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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

corrupção





“Eleição de Arruda foi a consagração
da corrupção”, diz cientista político






O mais novo escândalo da política brasileira, desta vez envolvendo membros do Governo do Distrito Federal (GDF) e parlamentares da Câmara Legislativa, ainda tem final imprevisível. O já chamado “mensalão do DEM” traz incertezas até mesmo para os mais experientes analistas políticos. O cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Octaciano Nogueira, no entanto, tem uma certeza: ele acredita que a eleição de Arruda ao governo do DF em 2006, depois do episódio do painel eletrônico em 2001, foi a consagração da corrupção. “Significa que valores como ética e moralidade foram descartados”, afirma.




Nogueira também se surpreende com o fato de o ex-secretário de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa, responsável pela filmagem dos vídeos que vieram à tona, ter sido indicado ao cargo mesmo com dezenas de processos na Justiça. “Como pode um sujeito que responde a mais de 30 processos ser escolhido secretário de governo? Onde estamos? Que país é esse?”, questiona.




Segundo ele, a corrupção em Brasília começou já na sua construção, nos anos 50, já que "naquela época não houve fiscalização" sobre as obras da nova capital. “Quem fiscalizava esse imenso cerrado? Não existia isso. Só agora, depois de quase 50 anos, vêm à tona este escândalo lastimável relacionado ao GDF. Demorou muito para surgir algo bem documentado como o de agora. A corrupção existe desde a inauguração da cidade”, afirma.




De acordo com Nogueira, os bons índices de riqueza e educação do Distrito Federal – maior renda per capita do país, maior nível de pessoas com nível superior, maior quantidade de alunos nas escolas – não se refletem em bons representantes políticos. “Em países com altos níveis educacionais, pessoas que respondem a processos judiciais, com passado corrupto ou ignorantes não são eleitas pela população. Em Brasília, isso não ocorre. Tem alguma coisa errada na nossa democracia. A cultura política depende da cultura cívica. Se temos uma péssima cultura cívica, temos uma péssima cultura política. É importante lembrar que os políticos envolvidos em escândalos são eleitos por nós cidadãos”, diz.




Para o cientista político, expressar a indignação por meio de cartas aos jornais, posts em Twitter, entre outros meios, não é suficiente. “Não adianta se manifestar reclamando do que acontece na política por meio de e-mails, sites de relacionamento, etc. A população tem é de votar certo. É na eleição que o papel deve ser bem exercido”, avalia. Nogueira diz ainda que a falta de transparência nas contas públicas do GDF facilita os atos corruptos. “O pior dessa falta de transparência é que boa parte dos recursos são federais, repassados pelo Fundo Constitucional. Ou seja, não é apenas o contribuinte brasiliense que paga essa conta. É o dinheiro do país inteiro. O GDF é um apêndice do governo federal”, argumenta.




Ele conclui afirmando que a Câmara Legislativa do Distrito Federal é a “pior representação que o país já teve”. “A câmara é uma vergonha, é lastimável e não deveria existir. Deveria ser como antes da Constituição de 1988: o Senado [uma comissão específica] deveria estar legislando sobre fatos do DF”, afirma.



(Leandro Kleber/Do Contas Abertas)


http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2909

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