Ban

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Afonso




Nem li, nem corrigi direito. Vai, pelo Afonso...





Para Afonso







Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Exclusão":

ak diz:
Ana Célia, um pedido pessoal que, se você não puder atender, eu vou entender.
Conte seu período de dor física - sete meses na cadeira de rodas - e o antes e depois disso.
Não precisa citar nomes - cite, se quiser, claro - mas conte seu sofrimento.
Vai fazer bem a muita gente.
Afonso Klautau



I



Considero Afonso um jornalista brilhante. E mais que isto: uma figura rara; um sujeito simples, humano. Um “pizidim” – um “menino bom”...


Apesar de termos trabalhado anos a fio do mesmo lado – entre os tucanos – poucas vezes nos vimos ou falamos.


Mas, até hoje me lembro de uma rara ocasião em que sentamos, a conversar.


Era uma dessas confraternizações dos jornalistas que trabalhávamos na Assessoria de Comunicação do Governo.


Afonso era um dos donos da produtora dos programas oficiais e tinha sido convidado.


Foi bacana papear com ele. E interessantíssimo o papo que rolou.


Entre outras coisas falamos de depressão, dessa “problemática” da serotonina e da dopamina, que coloca a gente a lutar contra o nosso pior inimigo: a gente mermo...


Conheço, desde a infância, esse mar que quer naufragar Afonso – pois, que é o mesmíssimo mar que me quer naufragar também...


Lembro de uma crise braba, que tive há uns dez anos, uma das piores, por sinal.


Na época, eu morava no oitavo andar de um prédio no centro de Belém.
Passava os dias no fundo de uma rede; não conseguia ânimo nem para comer, nem para tomar banho.



E, quando me levantava, encostava na janela e olhava para baixo. E ficava pensando que bastariam uns segundos para acabar com toda aquela dor...



Felizmente, tenho dentro de mim uma força, que não sei exatamente de onde vem. Talvez, que seja de Deus...



E o fato é que sobrevivi e passei, na época, a tomar medicamentos antidepressivos.


E até hoje me lembro da primeira vez em que senti o efeito de um remédio assim, após duas semanas, ou um pouco mais, de uso regular.

Olhei através da mesmíssima janela. E o mundo, dantes sempre cinzento, adquiriu cor.


Cores vivas, brilhantes – as cores do mundo!... E eu comecei a rir e a rir, ao constatar que o mundo não é, simplesmente, cinzento...



Sei que jamais vou me curar – pois, que depressão é doença crônica. A gente faz o que pode, que nem os alcoólicos e narcodependentes, para ir vivendo um dia de cada vez; um passo, depois do outro...



Às vezes, estamos bem, com um pique enorme; rindo à toa, de forma que ninguém, em sã consciência, diria que padecemos de algo assim. Às vezes, porém, o nosso peito é uma tempestade só...



E a gente procura alívio no álcool, nas drogas, no sexo e em tudo que a gente acredita que pode provocar alguma descarga miraculosa no cérebro, para fazê-lo funcionar como deve de ser.



E a gente aprende como que a vencer a gente mermo... A lutar, com uma força gigantesca, contra um gigante que existe em nós, que quer nos empurrar para o vazio...


Por que estou a escrever tudo isso? Porque Afonso me pediu para contar da minha experiência na cadeira de rodas; dos sete meses que passei naquela condição.



E eu tenho pra mim que foi essa luta de uma vida inteira contra a depressão, que me permitiu atravessar aquele período.



Afinal, quando a gente aprende a lutar e a vencer, todo santo dia, a nós mesmos, todo o resto do mundo se torna fichinha...



Nesta guerra, aprendi alguns truques básicos – como quem vai pro front, e sabe que tem de levar, ao menos, um canivete e uma caixa de fósforos...



Aprendi, por exemplo, a não me dar muito crédito; a rir de mim mesma, sempre que sinto que estou a tentar a me puxar pra baixo.



Penso comigo: Ana Célia, como és melodramática!...Égua, que darias uma excelente novelista, de fazer chorar a Janete Clair!...



