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sábado, 28 de abril de 2007

Até o fim

Até o fim!



A sociedade paraense precisa respirar fundo e fazer uma lição de casa. Que, talvez, se revele extremamente dolorosa. Mas, que precisa ser feita.

Essa história que envolve Chico Ferreira e o provável assassinato dos irmãos do deputado Alessandro Novelino tem de ser apurada até o fim - doa a quem doer!...

Não podemos, simplesmente, nos “resignar” a essas barbaridades. Chega!

Décadas a fio, vimos este estado tomado por uma guerra civil, entre um punhado de latifundiários - com suas milícias, jagunços e inserções no Poder Público – e legiões de miseráveis, sem um palmo de terra para plantar.

Vimos religiosos, advogados, ex-deputados, assassinados não apenas em regiões remotas, mas, até no centro de Belém.

Vimos uma anciã, uma freira, ser morta, friamente.

E como que nos habituamos a essa brutalidade. Como se fosse perfeitamente normal!

Como se bastasse fechar os olhos e sobreviver. Como se viver com medo fosse, ao menos, sobreviver...

Agora, além dessa violência advinda da questão agrária, jamais resolvida em cinco séculos de Brasil; e da violência associada às condições subumanas em que vive a maioria do nosso povo, nos deparamos com outro tipo de violência.

Um crescente tipo de brutalidade, associado aos grupos criminosos organizados. Que parecem rir de nós, com revoltante certeza de impunidade.

Sinceramente, eu, que votei – e fiz campanha – para os tucanos, em 1998 e até no segundo turno de 2002; eu, que os servi ao longo de quase dez anos de minha vida, me sinto vítima de um estelionato político.

O que justifica, a qualquer cidadão, com um mínimo de decência e de consciência da Cidadania; ou a qualquer partido, minimamente comprometido com a sociedade, acoitar uma figura como Chico Ferreira?

E não apenas abrigar uma figura assim, mas, até contribuir para que acumule mais e mais poder?

Porque outros fazem ou fizeram, vou fazer também?

Porque é light, in, moda ser desonesto, vou ser desonesta também?

Mas, por que, cargas d’agua, vou me permitir silenciar diante desse tipo de coisa; compactuar, me acumpliciar, com esse tipo de coisa?

E desde quando existe “meio bandido”?

Sinceramente, não consigo entender o que pensavam os tucanos quando “regaram” a ascensão de Chico Ferreira.

Ou qualquer político, ou qualquer empresário, ou qualquer autoridade ou “mero” cidadão que tenha contribuído para isso.

Falava-se em mudar o estado; em transformar a realidade dos paraenses; em construir um “Novo Pará”. Mas, com Chico Ferreira?

Pera lá! Há um limite ético claríssimo aqui!

E um limite legal, que, aos trancos e barrancos, conseguimos construir, em quase sete mil anos de civilização.

Um limite que já existia até no direito consuetudinário e nas “leis divinas”.

O limite que é o outro, e ainda mais que o outro, a coletividade – e que se tornou absolutamente inescapável na modernidade democrática.

Como podemos pensar em mudar a sociedade, ou até, em radicalizar a democracia, às custas de dinheiro da bandidagem?

Como podemos nos associar a isso?

Como podemos permitir isso?

Por que o sujeito é bem falante, risonho, agradável e quer nos pagar aquela lagosta básica, fingimos ignorar quem é, o que quer, as ligações que tem?

Ao longo da minha formação política, ouvi falar na violência dos oprimidos, dos espoliados, em contraposição à violência que sofrem, no cotidiano, desde que nascem até quando morrem.

Mas, nunca vi – e eu quero que alguém me mostre! – tentativa, ao menos, de justificativa teórica para a violência bandida.

Para a utilização da violência bandida, em qualquer projeto de transformação societária.

O pior de tudo é que, após esses doze anos em que Chico Ferreira foi devidamente “cevado” pelos tucanos – e não apenas por eles, diga-se de passagem – não sabemos a extensão de seus tentáculos.

Não sabemos quem - ou o quê - está por trás dessa figura.

Não sabemos o quanto levou ao Poder Público – ou seja, a cada um de nós.

Não sabemos qual o “projeto” dele – ou de quem está por trás dele – para o Pará, o nosso Pará...O Pará que deixaremos aos nossos filhos e netos...

De quem era ele o embaixador visível e “agradabilíssimo”, afinal?

Imprensa, Ministério Público, Judiciário, polícias, deputados, senadores, partidos políticos, Estado, sociedade, cidadãos – todos – temos de passar isso a limpo.

Dar um basta nisso. Devassar.

Que não reste vírgula desconhecida nessa história macabra.

Com a palavra, a governadora Ana Júlia Carepa, o PT, a Assembléia Legislativa, a secretária de Segurança Pública - cuja origem, aliás, é a SPDDH – a Magistratura, e o procurador geral de Justiça, Geraldo Rocha.

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