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sábado, 25 de abril de 2009

fadesp1



Jornal mexe em matéria assinada







Neste domingo, o jornal O Liberal publicou matéria assinada por mim sobre o inquérito da Polícia Federal que investiga possíveis crimes de quatro dirigentes da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), entre os quais o diretor-executivo da instituição, João Farias Guerreiro. Todos são suspeitos de formação de quadrilha, falsificação de documentos e corrupção passiva, num esquema que envolveria, inclusive, o fornecimento de notas fiscais frias a prefeituras do interior. A Fadesp é a instituição que administra os recursos financeiros da Universidade Federal do Pará (UFPA.) - leia matéria abaixo.


Infelizmente, o jornal O Liberal introduziu dois parágrafos na matéria, a minha revelia - e apesar de manter a minha assinatura na referida reportagem. É um triste episódio, a envolver, inclusive, uma pessoa de quem não esperava um comportamento tão deplorável: a jornalista Rose Gomes, que assessora tanto a Fadesp, quanto a Assembléia Legislativa do Estado.





Pelo menos uma das afirmações desses dois parágrafos é mentirosa: ao contrário do que diz a “assessoria” da Fadesp – que, pelo visto, tem mais credibilidade do que eu junto aquele jornal - não entrei em contato com a instituição apenas às 18h25m da sexta-feira.




Fiz o contato bem mais cedo, por volta das 15 horas, através de um colega do jornal que trabalha como assessor da instituição. E que, depois de anotar o assunto, ficou de entrar em contato com a Rose Gomes.




Fiquei a aguardar o retorno desse pedido de informações – e, pelo menos uma vez, voltei a falar com o colega sobre isso.




No entanto, no início da noite, para minha surpresa, a Fadesp manteve contato, não comigo, mas, com um diretor do jornal.




Foi-me repassado o celular do João Guerreiro e eu liguei para ele.




Ele afirmou, então, que desconhecia o inquérito e as acusações - e eu reproduzi, na matéria, tais declarações.




Mas, Guerreiro não queria, apenas, apresentar a sua versão: na verdade, ele queria que eu segurasse a matéria até a segunda-feira, porque, disse, iria inteirar-se dos fatos junto à Polícia Federal.




E eu expliquei que não possuo poderes para "segurar" matérias.




Além do que, ele negava os fatos, dizia não ter sido notificado, mas, eu possuía – como ainda possuo – documentos e informações oficiais a comprovar que o inquérito foi aberto há um ano e que as investigações, antes ainda da abertura do inquérito, tiveram início em 2006, no Ministério Público Federal.




Não me pareceu “crível”, portanto, o que o Guerreiro dizia. Mas, se isso for verdade, ele tem de se queixar é à PF e ao MPF - não a mim. Mesmo assim, ficamos de conversar na segunda-feira, em hora a ser marcada por ele, após contatar a PF.




Pouco depois de falar com Guerreiro, quando já estava a escrever a matéria, fui surpreendida pela informação de que a jornalista Rose Gomes ligara para um dos donos do jornal porque “queria ser ouvida”.




Liguei para Rose e ela me disse a mesmíssima coisa que o chefe dela, João Guerreiro.




E eu percebi que, no fundo, o que ela queria era derrubar a matéria, o que me pareceu uma postura absolutamente lastimável da parte de uma jornalista – e formada em Comunicação Social, diga-se de passagem.




Como conheço a Rose de longa data, lembro que até critiquei o fato de ela ter ligado para o dono do jornal, e não para mim, eis que, certamente, ela possui o meu número de telefone e da redação de O Liberal.




E lembro que tivemos, aliás, uma conversa bem áspera, porque ela queria me convencer que o Guerreiro falava a verdade - como se eu fosse quase que obrigada a assinar embaixo do que ele alegava...




Agora à noite, domingo, constatei a informação mentirosa, da “assessoria” da Fadesp, introduzida em matéria assinada por mim, à minha revelia.




Liguei para um editor do jornal e manifestei a minha indignação.




Disse-lhe, inclusive, que essa não foi a primeira vez que o jornal agiu assim em relação a mim, quase que no sentido de me desacreditar.




