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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Jeso

Aviso aos navegantes



Este blog, como todos os blogs – e essa é a definição de blog – não é nada além de um diário, um espaço de reminiscências e opiniões pessoais.


Mas, nestes tempos bicudos de censura aos blogs - como se a Constituição, em cláusulas pétreas, admitisse tal tipo de censura, ao invés de resguardar a liberdade de expressão - creio que se faz necessário esse tipo de esclarecimento.


Data vênia, creio que os caríssimos magistrados que cometem tais sentenças, cometem um crime contra a Constituição que juraram defender.


Blog não é jornal, não é rádio, não é televisão. Não é veículo de comunicação de massa. É, por definição, um cafofo, um espaço personalíssimo. Algo muito distante do “Domingão do Faustão”...


Em blog, vem quem quer. E diz o que quer – embora a gente, por uma questão de ética, evite publicar comentários ofensivos a outrem, sem que as pessoas se identifiquem.


Até porque quem quiser ofender alguém tem, sim, de ter a coragem, primeiramente, de se identificar.


E de permitir, então, que o ofendido possa se defender, como deve de ser – e aqui já nem se trata de democracia, mas, da boa e velha educação... E, por que não dizer?, até de caráter...


Mas, o que eu acho mais esquisito em tais sentenças é que nem no TSE e no Supremo o tratamento a ser dispensado aos blogs, pela Justiça Eleitoral, é ponto pacífico.


Talvez, até, por uma questão territorial.


Ora, se o meu blog estivesse hospedado no exterior, como eu poderia ser submetido às leis de outro país? (E isso é, sim, uma sugestão, querido e amordaçado Jeso...)


O que é que eu faria em relação a isso? Iria, digamos assim, adotar a “solução” chinesa?


Mais importante, porém, é que, como se trata de um espaço pessoal, de expressão e opiniões pessoais, como posso censurá-lo sem ofender a liberdade constitucional de expressão?


Quer dizer: se amanhã eu resolver sair pela minha rua ou pelo meu bairro, divulgando os “causos” de um candidato e dizendo que votem em outro, vão me amordaçar, e multar e prender e arrebentar? E olhem que a minha casa é como o meu blog: todo mundo sabe onde é que fica, né mermo?


Mas, que diabo de democracia é essa, em que inexiste o básico, a liberdade de opinião e de expressão?


Aliás, isso parece mesmo coisa de ditadura: para que me serve pensar, se não posso dizer? É como naquela música do Chico Buarqe: eu vivo atormentado pela possibilidade de surgimento do monstro da lagoa...


Mas, vamos um pouco mais fundo nessa discussão.


Digamos que eu seja dirigente de uma associação de bairro.


Se, por acaso, eu resolver distribuir uma circular recomendando aos meus associados e à comunidade abrangida pela minha associação, que não votem num ladrão, que não fez nada pela gente, mas, que votem em alguém comprometido com a melhoria da nossa condição de vida, eu terei cometido um crime eleitoral?


Mas, novamente, além da liberdade de opinião e de expressão, temos aqui outro problema igualmente importante: para que servem as associações, as entidades da sociedade civil?


Se elas não servem nem para, num momento tão importante quanto o das eleições, dizerem, à comunidade que representam: “aquilo é um bandido, ratazana de dinheiro público, de dinheiro de imposto, de hospital, de posto de saúde, de escola, de rua, de estrada”, então, para que servem, afinal?


Quer dizer, a sociedade civil virou mera fantasmagoria, um mero ente figurativo, é? E quem foi que “escrevinhou”, afinal, essa tal de Constituição?


E se eu, cidadã, quites com os meus impostos e as minhas obrigações eleitorais, perfeitamente identidade, “qualificada”, como se diz, resolver escrever e mandar imprimir um jornal, um panfleto, pedindo votos para um candidato e detonando outro, estarei cometendo crime eleitoral?


Mas, então, onde fica a minha liberdade de ser, pensar e expressar?
A minha cidadania, constitucionalmente garantida, haverá de ser tragada, consumida por uma legislação menor?


Quer dizer, então, que a minha participação se reduz ao ato de votar?

Quer dizer que me basta saber apertar duas teclas coloridas para ser cidadão, é?


Que é ser cidadão, senhores magistrados? Que é Cidadania? Que é essa res, chamada Democracia?


Resumindo e concluindo, viramos um país de mudos. Ou, melhor dizendo, de amordaçados. E sem nem mesmo aquela linguagem bacana das mãos, que essa, também, pode virar, de repente, crime eleitoral...


Por que, simplesmente, não se deixa à Justiça Comum a decisão acerca disso?


Quer dizer, se, num blog, num panfleto, circular ou jornal de associação, eu, cidadã, chamo alguém de ladrão, de bandido, de ratazana, de chefe de quadrilha, por que me negar a oportunidade de provar aquilo que estou dizendo? E a oportunidade, é claro, do ofendido de me fazer engolir tais afirmações?


Vejam bem: não estamos a falar dos veículos de comunicação de massa, que sobrevivem da propaganda, às vezes até camuflada de “matérias pagas” – e que nem têm a dignidade de informar que são pagas.


Mas, de espaços pessoais – blogs, panfletos, circulares, jornais de bairro – que são espaços conquistados pela sociedade democrática, a partir da acessibilidade das tecnologias de comunicação.


E que nos levam até a pensar, filosoficamente, naquela bela expressão socrática: não sou grego, nem ateniense, mas, cidadão do mundo!


A se persistir no caminho de alguns magistrados, que, por tais sentenças, sequer fazem jus ao cargo que ocupam, daqui a pouco se estarão censurando até cartas e telegramas.


Aliás, por que não começar censurando a propaganda da Justiça Eleitoral?


Afinal, ela conclama à participação.


Quer dizer, é essencialmente subversiva.


Então, aos costumes!...



FUUUUIIIIII!!!!!!



(Pra terminar, uma musiquinha bacana por Jeso)


Acorda Amor


Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão



Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão



Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
Ponha a roupa de domingo
E pode me esquecer



Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão


(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)



(Do Leonel Paiva e do grande “Julinho da Adelaide”)

Um comentário:

Anônimo disse...

'Pera,'pera, 'peraí!!!
Mas será imposível? Eu fui aculá unstantinho e qdo vorto... égua! Dona Perereca: nhora tá tentando me falá que a justiça que se sabe muito ocupada de tanto que demora aresorveu colocar a ponta daquelaspada quiquilibra as balança no seu gogó?!? mas porcadeque? como se num soubesse, ora! nhora conseguiu ser unanimidade regional em incomodamento e apurrinhação de quem vive rindo prás câmeras, mãos sempre atrás, sujas dos dejetos das fossas onde se confundem o público e o privado...
Mas tá se queixando de quê? A Justiça é cega, esqueceu?

Edson Pantoja.