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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

tabuleiro3

Publico mais duas matérias da série sobre as eleições deste ano. A primeira é sobre o PR, a terceira é sobre os resultados dos partidos nos quatro últimos pleitos municipais. Estou toda enrolada, mas, volto ainda hoje, ou, na sexta-feira.







O tabuleiro de 2010 ( III)

Uma surpresa chamada PR




Dos 18 maiores municípios paraenses quatro estarão, a partir do próximo primeiro de janeiro, nas mãos de uma legenda novinha em folha: o Partido da República (PR), que nasceu em dezembro de 2006, com a fusão do Prona e PL.


É uma proeza e tanto: esses quatro municípios (Capanema, Castanhal, Itaituba e Marabá) somam 328.112 eleitores.


Em termos de número de eleitores administrados, o PR só perde, neste grupo de 18 cidades, para o PTB (mais de hum milhão), que administra a capital, e para o PMDB (353.333), que detém Ananindeua, o segundo maior colégio eleitoral do estado.


Mas, em termos de número de prefeituras, nesse “filé” das 18, o PR se transformou no partido com o maior número de municípios, deixando para trás o PMDB e o PSDB, com três prefeituras cada, e o PT, PPS e PTB, cada um com duas.


A que se deve esse desempenho?


“Nós começamos a trabalhar nessa eleição ainda no início do ano passado, quer dizer, muito antes de ela começar. Enquanto o pessoal tirava férias, nos trabalhávamos” – brinca o secretário estadual do PR, Alberto Alcântara – “Não tínhamos dinheiro, mas, contávamos com a capacidade de articulação do Anivaldo Vale, que conseguiu trazer muita gente para o partido”.


Alcântara enfatiza a falta de recursos financeiros do PR, em contraponto ao fato de, mesmo assim, ter terminado essas municipais como o terceiro partido paraense, em número de prefeituras, atrás, apenas, do PMDB e do PT.


A bem da verdade essa ênfase guarda certo exagero.


É certo que o PR se tornou o terceiro maior partido do Pará, em número de prefeituras, e que, em várias cidades, teve contra si a máquina estadual ou a máquina de votos que é o PMDB.


Isso aconteceu, por exemplo, nos quatro municípios que emplacou, entre os 18 maiores do estado.


Mas, não é verdade que estivesse, assim, tão desguarnecido.


Afinal, nacionalmente, detém o robusto Ministério dos Transportes.


E, em vários municípios, contava com a máquina da prefeitura, já que alguns de seus prefeitos disputavam a reeleição.


Mas, também é fato que nada disso seria suficiente para o resultado que alcançou se não tivesse demonstrado a lucidez de lançar candidaturas próprias onde tinha chances reais de vitória ou de, ao menos, consolidar o partido, ao mesmo tempo em que fazia as escolhas certas, na hora de coligar, nos demais municípios.


Daí que tenha sido ajudado pelos tucanos e Democratas na conquista das quatro mais importantes prefeituras que arrebatou.


Mas que, também, tenha apoiado a prefeita Maria do Carmo, do PT, em Santarém, contra o deputado Lira Maia, dos Democratas; e o prefeito Helder Barbalho, do PMDB, em Ananindeua, contra o deputado tucano Manoel Pioneiro.


“Temos alianças com o DEM, PSDB, PT. Procuramos não criar barreiras, porque nascemos para ocupar o nosso espaço”, observa Alcântara.


Nos bastidores políticos consta que o PR tem sido usado, pelo PT, como abrigo para as lideranças políticas que os petistas precisam retirar aos tucanos e Democratas, para difundir a sensação de esvaziamento dos arraiais adversários.


Mas, Alcântara nega essa utilização do PR:


_Não existe essa relação entre o PR e o PT. Tanto que não tivemos ajuda de ninguém. E se você olhar o resultado das eleições vai ver que, em muitas cidades em que poderíamos ter ganhado a prefeitura, quem nos atrapalhou foi o PT.


