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quarta-feira, 25 de março de 2009

excluída

Sobre a exclusão de postagem







Não foi a primeira vez – e, provavelmente, não será a última – que excluí uma postagem deste blog.

Faço isso quando julgo que o nível de álcool no meu sangue me fez deixar para trás qualquer resquício de sanidade.


É verdade, admito-o: por vez, bebo tanto que este rasgo de lucidez que ainda possuo vai pras cucuias.


E aí, sinceramente, acho que não é bacana deixar postados tais delírios...


É verdade que já escrevi, muitas vezes, bebericando. Mas, em geral, mantenho o equilíbrio e quando digo o “FUUUIIII”, quando encerro a postagem, ainda sei o que estou a escrever; quer dizer, as idéias ainda estão minimamente concatenadas.


Mas, em relação a essa postagem excluída, que vem causando tanta polêmica, isso não aconteceu.


Como era sábado, enchi a cara – pra variar, e como, aliás, deveria fazer todo bom cristão...


Mas, lá pelas tantas, acho que extrapolei.


Daí a decisão de retirar a postagem, que, a meu ver, estava demasiadamente amarga, raivosa; grosseira, até.


É possível que contivesse muitas verdades, como alguns de vocês dizem.


Mas, creio que tais verdades poderiam ser ditas de outra forma...


Não quero me deixar dominar pelo ódio.


Em primeiro lugar, porque isso só resulta em amargura pra gente mesmo; deixa a “aura” repleta de maus fluídos, que acabam por fazer mal a nós mesmos, física e espiritualmente.


Em segundo lugar, não penso que o ódio seja um bom fio condutor: ele embaça a visão e até nos leva a errar na hora de um contra-ataque.


Além disso, não vejo motivo concreto, lúcido, racional para odiar a Joana Pessoa.


É certo que ela agiu de forma covarde e acanalhada; de uma forma covarde e acanalhada poucas vezes vista, aliás...


Mas, se eu fosse odiar todos os covardes e canalhas do mundo, certamente que não me sobraria tempo para mais nada, né mermo?...


Pra mais, não quero que isso se transforme em uma questão meramente pessoal – e isso, talvez, fosse o que a Joana Pessoa gostaria.


Quero que isso seja, tão somente, uma questão que envolve, de um lado, uma jornalista e cidadã que denunciou o que é, sim, uma irregularidade, um assombroso crime contra o erário; e, de outro, uma cidadã que comanda essa “tenebrosa transação”, na certeza de que será beneficiária da impunidade que assola este país.


Por isso, bem vistas as coisas, nem tenho motivo para odiar a Joana Pessoa: ela, apenas, tão somente jogou.


De forma acanalhada e covarde, é verdade, pois que, talvez, sejam as únicas maneiras de jogar que conhece, nessa arrogância patológica que, aliás, a precede...


Mas, bem vistas as coisas, apenas e tão somente jogou.


Penso que esse meu pragmatismo em relação ao jogo e aos jogadores, e aos interesses postos de cada qual, me ajudou nisto: a não ter praticamente inimigos, apesar destas três décadas de jornalismo e de militância política.


Trocando em miúdos, não quero transformar isso numa questão pessoal.
Mais não fosse, porque acabaria se voltando contra mim, na forma de amargura.


Mas, principalmente, porque essa é uma questão importante demais, com nuances importantes demais, para virar uma mera questão pessoal.


Essa batalha envolve o direito de o cidadão questionar o uso de seus impostos; a liberdade de opinião e expressão; a possibilidade de punir aqueles que fazem mau uso do dinheiro público; o questionamento em torno dos esquemas de arrecadação financeira dos partidos de esquerda, por melhores que sejam as suas intenções; o papel dos jornalões, da grande imprensa na sociedade democrática; e até essa “sabedoria” daqueles que acham que a Lei só existe para ser burlada - como demonstra a criação dessas Organizações Sociais cujo objetivo único, em última análise, é burlar a Legislação.


Então, por mais irada que esteja; por mais que me sinta tentada a agir movida tão somente pelo ódio, não posso me esquecer de tais questões, que dizem respeito, afinal, à coletividade.



