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terça-feira, 1 de maio de 2007

Divagando!

Confissões


Desculpem, leitores, mas essa é uma confissão. Creio que não consigo temer os chicos ferreiras da vida - e nem a nada – porque a música abaixo me persegue.

Como algo que tem de estar sempre presente, no horizonte de quem luta.

Mesmo que nos imaginemos invencíveis, ao cavalo, nas espadas, nos canhões, a vida nos abaterá!

E essa é uma coisa que tem de ser. Para que venha o novo. E, com ele, se renove o mundo!

Recebi a honra que tanto reclamei. E, agora, qual Aquiles, ferido no calcanhar, tenho de recuar.

Que venham outros, tão destemidos como eu!

E eu os olharei com a mesma admiração.

E, quem sabe, os verei com os olhos da menina!... Encantada... Sim, encantada!

Sou jornalista, há 28 anos.

Quando comecei na profissão, havia um curso tão vagabundo, que nem reconhecido era.

Mas, até hoje, não sou jornalista reconhecida pelos meus pares. Embora tenha feito pelo jornalismo mais do que todos eles, em gerações...

Poderia, hoje, ser jornalista reconhecida por todos eles, mesmo sem diploma.

Bastaria que tivesse entrado em negociatas, em negócios escusos, como muitos fizeram, para conseguir o registro profissional.

Mas, não está em mim fazer tal coisa.

Pago o preço – e sei que tem de ser assim.

Quero conservar, até o fim, essa impossibilidade de me apontarem o dedão acusador.

Gosto de me olhar ao espelho e de ver que nunca fui complacente, nem comigo mesma.

É esse o pior ônus: a solidão...

Mas, alguém tem de fazer algo assim, não é mesmo?

Ao contrário do Lúcio, eu jogo. Não me recuso a jogar.

Por isso, ele passa dez anos gritando. E eu grito quatro semanas e consigo muito mais do que ele.

Jamais serei melhor ou maior do que ele – quem me dera! Quem me dera ter lido tudo o que sonhei! Quem me dera, o saber livresco que ele tem!

Ele leu. Eu, mulher, sobrevivi. E olhem que, a mim, mulher, saber jogar, já é espécie de maldição.

Avaliem se tivesse lido como ele, Lúcio! Não me restaria ninguém – quem sabe, nem eu mesma!...

Vi gente indignada com o dinheiro que recebo.

Mas, nunca vi ninguém indignado com o dinheiro recebido por um homem, mesmo que não valesse um décimo de mim! E que todos, afinal, soubessem disso!

É a vida... Nasci no tempo errado. Fazer o quê?

Nasci num tempo – e eu não consigo me ver neste tempo – em que mulheres são coisas.

Não são, exatamente, seres inteligentes. São, apenas, coisas...

Mas, eu jamais me vi “coisa” – jamais me verei!

Pago o ônus. É a opção que fiz!

Deixo o campo de batalha, porque sou mulher. E mulheres, num campo de batalha, têm de gritar – e não abater, como eu faço. Principalmente, se forem bem pagas, não é mesmo?

Definitivamente, vou me sentar na arquibancada e assistir o jogo. A ver se encontro “príncipe encantado” que lute melhor do que eu...Para ver se adquiro, enfim, respeitabilidade social...

E, agora, de novo, Carmina Burana....



Carmina Burana

(Fortuna e Fortuna plango vulnera)

I

O Fortuna
Velut luna
Semper statu variabilis,

Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
Dissolvit ut glaciem.


Sors immanis
Et inanis,
Rota tu volubilis,
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris;
Nunc per ludum
Dorsum nudum
Fero tui sceleris.


Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria,
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem
Sternit fortem,
Mecum omnes plangite!

II

Fortune plango vulnera
Stillantibus ocellis
Quod sua michi munera
Subtrahit rebellis.

Verum est, quod legitur,
Fronte capillata,
Sed plerumque sequitur
Occasio calvata.

In Fortune solio
Sederam elatus,
Prosperitatis vario
Flore coronatus;

Quicquid enim florui
Felix et beatus,
Nunc a summo corrui
Gloria privatus.

Fortune rota volvitur:
Descendo minoratus;
Alter in altum tollitur;
Nimis exaltatus

Rex sedet in vertice
Caveat ruinam!
Nam sub axe legimus
Hecubam reginam

Um comentário:

Jeso Carneiro disse...

Post simplesmente embriagador. E que te coloca sob os meus olhos várias polegadas acima dos mortais. Admiravalmente mulher!