Não é, simplesmente, tentar evitar um pensamento – que tudo que é proibido se agiganta.


Mas, deixar passar... Pois, que tudo sempre passa... Tem de passar!...


Quando a dor é muito funda – e o pior é que a gente nem sabe o que é que dói e por que dói – apelo a uma psicoterapia básica: coloco um “disco” bacana na “vitrola” e transformo a dor em poema, em crônica, em romance, em canção... E sonho. E abro as asas sobre todas as montanhas da ilusão...


Curei-me? Compreendi-me um pouco mais? Certamente que não. Mas, lá se foi mais um dia, a que sobrevivi. E é isso o que conta, afinal...


II

Além da depressão, também padeço de uma série de manias. E eu sinto que quanto mais vou falando, mais vou me identificando com a gentalha que freqüenta este blog – tem até o AK, vejam só!...

E que gentalha!... Umas gentes que insistem em ver e entender o mundo, para transformá-lo, ao invés de se sentarem, como deveria de ser, para assistir à novela das oito ou a mais um desfile de carnaval...

Vocês tão pensando que vão fazer História, é?... Ô gentalha!...

Tenho mania de limpeza. Coisa do Jack Nicholson, no “Melhor, Impossível”.

Também tenho mania de verificação – do gás, das portas...
E, é claro, de doença. Não posso fazer matéria de saúde, mano, que saio de lá direto para o IML...

Consigo “desenvolver”, a um só tempo, os sintomas da caxumba, tétano, sarampo, hanseníase, febre amarela, dengue hemorrágica e bicho de pé...

Sorte é que aprendi a brincar com isso, também.

Umas duas vezes, é verdade, já tive de voltar do térreo, para ver se tinha fechado, de fato, a porta do meu apê.

Mas, nas outras ocasiões, numa conversa assim, digamos, de pé de ouvido comigo mesma, consegui me mandar às favas. Disse: fechaste a porta, sim, sua anta!... E, se quiseres, te consome, porque eu vou é pegar um táxi, mais é, e tratar da minha vida!...

O humor é uma arma poderosa. Mas, o conhecimento, também. Daí que, para convivermos com as nossas “compulsões”, é preciso conhecer um pouquinho de psicologia ...

E foi tudo isso que me ajudou a atravessar aqueles infindáveis sete meses que passei numa cadeira de rodas, em 2003.

Na época, diz-me, hoje, a minha filha, eu havia atingido o “limite maníaco”. Passava horas no banheiro, lavava as mãos sei lá quantas vezes, e sei lá quantas vezes verificava a porta. E ingeria, todos os dias, sei lá quantos comprimidos, pra tudo que é mal imaginário...

Mas, quando me vi presa àquela cadeira de rodas, tendo de lidar com situações que enlouquecem até a uma pessoa “equilibrada” – se é que existe esse espécime, digno de um zoológico, na espécie humana...



III



É difícil falar daqueles tempos em cadeira de rodas. Até hoje, acho que não superei, de todo, alguns daqueles “traumas”.

Tinha um shampoo, por exemplo – e até hoje não posso mais sentir o cheiro daquele shampoo, porque me lembra o “banho” a que eu tinha de me submeter, porque era o único possível.

Era assim: duas pessoas – a minha filha e uma empregada – me colocavam na “cadeira higiênica”, que era, então, ajustada sobre o vaso sanitário. Minha perna, com o imobilizador, ficava, então, em cima de outra cadeira.

E aí uma pessoa me ajudava com o sabonete e o shampoo – sim, porque a gente, numa condição dessas, acaba que nem preso: sem direito a um mínimo de privacidade.

E o banho era tomado com aquele chuveirinho, que a gente usa para lavar as partes íntimas. E a água, é claro, tinha de ser apenas o suficiente para tirar o sabonete e o shampoo.

Algumas horas depois, já de volta à cama, tinha de contar com a boa vontade de alguém para coisas simples, como, por exemplo, mijar.

Sim, porque era preciso ajustar um lençol, dobrado em quatro, debaixo de mim, para, em cima dele, colocar a escarradeira. E era preciso despejar a escarradeira, pois – não, apenas, pelo fedor do mijo, mas, também, porque poderia haver necessidade de usá-la novamente.