A primeira vez, todo mundo viu, foi no Caso Hangar, quando a Joana Pessoa e a Via Amazônia publicaram desmentido de página inteira à matéria que assinei, sem que o jornal O Liberal se dignasse a dar uma simples nota de redação, ou, ao menos, de me avisar acerca daquele desmentido – é, leitores: eu só soube do fato por terceiros; por amigos que me ligaram para avisar desse desmentido e dos boatos que corriam na cidade, de que seria demitida de O Liberal...




Lembro, aliás, que cheguei a comentar com uma amiga: sequer posso dizer que me sinto decepcionada. Afinal, nunca esperei nada desses caras...




Agora, vem essa história da Fadesp – e a publicação da matéria foi um parto, tamanhas as pressões. Tanto que saí do jornal, por volta das 23 horas, sem saber se ela, afinal, sairia ou não. Aliás, até desisti de escrever mais uma página, para a segunda-feira, tanta era a incerteza acerca do aproveitamento desse material.




Se há repórteres que aceitam que mexam dessa maneira em seus textos, mantendo a assinatura deles, eu, simplesmente, não aceito.




Não me importo que corrijam uma palavra, retirem uma vírgula usada de forma errada, ou até que coloquem uma palavra que, na pressa, a gente se esqueceu de colocar – como, por exemplo, o “foi” que está faltando no final do texto abaixo.




Mas, penso que não é honesto, ético ou justo introduzir parágrafos inteiros num texto assinado, inclusive com informação mentirosa que dá a entender que o sujeito só não se defendeu porque tardiamente procurado.




Se era para mexer no texto que retirassem a assinatura - ou me consultassem sobre tais modificações. Afinal, o fato de trabalhar ali não dá ao jornal o direito de me imputar coisas que não escrevi – ou até de tomar sutilmente o partido do entrevistado, como se eu não fizesse parte da Redação; como se fosse, simplesmente, um elemento estranho a ela.




Sinceramente, até hoje nunca compreendi o que levou o jornal O Liberal, por um de seus donos, a me convidar a trabalhar ali, mesmo depois da série de reportagens que escrevi, todas elas assinadas, sobre aquele vergonhoso convênio da Funtelpa.




Convidaram-me para escrever matérias especiais e o blog da Redação de O Liberal.




O blog nunca foi viabilizado e as minhas matérias, várias delas, foram sendo relegadas à “cesta” página, como diria o blogueiro Juvêncio Arruda.




Tanto que, certa vez, um colega até brincou comigo, a dizer que eu deveria era colocar um banner das ORM no meu blog, eis que várias vezes atualizado com matérias que O Liberal não quis publicar...




E dia desses, quando o meu advogado me perguntou se poderia chamar o jornal à lide, naquele processo que a Joana Pessoa move contra mim, devido à matéria do Hangar – sim, porque ela foi tão covarde que não teve coragem de processar o jornal, mas, simplesmente a mim - eu disse ao advogado: chame, pode chamar! Não esquente com isso!...A minha relação com O Liberal é mais ou menos assim: nem eu confio neles, nem eles confiam em mim...




No fundo, creio que nos “suportamos”, sei lá por que todo esse tempo, naquela de ver, enfim, quem daria o primeiro passo para acabar com essa relação estrambólica.




E eu penso que a minha relação com O Liberal, ao fim e ao cabo, pode ser resumida assim: Foi bom enquanto durou. Mas, melhor ainda quando acabou.






FUUUUIIIIIIII!!!!!








Abaixo, a matéria sobre a Fadesp como a redigi – sem, portanto, as alterações feitas à minha revelia:







“Quatro dirigentes da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), entre os quais o próprio diretor executivo da instituição, João Farias Guerreiro, estão sendo investigados pela Polícia Federal sob a suspeita de formação de quadrilha, corrupção passiva e falsificação de documentos. Segundo informações obtidas pela reportagem, as acusações envolvem superfaturamento de preços, fraudes licitatórias, recebimento de propinas e até um esquema de fornecimento de notas fiscais frias a prefeituras do interior. A Fadesp é a instituição que administra os recursos financeiros da Universidade Federal do Pará (UFPA).




