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domingo, 5 de agosto de 2007

Até Quando?

Até quando, Vossas Excelências?


Primeiro foi um homem, um pai de família, que morreu, literalmente, diante das câmeras de Tv. Agora, uma criança, nos braços da mãe.

E eu fico pensando, cá com os meus botões: o que é que falta para que os senhores vereadores, para que as Vossas Excelências, afastem da Prefeitura de Belém esse criminoso chamado Duciomar Costa.

Em tese, as Vossas Excelências são pagas para fiscalizar, controlar, os atos do Executivo municipal. Em tese, as Vossas Excelências não deveriam se locupletar, se acachapar, se acumpliciar.

Em tese, as Vossas Excelências deveriam ser as primeiras a se levantar contra essa quadrilha que tomou conta da Prefeitura de Belém. Essa quadrilha que está, literalmente, a matar o nosso povo.

Lugar de criminoso, de bandido travestido de político, não é na Prefeitura - é na cadeia! E isso as Vossas Excelências sabem muitíssimo bem.

Mas, ao que parece, as Vossas Excelências não estão nem aí para a população de Belém, especialmente a mais pobre, que só “vale” alguma coisa na hora da eleição...

Ao que parece, as Vossas Excelências querem, apenas, garantir o próprio status, os subsídios, o poder, nem que seja sobre os cadáveres de pais de família e de criancinhas indefesas.

E eu fico pensando o que foi que conduziu, afinal, cada uma dessas Vossas Excelências à carreira política.

Uma carreira nobre que significa, essencialmente, o compromisso de se colocar, de viver, de estar a serviço da comunidade.

Porque eu olho para o ideal político e para essas Vossas Excelências, que estão aí, acachapadas, comprometidas até a raiz dos cabelos com esse criminoso, e não consigo encontrar um mínimo de semelhança; um ponto de toque, sequer. É como se essas Vossas Excelências e o ideal político estivessem separados por milênios de distância.

Não sei, sinceramente, como pessoas, seres humanos, cidadãos, com um mínimo de poder nas mãos, podem silenciar, se acomodar, diante da morte cotidiana de outros cidadãos, de outros seres humanos, “por causas desconhecidas”, em nossos postos de saúde.

Até porque as causas, longe de serem “desconhecidas”, são, em verdade, bem conhecidas de todos.

As causas são os desvios de dinheiro público, para as bolsas e as carteiras de alguns.

A causa é a roubalheira, a safadeza que toma conta da Prefeitura de Belém, enquanto as Vossas Excelências fazem cara de paisagem.

Tivemos, neste ano, uma epidemia de dengue, que atingiu milhares, e até matou, com os seus dolorosos sintomas.

Vimos explodir em nossas casas, nos jornais, nas Tvs, nas rádios as conseqüências da voracidade dessa quadrilha, dessa ratalhada.

Todos vimos isso – em Batista Campos ou no Guamá. E todos sabemos muito bem porque foi que isso aconteceu. Até porque a ação da quadrilha de Duciomar Costa não é mais segredo para ninguém.

Mas as Vossas Excelências preferem agir como os soldados e oficiais alemães, que assistiam, todos os dias, com indiferença, à partida de vagões apinhados de judeus, para os campos de concentração.

Com o agravante de que essas Vossas Excelências detêm poder, de fato, para afastar esse prefeito corrupto.

Com o agravante de que essas Vossas Excelências vivem num regime democrático e não sob um Estado nazista.

Poucas vezes, mesmo em 27 anos de jornalismo, vi uma cena tão dolorosa, como a daquela mãe, com o filho morto nos braços.

O horror, o desespero, a levar até à descrença naquilo que acabou de acontecer.

A vontade de continuar a seguir com a criancinha nos braços, como se ela estivesse, simplesmente, a dormir...

Fico imaginando o que terá sentido aquela mãe. A dor que carregará todos os dias, até o fim da vida, profundamente, no coração.

Fico pensando até que ponto não somos, todos, responsáveis por essa tragédia, por essa dor.

E fico pensando em quantas outras criancinhas não morrem, todo santo dia, nos braços de mães paupérrimas, em nossos postos de saúde.

Mulheres que entram, nos postos de saúde, com um filho querido nos braços. E que saem de lá a carregar um cadáver.

