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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pai d'égua

Eu sou Belém, eu sou pai d’égua!!!



Pai d’egua é ter saúde e educação. Pai d’égua é ter emprego, casa boa, comida, dinheiro no bolso, pra gente gastar.


Pai d’égua é ter criança na escola - e não por aí, cheirando cola...


Pai d’égua é a gente cuidar da nossa cidade, como cuida dum filho da gente.


A gente pega o filhinho no colo, trata, alimenta, cheira, beija... A gente envolve nos braços, com todo o amor do mundo!


Pensando bem, a gente “mermo” é que é muito pai d’égua!...


Quando se compromete com o destino da nossa gente. Com o futuro da nossa cidade.


Nós - nós todos! - somos é muito pai d’éguas!... Nós, os belenenses...


Nós, que saímos do ventre desta Belém danada de pai d’égua!...


A Belém dessas mangueiras majestosas, que nos viram nascer e crescer.


Chorar o primeiro choro, sorrir o primeiro sorriso, para a mãezinha que nos acalentou...


Falar, andar, brincar de peteca.


Empinar uma curica, sujar os dedinhos de tinta.


Segurar aquela coisa esquisita chamada de lápis.


E apagar com aquele objeto mágico que é a borracha...


A Belém da chuva certa, que sempre cai na merma horinha.


E a gente tudo de sombrinha!!!...


Pois, que a sombrinha é nossa, como a caba, a bacaba, e tantas outras palavras que herdamos ou cunhamos, sabe-se lá de onde.


A Belém desse cheiro inebriante de tucupi!...


A Belém da pupunha quentinha, com manteiga e café...


Bairrista? Bairrista é o pai e o tio e o avô!...


Eu sou é belenense, belenense da gema, belenense com um orgulho danado de ser belenense!


Belenense daquelas que querem tudo no mundo, menos deixar de ser belenense!


Já vi muita cor, já senti muito cheiro. Já vi até palácios, daqueles em que dormiram os reis, assabe, sumanu?


Mas, confesso, nunca vi, em nenhum lugar do mundo, as cores, os sabores e os perfumes que a gente tem aqui.


Mas, para mim, ainda mais pai d’égua é o nosso povo.


Essa mistura encantada do negro, do branco e do índio.


Essa mestiçagem que corre nas minhas veias e nas veias de cada um de vocês.


E que nos torna uma invenção especialíssima das mãos do Criador...


Esse nosso povo, danado de honesto e trabalhador. Que acorda cedinho o Ver-o-Peso, os barcos, as velas, as águas que se perdem de vista do rio Guamá...


Esse povo tão sofrido e lutador. Que não se cansa de semear, com o braço forte, a esperança de uma vida melhor!...


Um povo que também já nasceu, assim, meio que sentido com o mundo...
Afinal, por que é que Deus só deu pra gente a enormidade desta Belém?!!!...


Avaliem o que é que é um sujeito que não sabe o que é o cheiro da graviola madura, que a gente tem de “adisputá” à tapa com as formigas?!!!...


E os passarinhos que deixam a gente tudo doidinho, manhãzinha, com um canto e uma cor que não é nem de filme, nem de foto, nem de música alguma deste mundo...


Mas, uma experiência, uma vivência que fica ali, guardinha, bem no fundo do fundo do coração!...


Pai d’égua é tudo isso, esse universo que Deus nos deu, a nós, os belenenses.


Como se tivesse passado horas a recortar um infinito à altura da alma do nosso povo...


E é por isso que eu nunca vou cansar de repetir: eu sou Belém! Eu sou é muito pai d’égua!!!...


Porque trago nos olhos este céu estrelado da minha Belém!

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