabou por desmentir a história.

Uma noite quente e enrolada.


Ainda na tumultuada noite de ontem, entrei em contato com a Assessoria do senador Flexa Ribeiro, para ouvi-lo acerca das declarações dos deputados.

Foi-me solicitado que ligasse para ele daí a meia hora, ou seja, por volta das 22h30.

Quando telefonei, Flexa se encontrava na casa de Megale, para onde se dirigira ao saber do tema da entrevista.

Diante de Megale (e Flexa fez questão de dizer que falava na frente dele), o senador negou toda a história – quer dizer, que tivesse afirmado que a direção nacional do PSDB bateu o martelo em favor de Jatene.

Flexa disse, também, que Megale negou ter me dito alguma coisa nesse sentido.

Consultei meus alfarrábios e informei ao senador que, de fato, Megale apenas reafirmara o que dissera na tribuna da AL e que a informação sobre a decisão nacional partira de Suleima Pegado.

Flexa ligou de outro telefone para Suleima e disse que ela afirmara que não me dissera nada disso.

Ele, então, passou a reproduzir para ela a conversa que tiveram há alguns dias e permitiu que eu, no outro telefone, escutasse o que falava.

“Eu lhe disse que teve a reunião (entre Jatene e Mário Couto, em Brasília), que os dois conversaram, mas, que não tinham fechado. E que a nacional não fecharia nada sem ouvir o Almir, sem falar com o Almir. Aí, você me perguntou se eles poderiam chegar a um entendimento. E eu disse que sim”, repetiu Flexa a Suleima, ao telefone.

Depois, Flexa me pediu que desligasse, aguardasse alguns minutos, ligasse para a deputada e depois voltasse a ligar para ele.

Fiz o que ele pediu. Mas, a conversa com Suleima não foi muito agradável.

Em suma, ela afirmou que o que Flexa lhe disse, e que ela me relatou, acerca da reunião de Brasília, é que “estava havendo um entendimento para a unidade partidária e que havia toda a possibilidade de se chegar a um consenso”.

Interrompi várias vezes a deputada, para lembrar-lhe de que não me dissera nada disso.

Suleima chegou a dizer que possui testemunhas da nossa conversa ao telefone.

E, ao final, aparentemente irritada por não conseguir me convencer, afirmou: “coloque o que quiser, a responsabilidade é sua. Não sou moleca e não tenho mais nada para lhe dizer”.


Um Megale também pra lá de irritado


Voltei a ligar para Flexa e ele reafirmou o que me dissera: “Em nenhum momento falei algo a mais do que eu já te disse. Houve a reunião, eles começaram a conversar, avançaram, mas, não fecharam”.

E disse também: “A Suleima foi a única pessoa que ouviu de mim alguma coisa a respeito da reunião, porque ela estava lá quando eu falei com o Gabriel (o ex-governador Almir Gabriel, que também postula a candidatura tucana e a quem Flexa relatou a reunião de Brasília)”.

E o senador afirmou ainda: “Não falei em nomes, não falei em ninguém, quando falei que poderiam chegar a um entendimento. Fui até monossilábico: disse apenas sim, quando ela (Suleima) me perguntou. Eu não minto. Sou muito cauteloso. Estou trabalhando para a união do partido. Eu não diria isso”.

Segundo Flexa, o deputado Megale, no discurso que fez na tribuna da AL, teria se baseado, apenas, “numa notícia que a Folha (de São Paulo) colocou”.

Flexa, então, passou o telefone a Megale, para que eu falasse novamente com ele.

Aproveitei e perguntei a Megale se foi Flexa quem lhe comunicou a decisão da Nacional partidária.

Irritado, Megale respondeu: “quantas vezes eu te falei no nome do Flexa? Então, por que você continua me perguntando isso? Não vou mais te responder”.


O blog à espera de mais desmentidos


Ainda na noite de ontem, eu disse a Flexa que o deputado André Dias me contou uma versão muito semelhante à de Suleima, acerca da reunião de Brasília.

Flexa tentou ligar para André, mas, talvez devido ao adiantado da hora (quase 23h30) ele não atendeu o telefone.

Eu disse ao senador que só postaria esta matéria hoje (sexta-feira).

Ele então me pediu que, primeiro, telefonasse novamente para André e lhe relatasse a conversava que tivemos – eu, Flexa e Megale.

Expliquei ao senador que isso seria impossível, porque a matéria seria colocada no ar muito cedo.

E disse, tanto a ele quanto à Suleima, que colocaria o desmentido dela, mas, também, o que ela me disse antes.

O blog fica, então, à disposição do deputado André Dias, caso ele queira desdizer o que me afirmou.

A reunião da bancada com Jatene


A reunião de ontem entre o ex-governador Simão Jatene e a bancada do PSDB aconteceu na casa dele e durou cerca de quatro horas e meia – estava marcada para começar às 15 horas e se estendeu até às19h30.

Dela participaram seis dos dez deputados estaduais tucanos:José Megale, Ítalo Mácola, André Dias, Bosco Gabriel, Tetê Santos e Suleima Pegado – essas últimas negaram que estivessem presentes, mas duas fontes confirmaram que estiveram sim.

Dois outros deputados não compareceram porque estavam viajando: Manoel Pioneiro e Alexandre Von.

Bira Barbosa não foi porque está doente. Só de Ana Cunha não se sabe o porquê de não ter aparecido.

A reunião foi motivada pela confusão que tomou conta do partido depois que os senadores Tasso Jereissati e Arthur Virgílio desmentiram Megale.

Ou, como preferiu explicar André Dias, “pelo desconforto criado pela declaração extemporânea de dois senadores que não conhecem o Pará”.

