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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Festa IX


Festa no Meu Apê IX


(Abrem-se as cortinas. O salão está exatamente como antes: mesas, mulheres vestidas de dançarinas de can-can e homens vestidos de cowboys. No alto da escadaria, surgem a Barbie Princesa e as quatro indaietes, vestidas de prateado – maiôs, bordados com strass, lantejoulas e paetês; as “saias” são tirinhas brilhantes; nas cabeças, arranjos, também, com tirinhas brilhantes, que caem ao lado rosto. As indaietes entram primeiro, em ritmo de jazz. Depois é que avança a Barbie, que, já cantando, vai se colocar à frente, no palco. O salão tem de interagir com as meninas. Elas cantam e dançam Cabaret: “What good is sitting alone in your room?/Come here the music play/ Life is a cabaret, old Chum/Come to the cabaret/Put down the knitting, the book and the broom/Is time for a holiday/Life is a cabaret, old chum/Come to the cabaret/Come taste the wine/Come hear the band/Come blow a horn, start celebrating/Right this way, your table's waiting/No use permitting some prophet of doom/To wipe every smile away/Life is a cabaret, old chum/So come to the cabaret!/I used to have a girlfriend known as Elsie/With whom I shared four sordid rooms in Chelsea/She wasn't what you'd call a blushing flower.../As a matter of fact, she rented by the hour/The day she died, the neighbours came to snicker/"Well, that's what comes from too much pills and liquor"/But when I saw her laid out like a queen/She was the happiest...corpse...I'd ever seen/I think of Elsie to this very day /I remember how she'd turn to me and say:/What good is sitting alone in your room?/Come here the music play/Life is a cabaret, old chum/Come to the cabaret/ And as for me, and as for me/I made my mind up back in Chelsea/When I go, I'm going like Elsie/Start by admitting from cradle to tomb/Isn't that long a stay/Life is a cabaret, old chum/Is only a cabaret, old Chum/And I love a cabaret”)

(Aplausos)

(Foco numa grande mesa do lado direito do palco)