E notem, queridos, que essa já foi a fase bacana, digamos, assim.

Porque, nos primeiros tempos, logo após a operação dos meus dois joelhos, eu tinha de usar a escarradeira pra tudo que é necessidade.

E como o meu ritmo biológico era outro – antes do acidente, eu fazia umas três horas por dia, de academia, inclusive aos sábados – cheguei a precisar de usar fraldas higiênicas. Daquelas, sabem?, que a gente coloca nos velhinhos...

Foi complicado. Até porque eu quase nem podia sair de casa. Não tinha dinheiro nem pra comer, quanto mais para sair de casa.

Sim, porque para uma pessoa em cadeira de rodas, um “cadeirante”, sair de casa é preciso toda uma estrutura: um carro grande e pessoas que o ajudem a descer do carro e a sentar na cadeira de rodas. E a ir ao banheiro, se houver necessidade... E é preciso, também, não ter de andar por essas calçadas de Belém, se não a gente corre o risco de dar de cara no chão...

Foram dias de extrema solidão... Mas, eu juro para vocês, que, por incrível que pareça, aprendi até a gostar da Ana Maria Braga...

Todo santo dia, para me distrair – quando já estava de saco cheio de ler e de fazer palavras cruzadas – lá estava a “poderosa”, a me falar de tudo que é futrica e a me ensinar aquelas receitas maravilhosas...



IV


O que mais doeu? Não, não foi essa humilhação de nem poder tomar banho ou mijar sozinha – eu, que sempre fui tão independente...

Acho que nem foi aquela necessidade de ter de aceitar as panelas de comida que a minha mãe mandava – e eu agradeço a Deus o fato de nunca ter sido exatamente pobre; se fosse, teria sido cruel...

O que mais doeu foi constatar essa coisa ruim que algumas pessoas têm dentro delas, que não admite um mínimo de piedade, de comiseração...

E tudo por causa de política, maninhos, tudo por causa de política...

Na época, eu havia conservado um DAS daquelas bem mixurucas, frente ao que sempre ganhei ao longo da vida e até ao que ganho hoje.

Eram uns R$ 1.200,00, brutos. Mas, dava para pagar o aluguel, a luz, o telefone e a empregada, que eu tinha de manter – porque nem podia, eu mesma, limpar a minha casa, “despejar a escarradeira” ou até pegar um copo de água. Não dava para a comida, o fisioterapeuta, o plano de saúde, e até os materiais de higiene – tudo bancado pela minha mãe.

Sei que R$ 1.200,00 são uma “bênção”, para muitos brasileiros que sobrevivem com um quarto disso.

Mas, o fato é que eu esperava que o Estado não viesse à falência por causa dessa mixaria... Daí que fiquei espantada quando o governo do Jatene tentou me tirar até isso – esses R$ 1.200,00.

Foi assim. Eu tinha sido assessora do Jatene. Mas, resolvi aceitar um convite para ir trabalhar com o Hildegardo.

Pouco depois, saíram candidatos ao Governo o Jatene e o Hildegardo – e o primeiro levou a melhor: elegeu-se governador, como todos sabemos.

É engraçado: lembro que, no segundo turno turno daquela eleição, mesmo em cadeira de rodas, pedi votos para o Jatene.

Escondi da minha família o fato de que, se ele ganhasse, eu estaria, provavelmente, na rua da amargura.

E convenci meus irmãos e minha mãe. E até telefonei a muita gente da equipe do Hildegardo - alguns que até foram lá em casa, meio que perdidos, sem saber o que o fazer – e pedi que votassem no Jatene.

Naquela época, nunca vi o Hildegardo como uma “ameaça” aos tucanos. Hoje, com as mágoas que ele e a Zinda carregam, pode até ser...

Mas, na época, o Hildegardo era uma alternativa que precisava ser viabilizada à mala sem alça e sem rodinha, que sempre foi o Jatene, em termos eleitorais.
Continuo achando que o Jatene é o melhor, o mais brilhante dentre nós, os tucanos.
Apesar dessa mania nepotista, típica de árabe, o Jatene tem um brilho intelectual inigualável.

