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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ressurreição

A Ressurreição do Barão



_Comadre, se aprepare que eu atenho um babado fortíssimo pra lhe acontá!...
_Ô animal, será que eu posso te fazer uma perguntinha básica?
_Ué, o que é que afoi, comadre? A sua amenstruação já adesceu, é?
_Mas que menstruação, já? Eu não tô na menopausa, animal? Menstruação, agora, é que nem obra do Tirésias: só aparece uma vez por ano!... E mesmo assim, debaixo de cólica!...
_Pois então, comadre, se num aé nem amenstruação, nem amenopausa, apor que é que você atá com esse amau humô de ametê medo, ué?...
_Cumadizinha, sejamos didáticas... Você está vendo aquele relógio ali na parede? Então, que horas são?
_Três da matina, ué? Apor que, comadre, você num atá enxergando direito, é? Vixe Maria!... Atome cuidado, comadre, que adaqui a pouco você avai andá de bengalinha e aperguntá: aonde estô? Aonde estô?...
_Não é nada disso, animal!... Eu estou lhe perguntando as horas, pra ver se você se manca!... Por que, por que sempre às três da manhã, cumadizinha?...
_Ué, comadre, mas “si” num é essa ahora em que você atualiza esse seu ablog véio?... Quando já aparece inté a versão arrevista e mal vista do seu Papudo!... E os seus leitores, que assó avêm aqui no mermo horário, adevem de sê tudo da merma marca... Aliás, se vocês afalarem tudo junto, paaaammm!... Agente acai tudo de coma alcoólica!...
_Cumadizinha, eu desisto; eu não vou mais me debater com você!...
_Eu acho é bom, comadre, eu acho é bom... Aporque assenão eu num lhe aconto o último babado do Brejo!...
_O que é que foi já?
_Amataram o seu Barão de Inhangapi!...


(Som de trovões; jogos de luzes. Entra um coral, vestido de branco, com jeito de bêbado e ataca “Fortuna, Carmina Burana”: Oh fortuna/Velut luna/Semper variabilis...)



_ Apodem pará, apodem pará!... Vocês atão apensando que isso daqui é alguma assuperprodução do seu Balloon, é?...Ô seu DJ! Ô seu DJ!... Acoloque aí o “apescadô, apescadô”!...


(O coral sai, reclamando e xingando a correspondente. Entra um grupo de carimbó. O DJ ataca: “Pescador, pescador por que é/Que no mar não tem jacaré?/Pescador, pescador por que foi/Que no mar não tem peixe-boi?/Eu quero saber a razão/Que no mar não tem tubarão?/Eu quero saber por que é/Que no mar não tem jacaré?/Ah! como é bom pescar/Na beira mar/Em noite de luar/Ah! como é bom pescar/Na beira mar/Em noite de luar”. Todos dançam, inclusive a correspondente.)


_Parou! Parou!...Ô cumadizinha, será que você pode acabar com essa doidice?
_Ô pessoal! Ô pessoal! Acabô, acabô, que a comadre atá acuspindo bala
_(Um dos dançarinos, com jeito e voz de bêbado): ô dona, quais serem os pobrema das Perereca?
_Os pobrema, zifio, como adiria o lorde Tirésias, é que a comadre atá sem amenstruação, bêbada que nem o seu Papudo e, ainda por cima, sem amacho, égua!...
_Ah, serem isso? Mas a gente podemos resolverem os pobrema dela!...
_Avocê? Assim atão franzino? E com esse aportuguês, zifio? Zifio, zifio... Ana hora em que você abri a boca pra comadre... Aperele lá que eu avô lhe amostrá... Afeche os zoio... Isso, zifio... E agora, zifio, aimagine que vocês atão num motel bacanão... Acama arredonda, espelhos em tudo que é lado... Amúsica de afundo: Je t’aime, je t’aime, ô, uí, je t’aime! Uí, uí, uí!... Apiscinão adiante!... E aí a comadre já atá adoidona: Vai! Vai! Vai! Vai!... Num apara!...Num apara!...Num apara!... Aquase agozaaaannndo, égua!... E aí você se avira pra ela e adiz: “os pobrema é que a gente somos”... Apronto, zifio, a comadre avai se atremê todinha, que nem o Barão... E avai ababá e ababá e ababá e aí, cataplof!...
_Cataplof?...
_É, zifio, avai aentrá em acoma agramatical!... O Tico e o Teco avão aquerê aconjuminá e aconjuminá e anada de aconjuminá... E aí, apronto, zifio: assó um Spa com o Freud e o Pasquale pra arresolvê a situação... Mas avão-se, avão-se, achispem daqui!...