Não retiro nada do que escrevi em relação ao Hangar; não vou recuar e vou, sim, entregar a cidadã Joana Pessoa, por meio de toda a documentação que já coletei, ao Ministério Público Federal.


Vou, sim, como disse naquele post excluído, até ressuscitar os resultados da CPI da Biopirataria, que não “inocentaram” propriamente a cidadã Joana Pessoa, como ela propala por aí.


E também não vou poupar o Ministério Público Estadual, se, de fato, houver parente de procurador ou de promotor a trabalhar no Hangar...


Vou fazer, apenas e tão somente, aquilo que a Lei obriga qualquer cidadão a fazer, quando toma conhecimento de robustos indícios de crime contra os cofres públicos...


E até – por que não? – quando toma conhecimento de indícios da montagem de uma rede de corrupção, a envolver as autoridades constituídas.


No entanto, preocupa-me o fato de não saber, nem por sombra, aonde isso nos levará...


Tenho plena consciência de que a forma como a Joana Pessoa agiu, como que me autoriza, socialmente, a fazer tudo e mais alguma coisa.


Quer dizer: mesmo se eu resolvesse dar-lhe uns trezentos tapas na cara, todo mundo acharia isso muitíssimo bem feito...


Pois, que na sua arrogância doentia, nessa coisa de achar que pode comprar ou aterrorizar todo mundo, toda a sociedade, todos os cidadãos, Joana Pessoa acabou me colocando numa condição pra lá de confortável.


Mas, esse é um defeito que tenho, talvez, derivado dos muitos anos de luta política: para mim, nada é tão simples; tudo traz conseqüências, por vezes, imprevisíveis...


Nas últimas semanas, tenho travado uma luta titânica comigo mesma.


O problema é que já percebi que não posso perder; não tenho, rigorosamente, como perder...


Mas a Joana Pessoa, na sua irresponsabilidade de mera operadora; de uma cidadã que participa da política, apenas, para “se dar bem” não percebeu, não anteviu, que não tem, simplesmente, como ganhar...


Assim, eu fico tentando pensar por nós duas; fico a tentar realizar uma intervenção cirúrgica que, afinal, não mate o conjunto dos pacientes...


Explodi com a bebedeira de sábado; creio que é humano isso...


Afinal, há semanas ando aflita entre a consciência, a clareza do que tenho de fazer e a angústia da conseqüência dos meus atos...


E isso, doutora Joana, tenha certeza, não é qualquer tentativa de acordo – até porque, simplesmente, não faço acordo.


É, tão somente, uma profunda meditação acerca do papel que, por vezes, me cabe nesta mesa...


Por isso, anônimos, retirei aquela postagem.


E não, Charles Alcântara, o álcool não traz essa lucidez: na verdade, só retirei a postagem na noite de domingo, quando a ressaca monumental que estava a sentir me permitiu, enfim, levantar do fundo da rede e fazer isso...


Por fim, agradeço a todos vocês que acompanham tão atentamente este blog.


É uma honra saber-me lida por vocês.


Ao longo desta semana, ou mais provavelmente na próxima, vocês terão, infelizmente, novidades do Caso Hangar...


Mas, antes, no final de semana, espero postar uma matéria trabalhosa, mas, muito, muito bacana. Pra todos ficarmos a pensar um bocado sobre o que se anda a fazer do nosso suado dinheirinho...


Novamente, muito obrigada pela atenção.

9 comentários:

Juvencio de Arruda disse...

É isso aí, Ana!
Li a postagem e concordo com vc.
Bjs

Anônimo disse...

Ana,

Nem que seja só por um tempo , vc deveria moderar com seus pequenos, embora necessários, prazeres mundanos e centrar o foco nas questões públicas que tem em vista. Ganha vc, ganha a sociedade civil paraense. Vá em frente! Não tenha medo! Coragem!

Anônimo disse...

Não dava para vc parar com o alcool, Vc uma pessoa tão competente e sabida não pode fazer estas besteiras. Torço para a detonação dauela pessoa que ia no tempo do mensalão na agencia do BMG em Bra$ilia.

Anônimo disse...