É um sujeito que pensa, de fato, o Pará e o Estado.

E, até onde é possível, é honesto...

E tem um raciocínio rápido, reluzente – e essa, maninhos, é uma qualidade fundamental na política dos tempos do palanque eletrônico.

Aqui, na bastam as bravatas do “bicheiro”. Aquela coisa do “eu te encho de porrada”. É preciso passar credibilidade!...

É preciso convencer o seu José e a dona Maria, que já estão fartos das bravatas que vivenciam todo santo dia, de que não estão diante de mais um doido ou de marginal.
Mas, de alguém que sabe e vai fazer...



V


Mas, apesar de tudo isso, o Jatene me fez quase que “beijar a lona”.

Se eu não fosse quem sou, tenho certeza de que teria ido lá, como ele esperava, bater à porta dele, a pedir perdão...

Avaliem – mas se eu sou mulher, já, de pedir arreglo a macho!...

Quando estava em cadeira de rodas, fumada, daquele jeito que já contei pra vocês, pois, que ainda me apareceram os puxa-sacos desse sujeito (o Jatene) a me encherem de bicudas...

Todo mês, vinha uma ameaça de demissão: de ser jogada, literalmente, na rua da amargura, com cadeira de rodas e tudo...

Sorte que eu tinha pessoas lá dentro, nos “gabinetes do poder”, para me relatarem tais movimentações...

E eu telefonava para um e para outro. E pedia, pelo amor de Deus!, a gente que eu conhecia há uns vinte anos, desde que comecei a andar em política.

E não havia uma alma, um sujeito, que se dispusesse a me ajudar...

Lembro de telefonar para gente que cansou de beber comigo nos bares da vida... E de até “chorar” no meu ombro, quando estava “desiludido”.

Pois, que não havia um único sujeito que me atendesse.

Como me disse um amigo – um amigo pra lá de bacana – não adiantava argumentar nada: a minha competência, a minha honestidade, a minha lealdade.

“Todo mundo reconhece isso; é a primeira coisa que me dizem” – relatou-me esse amigo. Mas, “Deus” estava zangado comigo. Fazer o quê?

E, só me dá vontade é de dizer: esta vida é bem irônica, né mermo, Jatene?...

Só sei é quando me levantei daquela cadeira de rodas, após aqueles sete intermináveis meses, a ratalhada, a bem dizer, “avoou”...

Não sobrou um rato, nem magrelo, pra me enfrentar...

Como me disse uma amiga, danada de bacana, rindo à toa: “Égua da avoação de barata!”. Porque era tanta gente telefonando, mano, pra saber o que é que eu ia fazer, que eu acho até que a Telemar deve de ter ficado congestionada...

Isso me magoou. O meu partido, o PSDB. Isso doeu fundo, na alma, mermo...

No post que apaguei, uma das coisas que dizia era isto: poucos serviram tanto ao PSDB. Poucos foram tão tucanos...

E bem poucos jornalistas assumiram que eram tucanos, quando a “moda”, o “bacana”, era ser do PT...

No entanto, fui tratada como “inimiga”, apesar de tudo o que já fiz por esse partido – e os tucanos, um dia, eu sei disso, ainda vão me agradecer...



VI



Para mim, a social-democracia implica, necessariamente, democracia.

O social, todos sabemos o que é. Todos – socialistas, comunistas, todos à esquerda, sabemos o que é essa preocupação com o nosso povo.

Sabemos da necessidade de superar as desigualdades. E, mais que isso, de fazer do Estado uma estrutura, uma ferramenta a serviço do coletivo, do conjunto dos cidadãos – e não, apenas, de uma classe social.

Creio que, todos, superamos essa coisa leninista de julgar o Estado, simplesmente, pelo uso que se fez dele – e não por uma nota essencial: a mediação dos interesses societários.

Não falemos disso, pois. Falemos, então, de democracia, que essa, até pela própria história deste Brasil escravocrata, é bem mais difícil de compreender.