(Os dançarinos de carimbó saem, reclamando e xingando a correspondente)



_Ô cumadizinha, é verdade que mataram o Barão?
_Mas aooonnnde!
_Ué, mas você não disse que ele morreu?
_Mas aooonnnnde, comadre! Aquilo dali haverá de avirá pedra!
_Égua, então eu não estou entendendo mais nada!...
_Ô comadre, o negócio é o seguinte: assabe o seu Barão de Drumond?
_É claro que sei: aquele sujeito, dono do zoológico do Rio de Janeiro, que inventou o jogo do bicho...
_Pois então, comadre, aquem adiria!...Pois num é que o seu Barão de Drumond aveio se acabá em Inhangapi?
_Como é que é?
_Pois intoncis, caboca, o ômi arreencarnô em Inhangapi... E com arco-íris e tudo!...
_Não brinque, cumadizinha!...
_E num é que afoi? Diz que ateve fogo de artifício, salva de bala e inté uns três reis magros - macérrimos, comadre! Por isso é que num adeu de apresentearem o seu Barão de Drumond com incenso, mirra e ouro...
_E deram o que, então?
_Um carrão amontado no Paraguai, uma tonelada de tapioca e um afrasco de “prástico” de asseiva de alfazema.
_Ué, pra que já a seiva de alfazema?
_Pra quando ele afizé agreve de baaaanho, égua!
_Ô cumadizinha, eu só não estou é entendendo o que é que isso tem a ver com a morte do Barão!...
(As luzes piscam. Piano de fundo: tcham tcham tcham tchaaammm! Tcham tcham tcham tchaaammm!).
_ Ô comadre, aponha o Tico e o Teco pra atrabalhá!...Aconjumine, comadre, aconjumine... Olhe o céu, o mar, o sol, as estrelas... Aveja essa agrande aconjuminância holística que é o infinito!...Pois, como adiria o seu Napoleão: “Ora direis ouvi estrelas!”
_Égua, que essa sujeita tá cada vez mais doida!...
_Aqué que afoi, comadre?
_Nada, nada... Prossiga, cumadizinha!...
_Abom!... De assorte que adizem por aí que aquando o seu Barão de Inhangapi assoube que o seu Barão de Drumond havia arreencarnado no Brejo, e que já afoi até ungido por El Rey, ele ateve pra modo dum piripaque!...
_Um piripaque?...
_É, comadre, o ômi acomeçô a se atremê todinho!... Assabe adecolagem de foguete? Pois é, afoi aescritinho: 5...4...3...2...1!... VRRUUUUMMM!...VRRUUUUMMM!... E cataplof!...
_Cataplof?...
_Pois é, comadre, o seu Barão acaiu no chão, amortinho da silva...
_Ué, e por que é que você disse que ele não morreu?
_Aporque o ômi arressuscitô, comadre!...
_Como é que é?
_Pois intoncis, caboca!...Adiz que o ômi já atava atodo durinho, ó, esticadinho no caixão... (imita um defunto). E aí achegô o seu Jujuba e adisse: “É pena, mon ami, que pra onde vais não há viola, uí?”. E aí achegô o Duzinho e adisse: “É pena, titio, que pra onde vais não tem vara de pescar”. E aí achegô o seu Tirésias e adisse: “Erem umas pena, caboco, que pra onde a gente vamos a gente não pudemos mais fazerem umas sacanagem”...
_E o Barão ressuscitou!...
_Mas aooooonnnnnde, comadre!
_Ué, mas nem assim?
_Mas aoooonnnde, comadre!
_Égua, mas o que foi que aconteceu?
_Atava tudo num achororô só... Avalie, comadre, o seu Barão ali, esticado, ó, e o Brejo inteiro sem pai nem mãe... Adiz que já havia inté afila de viúva, comadre, afila de viúva!... E afoi, então, que aconteceu o milagre!...
_Que milagre já?
_O seu Sudão, comadre, adentrou no recinto, acaminhô na direção do caixão e adisse: “Lázaro!... Levanta-te e anda!”. E num é que o ômi se alevantô, comadre?...
_Égua, e o que foi que aconteceu depois?
_Adepois?... Abom, o seu Sudão e o seu Barão aforam atomá uma cana e abatê uma viola, lá pras bandas do Condado de Ananindeua. Adiz que apareciam inté duas almas gêmeas, comadre!... A bem dizê, o Chitãozinho e o Xororó!... Um atacava a música e o outro acometia o refrão...
_E o Barão de Drumond?
_Abom, comadre, adiz que, adepois de tudo isso, ele pra modo que se arresolveu de amudá de vida...
_Como assim, cumadizinha?
_Ele acomprô a fábrica da asseiva de alfazema e amontô uma asseita, pra lá de abacana.
_Ué, e como é que se chama essa seita?
_The Alorde of athe Arrings nas Águas do Asseu Amacunaíma de Apatu-Anu...
_Égua, que diabo que é isso já?
_Pois num é, comadre? É que o seu Barão de Drumond apercebeu que ele o seu Barão de Inhangapi assão que nem o Frodo e o Smeagol: aquando um alarga, o outro atem de apegá o zanel!... Adaí que ele o asseu Barão de Inhangapi já atão inté apescando junto, comadre!... Arresumindo e aconcluindo, a ‘rente é tudo afarinha do mermo saco, avisse, caboca?...
_A ‘rente?...
_Pois, intoncis, caboca!... A ‘rente é tudo acaruaaaannnnaaaa, égua!...