_(a Beijoca): Olha o dadinho, olha o dadinho!...Vai rolar, vai rolar...Rolou!... Dois e dois...Dois e dois...
_Um, dois, três, quatro... Ora, vejam só: é a Gasgate Company, certo? Eu compro, certo?
_(Tirésias): Podem pararem, podem pararem que já é dos lorde Tirésias! E eu subi que tem pedágio, caboco...
_Mas eu tenho, certo?, títulos da Sudolândia, certo?
_(Tirésias): Mas esses título tão suspeito, caboco! O pessoal num querem! Enquanto que a minha Gasgate, ó..., ó..., tão fazendo um sucessório!... É gente assim atrás, ó, ó, caboco!...O pedágio são três mil bufunfa!...
_Três mil!!! Mas isso é um roubo, certo? Só um dos meus títulos da Sudolândia vale dez Gasgate, não é isso?
_Ô seu Sudão, mas o sinhô só acompra a Gasgate se o seu Tirésias quisé! E como a Gasgate é dele, o sinhô tem de pagá o pedágio que ele cobrá... O sinhô num assabe brincá, não?
_Confesso, certo?, querida correspondente, que já faz muito tempo, certo?, que não brinco de Banco Imobiliário. Aliás, pensei que fôssemos jogar pôquer, não é isso?
_Mas, seu Sudão, o sinhô num ouviu o que o Oráculo falô? Pra modo de acordá a comadre, a gente atem de brincá de Banco Imobiliário, né seu Tirésias?
_Erem, querida, erem!
_Mas por que, certo?, justamente de Banco Imobiliário, certo?, se o lorde Tirésias rapela todo mundo, não é isso?
_Num erem assim, caboco, num erem assim!... A gente não temos a culpa se os caboco tão tudo bronqueado! As culpa é dos caboco de não saberem fazerem as coisa!... A gente não podemos perderem a pespetiva do jogo. A gente temos de terem um zóio bem aqui, ó, ó, caboco!, e os zoutro zoio bem lá na frente, ó,ó...
_Ô caboco, você tem de entender o imponderável dessa situação – e eu não tenho nenhuma dúvida, caboco, de que isso é algo novo e extraordinário! Quem diria que, hoje, estaríamos aqui, neste grande congraçamento, tendo como guia o nosso douto e honrado lorde Tirésias!... Por sinal, um Oráculo fantástico, caboco!... Sem ele, estaríamos simplesmente perdidos, caboco!... Porque a dona Perereca – veja só – ainda se encontra bem ali, petrificada!...
_É verdade, seu Barão, é verdade!...Coitadinha da comadre!...Aliás, não sei quem foi o animal que ainda acolocou uma vassoura nas mãos dela! Agora mermo é que a pobrezinha ta aparecendo a minina de Santo Alexandre!...
_Mas eu não estou, certo?, é entendendo a lógica dessa situação, certo?... Como é que pode um Oráculo, não é isso?, legislar em causa própria?
_A gente num le...le...le...xis...xis... Como é que é mermo, caboco?
_Nós não legislamos!... Eu legislo, tu legislas, ele legisla; nós legislamos, vós legislais, eles legislam!...
_Pois é, caboco, a gente num fazemos isso daí... A gente só adeministremos..., né seu Barão?
_Com certeza, caboco: a gente só adeministremos! E com competência extraordinária!
_Pois é, a gente só prefeituremos Dengue’s City, que é, como tudo saberem, a capital do Brejo.
_Me desculpe, lorde Tirésias, certo? É que essa sua apetência, certo?, por Banco Imobiliário, me parece, como direi, algo exótica!
_Ezo....Ezo...
_Exótica! É...Diferente! É...com um “quê” de maravilhosa, não é isso? Extraordinária, como diria o Barão, não é isso?
_Ah!...
_O problema, certo?, é que o senhor rapela todo mundo. Porque, como é o dono do tabuleiro, certo?, é o dono de tudo o que interessa, não é isso?
_Mas vejamse só, caboco, vejamse só o que és as maldade das pessoa humana! A gente só aluguemos o tabualero pra dona Benjoca. Num és isso, caboca?
_(a Beijoca): Em primeiro lugar, eu gostaria de explicar, lorde Sudão, que esse jogo possui três diretrizes novas e extraordinárias – daí a necessidade de locação desse tabuleiro, pelo imponderável que simboliza. A primeira diretriz é a necessidade de um modelo sustentável de desenvolvimento para o Brejo. Coisa que só vamos conseguir através da formação de grandes cadeias produtivas, para o aproveitamento das nossas riquezas naturais!...
_(o Barão): Epa! Epa! Epa! Pera lá, caboca, que esse discurso é meu!
_( a Beijoca): E desde quando?
_Desde sempre, caboca! O Brejo inteiro sabe que fui eu o inventor das cadeias produtivas!
_Erem verdade, dona Benjoca, erem sim!... Os caboco até fizeram aqueles troço dos porco justicero!..
_(o Sudão): Como é que é? Ele fez o quê?
_Os porco justicero, caboco! Aqueles lugá de fazerem pipita, pulseira, cordão, anel, lá nas cadeiras do Brejo. Égua, os caboco nunca estiveram lá? E depois a gente pensemos que o lorde Sudão sabem tudo... Porque o lorde Sudão são isso, o lorde Sudão são aquilo... Pois, para os lorde Tirésias, os caboco ta aparecendo é uns ingnorante...
_O senhor está querendo dizer, certo?, Pólo Joalheiro, não é isso? Aquele pólo de produção de jóias, nas antigas cadeias do Brejo, não é isso?
_Pois intonci, os porco justicero...
_Pólo Joalheiro!
_Porco justicero!
_Meu caro Barão, será que você poderia me ajudar, certo?, com essa tarefa inglória...