Além de João Guerreiro, estão sendo investigados a gerente administrativa da Fadesp, Eliana Alzira Levy Fernandes; o coordenador de Prestação de Contas, Carlos Alberto Tabosa da Silva; e o coordenador de Informática, Walter Oliveira Junior. O inquérito foi instaurado em 25 de abril do ano passado e deve ser concluído em meados deste ano. Tramita na 4 Vara da Justiça Federal em Belém, sob o número 2008.39.00.006077-4.




A falsificação teria ocorrido em faturas usadas para encobrir o uso irregular de recursos do Programa de Apoio à Pesquisa (Proap) e em notas fiscais fornecidas a prefeituras do interior, que eram apresentadas nas prestações de contas ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).




O esquema contaria com a participação de um grupo de empresas, que venderia talões inteiros de notas fiscais ao coordenador de Prestação de Contas da Fadesp, Carlos Alberto Tabosa da Silva. Seria, também, do conhecimento de vários professores da UFPa, que atuaram na coordenação dos convênios firmados entre a instituição e essas cidades. As notas fiscais seriam repassadas às prefeituras mediante uma "comissão" de 30%.




Outra acusação é quanto à fraude em licitações. Nesse caso, o grupo teria agido na "montagem" de processos licitatórios inteirinhos, para driblar a fiscalização da Controladoria Geral da União (CGU) - quer dizer: os documentos iam "aparecendo" à medida em que eram requeridos pelos fiscais. O grupo teria chegado, inclusive, a falsificar assinaturas de integrantes das comissões de licitações. Além disso, fracionaria as despesas desses certames, para que fossem realizados através de cartas-convites, cujos protocolos de envio também eram forjados.




Com tudo isso, teria sido possível direcionar as contratações, em diversas licitações, para empresas ligadas ao esquema. Esse direcionamento - que é proibido em Lei - teria sido realizado, também, através de exigências nos editais dos certames, que só poderiam ser atendidas por uma firma específica. De acordo com o que a reportagem conseguiu levantar, a fraude teria acontecido, por exemplo, na implantação do CACON, a unidade de alta complexidade em Oncologia do Hospital Barros Barreto, cuja obra foi entregue à Quadra Engenharia.




Nas licitações, também teria sido detectada a participação de empresas que forneciam à Fadesp um leque surpreendente de serviços: desde o aluguel de equipamentos, a gêneros alimentícios, canetas e cartuchos de tinta para impressoras. Haveria farta documentação acerca dessas irregularidades no inquérito da Polícia Federal, inclusive cópias de cheques e de processos licitatórios sob suspeita.






Surpreso





Na última sexta-feira, a reportagem entrou em contato com a Fadesp, mas o diretor-executivo da instituição, João Farias Guerreiro, afirmou desconhecer as investigações da PF. "Não tenho conhecimento disso, não fui citado. É uma surpresa para mim, tanto que até sentei, agora, na cadeira" - disse o professor. Ele ficou, inclusive, de passar na Polícia Federal, nesta segunda-feira, para inteirar-se das acusações. Depois, prestará esclarecimentos à imprensa.




Segundo informações da Justiça Federal - que podem ser acessadas via internet - o inquérito policial 3992008 foi entregue ao tribunal regional federal, em Belém, em 04 de junho do ano passado. Cinco dias depois os autos foram retirados pela Polícia Federal, com um prazo de 180 dias, para diligências. Em 19 de dezembro, foram encaminhados à Secretaria da JF, mas o Ministério Público requereu que fossem devolvidos à PF, com mais 90 dias para novas averiguações. O Prazo - não de 90, mas, de 180 dias - foi concedido pela Justiça em 22 de janeiro deste ano. Oito dias depois, os autos foram retirados pela PF e se encontram nas mãos da delegada Lorena de Souza Costa.




Na tarde de sexta-feira, a Assessoria de Comunicação da PF confirmou a existência do inquérito, instaurado em abril do ano passado, "para apurar possíveis irregularidades na utilização de verbas federais". Não soube informar, porém, o que levou à abertura do procedimento - se um pedido do Ministério Público ou da Universidade Federal do Pará. Um agente, que não quis se identificar, disse, no entanto, que o processo teria chegado à instituição já apontando a possibilidade de formação de quadrilha ou bando e que, quando isso ocorre,"é porque há indício forte de crime".




