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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

tacacá3

Uma pausa para o tacacá 3




Quero agradecer aos vários leitores que têm prestigiado este blog e até deixado comentários, que tenho procurado publicar com o máximo de “senso” democrático, mesmo que, às vezes, pra lá de desagradáveis em relação a mim.




Quero agradecer, também, aqueles que têm me enviado denúncias, por e-mail, sobre fatos complicados, digamos assim, que estão acontecendo no governo do Estado. E-mails que, por vezes, são quase que um pedido de socorro...




Agradeço, ainda, aos amigos jornalistas e a outros profissionais que me procuram ou telefonam, para repassar valiosas informações.




Quando escrevi sobre o Hangar, nunca imaginei tais desdobramentos. E nem pensei, sinceramente, que as coisas estivessem tão mal assim, em tantas e tão diversas áreas do Governo Estadual – que eu, aliás, ajudei a eleger...





Tudo isso pesa sobre meus ombros como uma enorme responsabilidade, dada a esperança que algumas pessoas externam, quanto à possibilidade de esses fatos se tornarem públicos e acabarem resolvidos – e até punidos, exemplarmente...





É mais ou menos como na época em que investigava os tucanos, quando me chegavam às mãos dossiês e mais dossiês, de gente que, por vezes, só queria fazer valer as regras do jogo democrático...





Não tenho fonte de renda que não seja o meu suor, o meu trabalho.





Não tenho, como já cansei de dizer aqui, nem palmo de terra no cemitério.





Sustento uma casa sozinha, com a mesmíssima dificuldade, o mesmíssimo sufoco de cada um de vocês...





Mas, a esperança, a fé, que vejo refletida nesses e-mails, nessas informações, têm me levado a pensar muito, muito mesmo, acerca daquilo que devo fazer.





Há quase 30 anos milito na política, desde os tempos da ditadura militar.





Participei de greves, de passeatas, de entidades, de tudo que é movimento.





E se há uma coisa de que muito me orgulho é de continuar a acreditar nos mesmos sonhos da minha juventude.





Talvez que não de forma tão ingênua como naquela época. Talvez que de forma mais compatível com a “essência” humana.





Mas, ainda assim, os mesmos sonhos de uma sociedade mais justa, mais ética, mais feliz – da Terra Firme a Batista Campos.





A vivência e amor pela política me fizeram bem mais militante do que jornalista.





E creio que os companheiros, tucanos e petistas, até devem é agradecer a Deus por isso.





Fosse o contrário, fosse eu mais jornalista do que militante, não hesitaria, como hesito, diante de determinadas matérias...





No entanto, o meu lado jornalístico (forte que só ele!...) e até mesmo o meu lado militante têm me perguntado o que é que, afinal, ando a fazer...





Compreendo como bem poucos jornalistas, até por conhecer por dentro, os desvãos da política.





Mas, companheiros – meus companheiros!...- é preciso um mínimo de democracia, um mínimo de liberdade, um mínimo de sensibilidade para se que possa perceber quando o que se está a fazer começa a descambar para a pura e simples criminalidade...





Não quero ser “santa”, não sou “santa” – longe disso!...





Da mesma forma que todos vocês já fiz coisas que se, há trinta anos, alguém ao menos insinuasse que eu faria, eu diria: você está é ficando doido!...





Mas a vida tem essa capacidade de nos desiludir quanto a nossa desejável face “angelical”.





Lá pelas tantas, compreendemos que temos de enfiar na lama, na sujeira, as nossas limpas e delicadas mãozinhas, se quisermos, de fato, construir um Brasil melhor.





Já vi tanta coisa... Já vivi tanta coisa, nestes trinta anos de militância, que já não me permito acreditar nem em anjos, nem em demônios...





E isso até me lembra uma situação engraçada.





Em 2006 ou 2007, na época em que investigava as mumunhas de meus companheiros tucanos, virei-me para dois técnicos do novo governo que me mostravam uma pilha de documentos “complexos” e disse: égua, que isso realmente revolta quem tenta ser razoavelmente honesto...





E as duas pessoas puseram uns olhões em cima de mim, como que a perguntar: que diabo é isso de tentar ser “razoavelmente honesto”?...





