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domingo, 8 de julho de 2007

Madrugada

Espinha de bacalhau


Eu também sei desconsolar num tom difícil de cantar
É meu talento além do som daquela onda eu fui dançar
Dancei tão bem adocicando o teu batom como um bombom
Te lambuzei com a minha frase mais redonda
Atriz atroz da insensatez, fui traduzindo em português
O amor que fez tua falsidade mais profunda
E corro atrás da vida fácil em que você quer me levar
Quero morar num bangalô, chorar na mesa nunca mais
Saxofone ou Satanás me intoxica com teu gás
O lado bom do coração que nos separa dos metais
Se a vida é cara, gigolô, só meu amor conhece a cor
Das harmonias da Orquestra Tabajara
Sei que é difícil respirar quando a paixão quer sufocar
Meu coração, por isso eu canso na garganta, ah meu amor
O nosso veneno é no caroço da canção
É como um vício e tem sabor que a fala presa não desfaz
Não sei quem pintou tua cor, tua tez, teu sabor
Com a mocidade onde eu pecava - minha emoção já não dava essa voz
Talvez sonhando dancei nu ao lado do abajourt, e devo ter te beijado com paixão
Foi quando um popular me despertou, me deu notícias
Que esse amor de gafieira não tem mais
Apresentei o meu sorriso e alguém de lá me perguntou
Onde é que eu estou que não agarro essa morena pra dançar
E eu lhe falei não é preciso padecer na solidão
Meu coração, a solidão não vale a pena
Sei que é difícil respirar quando a paixão quer sufocar
Meu coração, por isso eu canso na garganta, ah meu amor
O nosso veneno é no caroço da canção
É como um vício e tem sabor que a fala presa não desfaz

(Severino Araújo e Fausto Nilo)

Ouçam com Ney Matogrosso, Gal Costa e, é claro, a Orquestra Tabajara

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