Segundo apurado pela reportagem, as investigações teriam sido iniciadas no final de 2006, pelo Ministério Público Federal, a partir de denúncias de três funcionários da Fadesp. É possível que a apuração tenha envolvido, inclusive, a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos. Mas, até o momento, não há novo procurador federal designado para o caso: os dois, Thiago Ferreira de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Souza, que atuaram logo no começo das investigações, foram transferidos de Belém em 2007. Já a procuradora Ana Paula Carneiro, que remeteu o inquérito para a PF, também já embora do Pará.”

22 comentários:

Thales B. D'Oliveira disse...

Sinto-me decepcionado com isso, minha cara Ana Célia. É lastimável que alguém fala essas correções à revelia do repórter ou do editor. Ainda que seja o dono da publicação.

Lembro-me do Holanda Guimarães, quando trabalhamos juntos em Novo Jornal. Na redação, qualquer alteração que implicasse trocar uma palavra, o repórter era consultado. Quando a alteração seguia outros rumos e a alteração se fizesse por 3 ou mais palavras, o repórter era convidado a reescrever a matéria. Mesmo que não entrasse o seu crédito.

Então, não sei o que pode-se dizer de algumas pessoas que trabalham em redação de jornal e sentem o prazer de alterar textos de outrém. Esta semana houve outro problema entre uma colega de redação do jornal e um editor de caderno, publicado no Blog do Juvêncio, se não me engano. A colega sente asco em ver o nome do colega no topo da carreira, com condições de mandar seu texto em lugares que a colega jamais poderia sonhar em estar. Isso é o problema. Tem gente que é por demais estrela que pensa que pode estar por cima de todos. Na resposta àquela questão, poderia simplesmente dizer: "Não gostaria mais de receber seus textos, senhor fulano de tal". Seria até elegante. E aquele era um fato que não precisava de ibope.

Enfim, o mesmo feito se repetindo mais uma vez... Como eu já disse, não aqui mas em outro lugar, a história se repete. Quem acredita em Marx, que fala que a história só se repete como uma farsa, deveria pensar mais um pouco.

O feito por esta senhora não se justifica. NENHUMA CLÁUSULA vai justificar ter agido como defensora de causa nesse sentido. Poderia ter colocado uma matéria abaixo, com uma assinatura: "O outro lado", como, aliás, faz a Folha de São Paulo. Agiria mais espontâneamente, melhor, não faria nenhuma besteira e ainda não corria o risco de ser processada criminalmente (eu acho, uma vez que imputou texto que não era seu à você), contribuindo para macular a sua ficha profissional. Assim como no caso da outra pessoa, envolvida com colega de profissão, ela poderia (e deveria) ter ficado calada.

Neste caso, para ela, os fins não justificam os meios. Mas, como as pessoas sempre acham que sabem mais do que todo mundo, falando o que lhes dá na telha nem sempre obtendo sucesso com isso, vai ser assim. Defende o que não deve e acaba criando uma situação constrangedora para ambos os lados.

No final é assim: Acho que ela queria mesmo era estar unicamente defendendo o outro lado. No meu entender, quem faz isso nãopoderia deter título de "jornalista", aliás, depois que criaram o curso de jornalismo, acho que não existe mais jornalista e sim defensor de alguma causa oculta.

Basta ver: Não temos mais jornalistas. Os que temos hoje são incompetentes até para tentar corrigir seus trabalhos. E não falo só dessa senhora.. Falo de todo o pessoal da redação de O Liberal, Amazônia, Diário, além dos outros jornais que tem na amazônia.

Uma pena, pois as pessoas mesmo jogam seus empregos no lixo.

Anônimo disse...

Desculpa, Ana, mas a palavra é estrambótica e não estrambólica...

Anônimo disse...

Ana, vá em frente, seja reta e não desista, continue a ouvir as partes e não se locuplete com as farsas que esses Jornais montam para se beneficiar ...Parabéns .

Anônimo disse...

