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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

municipais 6

Fala o Palácio dos Despachos


“A eleição municipal costuma deixar seqüelas, se não for administrada adequadamente. E o governo, em especial a governadora, evitará interferir nas disputas locais entre os aliados” – garante uma fonte muito bem situada no Palácio dos Despachos.

E acrescenta: “O governo tem uma lógica que não é coincidente com a do PT. A lógica do partido é a de crescer, ampliar a influência. Mas, a lógica do governo é a de respeitar os aliados”.

Acredita que “não é absurdo” imaginar uma aliança entre PT e PMDB em municípios como Santarém e Ananindeua, com base no troca-troca já mencionado.

E admite que a situação é mais complicada em outra cidades, como, por exemplo Marabá:

_“Lá, temos as pré-candidaturas da Bernadete Ten Caten, do PT, e do Asdrubal Bentes, do PMDB. E a tendência é de disputa, o que fragiliza a ambos e pode acabar favorecendo o candidato do Tião Miranda (o prefeito atual)”.

Já em Parauapebas, considera que há, sim, possibilidade de composição entre o prefeito petista Darci Lermen e a deputada federal peemedebista Bel Mesquita, ex-prefeita e novamente de olho na administração municipal.

Para a fonte “um bom patamar de discussão” é que PT e PMDB preservem as prefeituras que já possuem e negociem os municípios que nenhum deles administra. É o caso, por exemplo, de Altamira, comandado pelo PSDB, e de Marabá.

E repisou que o Governo até já conversou com o PT sobre isto: “Não vamos interferir nas disputas locais. Temos que respeitar os aliados; não podemos permitir que as eleições municipais produzam mágoas”.

Sobre Belém, a fonte garantiu que o Governo não pretende, nem nos bastidores, apoiar Duciomar Costa, o atual prefeito.

_“Não temos nenhum tipo de relação política com o Duciomar. Mas, ele é o prefeito da cidade. Por isso é que assinamos esse convênio de R$ 18 milhões, para a pavimentação de ruas. A Ana já enfatizou que acabou a época em que governador perseguia prefeito. E ela não está preocupada com essas interpretações de que está aliada ao Duciomar. O que vale é o povo perceber um novo paradigma nessa relação”.

Assegurou que o PT terá candidato próprio, sim, à Prefeitura de Belém.

E negou que exista qualquer orientação do presidente Luís Inácio Lula da Silva no sentido de o partido apoiar a reeleição de Duciomar Costa (o PTB integra a base nacional do lulismo).

Disse que muito dificilmente o governo ou o PT apoiará a eventual candidatura do ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, hoje no PSOL:

_ “O PSOL é de oposição ao governo Lula. Nos movimentos sociais, há uma clara confrontação entre o PT e o PSOL, que tenta passar a idéia de que não somos mais o partido da classe trabalhadora e que ele (o PSOL) é o nosso herdeiro político”.

Mas, a DS e a antiga Força Socialista, da qual veio Edmilson, não têm a mesma matriz ideológica? - quis saber a Perereca.

“Têm sim, há identidade sim ” – respondeu a pragmática fonte palaciana – “Mas tem, também, a vida real!...”

Reconheceu que o cenário não é lá muito favorável ao PT na capital: “Vamos disputar com o que temos, mas, já enfrentamos situações piores. Governamos o Pará, temos uma governadora com apoio popular e tudo isso pesa no quadro”.

Lembrou que o PT não é “a parte aflita” na disputa por Belém: mais razões para se preocupar têm Duciomar Costa, Edmilson Rodrigues “sem fonte de financiamento” e o PSDB “que está rachado entre a Valéria e o Duciomar”.

Não descarta a possibilidade de uma aliança entre o PT e o PMDB também na capital.

E lembra, pra modo de quem não quer nada, que a deputada Elcione Barbalho aparece com bem mais votos que Priante, na pesquisa realizada pelo PT, em setembro: ela figura em segundo lugar, atrás de Edmilson.

Avalia que Duciomar, certamente, estará no segundo turno:

_É uma questão matemática. Ele tem um terço dos votos. E numa disputa com três ou quatro candidatos, quem tem 30% já está no segundo turno.

E, pragmático, lembra que, se a rejeição de Duciomar é altíssima, o fato é que ele é o candidato, que, no segundo turno, tem condições de catalisar os votos “dos extremos”:

_ “Se a Valéria for para o segundo turno, quem é anti-PSDB tende a descarregar votos no Duciomar. E se o Mário Cardoso for para o segundo turno, quem vai descarregar os votos no Duciomar é o PSDB. Ou seja, é o perfil do candidato que tende a arrebanhar o voto dos extremos”.

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