Que é democracia e que é essa “democracia” que temos, hoje?

Democracia, como todos sabemos, pressupõe igualdade econômica e social.

Inexiste, como todos sabemos, essa coisa de “meio-cidadão”.

Ou existe cidadão – com o ato de “suprir” as necessidades básicas que lhe permitem pensar e participar – ou, simplesmente, inexiste Cidadania.

Ser cidadão é ter comida em casa – para si e para a família, toda. É ter água potável. É ter uma habitação digna. É ter emprego, trabalho, renda – condição de se tirar o sustento. É ter lazer. É ter esperança de melhorar e de fazer melhorar a prole.

Ser cidadão, enfim, não é, simplesmente, viver ao Deus-dará: com o pão que se coloca, hoje, na mesa, mas que, só os céus, sabem quando haverá, novamente.

Essa coisa da preocupação imediata com a sobrevivência é para os bichos. Até porque foi ao superarmos isso, que conseguimos evoluir.

Então, a superação da miséria e da pobreza é um marco social. Na medida em que nos permite exercitar os agentes que somos, em potencial.

Essa coisa é tão extraordinária que mexe em todo o edifício da dominação social.

Porque é difícil imaginar leis, juízes, policiais, a funcionar à revelia disso.
Afinal, se os cidadãos têm supridas as necessidades de sobrevivência e se podem pensar o “entorno”, difícil é acreditar que se contentem com leis injustas, juízes corruptos e parlamentares devassos.

Ignorância e dominação andam de mãos dadas – e isso, os tucanos sabemos bem.
Nós, os tucanos, compreendemos a necessidade de quebrar a espinha dorsal desse sistema: democracia é a condição, é a solução!

Nós, mais que qualquer outro partido, aprendemos a usar esse sistema, em favor do nosso povo.

Nós, mais que qualquer outro partido, sabemos que não existe essa coisa de “democracia proletária”: democracia é para todos e não simplesmente para alguns, seja a classe social à qual pertencem.

Parimos técnicos para isso. E até enfrentamos a burocracia, acostumada às benesses do bem-bom do Estado.

Sonhamos um Pará e um Brasil melhores. A democratizar o ensino básico – sem essa coisa de apenas beneficiar os “doutores”, quase todos provenientes das classes mais bem situadas socialmente.

Sonhamos em fazer o nosso povo a compreender o bê-a-bá: a saber que é gente e não bicho; que é cidadão e não escravo. Que é senhor do próprio destino.
E que não há força alguma – nem PFL, nem PT – que faça o nosso povo submisso a ser menos do que é!

Tenho orgulho em ser tucana. Mermo na maré baixa...

Temos, hoje, a chance ímpar de nos estruturarmos como partido.

Sem essa coisa nociva de vivermos pendurados no Estado.

Nós é que damos as cartas, nessa relação com o Estado – não o contrário.
Temos gente, temos quadros, temos idéias, temos sonhos, temos esperança, temos a sintonia com a História – e essa é fundamental.

Nada do que fizemos foi em vão!...

Mas, temos de compreender o significado dessa coisa chamada democracia.

De que é preciso fazer funcionar e deixar funcionar as instituições.

De que é preciso respeitar as oposições, as opiniões divergentes.

De que é preciso compreender a sociedade como essa coisa plural, esse caleidoscópio que é...

Fizemos muito e ainda haveremos de fazer muito mais...

Temos, com este Brasil e este Pará, um compromisso que não morre...

Queremos o nosso povo, de fato, liberto...

Para nós, não importa a cestinha básica, o cartãozinho da “bolsa-miséria”.

O sonho, o que nos sustenta, é um Brasil cidadão, um Brasil de iguais...
Desse ostracismo, no Pará, tenho certeza, nascerá um outro PSDB.

O PSDB que já existe em Minas e em São Paulo.

Sem esse coronelismo, esse personalismo, essa arrogância, esse autoritarismo, essa “impostura” que existia aqui.