Mas, os deputados também aproveitaram o encontro para discutir “um cronograma de eventos até o Natal”.

A idéia é que a confraternização tucana deste ano seja ainda mais expressiva do que as anteriores.

“Não será o anúncio da candidatura dele (Jatene), mas, a conclamação”, informou André Dias.

Segundo o deputado, “o PSDB identifica com muita clareza que é ele (Jatene) quem reúne as melhores condições para ganhar a eleição e governar bem o estado”.

E, como a confraternização será, também, uma festa política, diz André, “naturalmente que vamos ouvir o que temos ouvido de todos: que eles querem que ele seja o governador. E, talvez, no final ele possa chegar e assumir o compromisso de colocar seu nome à convenção”.

Segundo Ítalo Mácola, na reunião de ontem Jatene e os deputados fizeram “uma avaliação de toda essa confusão e chegamos à conclusão de que isso não representa nada”.

Os deputados também decidiram aguardar pelo restabelecimento do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, porque é ele quem tem conduzido as negociações dos tucanos paraenses.

A alta de Guerra está prevista para hoje - ele teve de ser hospitalizado na última terça-feira devido a um problema cardíaco. Mas é provável que permaneça em repouso até a semana que vem.

Tão logo ele esteja bem, os deputados deverão pedir-lhe que se manifeste sobre o imbróglio, tendo em vista as declarações de Arthur Virgílio e Tasso Jereissati.


Megale reafirma declarações


Ontem, no começo da noite, ao falar pela primeira vez ao blog, o deputado José Megale manteve tudo o que declarou na tribuna da AL, na última terça-feira, acerca da escolha de Jatene como candidato do PSDB.

“O que foi dito está dito. Não dizemos meias verdades, mas, a verdade inteira”, enfatizou.

Ele lembrou que decisão da Nacional foi noticiada pelo jornal Folha de São Paulo e até pelo blog do senador tucano Álvaro Dias. Por isso, acredita que Mário Couto sabia, sim, dessa decisão, apesar de tê-lo negado, em entrevista ao Diário do Pará.

“Quem informou a Folha de São Paulo? O Mário sabia, sim. A menos que alguma coisa tenha mudado e não tenham nos comunicado”, disse.

Megale também criticou Tasso e Virgílio por suas declarações à imprensa: “Eu lamento porque eles dois não conhecem a política daqui, não conhecem os anseios locais. Em nenhum momento tratamos desse assunto com eles. Na verdade, não sei a legitimidade da afirmação que fizeram. Quero ouvir a posição do presidente (Sérgio Guerra) que é com quem tratamos desse assunto”.

Também o deputado André Dias foi pelo mesmo caminho: “Eu pessoalmente, assim como não me atreveria a dar palpite sobre um acontecimento no Amazonas, no Ceará ou no Maranhão, acho que eles foram muito imprudentes em falar o que não têm conhecimento. Essa imprudência tem custos para eles, porque são lideranças que passam a ser desacreditadas pela indevida locução deles. Eles não têm que dar opinião: têm é que fazer o que diz o Estatuto do partido”.

Ontem, a Assessoria de Imprensa do senador Mário Couto afirmou desconhecer a reunião realizada em Brasília, na semana passada. Disse desconhecer, ainda, que o senador tenha retirado a sua candidatura e manifestado apoio a Jatene. “O que ele (Couto) me disse é que retirou a candidatura dele em favor de Almir Gabriel”.

O blog tentou falar com Simão Jatene e Almir Gabriel, mas eles não retornaram as ligações.

Nos bastidores, na noite de ontem, também voltou a circular o boato de que Almir estaria disposto a deixar o PSDB devido a toda essa confusão.

5 comentários:

Anônimo disse...

concordo com voce a respeito da ansiedade de megale em anunciar Jatene...penso que o que ele deseja são os holofotes de ser a pessoa a anunciar a candidatura e ficar bem na fita com o jatene

Anônimo disse...

Se Almir resolver sair do partido estará prestando um grande serviço ao PSDB e ao Estado do Pará.
As motivações de Almir para vir a ser o candidato tucano ao governo do Estado é unicamente pessoal e vem alimentada de puro ódio, porque cego e surdo sabemos que ele não é, já viu e ouviu qual é o desejo do partido no Pará, mas sua arrogante intransigência não é capaz admitir que seu tempo passou e que tudo que os tucanos paraenses querem é vê-lo curtir de uma vez por todas sua aposentadoria.
Siga seu caminho Dr. Almir e nos deixe seguir o nosso em paz!
PS: esse Flexa não merece credibilidade nenhuma. Como é que ele vem dizer que está buscando a união e desrespeita dessa forma os deputados estaduais do partido dele, ELEITOS, com VOTOS, com LIDERANÇA, coisa que ele (Flexa) desconhece?
É um verdadeiro PALHAÇO!!!

Anônimo disse...

Mas, perereca, você esperava um a palavre firme, coerente e corajosa de tucano, logo de quem............... hahahaha

Anônimo disse...

Lamentável esse afirma-desmente-afirma, parecendo que são meninos de recado, sem autonomia e pisando em ovos. Eles têm medo de quê? Me diga Ana Célia. Por isso que a reeleição para qualquer cargo é uma praga, para qualquer cargo, seja executivo ou legislativo. Parece que eles não querem se queimar, temendo retaliações dentro do próprio partido, hum hum hum

Anônimo disse...

quem conhyece o deputado ze megale sabe que ele nao de fazer aquela velha politica obscura onde banham todos em banho maria. ele sabe e falou logo. parabens ao deputado que respeitou o povo e nos infomou logo o nosso ccandidato.