Ban

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Sou honesta, e daí?


Sou honesta, e daí? Não sou burra, condescendente, ingênua, o raio que o parta. Sou, pura e simplesmente, honesta.

Estranho eu ter de justificar isso. Um dia, me disseram que era qualidade. Hoje, sinceramente, imagino que seja defeito. Afinal, honestidade, que vem a ser?

Me perdoe, leitor, mas estou abrindo o coração. Em mais ou menos 20 anos de política, já vi de tudo um pouco. E não posso dizer que nunca meti a mão na merda. Afinal, os “guerreiros” são para isso mesmo: para fazer o que é preciso.

Mas não tenho – e disso me orgulho – um palmo de terra no cemitério. Tenho, apenas, dívidas em profusão. E que eu espero, sinceramente, poder começar a pagar. Antes que os credores me mandem prender...

É estranha essa coisa dos valores. Por vezes, sinto a honestidade como um fardo. Primeiro, porque as pessoas não acreditam. Ou, outros, fazem de tudo para demovê-lo dessa “infeliz” condição. Ou, ainda, porque honestidade, neste país de moral lassa, tornou-se sinônimo de burrice.

Vim da classe média alta. Conheço, portanto, um bom whisky, o salmão defumado e o caviar iraniano. Mas, nada disso – infelizmente, caro leitor – conseguiu me seduzir. Sempre achei caviar pra lá de pitiu, salmão razoavelmente pai d’egua e o whisky pra lá de enjoativo.

Nunca consegui me ver apegada a coisas materiais. E, mais ainda, a coisas que a gente caga e mija na primeira esquina.

Sempre me foram muitíssimo mais sedutores a dona Maria e o seu José. Toda a beleza que são. Com as suas palavras, por vezes, incompreensíveis. Mas, com um sentimento que é maior que o mundo inteiro!

Amei, amo e creio que sempre amarei o seu José e a dona Maria. E é por isso que jamais conseguirei me conformar com a miséria em que vivem. Me transformei em um agente a serviço deles. Que se há de fazer?

Não sou incorruptível. Ninguém é. O problema, caro leitor, é que não consegui quem bancasse o meu preço. Porque o meu preço incluem o seu José e a dona Maria. É caríssimo, veja você.

É preço de doido. Afinal, poderia ter uma casa confortável, um carro (aliás, nunca consegui distingui-los; não conheço marcas) e um futuro tranqüilo para a minha filha.

Afinal, nasci para isso. Mas, não consigo “cumprir” o meu destino. Adoraria isso, seria bem menos estafante. E eu poderia ocupar um bom lugar de destaque em qualquer corte, não é mesmo? Pois é, com o meu talento, seria, quem sabe, quase um Galileu Galilei, a oferecer os céus como testemunha da autoridade do meu eventual mantenedor...

O problema é que o seu José e a dona Maria nem olhar para o céu podem. Vivem numa condição tão deplorável, sem comida, sem casa, sem educação, que eu nem consigo me imaginar como Galileu. Pois, se a dona Maria e o seu José, que são os meus senhores, não podem olhar para os céus displicentemente, como eu, escrava, vassala deles, poderia ver os céus que eles não vêem?

Tenho pela sociedade uma profunda gratidão. Sei que não existo individualmente; afinal, o Humano é uma construção coletiva. Meu talento não me pertence, nunca pertencerá. É um ganho coletivo. E ao coletivo eu preciso devolvê-lo.

Por isso, sigo honestamente pela vida. Cidadã orgulhosa da própria condição. Não consigo me corromper – simplesmente, não está em mim.

Adoraria isso, para ter todas as benesses que isso me proporcionaria. Afinal, sou humana. O problema é que não está em mim.

Gosto de me olhar no espelho e gostar de mim. Gosto que a minha filha goste de mim. Gosto disso. E é por isso que eu perguntei, ao começo: sou honesta, e daí?

P. S. Detesto, odeio, ter virado uma espécie de quintessência da moralidade. Porque sou humana, caramba! E eu penso nisso. Como todo mundo pensaria. Mas tenho vergonha. E isso é cruel!

4 comentários:

Anônimo disse...

Deixe de ser hipócrita e sem vergonha. Como você pode falar na miséria de dona Maria e seu José, trabalhando justamente pra quem roubou todas as possibilidades de uma vida mais justa para os dois?
Cada dia que passa, você fica menor como gente. Cada dia que passa tenho pena do que o futuro lhe reserva.
Pelo jeito, não há mais tempo para recuperação.
O melhor que você tem pra fazer é assumir a sua condição de ser na vida uma ninguém, que não vale nada nem pra deixar uma lembrança para a sua pobre filha.
Uma filha, quem sabe, que um dia poderá ser ajudada pelas mãos caridosas de quem sempre lhe deu a mão e foi traída por você, a Valéria Pires Franco.
Nunca esqueça isso.
A minha pena é que a Valéria com certeza já lhe perdoou, como sempre faz.
Por mim, quero que você sofra e continue comendo o pão que o diabo do seu patrão amassou.

Anônimo disse...

Como jornalista sei que você não é.
Se fosse já teria escrito matérias no seu blog sobre todos os políticos do Pará. Mas vc não tem coragem nem honestidade para fazer isso.Do Jader, então, nem se fala e muito menos se escreve.
A cada dia que passa vc é menos jornalista e mais jaderista.
Sem esquecer da sua principal marca, a ingratidão.
Lembre-se da ex vice governadora Valéria Pires todos as noites antes de dormir.Só pra ficar com insônia.

Anônimo disse...

Os milhoes de paraense nascidos nos últimos 12 anos e que já nasceram na miséria e sequer tem esperança de melhora, em razão da gestão desastrosa do Novo Pará cuja marca foi transformar a corte num oásis de ricos como os gabriel e os jatene cuja ostentação ofende os miseráveis a que me refiro foi destronada graças a atitude de Ana Célia, do Barata e outros corajosos. Isso dói no bolso de quem perdeu o DAS.

Anônimo disse...

Hey, Pê,
Não existe nada igual à solidaridade, para se viver em sociedade.

A sensação é de estar no útero da nossa mãe: protegida, aquecida, suprida e por aí vai.

A desgraceira é que a solidariedade não existe por sí só. Ela é fruto da ausência do privilégio.

Aí é que pega: quem nasce privilegiado (e no Brasil são muitos os carentes) terá que fatalmente perder em função do ajuste necessário (bom para todos), ou não, e aí não pode ver os outros e pau na máquina, como faz o cretino do anônimo anterior, que criticou vc e defendeu, logo quem, a mulher do VICtor!