Ban

sábado, 1 de março de 2008

O retorno

A volta da Perereca



Agora que consegui resolver a questão do meu sustento, poderei voltar a atualizar este blog.



Como não tenho onde cair morta, minha prioridade tinha de ser a obtenção de trabalho, depois que deixei o Diário.



E, é claro, descansar um pouco, porque este ano, que é eleitoral, será de pau picado.



Quem trabalha com jornalismo e marketing político sabe que este é um ano em que dá para ajuntar algum dinheiro.



É cruel... E já até separei meu estoque de antiácido...



Porque, a cada centavo ajuntado, corresponde um desgaste físico tremendo.



Já coordenei campanha em um município médio. Perdi. Mas, foi como que uma “derrota vitoriosa”...



Porque perdi para a máquina e para uma das melhores cabeças do marketing político daqui.



E, apesar de perder, continuei a merecer o respeito tanto de quem perdeu, quanto de quem ganhou...



Mais um pouco e teria dado para ganhar, apesar de todos os prognósticos em contrário – que eram vastos e quase, quase que contraditados...



Mesmo assim, não pretendo voltar a coordenar campanhas eleitorais.



Essa, neste ano, seria a minha última opção – daquelas que a gente só abraça se não tiver pra onde correr.



Não tenho esse perfil. Talvez, se fosse candidata a alguma coisa, tivesse. Mas, sinceramente, que nem sei...



Quando a gente coordena campanha se torna alvo de todas as atenções.



A gente como que deixa os bastidores e fica sob os holofotes.



E isso é cruel, porque não dá nem pra comer um sanduíche em paz.



Porque sempre vai aparecer alguém querendo falar com você, a contar a vida ou a pedir opinião.



E eu, como disse várias vezes a um amigo, estou demasiado velha, neurótica e gorda para suportar isso.



Sei que tenho uma capacidade bacana de levantar situações, de investigar, e mais que isso, de analisar uma determinada conjuntura.



Para mim é fácil, numa vivência mínima de uma realidade, pensar o que está posto e o que se pode fazer para alterar isso.



Talvez, que seja um dom.



Mas, seja ou não, o fato é que consigo ir com o dedo na ferida... Quer dizer: ver o quadro e identificar os “ganchos” politicamente aproveitáveis.



Só não gosto é da exposição pessoal. Aquela coisa de me reconhecerem num lugar como espécie de bam-bam-bam disso ou daquilo.



Ou, melhor dizendo, como pessoa com poderes decisórios ou de influenciar o que quer que seja.



Porque isso tem um preço demasiado grande, em termos pessoais.



Gosto de solidão. Não de hoje, mas, desde a mocidade.



Gosto de ter o poder – e esse é o poder que de fato quero – de escolher com quem vou sentar e conversar e dividir certezas ou preocupações.



Não tenho problemas em atender pessoas, em resolver questões individuais ou coletivas.



Já fiz isso. E essa, para mim, aliás, foi uma das experiências mais gratificantes que tive na vida.



Quando trabalhei com o Ademir Andrade, quando ele era senador, uma das coisas que fazia era atender posseiros, pequenos agricultores e pessoas pobres que precisam resolver problemas junto ao Estado.



E eu tinha uma paciência e uma dedicação tão grandes em relação a isso que, quando saí do gabinete do Ademir, várias dessas pessoas ligavam pra casa, pedindo que as ajudasse.



Eram lideranças, de uma das regiões eleitoralmente mais densas do estado, que é o Nordeste paraense.



Mas, para mim, criou-se um problema ético. Daí, que as ajudei. Mas, também, as encaminhei de volta ao gabinete do senador...



Essa coisa, para mim, era gratificante porque eu me sentia socialmente útil.



Era pegar todo o conhecimento que ajuntei – e que não me pertence, porque me foi socialmente dado – e usar em favor de pessoas, de cidadãos, a quem foi negada a possibilidade de acesso a esses mesmos conhecimentos.



Era como que reafirmar um compromisso coletivo.



Era como que pagar um pouquinho desse débito que a gente tem em relação a uma sociedade que nos deu tanto...



Servi e serviria, sempre, a essas pessoas.



E me sentia orgulhosa – pra lá de orgulhosa – pelas simples tangerinas que algumas delas insistiam, por vezes, em me oferecer.



E que eu aceitava para não ofender – e, é claro, também, pelo cheiro maravilhoso das tangerinas!...



Mas que me faziam feliz por me fazerem compreender o quanto eu tinha podido ajudá-las.



Para mim (podem rir!) isso provoca um orgulho muitíssimo maior que qualquer renome, mansão ou carro do ano.



O fato de ajudar realmente alguém que precisa, para mim, dá uma satisfação infinitamente maior que bilhões e bilhões de reais ou de dólares. Ou que qualquer status, poder, ou o quer que valha.



Até a minha filha já me disse que não sou mãe dela; que fomos trocadas na maternidade...



Mas, acho bem bacana o respeito que ela por mim; a imagem que tem de mim. E que, até a mim, parece algo romântica, idílica.



É claro que tenho um preço – todo mundo tem.



O problema é que nunca consegui estipulá-lo...



Acho que desenvolvi uma visão demasiado crítica em relação à sociedade.



Não vejo televisão – só por dever de ofício, quando não dá pra fugir.



Não consulto a lista dos livros mais vendidos – leio o que me atrai e que considero importante, mesmo que seja um livro perdido no fundo de algum baú medieval.



Ouço rádio o dia inteiro, mas só compro o que acho importante comprar – e tenho uma coleção musical da qual me orgulho...



Me visto do jeito que quero, uso o cabelo que quero, o perfume que o nariz quer cheirar, em algum momento.



Gosto de mim. E gosto de ajudar quem precisa.



Mas, não gosto de ser o centro das atenções, como acontece na coordenação de uma campanha política.



Esse, para mim, é o tipo de poder que não me faz falta alguma...




Ah, sim: a Perereca retorna atualizada na próxima terça ou quarta-feira, excepcionalmente.



A partir daí, volta às atualizações dominicais.



E agradeço a Deus e a quem, apesar de tudo, está a me permitir o retorno a este espaço de que gosto, porque dá pra fazer umas coisas bem bacanas.



Obrigada, mano! Obrigada!

Este Rio é Minha Rua



Este rio é minha rua
Minha e tua mururé
Piso no peito da lua
Deito no chão da maré



Pois é, pois é
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em poraquê



Rio abaixo, rio acima
Minha sina cana é
Só de pensar na “mardita”
Me “alembrei” de Abaeté



Pois é, pois é...
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em poraquê



Me “arresponde” boto preto
Quem te deu esse pixé
Foi limo de maresia
Ou inhaca de mulher?



Pois é, pois é...
Eu não sou de igarapé
Quem montou na cobra grande
Não se escancha em poraquê



( Paulo André e Ruy Barata)

Um comentário:

Magnata disse...

Mesmo não lhe conhecendo, lendo seu texto deu pra formar em minha cabeça a pessoa que você é. Parabêns. Quem dera o mundo ter mais umas 100mihlões de Ana's iguais a você. Um Abraço do seu mais novo fã. Henrique Spies
Magnata, Barcarena -PA