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terça-feira, 29 de maio de 2007

DS

A DS e a crise do Governo


I

Fonte do blog envia informações sobre os pólos em que se divide, hoje, a Democracia Socialista (DS), a tendência petista a que pertence a governadora Ana Júlia e um quarto do primeiro escalão.

Segundo a fonte, a crescente disputa de poder na DS envolve três grupos bem definidos.

No primeiro figuram o chefe da Casa Civil, Charles Alcântara, e a titular da Sedurb, Suely Oliveira – ex-Força Socialista.

No segundo, o quase-exonerado Carlos Guedes, o secretário André Farias, a chefe de gabinete da governadora, Helena Nahum, e o marqueteiro Paulo Heineck, que coordenou a campanha de Ana Júlia.

No terceiro e último – que é o maior deles – estão o secretário de Governo, Claúdio Puty, os irmãos Maurílio e Marcílio Monteiro, o secretário da Fazenda, José Raimundo Trindade, o coordenador de Comunicação, Fábio Castro e a diretora da Escola de Governo, Edilza Fontes.

Já Vera Tavares, da Segup, e Edílson Moura, da Secult, jogam no time dos independentes, apesar de também integrarem a DS.

Bem próximos de Ana, há dois auxiliares nos quais ela confia muitíssimo: Carlos Botelho, consultor geral do Estado, e Márcia Freitas, chefe do Cerimonial.

A fonte do blog lembra que ambos são ex-petistas, que também integraram os governos tucanos.

Na verdade, corrige a Perereca, os laços entre Ana, Botelho e Márcia são bem antigos.

Botelho acompanha Ana há muitos anos, com fidelidade canina, por sinal. Coisa que também aconteceu com Zé Carlos Lima, hoje no PV. São, portanto, sólidas relações de amizade, respeito e cooperação.

Já Márcia Freitas foi ligada ao Comitê Democrático Operário e Popular (CDOP), que era o braço legal do Partido Revolucionário Comunista (PRC), nos tempos da ditadura militar.

Ana Júlia também integrou o PRC. Acredito que venha daí o conhecimento entre as duas.

II

Sobre o imbróglio que envolve Carlos Guedes que, há uma semana, não sabe se permanece ou não na Sepof, a fonte revela que o secretário ficou muito chateado “com duas situações”.

A primeira foi o fato de adversários dele, na DS, tentarem espalhar que foi demitido, “o que não foi o caso, porque foi ele que pediu demissão, o que não foi aceito pela governadora”.

A segunda foi a retirada de duas diretorias da Sepof – a Contabilidade e o Tesouro – o que ele só veio a saber “depois de já ter sido decidido pelo birô da governadora com o Puty e o Charles”.

Já Ana Júlia teria ficado chateada com Guedes porque “recebeu, mesmo, o pedido de demissão do Guedes, mas pediu um tempo. Acontece que o Guedes vazou a notícia. Mas, o Guedes afirma que foi o contrário”.

A fonte também cita dois exemplos, para demonstrar que as divergências na DS, que culminaram com a crise da semana passada, já têm algum tempo.

Segundo ela, ainda no começo do governo, Guedes queria a adoção do planejamento participativo – apesar da oposição de Charles e Puty, que acabaram perdendo a batalha.

Outro episódio envolveu a ressurreição do Idesp – que era defendida por Charles e Puty, apesar da oposição de Guedes. Como se sabe, Charles e Puty ganharam a parada.


III

Outra fonte revela que, ontem, segunda-feira, Puty apareceu, pela primeira vez, na reunião do Comitê Gestor do Planejamento Participativo, que começou às 16 horas. “Deve ter lido o seu post”, brinca o informante...

IV

Também ontem, segunda-feira, a Ascom da Sepof divulgou nota de esclarecimento sobre a imbróglio. A nota, porém, não diz com todas as letras, como deveria, que Guedes permanecerá na Sepof.

Afirma que ele “está cumprindo normalmente suas funções”. E remete aos esclarecimentos que teriam sido dados pela Coordenadoria de Comunicação Social (CCS), “quando da veiculação de notícias de uma suposta exoneração ou pedido de demissão”, por parte de Guedes.

E o que foi que disse a CCS, se bem se recorda a Perereca?

Bom, ela disse que Guedes continuava secretário e que Ana desconhecia pedido de exoneração dele.

É verdade: Guedes continua secretário. E Ana pode dizer, tranqüilamente, que desconhece pedido de exoneração dele, uma vez que não foi formalizado – foi feito, apenas, de boca, na terça-feira.

Ou seja: nem a CCS, nem a Ascom da Sepof acrescentam rigorosamente nada ao que o DIÀRIO do Pará divulgou.

E passam ao largo do principal - se Guedes continuará ou não na Sepof.