Porque, como todos sabemos, no Pará, as “inovações” levam décadas para chegar aqui.
Mas, talvez que, com esse choque de “sobrevivência” o nosso partido, o PSDB, consiga, enfim, alcançar e até ultrapassar o restante.

Material humano para isso, nós temos. Basta é querermos, companheiros!

Mais não escrevo, embora devesse, porque já bebi demais.



Se estou feliz em voltar ao ninho?


Estou e não estou.


Tenho com o PSDB uma identidade orgânica, ideológica.

Mesmo que os tucanos não me queiram, continuarei tucana.

E já disse isso, várias vezes.

Acredito nisso: o que é que posso fazer?

Mas, criei laços, sem querer, com “esse pessoal” do PMDB.

Que jamais serão, para mim, “esse pessoal”. São pessoas, gente de carne e osso a quem aprendi a amar.

Eles me acolheram, maninhos, quando ninguém me queria; quando era “pecado” me acolher...

Quando eu era uma espécie de “pária”, eles escancaram as portas e as janelas para mim...

Sempre disse isso, aos meus amigos tucanos e petistas: negociar com o PMDB não é difícil; não tem frescura...

O PMDB é o que é; e o PMDB saber disso, dos interesses, bem claros, que possui...
A gente se debate porque temos essa mania de buscar alianças com iguais. Mas, os nossos iguais, em geral, não têm sustentação eleitoral.

O PMDB é a cara da classe média – e eu os entendo porque são a cara da minha família (eh, eh, eh!...)

Revolucionário jamais será. Mas, tem voto – e que quantidade formidável de votos!...
E que líder – reconheçamos, pois – eles têm.

Um político que seria formidavelmente político, em qualquer época e em qualquer lugar do mundo.

Reconhecer isso não faz com que eu concorde com ele.

Jamais!

Mas, simplesmente, que eu reconheço o valor do meu opositor.

Nunca me esquecerei da pena que senti, ao ouvir aquele discurso do Jader Barbalho contra o ACM.

Trabalhava, na época, na Setran. Li o discurso. E saí de lá, meneando a cabeça, pensando: que pena que esse sujeito não esteja do nosso lado!...

Que pena que não tenhamos alguém com essa capacidade; que o povo do Pará não tenha um defensor desse quilate...

Que pena que alguém com tal talento – um talento societário, diga-se de passagem, e ele sabe disso – tenha resolvido usar todo esse talento, essa capacidade, em função de si próprio e dos seus.

Jader Barbalho, para mim, é um tremendo desperdício de talento social.

É verdade, que, em seu talento, há muito de genético.

Mas, a maior parte é social; é acumulação cultural; vem de nós, ugas-bugas, em tudo o que conseguimos legar aos nossos filhos e netos.

O pior é que ele, certamente, por tão lido, sabe disso.

Mas, que preferiu tornar-se um organismo biologicamente comandado: aquele que “se preocupa”, tão somente, com a própria herança genética...

FUUUUIIIIIII!

6 comentários:

Anônimo disse...

ak diz:
Ana Célia, obrigado por sua sinceridade.
Se a mais ninguém seu relato fez bem, lhe dou uma certeza: a mim fez.
Afonso Klautau

Miguel Oliveira disse...

ANA, amiga guerreira, sei o que passastes.
Mas também sei que isso é coisa do passado.
Bola pra frente.

Abraços,
Miguel Oliveira

Cris Moreno disse...

Ana, te amo, mais que tudo. Você nem imagina o quanto, amiga.

Beijos.

Anônimo disse...

Que coragem , Ana , que bonito!
Vou passar teu blog pra alguns amigos peessedebistas daqui de Sampa que hão de se encantar ,assim como eu , com teu relato e se surpreender com algumas verdades que as vezes não vemos
Abraços
Tadeu
Cheguei aqui via nossa amiga Cris daí de cima também da série;
"Nunca te ví sempre te amei"

Ivan Daniel disse...

Ana Célia Pinheiro, teu nome é força e tua vida é vitória! Parabéns pela coragem de sempre.

Anônimo disse...

Você ainda será reconhecida e colherá os frutos por sua inteligência e autenticidade.