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domingo, 20 de janeiro de 2008

Tchau!


Uma longa pausa para o café




Peço perdão aos leitores, mas vou ter de dar um tempo neste blog.



Pretendo reformular este espaço, voltando a trazer notas, reportagens e artigos. Vou mexer até no visual.



Tudo isso, porém, levará algum tempo.



Porque, agora, preciso pensar.



Após quase três anos, deixei o Diário do Pará.



Foi uma experiência bacana e confesso que sentirei saudades...



Mas aprendi, com a vida, que não há coisa alguma, a não ser a morte, que um dia depois do outro não nos faça superar...



Tenho comigo - muito clara - a compreensão da finitude.



A poeira cósmica que somos. A chama que se acende ou apaga, nas mãos de Deus.



Daí que não vou perder a vida – essa coisa breve, infinitamente breve - em mesquinhas disputas de poder.



Não me chamo Barbalho. Por isso, com certeza, não vou levar um vintém de herança do Diário.



E, também por não me chamar Barbalho, todo e qualquer “poder” imaginado se resumirá, sempre, em merreca de poder.



Daí que disputar poder no Diário, além de insensatez, é perda de tempo.



E eu, sinceramente, tenho mais o que fazer.


Não preciso “ter poder”, “aparecer”, “sentir-me o máximo”: sei quem sou.



Nem mais, nem menos de quem sou para mim – e é isso o que importa, afinal...



Quem se assusta comigo, achando que sou uma “ameaça” ao lugar que detém, é burro e limitado.



Se tivesse um mínimo de psicologia, perceberia, de pronto, que não é assim.



Quando comecei em jornal, há quase três décadas, vários editores ficavam fazendo de tudo para me empurrar escada acima.



Tentaram – não só eles, mas, muitos outros – me tornar também “editora”, até vendo em mim, quem sabe, uma espécie de herdeira.



Mas, eu sempre me recusei a isso.



Gosto de ser repórter. Tenho orgulho em bater no peito e dizer: sou repórter.



Conheço edição, tenho experiência de edição e até utilizo isso, quando quero, nas reportagens que faço.



Mas, sinceramente, não vejo graça alguma em edição. Me lembra aquele verso do Sérgio Ricardo: “eu não sou passarinho pra viver na prisão”.



Ou: quem gosta de parede é osga. E diretor de penitenciária...



Gosto é de correr atrás da informação; de caçar a notícia.



De emparedar o entrevistado, para que ele me diga o que não quer dizer e o que não disse a ninguém mais.



De investigar, revirar papéis, cruzar informações.



De garimpar o melhor, para entregar ao leitor.



De “furar”, até numa coletiva ou num coquetel.



O dia em que não puder mais fazer isso, volto para assessoria de imprensa, que dá no mesmo que edição, com largas vantagens.



Ou, vou vender cachorro-quente (credo, manos, que isso já está a se transformar numa fixação freudiana!...).



Como sou uma fumada, preciso procurar um novo emprego (se calhar, até coloco um anúncio no Tem...).



E preciso, também, resolver a questão do meu registro profissional.



E, é claro, tratar do meu joelho bichado.



E continuar a dar uma guaribada básica na lataria (afinal, se não fizer isso, como é que eu vou comer meus menininhos de vinte aninhos, “na bera do garapé”, com aquele cerpão quente, num copo de “prástico”?...)



Daí a necessidade de dar uma pausa neste blog.



Agradeço a paciência de todos os que acompanharam até aqui, desde o início de 2006, quando, por brincadeira, coloquei no ar A Perereca da Vizinha.



Que, mesmo na brincadeira e com as minhas ausências e bebedeiras, já vai nos 50 mil acessos – os 45 mil que estão aí e os 5 mil que apaguei.



Deixo para toda essa “gentalha” querida – do coração! – mil beijinhos e um até breve já saudoso...



Queridinhos, foi pra lá de maravilhoso estar com cada um de vocês!



FUUUIIIIII!!!!!!




Vou-me Embora pra Pasárgada




Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

(Manuel Bandeira)




Cântico negro




"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

(José Régio)




O Que é, o Que é?



Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei... (Eu sei...)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei... (Eu sei...)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

E a vida?
E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?

Mas e a vida?
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é, o que é, meu irmão?

Há quem fale que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo,

Há quem fale que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do Criador
Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer;
Ele diz que a vida é viver;
Ela diz que o melhor é morrer,
Pois amada não é
E o verbo é sofrer.

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita

Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei... (Eu sei...)
Que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

(Gonzaguinha)




Nação



Dorival Caymmi falou prá Oxum
Com Silas tô em boa companhia
O céu abraça a terra.
Deságua o rio na Bahia

(Brasil, ô,ô... Brasil, ô, ô...)

Jêje
Minha sede é dos rios
A minha cor é do arco-íris
Minha fome é tanta
Planta florirmã da bandeira
A minha sina é verdiamarela
Feito a bananeira

Ouro cobre o espelho esmeralda
No berço esplêndido
A floresta em calda
Manjedoura d'alma
Labarágua sete quedas em chama
Cobra de ferro Oxum-Maré:
Homem e mulher na cama

Jêje
Tuas asas de pomba
Presas nas costas
Com mel e dendê
Agüentam por um fio

Sofrem
O bafio da fera
O bombardeio de Caramuru
A sanha de Anhangüera

Jêje
Tua boca do lixo
Escarra o sangue
De outra hemoptise
No canal do mangue

O Uirapuru das cinzas chama:
Rebenta a louça Oxum-Maré
Dança em teu mar de lama.

(João Bosco/Aldir Blanc/ Paulo Emílio)




O Amanhã



A cigana leu o meu destino
Eu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã?
Como vai ser o meu destino?
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Como será o amanhã
Responda quem puder
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser

(União da Ilha, 1978)

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