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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sarney







Até onde podemos ir?









O apoio do PT a Sarney não deveria surpreender as esquerdas brasileiras.







Afinal, não é de hoje que rifamos nossos sonhos. E que, até certo ponto, nos igualamos a tudo o que pretendíamos combater...






A luta pelo Poder, para conquistar e manter o Poder, tem nos levado a escolhas de que jamais suspeitaríamos, há uns 30 anos.






O tempo, impiedoso como ele só, nos mostrou que por mais que vendêssemos camisetas e brochinhos jamais conseguiríamos bancar as milionárias campanhas eleitorais.






Ensinou-nos, em suma, a intransponível necessidade de uma “acumulação primitiva não-contabilizada de capital”...






Nada assim tão diferente do que se poderia imaginar num país dominado por oligarquias; num país escravagista como é o caso do Brasil.






Tal processo, é claro, teve, também, bons momentos.






Pois, que também nos mostrou a necessidade – essa sim democrática – de negociarmos com os diversos partidos e o empresariado.






Afinal, todos eles democraticamente representativos de parcelas da nossa população.






O que me preocupa, no entanto, são os limites dessa caminhada, se é que os conseguimos enxergar.






Ora, lutar pela Democracia numa ditadura é infinitamente mais simples.






Numa ditadura, um amplo leque social tem o mesmíssimo objetivo imediato e a própria conjuntura restringe as alternativas de negociação.






Em outras palavras: além de termos uma convergência de ideais, o leque de passos que teremos de dar para trás, para avançarmos dois ou três mais adiante, é bem mais restrito.






Numa Democracia, no entanto, os ideais imediatos se pulverizam e o leque de movimentações, tendo em vista o futuro, o objetivo maior, é quase infinito.






E o meu medo é justamente este: que neste “meião”, em que lutamos por um “objetivo maior” acabemos por perder toda noção de ética, de honestidade; os parâmetros comportamentais que, afinal, fazem a diferença entre “nós” e “eles”...






É certo que temos de negociar com essas oligarquias, como os Sarney e os Barbalho.







Pragmaticamente, temos de negociar...







E não me venham dizer que elas resistem, apenas, pela pobreza e ignorância do nosso povo.







Pera lá!... Há bem mais aí do que pobreza e ignorância.







Na base de sustentação dessas oligarquias há, sim, pobreza e ignorância.







Mas, há, também – e, talvez, principalmente – um elemento não perfeitamente definido que parece ter a ver com carências da própria espécie humana.







Afinal, se o problema fosse apenas pobreza e ignorância não teríamos o sucesso dessa fórmula do “paizinho” do “chefe-durão- mas- que- cuida- de- nós” mesmo nas nações com muito maior experiência democrática que a nossa.







E tal sucesso não teria a universalidade que, de fato, tem. Nem a constância histórica que, de fato, tem.







Então, há alguma coisa aí, sim, de simbólica, de “arquetípica”.







Quer dizer: os Sarney e os Barbalho não encarnam, apenas, um papel contemporâneo de dominação. Na verdade, resgatam necessidades ancestrais por um “guia”, um “Messias”, um “Protetor”...







(Égua, eu tô voando alto, né?... É a cachaça, maninhos!...)







É certo que já conseguimos lidar com esses arquétipos; que já conseguimos, através do marketing, adentrar no imaginário coletivo, para realizar a mesmíssima manipulação das massas que as oligarquias realizam.







E isso nunca deixou de ser problemático, uma vez que nos pretendíamos “pedagógicos”, né mermo?






Ou seja: essa já foi uma concessão e tanto; transformar o “companheiro” Lula em mais um “paizinho” já foi uma concessão e tanto das esquerdas brasileiras.






Assim como foi uma concessão e tanto administrarmos, tucanos e petistas, o “apetite” dessas oligarquias, eis que jamais conseguimos prescindir delas, para a conquista e manutenção do Poder.






E o que me preocupa é até onde poderemos ir.






Deixando de lado a hipocrisia e essa briga infantil do PSDB com o PT pelo troféu do “mais-mais da Ética”, a verdade é que, se estivessem no governo, os tucanos estariam fazendo a mesmíssima coisa que os petistas, nessa coisa (que dá até uma dor no peito!) de apoiar o Sarney.






Fosse o Fernando Henrique, o Serra, o Aécio, no lugar do Lula ou da Dilma, o resultado seria o mesmíssimo: o oligarca José Sarney, que representa o que de pior existe neste país, estaria recebendo todo tipo de afagos e de solidariedade.






Louve-se, portanto, a clareza desses cinco companheiros petistas do Senado que têm batido o pé contra esse “pragmatismo” – ou seria entrega? – de todos nós.






Louve-se a firmeza com que esses cinco companheiros têm tentado encontrar esses limites de que falei.






Se irão até o fim é uma incógnita – afinal, os interesses partidários sempre se sobrepõem às convicções individuais...






Mas é de extrema importância que pelo menos alguns de nós comecem a perguntar, em alto e bom som: até onde podemos ir?






O que, afinal, podemos negociar, sem que isso implique negociar tudo o que sonhamos para este Pará e este Brasil.








FUUUUUIIIIIII!!!!!



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