Queridíssima ana!
já é uma prática comum deste jornal! você não é a primeira e nem será a última! se todos os jornalistas tomassem atitude de denunciar essa prática absurda, que desvaloriza o próprio profissional...

isso depende da conveniência do jornal! por exemplo... mesmo com todos esses escândalos na Câmara Municipal, não vemos ELE fazer qualquer denuncia acerca do Vereador Morgado que foi pego pelo vizinho subtraindo ferro da construção alheia, ou que ele tem em sua casa DUAS domésticas que recebem pelo Gabinete.


sucesso para você!

Anônimo disse...

Cara Ana Célia: li, reli e tresli seu post. Invoquei em espírito o amigo e, por uns tempos, desafeto Cláudio Augusto de Sá Leal para que ele viesse aqui em baixo participar da minha incredulidade. Nem o Leal, nos seus mais
avinagrados momentos, podia imaginar uma tal decadência. Reconstituo a cena que provocou minha incredulidade: você está a escrever sua matéria sobre a Fadesp e se vira (fisica ou virtualmente) para o lado para pedir ao colega de redação. Pede-lhe que se investa no papel de assessor da fundação universitária e consiga um contato seu com o presidente da instituição. O repórter-assessor, no desempenho da sua função de ponte, coloca você na linha com o Guerreiro. Na conversa, o presidente da Fadesp não consegue convencê-la a adiar a matéria até o primeiro dia útil depois do fim de semana. Nem mesmo a convence do seu principal argumento: que desconhece o inquérito da Polícia Federal, instaurado um ano antes. Recolhe-se então à sua função de personagem? Não, aciona outro assessor ou a assessora, Rose Gomes, mais uma repórter ao lado com duplo papel. Por feliz coincidência, ela é que vai editar a sua matéria. Aproveita, conforme seu relato, para introduzir dois parágrafos, que desnaturam seu texto e afrontam sua assinatura, provocando sua revolta e colocando sua cabeça em posição de golpe na guilhotina de amanhã (espero, sinceramente, que a previsão não se materialize). Afronta, sim, porque a matéria continuou assinada, embora tenha deixado de lhe pertencer. É uma panela na qual todos mexem sem escrúpulos ou cuidados, com a certeza de que o guisado não azedará, porque o dono, plenipotenciário na posição, segurará as pontas, impondo o paladar dominante. Dono que conta com a defesa putativa dos seus homens de confiança, sejam os principais ou os secundários - e os mais baixos ainda, os abjetos. Estou lhe mandando esta mensagem, de bate-pronto, como se diz na crônica esportiva, porque gostaria que todos os protagonistas desta triste história se apresentassem. Podiam até desmentir o que você está dizendo, se a narrativa do blog não é a mais pura reprodução dos fatos. O que não podem (ou não deviam) é deixar passar sob o silêncio conivente um relato que é a reprodução do estado de indigência moral, mental, intelectual e profissional do jornalismo no Pará. Um estado de indignidade que se expande e desencadeia episódios lamentáveis - para usar uma expressão bem sua - como os que estamos a testemunhar todos os dias. Já aconteceu comigo ter a integridade um texto meu violada por um editor. Foi quando eu estava em Santiago do Chile, no final do governo Allende, como enviado especial de O Estado de S. Paulo. Mandei as primeiras matérias e nenhuma delas saía. Por um fator simples de entender: eu reconstituía os procedimentos do golpe que derrubaria o presidente. Como eu estava baseado na redação de El Mercúrio, um dos centros da conspiração, comecei a ser olhado com desconfiança e, depois, com certa hostilidade. Até que decidi escrever um texto alegórico, associando a tragédia grega ao drama chileno, em vias de se tornar também tragédia. Finalmente saiu meu primeiro texto, assinado, na edição dominical do Estadão, com destaque. Só que Frederico Branco, o editor de internacional, o intercalara com despachos das agências internacionais de notícias, todas contra o presidente da via pacífica para o socialismo. Liguei furioso para ele de Santiago. Frederico, com aquela sua bonomia exemplar, e muita experiência na cozinha do jornal dos Mesquitra, me disse: meu filho, se acalme; se eu não fizesse isso, você talvez nem estaria mais aí para ficar furioso. Entendi, aceitei (o meu texto, afinal, saíra na íntegra, apenas intercalado pelos despachos noticiosos, como um quebra-cabeça para leitura nas entrelinhas, prática muito comum no Brasil daquela época) e, depois, quando o furacão entrou em ação, agradeci ao Frederico, de quem discordava muito mas que, por mais esse episódio, continuei a querer bem, apesar das nossas claras diferenças. Ocorrência de 36 anos atrás. Ela mostra como, ao avançarmos no tempo, recuamos nos princípios, que, agora, são comercializados na bacia das almas das redações. Um abraço, Lúcio Flávio Pinto