_(o Barão, abraçando o Tirésias, para uma conversa particular): caboco, esse é um daqueles troço que a gente já conversemo...Zóio nos Zóio, caboco, zóio nos zóio!...
_Ah, zóio nos zóio!...
_Erem aqueles negócio que a gente expliquemos pras gente e as gente pros lorde Tirésias...
_Ah, as gente pros lorde Tirésias!...
_Erem aqueles troço dos porco justicero...
_Pois intonci, os porco justicero...
_Das cadeia, das cadeia, caboco!...Aqueles lugá onde os emi pi, caboco, os emi pi querem enfiarem todo mundo!...
_(Correndo e se escondendo debaixo de uma mesa) Os emi pi! Os emi pi!...
_(O Barão, indo em direção ao Tirésias): Sai daí, caboco, podem saírem que os emi pi não tão aqui!...(abraçando novamente o Tirésias): Intoncis! É tudo os extra dos ordinário!...Os extra, caboco!...Os extra!...
_Ah, os extra!...Os extra!...(indo em direção ao Sudão): A gente temos cabeça é pra pensarem, caboco, é pra pensarem!...A gente não semos como os caboco que não saberem nem jogarem. E depois a gente fiquemos dizendo: o lorde Sudão são isso, o lorde Sudão são aquilo...Mas a gente vamos si ispricá! Os caboco aqui (colocando a mão no ombro do Barão) colocou os porco justicero nas cadeia do Brejo pur causa dos extra dos ordinário. Mas os pobrema – e sempre tem os pobrema, caboco! – é que os emi pi querem as cadeia só pra eles!... E aí, caboco, não tem as condição!... Porque, se os egosistas dos emi pi ficarem com as cadeia, adonde é que a gente vamos enfiarmos os porco justicero? (para o Barão): não és isso, caboco?
_(o Barão): Erem, caboco, erem!...
_Confesso, certo?, meu caro Barão, que eu estou até admirado com esse seu, como direi, “extraordinário” talento lingüístico...Aliás, eu não sabia, certo?, que o senhor é até poliglota, não é isso?
_Esse, meu caro Sudão, é um talento que desenvolvi, metodicamente, na minha bucólica Inhangapi, quando passava horas e horas conversando com os peixes...Aliás, quero lhe dizer, caboco, que Inhangapi é um dos locais mais fantásticos do mundo!
_(o Sudão): Não me diga, “caboco”!...
_Não sei se você sabe, mas nós até inauguramos lá um empreendimento novo e extraordinário: o Carnaval da Semana Santa – idéia, por sinal, do meu dileto Duzinho. O lorde Balloon até criou um mote fantástico para esse novo e extraordinário empreendimento: “Na Semana Santa não se agonie: solte a franga em Inhangapi!”...

(Toca a campainha bem alto, tipo sirene da polícia. Entra o Jujuba, vestido de pai de Santo, com uma galinha preta viva na mão e várias galinhas pretas junto com ele).

_(o Jujuba): Com licença, pessoal!...Foi daqui que ligaram pro Disk-Despacho?

(O DJ ataca “Só o ôme, de Edenal Rodrigues. Todos dançam e cantam no Apê – menos a Perereca, é claro, que continua, ao fundo, petrificada: “Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Suncê compra um garrafa de marafo/
Marafo que eu vai dizê o nome/Meia noite suncê na incruziada/Distampa a garrafa e chama o ôme/O galo vai cantá suncê escuta/Rêia tudo no chão que tá na hora/E se guáda noturno vem chegando/Suncê óia pa ele que ele vai andando/Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Ah mô fio do jeito que suncê ta/Só o ôme é que pode ti ajudá/Eu estou ensinando isso a suncê/Mas suncê num tem sido muito bão/Tem sido mau fio mau marido/ Inda puxa saco di patrão/Fez candonga di cumpanheiro seu/Ele botou feitiço em suncê/Agora só o ôme à meia noite/É que seu caso pode resolvê)


(Continua)

3 comentários:

crisblog disse...

Ei perereca...vá lá no meu casulo.
Estás linkada. Terás uma surpresa!

Beijos.

Ana Célia Pinheiro disse...

Muito bacana o teu blog, Cris. Amei! Obrigada por me linkares. Em breve, quando linkar outros blogs, linkarei o teu também, porque é realmente muito bom.
Saudades de Tailândia (ainda te lembras?). Por onde andarão o meu segundo maridão e o terceiro-quase-ex-maridão? E os teus? Quantos anos se passaram desde então, não é mesmo? Bacana te reencontrar. Bjs, Ana

crisblog disse...

Beijos, amor de minha vida...