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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tucanos mensuram estrago



PSDB reúne Executiva
para analisar encrenca do DF


O PSDB reunirá na tarde desta terça (1º) sua Executiva nacional. O objetivo é avaliar as consequências eleitorais do “Panetonegate”.

Há um primeiro efeito óbvio e imediato: ruiu o palanque da oposição no DF. Vai à mesa também um debate incômodo.

O PSDB analisa a conveniência de desembarcar seus filiados que servem ao governo ‘demo’ de Arruda.

José Roberto Arruda (DEM) era, há cinco dias, um forte candidato à reeleição. Recepcionaria em Brasília o presidenciável tucano –José Serra ou Aécio Neves.

Pilhado num escândalo prenhe de imagens e áudios, Arruda virou pó. A ficha do governador demora a cair. Ele diz que sua candidatura sobrevive.

Mas não há nenhum tucano ou ‘demo’ que leve o governador a sério. Até a semana passada, Arruda era cogitado até para vice na chapa tucana.

Hoje, o tucanato quer distância dele. Receia o contágio. Nos subterrâneos, o alto comando do PSDB cobra, discretamente, pressa do DEM.

Torce para que o parceiro se livre do problema o quanto antes. Tomado por seu passado, O PSDB tem pouca autoridade na matéria.

Em 2005, nas pegadas do mensalão do PT, foi às manchetes o tucanoduto. Um escândalo produzido em Minas, na campanha reeleitoral de Eduardo Azeredo.

Presidente do PSDB à época, Azeredo reteve o cargo e conceito partidário. Não sofreu uma mísera admoestação. Ao contrário, foi defendido pela legenda.

À boca miúda, o tucanato diz que a encrenca de Arruda é incomparavelmente maior. Daí a cobrança.

O diabo é que surge, nesta terça (1º) um elo que liga as arcas apodrecidas de Arruda ao diretório do PSDB no Distrito Federal.

Deve-se a novidade aos repórteres Hudson Corrêa e Fernanda Odilla. A dupla levou às páginas da Folha notícia que informa o seguinte:

1. Durval Barbosa, o ex-secretário de Arruda que se tornou delator do ex-chefe, envolveu um tucano no esquema de coleta de verbas sujas.

2. Em depoimento à Polícia Federal e ao Ministério Público, Durval disse que o presidente do PSDB-DF, Márcio Machado, atuou no recolhimento de propinas.

3. Empossado como governador, Arruda nomeara para a Secretaria de Obras do GDF, em 2007, o tucano Machado.

4. Segundo a versão de Durval, Machado tomara parte, em 2006, de reuniões em que se tratou da obtenção de verbas clandestinas.

5. Durval contou à PF que Machado chegou mesmo a repassar parte do dinheiro amealhado por baixo do pano a políticos apoiadores de Arruda.

6. Mencionou especificamente três repasses: R$ 6 milhões para a campanha do deputado Benedito Domingos (PP)...
...R$ 200 mil para Adalberto Monteiro, presidente local do PRP; e R$ 100 mil para Omar Nascimento, que comanda o diretório regional do PTC.

7. De resto, Durval forneceu à PF e ao MP uma cifra que converte o escândalo do DF, já grandioso, num malfeito de proporções gigantescas.
Disse que, entre 2004 a 2006, recolheram-se ilegalmente R$ 56,5 milhões. Dinheiro mordido em contratos da Codeplan, a estatal que Durval presidia.

8. O curioso é que, no período mencionado, Durval operava sob o governo de Joaquim Roriz, então no PMDB.

9. A despeito disso, nacos generosos do superpanetone escorregaram para as mãos de Arruda e do grupo político dele.

10. Ouvido, Adalberto Monteiro, o presidente do PSDB-DF, nega que tenha ajudado a fornir o butim. Diz ter ajudado Arruda “como amigo”.

11. Para apoiar Arruda em 2006, Machado teve de se licenciar do PSDB. O tucanato foi às urnas do DF com um nome próprio: Maria de Lourdes Abadia.

12. Numa primeira avaliação, o grão-tucanato concluiu que o mensalão ‘demo’ de Brasília terá efeito nulo na eleição presidencial marcada para daqui a dez meses.

Erro.

No barato, o escândalo já custou à oposição o discurso de timbre moralizador que pretendia invocar contra o PT.


(Fonte: blog do Josias)


http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/

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