Na época, não disse, mas, agora digo: é a tentativa de manter o nariz um pouquinho acima de todo esse mar de lama...





É a tentativa desesperada de manter a imprescindível capacidade de se indignar.





É a impossibilidade de esquecer que, apesar de tudo, temos de continuar a lutar por alternativas “menos nebulosas” à conquista e manutenção do poder...





Sempre pensei, cá com meus botões, que lado, afinal, represento neste jogo. Mesmo quando fui convidada, sei lá por que, a jogar na mesa de todos os “bacanas” deste estado...





Mas, cá com os meus botões, eu bem sei: represento o lado da sociedade. Tão somente ele, sem tirar nem pôr.





Com todos os pecados, com todos os erros, com todos os descaminhos que já tive de percorrer!...





Com os silêncios que já tive de amargar, porque me impus tais silêncios...





Com todas as dificuldades, principalmente materiais, que esse tipo de postura nos leva a enfrentar.





Sei que tenho talento – e já disse isso aqui. Mas, também sei que esse talento não me pertence.





Porque não foi concebido ou construído simplesmente por mim; é fruto, antes, da coletividade; dos milênios de Cultura que acumulamos; do sangue e do suor de tantos antepassados.





Por isso, tal talento jamais poderá ser usado apenas em benefício próprio.





Tem de ser devolvido à Sociedade... Tem de servir para ajudar a melhorar as vidas das pessoas; para ajudar a construir uma sociedade melhor.





Talvez que isso, para alguns, seja “loucura”, “doidice”... Talvez que até se encare isso como “excentricidade” ou “romantismo”...






Para mim, não é nada nem maior, nem menor da Potência que existe dentro de cada um de nós, de cada um de vocês...





A Potência para repartir, para tentar fazer o melhor – não apenas em benefício próprio, mas, para o conjunto da sociedade em que vivemos.





Todos nós temos essa capacidade.





Todos temos a responsabilidade e a esperança para fazer “um mundo” por esse mar de gente que nos cerca!...





Mais que isso: todos temos o Dever de fazer o melhor por todos...





Preciso pensar... Preciso, realmente, pensar.





Pois, que a nenhum de nós é permitido silenciar diante do prejuízo de tantos.





Há coisas complicadas acontecendo, que prejudicam milhares de pessoas.





Coisas que arrebatam até a esperança de quem vive, fumado, lá na Terra Firme ou na Vila da Barca.





Para mim, melhor seria esquecer tudo isso – e talvez que até me tornasse magicamente “sã” aos olhos de todos...





No entanto, não consigo esquecer de quem sou e de quem me pariu: a sociedade em que vivo...





Vou pensar... Tenho de pensar...







FUUUUUUIIIIIIIII!!!!!!!!








Do extraordinário CD “Titãs, Acústico MTV”






Comida


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...


A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?...
Você tem fome de que?...


A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...


A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...


A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...


Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade, desejo...
Necessidade, vontade...
Necessidade...

(Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)

10 comentários:

Anônimo disse...

Ana Célia, já se passam mais de 30 anos ....

Não se deixe levar pelos COMPANHEIROS.

Da mesma maneira que você não se deijou levar pelos amigos. Apesar de ter sido injusta com alguns.

Seja mais jornalista, que é realmente o que você sabe fazer. E bem.

E ser jornalista signifíca ser, necessariamente, correta. Justa.

Prevaleça a verdade.

Doa a quem doer.

Ossos do ofício minha cara.

Do contrário, é melhor ser pastora e pregar o santo mandamento.

Abração.

Anônimo disse...

nas suas afirmações parece até que o governo do estado só administra Belém... Depois não sabem pq o sudeste do Pará quer a emancipação

Anônimo disse...