E eu fico pensando como é possível que essas Vossas Excelências ainda consigam dormir, placidamente, diante de uma coisa como essa.

Logo as Vossas Excelências, que se dizem tão cristãs, tão religiosas e que, muitas vezes, não perdem um culto ou uma missa.

Mas que são as mesmíssimas Vossas Excelências que silenciam diante dessa matança covarde. A matança que ceifa a vida de criancinhas e que choca, atordoa, a qualquer pessoa com um mínimo de Humanidade.

E eu me pergunto até quando essas Vossas Excelências consentirão na permanência do criminoso Duciomar Costa, na Prefeitura de Belém.

Até quando, nós, cidadãos, também nos acomodaremos diante dos crimes praticados por essa quadrilha hedionda.

Quantas crianças ainda terão de morrer, nos braços das mães?

A quantos outros inocentes, esse sociopata ceifará a vida impunemente?

A quantas outras mães será infligida essa dor terrível de ver morrer um filhinho nos braços?

Até quando, Vossas Excelências? Até quando?

4 comentários:

Juvencio de Arruda disse...

Parabéns pelo post.
Corajoso, sincero, verdadeiro.
Uma corja dá proteção ao nacional naquele arremêdo dramático e decadente de representação parlamentar, jogando na lama a reputação de alguns, e reiterando a da maioria, que nunca saiu dela.
Vou "acompanhar" pessoalmente, durante as próximas eleições, todos os "guarda costas" de Duciomar Costa.

Anônimo disse...

Por que será que você não faz uma matéria jornalistica no jornal do seu patrão sobre a roubalheira na prefeitura?
O seu patrão não deixa?

Anônimo disse...

O fato é que tendo-se um falso médico e um falso advogado, no comando da prefeitura de Belém e que também é um falso prefeito,(pois ele não está lá para ser prefeito, mas para implantar e fazer expandir, ilegalmente, através de testas de ferro/laranjas, suas empresas de lixo, de construção, de limpeza e outras mais), o restante da administração se esgarça, se libera, vai na onda.
Aí mora o perigo, de se ter um timoneiro safado, a cadeia de comando fica afrouxada.
Muitos passam a meter a mão, ao invés de dar a mão!
Passa a faltar remédios,aparelhos, manutenção e aí ninguém mais se sente responsável e nem pode ser responsabilizado.
Aí a vaca vai prô brejo, como aconteceu aquí, em Belém!
A solução é, realmente, os vereadores tomarem a atitude e não uma atitude, deixando de ser mais Leões de Chácara, que guarda costas!

Ana Célia Pinheiro disse...

Juva:

Agradeço a tua visita, que é sempre muito honrosa para mim. Mas eu estou me sentindo, realmente, muito mal, por tudo isso. Primeiro foi o Lauande e agora essa criança. E eu fico pensando até que ponto poderia ter feito mais, para evitar tudo isso. Fico muito mal porque me identifico com a dor dessas pessoas; como que sinto com elas. Desde sábado, quando vi aquela foto, não consegui mais ficar em paz. É como se, de certa forma, me sentisse responsável por isso.
É certo que preciso sobreviver, que também tenho uma filha para criar, mas será que não poderia ter feito mais?
Não vejo essas pessoas, a dona Maria e seu José, como inferiores, mas, como iguais a mim. Como outras pessoas, que vivem, sentem, sofrem, igualzinho a mim.
Sei que a vida me deu muito mais do que a elas. Tive as oportunidades que elas nunca tiveram e mais poderia ter tido, se quisesse.
Por isso, sei que são pessoas, seres humanos, iguais a mim.
E é por isso que me identifico e sofro com elas.
Nunca mais vou me esquecer disso - eu sei. Até hoje me lembro, quando tinha uns 16 ou 17 anos, de uma criancinha que morreu sufocada na lama. A mãe saíra para ir à casa de alguém. E o bebezinho escorregou da rede e entre as frestas do assoalho.
Na época, a dor, digamos, assim, foi algo romântica. Hoje, a dor é responsável, cidadã.
E eu me sinto horrível. Horrível mermo
Obrigadão, queridinho, pela força.
Volte sempre. Um dia, ainda vou te oferecer um vinho bem bacana.
Ana