(Jogo de luzes. Entra uma bateria de escola de samba e ataca o samba-enredo da Beija-Flor, naquele inesquecível 1998...)




O Mundo Místico Dos Caruanas Nas Águas do Patu-anu



(Obrigado, bateria!... Valeu, grande mestre!... Alô, Nilópolis! Alô, Baixada Fluminense!... Vamos lá, minha comunidade!...Unida, com muita força, em busca desse título tão sonhado!... É isso aí, mundo do samba!... A família Beija-Flor te ama!... Obrigado, Belém do Pará!...Vamos lá, meu povo!...Olha a Beija-Flor, aí, gente!... UMBOOOORAAAA CARUAAANNNAAASSS!...)



Beija-flor
E o mundo místico dos Caruanas
Nas águas do Patu-Anu
Mostra a força do teu samba



Contam que no início do mundo
Somente água existia aqui
Assim surgiu o girador, ser criador
Das sete cidades governadas por Auí
Em sua curiosidade, aliada à coragem
Com seu povo ao fundo foi tragado
O que lá existia aflorou, o criador semeou
Surgindo os seres viventes em geral
E de Auí se deu a flora, fauna e mineral



Sou Caruana eu sou
Patu-Anu nasceu do girador, obá
Eu trago a paz, sabedoria e proteção
Curar o mundo é minha missão



Pajé, a pajelança está formada
Eu vou na barca encantada
Anhanga representa o mal
Evoque a energia de Auí
Pra vida sempre existir
Oferenda ao mar pra isentar a dor
Com a proteção dos caruanas Beija-flor
A pajelança hoje é cabocla
Na Ilha de Marajó, vou dançar o carimbó
Lundu e siriá, marujada e vaquejada
Minha escola vem mostrar
O folclore que encanta
O estado do Pará

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi, Ana! Saudações caruanas!

Rolei de rir com essa história... e aqui no trabalho. Bem que eu poderia dar uma apimentadinha, mas deixa pra lá... hehehehehe.
Em tempo: em 1998, eu trabalhava na assessoria de imprensa do Palácio e fui cobrir os caruanas no RJ. Pergunta para a Sula: enquanto o "povo" estava tristinho porque achava que a Beija-Flor não ganharia, eu afirmava que a escola arrebataria o prêmio. Naquele ano, desfilei com ela, percorrendo aquela avenida sei lá quantas vezes, de um lado para outro.
Jamais vou esquecer um dos meus momentos de pasmaceira, na concentração: por eu estar meio alesada, não me afastei no momento da saída da bateria. Pequena, quando aqueles instrumentos começaram a passaram por mim (eu, no meião), os meus tímpanos quase que... cataplof.... hahahahahaha.
Em resumo, eu só posso te garantir que foi tudo muito diferente e especial.
Continue a escrever sobre os barões.

Beijocas
Hanny