E acrescenta, mais adiante:


_Antes, na verdade, o PL era uma sigla de aluguel do PSDB: o PL abrigava as pessoas que não podiam ir para o PSDB. Por isso, nunca conseguiu crescer. Mas, as velhas lideranças do PL não têm qualquer ingerência no comando do PR. Não somos uma sigla de aluguel. Nascemos com o propósito de nos tornarmos um partido grande.


Alcântara acentua, porém, que o PR “também não nasceu para ser oposição ao governo estadual”, uma vez que integra a base de sustentação nacional do PT.


E, num típico sapateado de catita, acrescenta que a legenda, no Pará, adota “uma linha aberta” de alianças, até porque ainda aguarda pela oferta de espaços administrativos:


_ Não temos nada no governo estadual. Mas, depois desse resultado, acreditamos que a tendência é que o governo nos sinalize com alguma coisa.


O PR é presidido, no Pará, por Anivaldo Vale.


Anivaldo foi deputado federal por três mandatos consecutivos – os dois últimos pelo PSDB. Mas, em 2006, não se recandidatou, preferindo eleger o filho, Lúcio Vale, deputado federal pelo PMDB.


Consta que Anivaldo teria deixado o PSDB muito magoado: ele foi preterido para a disputa ao Senado, em 2006, já que os tucanos, na última hora, optaram por Mário Couto.


Daí que essa mágoa de Anivaldo – ou até o ódio aos tucanos, como garantem alguns - poderia obstar eventuais composições com o PSDB.


Alcântara garante, porém, que Anivaldo não cultiva tais sentimentos em relação aos tucanos.


“O Anivaldo é um político que não faz política com ódio, nem olha para trás” – afirma o secretário do PR – “Não vejo nele nenhuma mágoa. Mas, a decepção de ter acreditado num projeto”.


Mas, quanto às alianças para 2010, Alcântara prefere fazer segredo:


_Não estamos voltados para 2010. O que queremos é que os nossos prefeitos sejam bem sucedidos. Por isso, a nossa preocupação, agora, é dar-lhes um mínimo de orientação, através da montagem de um modelo de gestão do PR.




A dança das cadeiras municipais




O PMDB voltou a crescer – e, numericamente, nunca teve tanto poder de fogo.


O PSDB encolheu, em proporções nunca vistas, nos últimos 12 anos.


Já o PT – e essa, talvez, seja outra grande surpresa destas eleições – cresceu num ritmo muito menor ao que vinha desenvolvendo até aqui (apesar de possuir as máquinas federal e estadual).


Essas são algumas das conclusões a que se pode chegar quando se comparam as prefeituras conquistadas, neste pleito, pelos dez maiores partidos estaduais, com aquelas que obtiveram nas três eleições anteriores (1996, 2000 e 2004).


Note-se que se trata, apenas, da quantidade de prefeituras, ou seja, dos números gerais, sem levar em conta a importância estratégica delas (peso do eleitorado e influência regional).


É preciso ressaltar, ainda, que os números se referem, apenas, ao primeiro turno.


E que, no caso de partidos como o DEM e o PR, foram registradas as prefeituras obtidas, respectivamente, pelo PFL e PL (o Prona, que também originou o PR, não possuía prefeituras).


Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Mas, é importante levar em conta que, nos dados relativos a 1996, faltam os resultados de quase duas dezenas de prefeituras interioranas: Afuá, Anajás, Anapu, Baião, Cachoeira do Arari, Chaves, Gurupá, Mocajuba, Nova Timboteua, Novo Repartimento, Oeiras do Pará, Pacajá, Peixe-Boi, Ponta de Pedras, Portel, Porto de Moz, Santa Cruz do Arari, São Félix do Xingu, São Sebastião da Boa Vista.


Segundo consta no site do TSE, tais resultados não puderam ser recuperados.


Volto ao assunto neste final de semana.


Veja a tabela comparativa das prefeituras conquistadas pelos dez maiores partidos paraenses, nas quatro últimas eleições municipais.





Partido/1996/2000/2004/2008


PMDB/30/35/23/38


PT/1/6/18/27


PTB/8/14/18/12


PR/2/5/9/15


PSDB/35/46/47/13


DEM/14/4/7/7


PPS/1/1/3/3


PP/Não consta/11/6/6


PDT/11/12/5/9


PSB/5/4/2/5

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