Você, é uma jornalista e tanto.
Já lhe disse isso, uma ou dez vezes, e você continua dividida entre a militancia política, e o jornalismo.
Não dá certo !
Não tem como dá certo, e você sabe muito bem disso.
Jogue o seu lado de militante pro alto, e fique com o que você sabe fazer melhor, que é o jornalismo.
A política, você já viu, já sentiu na pele, já sofreu, lhe dá asco, lje move pra trás, lhe puxa pra baixo.
Já, suas matérias jornalisticas, até aquelas em que você descarrega sua cara metade política, lhe jogam pro alto. Lhe dão vida ! Sede de viver mais, e mais.
Na política, dentro dela, é só um pouco do sangue que corre nas suas veias, e só. O resto, é mágoa, é dor, é decepção com o ser humano, é raiva no coração, é dormir de mal com a vida e com o mundo.
Na política, fora dela, do jornalismo pra dentro, você mostra o que está podre dentro dela, você investiga, você grita e o mundo lhe dá ouvidos.
E o mais importante de tudo. Acredita no seu grito.
VPF

Val-André Mutran disse...

Continue. Você é brilhante e autêntica.
O resto...o resto é o resto.
Um forte abraço pra você.

Anônimo disse...

Oh que texto dramático! parece enredo da Iris Abravanel.

Anônimo disse...

Pereca ,
tu não vai ficar RICA com isto !

Anônimo disse...

Ana Célia!

Nada do chamado "Sistema de Segurança Pública" do Pará funciona. O próprio e no passado tão renomado IML Renato Chaves que faz parte do sistema vai bastante mal. Dirigido por um complicado farmacêutico, chamado Wanzeler, protagonista de vários epísódios que variaram desde a perseguição à técnicos que serviram a governos passados, envolvimento em escândalos de bebedeiras dirigindo carro oficial, até a denúncia não apurada por DONANA de desvios de dinheiro público. Estes desvios vão desde o pagamento de diárias a servidores que nunca viajaram até o pagamento de proprinas, com um caso concreto de um cheque mandado entregar por um fornecedor do Renato Chaves, diretamete ao Diretor, mas que acabou caindo em outras mãos. Na realidade o caos é total e não envovle só a PM, a polícia civil, mas também o Renato Chaves e quem sabe até o próprio secretário que até hoje não mostrou para o que veio. A solução seria uma reengenharia com o resgate de técnicos competentes isolados por separatismo bobo de que pertenceram a outros governos. Creio até que a saída do Secretario atual seria de bom termo. Caso contrário continuaremos vendo amigos, parentes e ilustres desconhecidos continuarem a ser abatidos pela violência que o incompetente Sistema de Segurança é incapaz de coibir.

Que tal enveredar por essa linha investigativa do Renato Chaves? Para vc que é combativa certamente encontrará várias surpresas se conseguir a brir a caixa preta que o governo e o PC do B mantém trancada.

Anônimo disse...

Feliz Ano Novo
Parabéns e continue na luta, sempre tem sido reconhecido seu trabalho e sua luta, quando vc é chamada para trabalhar nos quatro cantos do Estado.
Sucesso e saúde em 2009 e sempre!!!!!!!!!!!!

P.S

Será que esse material sobre o Hangar não dá pra instruir uma ação polular?

É o caso da História se repetindo.
No primeiro Governo Jader Barbalho (83-87) teve o caso Banpará com Ação Popular que até hoje rola no FORUM de Belém.
Ou a da privatização da Celpa, ou a Construção da Estação das Docas...e etc...
Não seria o caso de se exibir mais detalhes no blog para que fosse estudada essa possibilidade?

Anônimo disse...

Ana Célia, você precisa ser uma pessoa mais bem resolvida, que coisa triste, parece até que tem complexo, ou traumas, coisa de doido... faz um blog todo contraditório... Você precisa se tratar...

Anônimo disse...

Ana Célia,

Não a conheço pessoalmente, mas admiro sua coragem e sua disposição em enfrentar o sistema, a despeito das pedras que alguns alienados te lançam, tais como o do último comentário em que a pessoa dá uma de analista. Pretendo, em outra oportunidade ir mais além destas rápidas palavras. Mas, é a existência de pessoas como você que nos dão a certeza de quem nem tudo está perdido. Passei a acessar seu blog, não com muita frequência diante dos afazeres, através do Lúcio Flávio Pinto em seu Jornal Pessoal, o que por sí é uma referência que não precisa de apresentação.