Anônimo disse...

Parabéns, esses caras do jornal O Liberal se acham acima de todo mundo, estão a serviço de quem dá mais dinheiro pra eles, são acostumados a jogar lama nas pessoas em troca de milhões de beijinhos.

Anônimo disse...

O governo do Estado está atolado na lama da Fadesp, são milhoes de reais por dispensa de licitação desviados por esta arapuca travestida de instituição de pesquisa.
Para confirmar, basta uma simples pesquisa no Diário Oficial.
Tudo com o aval da casa civil.

Ana Célia Pinheiro disse...

É, Lúcio, a coisa tá feia...



Nunca tinha passado por uma situação dessas...



Cortarem meus textos, até em função de espaço, já tinham cortado, principalmente quando não estavam assinados.



Mas, nunca tinha visto enxertarem, colocarem coisas que não escrevi, numa matéria assinada e sem sequer me consultarem.



Concordo contigo: esse episódio demonstra a que ponto chegou o jornalismo no Pará. E se queres que te diga, infelizmente, nem acho que seja tanto pelos patrões.



Não é que vá defendê-los.



Mas, parece-me, nem os Maiorana, nem os Barbalho diferem em muito de todo e qualquer patrão, especialmente nos grandes jornais.



São o que são, visam ao lucro; têm interesses que jamais serão os nossos, mas que, com alguma inteligência, sempre é possível “jogar”...



Por isso, parece-me que o principal é a postura dos jornalistas, que, quando não fazem coisas semelhantes ao que a Rose fez (e eu jamais esperaria isso da “Nega”...) estão como que tomados por uma apatia, uma incapacidade de reação que leva a aceitar tudo o que as empresas fazem, até como “coisa natural”.



Não sei; penso que a gente tem de colocar limites à maneira como tratam o nosso trabalho, sob pena de nos abaixarmos tanto que, daí a pouco, estará à mostra o nosso fundilho.



Creio que é preciso, sim, cobrar respeito profissional, ética; reagir diante de determinadas coisas.



Somos profissionais, trabalhadores - não capachos.



Somos cidadãos, com compromisso, sim, com a sociedade em que vivemos.



Mas, sinceramente, querido, estou me sentindo muito, muito cansada, sabes?...



Quando a gente fica repisando essas coisas – respeito, ética, honra – parece que vai se tornando um “estranho no ninho”.



Quando a gente começa a cobrar o bom uso do dinheiro público, como todos os cidadãos, aliás, têm de cobrar, parece que as pessoas começam a nos encarar como espécie de “anomalia”; é quase como se fôssemos uma “exceção danosa” ao meio em que vivemos.



Gostei muito de trabalhar, não em O Liberal, mas, na redação de O Liberal.



Fazia tempo que não trabalhava direto em uma redação de jornal; que não sentia o “calor” da produção da notícia...



Lembro até, “ratinho”, que estava de plantão naquele dia em que estourou a notícia sobre a enchente em Altamira.



E aí eu pude sentir, novamente, esse gostinho de trabalhar a notícia quentinha, com toda a “eletricidade” que isso proporciona.



Confesso que, naquele dia, me senti quase que a voltar uns 30 anos no tempo; aos meus tempos de “foca”, hipnotizada diante da informação...



Mas penso, Lúcio, que está muito, muito difícil fazer jornalismo nesta terra.



