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terça-feira, 15 de julho de 2008

capitu

Capitu



Capitu não é enigmática: é uma heroína, um herói nacional.



Não é que seja dissimulada: é, simplesmente, a nossa tradução, aquela que não queremos permitir, nem nos permitir, traduzir.


Não é que Machado tenha criado um mistério, uma esfinge.


Machado, simplesmente, com a sua extraordinária ironia, recriou, como também faria, bem depois, Mário de Andrade, a maneira de ser de todos nós.


A sociedade brasileira é capituniana – capitulina? Macunaímica, digamos, assim...


Não, não na capacidade de devorar culturas e arrotá-las num único significado, que a isso demasiado simplificou o grande Mário de Andrade.


Mas, na capacidade de esconder, de dissimular, com “olhos de ressaca”, os próprios males...


De lançar-se sempre à cata de algum bode expiatório, para eximir-se de olhar-se. Como fazem Bentinho e Capitu, quando miram o retrato de Escobar...


Capitu jamais iria numa reta a algum lugar, diz Bentinho, num insight.


Arrumaria bote à frente de bote, ponte à frente de ponte, tudo perfeitamente conectado, para chegar a...


Que extraordinário Machado de Assis!


Não é que um homem apaixonado e demasiado ciumento ou a mulher amada, que talvez nem queira ser amada assim, possessoriamente, sejam, afinal, os protagonistas desse grande romance.


Não é que o “causo” tenha de ser visto com desconfiança, devido ao interesse de convencer – e de convencer-se – do narrador.


Nem é que sejamos, todos, assim, aritméticos ou desaritméticos, diante do amor, que invade o peito.


Pense isso quem quiser, quem quiser projetar-se naquele triângulo inconfessável, pois, que inconfessáveis são todos os triângulos...


Capitu é um ensinamento. É a escola, lá longe, distante e interminável, que faz crescer, de fato, Bentinho.


Capitu é a leveza do brasileiro, que vocifera, enquanto urde, trama; enquanto se recompõe.


Enquanto esconde, entre as palavras, o silêncio que revela.


Capitu não trai, nem deixa de trair; é, simplesmente, Capitu.


Quer um filho? Toma-o!... Haverá de ter, por quaisquer que sejam os meios...


Capitus somos todos nós, todo santo dia.


E Casmurro é a impossibilidade de compreensão de Capitu...



E eu vou dormir porque já enchi demais o saco de vocês, assim como vocês já encheram demais o meu saco, também.


E eu juro que não fumei!...


Mas, deixo uma risada básica pros doutores em Letras da UFPa e da APL...ah, ah, ah, ah...




FUUUIIIIIII!!!!

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