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segunda-feira, 16 de março de 2009

DS

Uma questão de classe



Ao responder aos anônimos que colocaram em dúvida a informação que divulguei acerca dos extraordinários gastos de propaganda e publicidade, previstos pelo Governo do Estado, para o período 2009-2011 (mais de R$ 207 milhões, o equivalente à construção e equipamento de quatro hospitais como o Metropolitano) dizia eu que não entendo e nem jamais gostaria de entender como é possível torrar tanto dinheiro em propaganda num estado miserável como o Pará.





De lá pra cá, porém, pus-me a refletir acerca disso. E acabei chegando à conclusão de que tais gastos são absolutamente compatíveis com o atual Governo.





Não, caro leitor; não pretendo “aliviar a barra” da minha xará, a governadora. Não pretendo, de forma alguma, encontrar justificativa para um desperdício tão escabroso de dinheiro público.





Mas, apenas, tentar entender como é que algo assim pode acontecer em uma sociedade democrática. Até para evitar, talvez, que a gente incorra em erros semelhantes no futuro.





Creio que para entendermos esse escândalo da propaganda, que me parece conectado a todos os demais escândalos recentes (o Caso Hangar e os kits escolares) é preciso remeter não apenas às eleições de 2006, mas, principalmente, à própria origem da governadora do Pará.





Ana Júlia Carepa e sua troupe vêm da classe média alta paraense.





São, todos, uns filhinhos de papai que não sabem sequer onde é que fica a Vila da Barca.





Nada de mais, uma simples questão de origem, se, ao longo da vida, não tivessem incorporado alguns dos piores vícios dessa classe que os pariu.





Como o deslumbramento pelos salões da high society.





Como a utilização dos bens e serviços públicos como mera extensão de um quintal particular.





Como a arrogância e a intolerância diante da crítica – aquela coisa nojenta do “você sabe com quem está falando?”.





Como a participação nos movimentos sociais apenas como uma “excentricidade”; uma ação “pitoresca”, para comentar em algum chazinho beneficente ou num círculo de intelectuais entediados...





Sim, porque tirando Ana Júlia e mais um ou dois, quem é, nessa troupe; quem é, na Democracia Socialista (DS) que sabe, ao menos, o que é distribuir UM panfleto?





Quem é, na DS, que conhece, de fato, a miséria, ali, ao vivo e em cores – e não, apenas, de romances ou tratados filosóficos?





Quem é, na DS, que já ralou para organizar uma greve, uma manifestação?





Quem é, na DS, que já pegou porrada; que já foi preso, detido, demitido ou até ameaçado de morte por sua atuação política?





Não, na maioria, a atuação política dessas pessoas, dessa “esquerda do Iguatemi”, se resumiu, se tanto, às teses universitárias – e a maioria delas absolutamente imprestáveis, pois, que atropeladas pelo avanço da sociedade democrática.





Daí que a DS não tenha base popular – e nem mesmo sustentação na “Academia”.





Daí que a DS nunca tenha conseguido ser além de um “quisto” dentro do PT.





No entanto, no Pará, essa corrente, minúscula e autoritária, conseguiu chegar ao poder.





Porque possuía essa liderança carismática, que é a Ana Júlia Carepa.





É claro que o fato de o PT ter no Governo, não uma corrente majoritária, como a Unidade na Luta ou o PT pra Valer, mas, um grupelho sem qualquer representatividade, só poderia dar nisso.





E esses gastos absurdos em propaganda são um caso emblemático.





Como está habituada ao compadrio, aos salões da high society, a DS não conhece outra forma de fazer propaganda que não seja essa, de privilegiar os grandes veículos de comunicação e de derramar dinheiro em publicações caríssimas, para meia dúzia de intelectuais.





E, é claro, não sejamos ingênuos, não conhece outra forma de amealhar recursos eleitorais.





Não quero “passar a mão” no PT – afinal, tem muito “companheiro” mamando nas tetas desse governo; tem muito “companheiro” que não está mais nem aí para a necessidade de buscar alternativas menos problemáticas ao financiamento de campanha.





Mas, o fato é que, muito provavelmente, não teríamos esse derrame de verbas públicas, em uma coisa como a propaganda, se quem estivesse no poder fosse uma corrente com representatividade partidária e social.





Tenho pra mim que o motorista ou a costureira; o agricultor ou a líder comunitária que fosse chamado a participar das discussões da Unidade na Luta, por exemplo, jamais admitiria uma coisa assim.





Porque é evidente o descalabro de uma coisa dessas para a inteligência luminosa, sem rodeios, do nosso povo...





Sem sustentação partidária; sem sustentação no movimento popular; sem sustentação, por idéia que preste, na intelectualidade; sem experiência em gestão pública; sem capacidade de diálogo, sem experiência política e sem humildade para admitir os próprios erros só resta ao Governo da DS isto mesmo: torrar dinheiro público em propaganda.





E propaganda, especialmente, nos grandes veículos de comunicação.





Para tentar tapar o sol com a peneira.





Mas, também, para garantir o champagne e o caviar entre os “barões” da terrinha.





Porque, para além de Marx, bacana é “scotchear” à pérgula....






Porque, afinal, ninguém é de ferro...






FUUUIIIIIII!!!!!!

3 comentários:

Anônimo disse...

Ah perereca sapeca !
Se eu te pego de cuecas !

Fernando disse...

Aí, animal, senti firmeza na indignação. Essa irmã do pedófilo foi a maior deceptude para nossos conterrâneos ababacados. O que pensas que aconteceu com nossa herança cabana? Não ferve mais o sangue de ninguém poraí com tanta leseira rolando solta, além do teu e o do Lúcio Flávio Pinto e o de uma meia dúzia de membros da energúmena grei de ébrios da urbe? Ninguém fala em impeachment, paredon, greve geral, nada? A caverna já está tão mal iluminada que pouca gente ainda se lembra das formas das sombras projetadas em suas paredes e a ilusão se transmutou em desesperança. Estamos ferrados...

Anônimo disse...

Ana Célia,

Não dá para publicar de forma discriminada como essa dinheirama foi gasta, ou seja, quem recebeu mais, quem recebeu menos e em que período? Assim a gente sabia quem é o mais apadrinhado dessa derrama.