Nem na época da ditadura tive tantas matérias censuradas; mesmo na época da ditadura a gente ainda conseguia negociar algum espaço para a informação, nem que fosse num pé de página, num texto seco, frio, de três ou quatro parágrafos, mas que, de qualquer forma, garantia ao leitor algum conhecimento do que estava a se passar.



Mas, naquela época, a situação, nas redações, era outra. Havia o Leal e um punhado de jornalistas que jamais aceitariam determinadas coisas. E que estavam dispostos a lutar pela notícia como quem luta por um amor.



Hoje, as pessoas parecem ter se convencido de que não adianta lutar; de que o melhor é “não estar nem aí”. É como se tivessem decidido se alhear da própria vida, da própria história e da sociedade à qual pertencem.



E aí a gente fica sentindo a mão sangrar, de tanto dar murro, sozinho, em ponta de faca, não é, “ratinho”?



Vou te convidar pra “pregar” comigo numa praça – tu pregas e eu passo o chapéu, tá?...



Tenho de ver o que vou fazer da minha vida, meu amigo.



Tenho uma casa pra sustentar, mas, não quero abandonar esse “front” da luta pela informação.



Seria muito fácil fazê-lo.



Mas creio que, se o fizesse, morreria de tristeza, que nem passarinho engaiolado.



Obrigada, queridinho, pela solidariedade!...



Obrigada ao Bruno e a todos os anônimos que postaram comentários neste blog e às pessoas que também me enviaram e-mails de solidariedade, desde que relatei esse triste episódio.



Espero atualizar a Perereca, ao longo da semana, com novas informações sobre a Fadesp, a Delta Construções e o Hangar.



E espero continuar a fazê-lo, enquanto der.




FUUUIIIIIII!!!!!!

Ana Célia Pinheiro disse...

Só uma correção, queridos: a Rose Gomes sequer trabalha em O Liberal e sequer é a principal assessora da Fadesp.


O principal assessor da Fadesp é justamente o colega com quem falei, na redação de O Liberal.


Aliás, falei com ele, justamente, porque sabia que ele acionaria a Rose ou outro dos jornalistas da instituição. Quer dizer: era a garantia de que a Fadesp seria informada sobre a matéria.


Daí que, como a Rose sequer trabalha em O Liberal, eu sequer sei como esses dois parágrafos foram parar na minha matéria.


Quer dizer: a empresa simplesmente decidiu "comprar" a versão de um assessor e enxertá-la no meu texto assinado. E ponto.


É, meus amigos: foi assim mesmo como relatei, sem tirar nem pôr.

Anônimo disse...

Oi, Ana Célia: Então entendi mal o seu relato, de que a Rose trabalha em O Liberal. Se não trabalha, então desempenhou apenas sua função de assessora da Fadesp. No caso, seu papel devia ser o de dialogar com a repórter, que a procurou e escrevia a matéria, para convencê-la de que sua versão é a correta, e não tentar "derrubá-la", como você diz. Não concordo que patrão é patrão sempre, o que significa subordinar o critério editorial ao comercial em qualquer circunstância, como parece ser a prática atual. Já tive patrões que respeitei e se fizeram respeitar. Faço questão de apontar o nome de Júlio de Mesquita Neto, que até hoje não teve seu papel durante o regime militar adequadamente reconstituído. Mas o que esperar de donos de jornais incapazes de redigir uma legenda? Por fim, um pedido de correção: onde se lê "investa", leia-se "invista" na minha mensagem. Espero que os jornalistas entrem na roda para contar sua prosa. O silêncio diante da atual conjuntura da imprensa paraense é prova de insensibilidade. Abraço, Lúcio Flávio Pinto

Anônimo disse...

Ana Célia: Eu, de novo. Mal expedi a segunda mensagem, recebi um gentil telefonema da Rose Gomes. Dentre outros esclarecimentos, pelos quais agradeço, ela disse: 1) que não redigiu os dois parágrafos enxertados à sua matéria: 2) por óbvio, não introduziu os ditos cujos no texto; 3) não manteve contato com o editor e diretor corporativo de O Liberal, Ronaldo Maiorana, com o qual não tem qualquer relação; 4) limitou-se a apresentar o ponto de vista da Fadesp, que ainda não fora considerado, sem pretender "derrubar" a matéria. Registro as informações da Rose para que se esclareça o episódio, por ser necessário, dada a sua gravidade. Um abraço, Lúcio Flávio Pinto

Anônimo disse...