A nota reforça – como aponta um integrante do governo – o controle de Ana Júlia sobre a administração, ao informar que a Sepof já designou técnicos para trabalharem, junto com a Sefa, a proposta de reorganização da gestão financeira e contábil do Estado, “conforme determinação da governadora e prontamente acatada pelos secretários. Essa reformulação, que inclui, ainda, a recriação do Idesp, tem por objetivo reforçar o sistema estadual de planejamento”.

O último parágrafo da nota diz que “ainda conforme determinação da governadora, a Sepof dará continuidade ao acompanhamento do projeto de lei que tramita na Assembléia Legislativa do Pará, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), bem como está preparando as próximas ações do Planejamento Territorial Participativo, que culminará no encaminhamento dos projetos de leis do Plano Plurianual (PPA) e da Lei Orçamentária Anual (LOA)”.

A se acreditar que tudo não passou de mera especulação, causa estranheza, em primeiro lugar, a letargia do governo. Afinal, se Guedes nunca esteve demissionário, por que não se desmentiu, claramente, a informação, ainda na quarta-feira?

Aliás, nem era preciso que a CCS fizesse isso. O próprio Guedes, com a ajuda de seus assessores, poderia ter ligado para as redações dos jornais – ou, ao menos, atendido os telefonemas dos jornalistas – e dito, positivamente: “Nunca pedi exoneração, isso é boato. Continuo no governo enquanto a governadora entender que deve ser assim”.

Mesmo Ana Júlia, quando perguntada sobre isso, na quarta-feira, respondeu com um simples “não”, irritadíssimo. Se era mentira melhor que tivesse dito: “Isso não aconteceu. O Guedes não pediu exoneração e continua no governo”. Aliás, muito provavelmente, se tudo fosse especulação, a governadora, ao invés de responder com irritação, teria era dado uma boa gargalhada...

Quer dizer, o sapateado de catita da nota da Ascom da Sepof – nota que foi lida e aprovada pela própria Ana Júlia – acaba autorizando o prosseguimento das especulações.


V

Com tudo isso, a bolsa de apostas continua agitadíssima, em torno da permanência ou não de Guedes, na Sepof.

Fonte da Perereca conta que Guedes disse, no final de semana, que só permanecerá no cargo até que se encontre um substituto – o que deve demorar, talvez, dez dias. “É uma decisão pessoal”, afirmou – “E ele estava decidido”.

A mesma fonte garante que ainda não há nome em vista para a substituição de Carlos Guedes. Mas, que o substituto sairá, certamente, dos quadros da DS.

Outra fonte diz que Guedes só definirá se fica ou não no cargo, em meados de junho. O secretário viaja para o Rio Grande do Sul, para rever a família, nesta terça ou quarta-feira, e só deve retornar a Belém no dia 3. Vai aproveitar a folga para aliviar o estresse.

“A permanência dele está sendo construída e ele vai continuar a discussão da LDO”, completa.

Outra pessoa também próxima de Guedes garante que ele só permanecerá no cargo até a conclusão dos debates da LDO. “Ele deve sair no final de junho”, afirma.

Um terceiro informante reforça a informação. Para ele, simplesmente, não há clima para a permanência do secretário, depois que o cabo de guerra com outros integrantes do governo se tornou público. E depois que a crise começou a passar a sensação de uma disputa com a própria Ana Júlia.

VI

Entre as pessoas ouvidas pela Perereca há um consenso ainda maior: o enfraquecimento de Guedes, caso resolva permanecer no cargo.

“Essa questão não podia ter extrapolado o campo da tendência” – observa um parlamentar petista, ao apontar o desgaste de Guedes, dentro da própria DS, que é ainda mais “secreta” que o restante do PT, no trato das divergências internas.

Para esse parlamentar, há, na verdade, uma boa dose de “ciumeira” em toda a disputa que culminou com o enfraquecimento do secretário: “Ele é um quadro de fora, que demonstrou competência”.

“Mas, como é do Rio Grande do Sul, não vivenciou a experiência traumática do Orçamento Participativo, quando o PT estava à frente da Prefeitura de Belém”, observa, lembrando, entre outros fatores, as tristemente famosas “brigadas cabanas”.

E acrescenta: “Mas, o Planejamento Participativo, apesar da experiência negativa anterior, acabou sendo, agora, um sucesso, com a participação de deputados, prefeitos, lideranças. Todas as plenárias superaram as expectativas e eu creio que umas 30 mil pessoas participaram delas. Com isso, o Guedes cresceu aos olhos da Ana, até porque isso foi bom para ela, também”.

Ontem, segunda-feira, Guedes cumpriu extensa agenda na Sepof. Começou a trabalhar de manhã, saiu à tardinha – ao que se diz, para uma reunião com Ana Júlia – e, à noite, recebeu o secretário de Transportes, Valdir Ganzer.

Aos deputados que estiveram com ele, passou a impressão de tranqüilidade e disse que continuará na Sepof. Não tem qualquer divergência de fundo com o governo petista, nem o governo com ele - observa outro parlamentar petista. “Tudo isso não passa de disputa de poder”, resume.