De poemas para Lili:

Levava eu um jarrinho
P'ra ir buscar vinho
Levava um tostão
P'ra comprar pão:
E levava uma fita
Para ir bonita.
Correu atrás
De mim um rapaz:
Foi o jarro p'ra o chão,
Perdi o tostão,
Rasgou-se-me a fita...
Vejam que desdita!

Se eu não levasse um jarrinho,
Nem fosse buscar vinho,
Nem trouxesse uma fita
Pra ir bonita,
Nem corresse atrás
De mim um rapaz
Para ver o que eu fazia,
Nada disto acontecia.


Fernando Pessoa,

Em matéria de Pessoa prefiro mil vezes o Fernamdo.

Fôda-se , Amem !

Rui disse...

Parabens, ganhou mais um leitor.

Fernando disse...

Ana
Só porque eu te amo muito, vou te dar uma assessoria etílica inteiramente grátis. Vê se tu te orientas e acaba com essa leseira de encher a cara e correr para o computador descarregar a tua raiva. Faz o seguinte: começou a beber, esquece essa velha doida da Joana e esse bando de canalhas que só estão esperando uma escorregada prá cair de pau. Se estiveres em casa bota um som maneiro, dá umas boas risadas, essas coisas que levantam o astral. Quando estiveres com raiva, não vai beber, aí sim, vai pro computador e descarrega nesse pessoal na certeza de que estamos contigo
nessa barca.
Um beijo.

Anônimo disse...

Cara Sra,
Pare de inventar (supostos novos fatos).
Pare de beber. Procure o que fazer dignamente.
Se fosse competente, teria um emprego fixo.
Quanto aos seus offs, são para tentar enganar os leitores.
Inventar é fácil, ser competente é que é difícil.
Pare com sua dor de cotovelo e deixa a governadora Ana, eleita pelo povo, fazer o que tua equipe tucana não conseguiu em doze anos de fachada para os ricos.
Evolua. Você consegue.

Ana Célia Pinheiro disse...

Caro anônimo das 11:18




Tenho, sim, emprego fixo – e, graças a Deus, é na iniciativa privada.


Ao contrário de você, não preciso me pendurar em sinecuras ou em assessorias fantasmas, para sobreviver.


Ao contrário de você, não preciso puxar o saco do governante de plantão, só para conseguir um cargozinho de última...


Ao contrário de você, trabalho para sobreviver, como, aliás, milhões de contribuintes, milhões de cidadãos realmente dignos deste país.


Por isso, ao contrário de você, cobro – e vou cobrar sempre – o que fazem do meu suado dinheirinho de impostos.


Ao contrário de você, não sou uma parasita social; não vivo, como você certamente vive, de afanar os cofres públicos.


Não fosse assim, não fosse você um parasita social, certamente que estaria cobrando do Governo um mínimo de responsabilidade na utilização do dinheiro público.


E, só para seu controle: eu, certamente bem mais do que você, contribuí para a eleição da minha xará, a governadora Ana Júlia Carepa.


Mas, não é por isso que vou deixar de fiscalizar o Governo dela – ou qualquer governo, de qualquer partido que seja.


Até porque, novamente ao contrário de você, não preciso sobreviver dessa forma tão asquerosa, tão abjeta, que é o puro e simples puxa-saquismo.


Tenha uma boa noite, senhor anônimo – que, aliás, é tão pusilânime que não consegue sequer assinar embaixo daquilo que escreve.


Novamente, como você bem vê, muitíssimo diferente de mim...


Abs,



Ana Célia Pinheiro

Anônimo disse...

Lindo comentário Sra A Perereca. Gostei da parte que diz: - "só para seu controle: eu, certamente bem mais do que você, contribuí para a eleição da minha xará, a governadora Ana Júlia Carepa."
A deu$inha pode tudo. Colocar e Tirar.
gostei também deste outro - do anônimo das 1:18 - " Pare de beber. Procure o que fazer dignamente. ... Pare com sua dor de cotovelo e deixa a governadora Ana, eleita pelo povo, fazer o que tua equipe tucana não conseguiu em doze anos de fachada para os ricos.
Evolua. Você consegue."


Em quem acredito, nos dois?
Ass. Lúcio Flávio- seu fã.