Poia é Ana, te dou os parabéns por resistir, denunciar e se manter firme diante de sabotagens como essa...

Continue assim!

Anônimo disse...

Ana Célia, o qiue estranhei mesmo é que esta tua matéria não tinha, por incrível que pareça, o depoimento de dois promotores de justiça falando no anonimato, como é de praxe nas tuas publicações. Incrível mesmoooooooooo. Já tava acostumado a este modelo ético.

Anônimo disse...

Convidaram-te porque reconhecem o imenso valor que tens enquanto profissional - que trabalha de forma ética e, como poucos, pratica um jornalismo verdadeiramente útil à sociedade. Coisa que o Liberal não faz. Por isso ficaste pouco por lá. Meus parabéns!

Anônimo disse...

Ana,

Sou fã nº 1 do seu trabalho. Você me motivava a sair de casa para comprar o Liberal.

Agora você vai para o Diário?

Beijos e cheiros

FÃ Nº 1

Anônimo disse...

Ana, creio que essa música serve bem ao momento.

"Sabotagem
Sabotagem
Sabotagem
Eu quero é que você se...top, top, top

Lari...Lari...Lari...Lari!

Ninguém vai dizer que eu deixei barato
Vou me ligar em outra
Te dizer bye-bye-, até nunca, jamé!"

(Os Mutantes)

Anônimo disse...

Ana Célia,

Esta súcia está indo as raias do desespero. A institucionalização da desonestidade é patente em todos os níveis de poder desta terra tupiniquim. Será um problema de herança genética ? Deve ser. Acho que os filhotes de paipai que hoje estão no poder - 1o.,2o.,3o.,4o,etc - deveriam ter um mínimo de compreensão do fato de que já foi-se o tempo em que ser desonesto era orgulho de família (contrabandista, corrupto estadual, corrupto federal, etc).
Não é preciso citar nomes pois o povo paraense sabe de quem estou falando.
Ou será que estou enganado ?
Bem, deve ser o efeito impunidade disparado por pessoas como o Zé Mensalônico e parceiros do partido da "Ética" e outros "bicudos" . Já que não há mais nenhum parametro de honestidade para guiar os atos do povo, tá todo mundo querendo tirar a sua "lasquinha".
Durma-se com um silêncio (da impunidade) dêstes ! ! !

Boa Sorte !

Anônimo disse...

Parabens Ana, não lhe conheço mas só por sua coragem e competencia passei a lhe admirar. Ana nesta terra quem fala ou age da maneira como voce faz, certamente estará a cata de problemas. Nesta terra de direitos que vivemos quem fala a verdade merece castigo!. Bola pra frente Ana Célia

Anônimo disse...

¨Um homem é o seu trabalho e sem o seu trabalho um homem não tem honra¨

Anônimo disse...

Cara Ana,
Já trabalhei com você e sei que a notícia é sua alma.
Vá, como sempre, em frente. Denuncie, informe, discuta. O jornalismo investigativo é fascinante e imprescindível. Vamos estar torcendo por você. Seu sucesso profissional é a nossa segurança de que as mazelas da sociedade podem ser corrigidas, extirpadas, quando, ao menos, podemos conhecê-las pelo lado crítico e não publicitário. Talvez tenha chegado a hora do Jornal - alternativo - A PERERECA DE OLHO NELES. Saúde, sorte, felicidade.

Anônimo disse...

Parabéns, pela coragem , agora tomre que o processo ande, pois muitos que bateram de frente foram perseguidos e ameaçados por essa galera.....E tenha cuidado pois o Sr. Tabosa, joga sujo em tudo , vai fuçar tua vida e quem sabe ligar para fazer terrorismo.
O problema é que essa sujeira toda vai parar no Reitor.

Anônimo disse...

bem que merecemos um blog como o seu. Viva a democracia! parabéns pelo seu trabalho e vá em frente!
Agora, sou seu novo acompanhante!

abs, TS