VII

Integrante do governo que leu o último post do blog, concorda com as colocações acerca dos erros cometidos por Guedes, na disputa com outras correntes da DS.

Mas, diverge quanto à impossibilidade de se planejar sem a chave do cofre.

“Essa é uma questão de foco” – pondera. Recorda a organização do Estado brasileiro, especialmente a partir da década de 90, com a “onda neoliberal”. E observa: “O que aconteceu é que se destruíram todos os instrumentos de planejamento; de pensar o Estado a médio e longo prazo. E o que acabou prevalecendo foi a questão financeira”.

De acordo com a fonte, o remanejamento que se está fazendo para a Sefa, da Contabilidade e do Tesouro, objetiva, na verdade, fortalecer o planejamento. “E não, apenas, a curto prazo. Mas, a médio e longo prazo, também”.

Assinala outro fator importante, a justificar esse remanejamento: a imensidão de trabalho, o esforço, que o Planejamento Territorial Participativo exigirá da Sepof.

“Essa é uma experiência que está sendo riquíssima. Até agora, fizemos plenárias nos pólos, mas teremos plenárias, também, nos 143 municípios. Depois, teremos uma nova rodada de plenárias nos pólos, para votar o planejamento, dessa feita com os delegados escolhidos nas municipais. E o que a Ana está fazendo é permitir que a Sepof dê conta de tudo isso”, argumenta.

A mesma fonte jura não saber se Guedes permanecerá ou não no cargo: “Se é uma decisão dele, ele não expressa isso explicitamente”.

Observa que, se ele de fato deixar o governo, “será uma perda muito grande, porque é um quadro muito competente”.

No entanto, admite, a situação de Guedes acabou se tornando, de fato, bastante delicada.


VIII

A Perereca mantém tudo o que disse no post anterior (“Para Carlos Guedes”). Continua achando mais lógico manter a chave do cofre junto com o planejamento. Mas, é claro, respeita quem pensa o contrário e agradece a atenção do contraditório – que é, sempre, muitíssimo bem vindo, a toda e qualquer colocação que faz.

Quanto a DS, quero fazer algumas observações, especialmente quanto a essa mania de esconder, o mais possível, as divergências “internas”.

Para mim essa postura nada tem de democrática e cheira, até, à arrogância.

Divergência é sempre muito boa, porque educa, ajuda a pensar. E é bacana quando todos podem se manifestar, livremente, em relação a questões pertinentes ao conjunto da sociedade.

Aliás, que essa coisa de interna, de secreta, só cabe em clube de namorados, alcoólicos pra lá de anônimos e por aí vai. Ou seja, ao que envolva, tão somente, a esfera privada.

Qualquer agrupamento que pretenda a conquista do Poder tem, sim, de escancarar não apenas as decisões em bloco, mas as eventuais diferenças existentes.

E isso não é favor. É obrigação. É dever democrático.

Mais ainda quando conquistou o Poder. Porque aí mesmo é que as diferenças que possui, em torno de projetos de Governo e de Estado, dizem respeito não à meia dúzia, mas, ao conjunto dos cidadãos.

Afinal, a DS, hoje, conduz não um projeto de DS, mas, de Pará. E não apenas porque tem a governadora. Mas porque é uma força expressiva na administração estadual, na qual ocupa outras áreas fundamentais, além do cume, que é a Governadoria.

Tem sim, portanto, de explicar tim-tim por tim-tim as disputas que existem dentro dela. Não pode, simplesmente, agir como uma seita, um conjunto de iluminados.

O que a DS pensa e faz diz respeito, hoje, a cada cidadão paraense.

E isso eu disse, várias vezes, a amigos, quando tentava obter informações de partidos que classificavam essa ou aquela questão como “interna corporis”.

Partido político não tem questão, simplesmente, “interna corporis”. Se objetiva o Poder societário – e essa é nota essencial, definidora das agremiações políticas – tudo o que pensa ou faz tem caráter público.

O resto é lári-lári.

Quanto às especulações em torno do poder que deteriam os irmãos Maurílio e Marcílio, para mim isso não passa de rematado machismo. Coisa de uga-buga que não sabe de que árvore despencou.

Ao que eu sei, Maurílio e Marcílio militam a “trozentos” anos na política. Têm, talvez, mais estrada que Ana.

Se namoraram, casaram, treparam com a mulher Ana Júlia, isso é questão que só diz respeito a eles – aliás, detesto essa macaquice de ficar especulando quem trepa com quem. A mim, parece mera sublimação de gente mal resolvida. De gente que só sabe gozar no orgasmo alheio...

Já escrevi sobre todo esse preconceito em torno de Ana Júlia. Aliás, não me recordo de tanta baixaria, quanto essa que se levanta em torno da vida privada dela.

Mas, isso tem até um lado positivo. Afinal, se é só isso o que a oposição consegue fazer para acusá-la; se a oposição tem de apelar à baixaria para tentar queimá-la, é porque, maninho, o governo dela não vai tão mal assim...

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